Capítulo 2

No YMG Club, Reid estava sentado no sofá e acompanhado por duas belas mulheres.

"Estamos percebendo que está tão calmo hoje, Reid. Como consegue manter assim? Você provocou um grande escândalo e mesmo assim está aqui tranquilamente", disse Shawn Qiao enquanto segurava uma taça de vinho.

"E por que não deveria estar?" Reid chacoalhou os ombros como sinal de pouca importância e continuou bebendo.

"Seu avô não disse nada?" Ezra Mu não acreditava que Roland Qin, o avô de Reid, ignoraria aquele assunto e ficaria calado.

Reid balançou a cabeça desaprovando a conversa: "Acho que é melhor a gente mudar de assunto, afinal estamos aqui para se divertir."

Apesar de ter dinheiro e mulheres bonitas ao seu lado, Reid não se sentia feliz. De vez em quando, seu pensamento voltava-se para Aria. Quando se lembrava daquele olhar meigo que ela possuía, sentia-se incomodado.

Naquela manhã, quando viu a mancha vermelha no lençol branco sobre o qual haviam dormido, ela simplesmente cerrou os punhos como sinal de rejeição e calou-se.

Reid tinha bebido muito na noite anterior, mas tinha consciência do que estava fazendo e se lembrava de todos os detalhes. Se a mulher com quem passou a noite fosse uma pessoa qualquer, não teria causado tanto transtorno.

Aria era uma moça de prestígio e pertencia à família Yan. Mais cedo ou mais tarde, as coisas iriam ficar difíceis para Reid.

Reid tomou mais um gole de vinho, empurrou as mulheres de lado dele e anunciou: "Pessoal, estou saindo."

"Ei, Reid! Você convidou a gente para vir aqui, certo? Então, Por que está indo embora tão cedo?", dessa forma reclamou Alden Gu.

"Infelizmente tenho de ir. Vocês fiquem e divirtam-se. Fiquem tranquilos que pagarei a conta de tudo que consumirem esta noite. Portanto, divirtam-se!" Após dizer essas palavras, saiu e seguiu direto para o estacionamento.

Manobrou o veículo e saiu lentamente pela estrada. Naquela hora, as ruas da cidade estavam vazia, e apenas alguns caminhavam pelas calçadas.

Ao contornar para entrar na avenida principal, viu uma moça parada perto da ponte de acesso a área central, que chamou à atenção dele. Era uma moça muito branca, e sua face expressava solidão e tristeza. Isso o deixou curioso.

Aria havia deixado a Mansão Yan e vagava sozinha pelas ruas da cidade. Foi quando parou na beira da ponte para se refrescar com a brisa fria que vinha do leito de água. Estava de braços abertos e o vento parecia brincar com seus cabelos e com a saia longa que estava vestindo.

De repente, uma mão grande agarrou seu braço fortemente.

"Ai meu braço! Me deixa, por favor!" Gritou, porque realmente sentiu muita dor quando Reid a puxou e apertou seu braço. Ao virar o corpo rapidamente para se soltar, pendeu o corpo junto ao dele e nesse momento cambalearam e agarrados caíram no chão.

"Ei Aira, vejo que você realmente é uma mulher animada. Ontem estávamos juntos e hoje foi só me ver que você já se lançou sobre mim", Reid disse enquanto ajudava ela a se levantar.

"Então, agora você vai dizer que a culpa é minha novamente? Foi você quem veio aqui e me agarrou. Caso contrário, a gente não teria caído." Inquieta, Aria mordeu os lábios, enquanto pensava que aquela conversa poderia não terminar bem.

"O que você estava dizendo? Por favor, vamos, continue." Ele fitou os olhos nela e continuou: "Não vá me dizer que você levou tudo aquilo a sério? Você iria se jogar na água por causa disso?"

Reid não era um homem perverso. Ao ver que a moça estava de braços abertos e a brisa tentava erguer a saia dela, sentiu na obrigação de ajudá-la. Pensou em salvá-la, porque sentiu pena, mas de modo nenhum imaginava que fosse Aria.

"Por que você pensa desse jeito? Vamos, me diz. Por quê?" Enquanto limpava a sujeira de suas roupas, ela olhava para ele.

"Não esperava que você tivesse tanta força", respondeu ele.

Na noite que passaram juntos, Aria estava usando muita maquiagem, então Reid pensou que ela fosse uma mulher qualquer. Mas agora, o rosto dela estava limpo, então o brilho dos olhos, os longos cílios e a delicadeza dos lábios dela, eram realmente muito atraentes.

Ao se lembrar do que ocorreu entre eles na noite anterior, sentiu um nó na garganta e seu coração apertou dentro do peito. No entanto, quando Aria olhou, ele tentou disfarçar aquele sentimento.

