A xícara de café estava escaldante na mão de Cathleen, mas ela parecia ter perdido toda a sensação, seus olhos estavam fixos nas duas figuras na entrada.
Jerald, vestido com um sobretudo cinza-escuro, estava ereto. Sua gravata, normalmente impecável, estava meio desfeita, como se ele tivesse acabado de passar por algo.
Ao lado dele estava Evelina Lambert, inclinando levemente a cabeça enquanto o ouvia falar.
Evelina era a principal violoncelista da orquestra sinfônica estadual, alguém que Cathleen havia encontrado três anos atrás na competição nacional de instrumentos.
Naquela época, Evelina competiu ao lado dela.
Sendo a musicista mais jovem do evento, Cathleen levou para casa a medalha de ouro.
Aqueles olhos, uma vez cheios de inveja ao olharem para ela, apareceram novamente.
Evelina a analisava com um olhar crítico, avaliando-a como se fosse uma simples mercadoria.
"Jerald, quem é essa?" A voz de Evelina era suave, enquanto ela carinhosamente entrelaçava seu braço no de Jerald.
Seu coração apertou com dor.
Ela viu o olhar de Jerald passar por ela, olhos que antes a olhavam com tanto carinho agora pareciam tão indiferentes.
"A filha de um amigo falecido," ele disse friamente, sem revelar emoção, "está aqui temporariamente."
Suas palavras perfuraram o coração de Cathleen com dor aguda.
Ela recordou a noite anterior, quando ele voltou para casa embriagado, apoiando-se no batente da porta, o cheiro de álcool em seu hálito, seus olhos turvos ao olharem para ela.
Ela sentiu sua alma ser atraída por ele, avançando para beijar o canto de seus lábios, saboreando o whisky picante.
Ele não a afastou, apenas suspirou suavemente, enterrando a cabeça em seu pescoço, seu hálito quente.
Então, ela era apenas "a filha de um amigo falecido" para ele.
A garganta de Cathleen doía, tornando-a incapaz de falar.
No entanto, ela não queria parecer tão patética diante da pessoa que amava.
"Jerald," ela conseguiu dizer com dificuldade, "eu fiz café."
Evelina interrompeu: "Ah, desculpe pelo incômodo. Jerald, essa garota é bem atenciosa."
Enquanto falava, ela passou por Cathleen, seu olhar demorando-se momentaneamente nos olhos ligeiramente avermelhados de Cathleen antes de se voltar para Jerald. "Vamos subir? Estávamos apenas começando."
Cathleen ficou sem ar.
Ela não tinha ousado olhar para a marca vermelha no pescoço de Jerald há pouco.
Ela estava apenas se iludindo.
Agora, com o comentário direto de Evelina, Cathleen sentiu como se todo o ar tivesse sido sugado de seus pulmões.
Jerald assentiu, sem dar uma olhada em Cathleen, e seguiu Evelina escada acima.
Cathleen ficou paralisada até que o som dos passos desapareceu no topo das escadas. Só então ela se agachou lentamente, lágrimas caindo como uma chuva de pérolas, batendo no chão uma a uma.
Do andar de cima vinham os suaves e ofegantes gemidos de Evelina.
Cathleen de repente lembrou-se de seu décimo oitavo aniversário, quando Jerald lhe presenteou com um violoncelo feito à mão.
"Cathleen," ele dissera, "você se tornará a melhor violoncelista do mundo."
Mas agora, ele tinha outra mulher que tocava violoncelo.
Cathleen permaneceu em silêncio. Ela tinha apenas um mês antes de ter que partir. Até lá, tudo aqui, incluindo Jerald e Evelina ao lado dele, não teria nada a ver com ela.
Mas por que, então, seu coração doía tanto?
Às duas da manhã, os ruídos esparsos do andar de cima continuavam a desgastar os nervos sensíveis de Cathleen.
Encolhida no canto do sofá, embrulhada em um cobertor grosso, ela ainda sentia frio.
Cada respiração parecia fogo em seus pulmões, e tudo diante de seus olhos girava.
Ela não sabia como suportou aquelas horas.
Os sons de cima perfuravam seus ouvidos como agulhas, causando uma dor interna.
Cathleen lutou para se levantar.
Ela se apoiou na parede, esforçando-se para subir as escadas.
A cada passo que dava, os sons ficavam mais claros, e seu coração latejava de dor.
Finalmente, ela estava diante da porta do quarto de Jerald.
Não estava completamente fechada, deixando uma fresta através da qual o clima íntimo era sufocante para ela.
Evelina estava deitada sobre Jerald, beijando-o, enquanto a mão dele segurava a parte de trás de sua cabeça, respondendo fervorosamente.
Cathleen respirou fundo, reunindo todas as suas forças para bater na porta.
Um murmúrio insatisfeito veio de dentro, e a porta se abriu.
Jerald estava vestindo um roupão de banho. Quando viu Cathleen parada na porta, com o rosto pálido e o corpo todo tremendo, um lampejo de pânico surgiu em seus olhos. "Cathleen? O que houve?"
"Jerald..." A voz de Cathleen era fraca enquanto ela levantava a mão febril para agarrar a manga de Jerald. "Estou com febre. Sinto-me péssima... Você pode me levar ao hospital?"
Jerald estendeu a mão para tocar sua testa. A temperatura escaldante fez com que ele franzisse as sobrancelhas.
"Está grave." Seu tom estava tenso enquanto ele se virava para pegar as chaves do carro. "Você deveria ter me dito antes."
Nesse momento, Evelina saiu do quarto, vestindo a camisa de Jerald, a camisa deslizando sobre suas coxas.
Ela insistiu em ir ao hospital com eles. "Jerald, você é um homem. Como você pode cuidar dela sozinho? Vou com vocês."
Com isso, Evelina rapidamente trocou de roupa e envolveu afetuosamente um braço em torno de Cathleen enquanto se dirigiam para fora.
No meio do caminho para o hospital, o telefone de Evelina tocou de repente.
Ela olhou para a tela, e seu rosto imediatamente ficou ansioso. "Sim? O quê? O que aconteceu com Snowball? ... Certo, estarei aí!"
Desligando, Evelina apertou o braço de Jerald urgentemente. "Jerald, meu gato está doente. O veterinário disse que é sério. Você pode me levar até lá?"
Jerald franziu a testa, olhando entre a pálida e trêmula Cathleen e a ansiosa Evelina, seu olhar oscilando entre as duas.
O coração de Cathleen afundou ainda mais.
Ela se encostou fraca contra a janela fria do carro, olhando para Jerald, sua voz tingida de lágrimas. "Jerald, eu me sinto tão mal..."
Os olhos de Jerald caíram sobre o rosto febril dela, sua garganta se moveu como se quisesse dizer algo.
Mas no final, ele apenas respirou fundo, evitando seu olhar, seu tom era apologético. "Cathleen, saia do carro por enquanto. Vou pedir a um amigo para vir buscá-la e levá-la ao hospital."
Cathleen o olhou incrédula, lágrimas instantaneamente embaçando sua visão. "Jerald, você realmente vai levá-la?"
Jerald não respondeu, apenas puxou o telefone do bolso como se fosse fazer uma ligação.
Naquele momento, Cathleen sentiu seu mundo desmoronar completamente.
Ela observou o homem que um dia a valorizou, escolhendo abandoná-la em seu momento mais vulnerável por outra mulher. Sentiu como se seu coração estivesse sendo partido em pedaços. Aquele momento não foi menos doloroso do que quando ela estava presa no incêndio furioso anos atrás.
"Não precisa." Cathleen sorriu de repente. "Jerald, siga em frente. Eu posso me virar sozinha."
Ela saiu do carro e chamou um táxi.
Cada passo parecia caminhar sobre cacos de vidro, a dor quase a fazendo desmaiar.
Ela sabia que, a partir deste momento, as coisas entre ela e Jerald nunca poderiam voltar a ser como antes.
Uma fria realização a envolveu, gelando-a até os ossos.
Cathleen sentiu sua consciência se tornar cada vez mais fraca.
Parecia que estava de volta à infância, no meio daquele incêndio, chamando por Jerald enquanto ele corria pela fumaça para segurá-la firmemente.
Naquela época, ele prometeu protegê-la para sempre.
Mas agora, por causa do bichano de Evelina, ele deixou Cathleen ardendo em febre à beira da estrada no meio da noite.
No momento seguinte, Cathleen caiu na escuridão.
O cheiro de desinfetante do hospital era avassalador.
Cathleen tinha medo de hospitais desde criança.
Depois de um tempo, seus cílios tremeram.
Ela abriu os olhos para ver um soro pendurado acima, o líquido claro pingando lentamente pelo tubo e entrando na parte de trás de sua mão.
Um arrepio subiu pela espinha.
"Você está acordada?" Uma voz familiar soou ao seu ouvido. Cathleen virou a cabeça para ver Jerald sentado na cadeira ao lado de sua cama, as sobrancelhas franzidas, os olhos vermelhos.