"Não sou como algumas pessoas que praticam seus atos e depois culpam os outros", respondeu ela. Ao dizer essas palavras, Aria ameaçou se afastar, mas de repente sentiu quando uma mão agarrou seu braço e a puxou.

Capítulo 3

Com olhar de estranheza, Aria olhou para a mão de Reid segurando seu pulso. "O que você está fazendo?", ela perguntou.

"Você quer dizer que eu coloquei a culpa em você de propósito?", respondeu ele com um sorriso apagado.

"Eu não tenho nada a ver com a forma que você interpreta minhas palavras. Preciso ir embora, não serei mais um inconveniente. Obrigada por salvar minha vida, senhor Reid", disse ela cerrando os dentes e dando ênfase nas palavras "salvar minha vida".

Um sorriso espontâneo surgiu no rosto do jovem assim que a moça se virou para ir embora. Ele começou a achar que ela era muito mais interessante do que ele imaginava.

"Já que nos encontramos assim, que tal eu agir como um bom moço e te dar uma carona até em casa?" Assim, ele se aproximou dela e a conduziu até o carro.

Sabendo que perderia tempo insistindo em recusar, ela aceitou.

Em pouco tempo de viagem, ela se lembrou da indesejada mulher convidada pelo seu pai, Milton. No mesmo instante, lembrou-se que queria ficar longe de casa.

"Na verdade, eu não vou para casa", Aria disse quebrando o silêncio.

"Então você prefere ir para a minha casa? Olha, não sei se é uma boa ideia, meu avô ainda está furioso com o escândalo que nós fizemos...", respondeu ele calmamente enquanto dirigia.

Ela o encarou e respondeu: "Não. Me deixe em algum hotel."

O rapaz apenas continuou dirigindo de forma tranquila. Depois de um tempo em silêncio, ele disse: "Já está tarde. Por que você não quer ir para casa? Tem certeza que quer ir para um hotel? Ou... você vai dormir com outro homem hoje à noite?"

"Eu não tenho que dar a mínima satisfação para pessoas como você!", disse a jovem, que, logo depois, virou para a janela.

Em poucos minutos, o carro estava estacionado em frente ao melhor hotel de Cidade B.

Aria agradeceu o favor e saiu apressada do veículo indo direto para a recepção. Apenas depois de alguns segundos ela percebeu que tinha esquecido sua bolsa no carro.

Ela levou um choque e virou instantaneamente tentando correr, porém esbarrou em alguém e levou mais um susto. Ali estava Reid com sua bolsa. Ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido: "Se você quer tanto a minha presença, não precisa 'esquecer' sua bolsa no meu carro. Esse truque é meio ultrapassado, não acha?"

Aria tinha planejado sair de sua casa para relaxar e esfriar a cabeça, ela só não imaginava que iria encontrar alguém que faria ela enlouquecer.

Ela tirou sua identificação de sua bolsa e entregou à recepcionista. "Por favor, um quarto."

"Desculpe, senhorita Aira. No momento não temos quartos disponíveis", desculpou-se a recepcionista devolvendo a identificação.

Aria deu um pesado suspiro e guardou seu cartão. Enquanto pensava no que fazer, Reid agarrou a mão dela e disse: "Vamos nessa!"

"Vamos aonde?" Quando pensou em reclamar, já estava dentro do elevador com Reid.

O silêncio reinou enquanto o elevador subia, apenas abrindo a porta ao chegar no último andar do hotel.

Reid saiu, Aria, porém, colocou apenas uma de suas pernas para fora do elevador, parou e disse: "Espera! Reid Qin, que diabos você está fazendo?"

"Não se preocupe. Eu não vou fazer nada com você, mas se você se atirar em mim de novo, não posso garantir nada. Afinal, eu sou um homem, não é mesmo?" O jovem a conduziu pelo corredor e parou em frente à porta de um quarto. Com um cartão magnético que tirou da sua carteira, abriu a porta e a introduziu no apartamento.

No fundo, ela sabia que a atitude mais sensata a se fazer seria recusar a oferta de Reid e ir embora imediatamente, mas, por alguma razão, ela não o fez.

"Este quarto está reservado para mim por um longo período. Você pode ficar aqui esta noite e não precisa me agradecer", disse o jovem encostado no batente da porta.

"Você é mesmo desse tipo?", perguntou Aria, enrijecendo a postura.

"Bem, se você insistir, eu até posso ficar com você." Quando ele se ajeitou para entrar, ela correu como um raio, fechou a porta e a trancou.

Reid ficou surpreso e estático durante um tempo, ora com a mão no queixo, ora coçando a cabeça. Então, sem dizer nada, virou-se e saiu do local.

Ele se perguntou se aquela jovem realmente valia seu esforço e gentileza.

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