Capa do Romance Amor Envenenado, Justiça Amarga

Amor Envenenado, Justiça Amarga

9.6 / 10.0
Após dedicar décadas à enfermagem, minha mãe foi envenenada, mas a culpada, Keila Diniz, foi absolvida. O golpe fatal veio de meu marido, Gustavo, o advogado mais influente de São Paulo, que a defendeu e manchou a honra da vítima para salvar sua carreira. Confrontado, ele ameaçou expor o passado médico da minha mãe para silenciar a verdade. Traída e humilhada por sua ambição, assinei o divórcio com um plano: vou desaparecer para planejar minha vingança contra ambos.

Amor Envenenado, Justiça Amarga Capítulo 1

Minha mãe, uma enfermeira que passou quarenta anos cuidando dos outros, foi envenenada e deixada para morrer depois de um baile de caridade. A mulher responsável, Keila Diniz, estava no tribunal, com uma máscara de inocência e lágrimas, alegando legítima defesa.

O verdadeiro horror? Meu marido, Gustavo Guedes, o maior advogado de São Paulo, estava defendendo Keila. Ele destruiu a reputação da minha mãe, distorcendo a verdade até que o júri acreditasse que Keila era a vítima.

O veredito veio rápido: "Inocente". Keila abraçou Gustavo, um sorriso triunfante brilhando em seu rosto. Naquela noite, em nossa mansão fria, eu o confrontei. "Como você pôde?", engasguei. Ele respondeu calmamente: "Era meu trabalho. Keila é uma cliente muito importante."

Quando gritei que ela tentou matar minha mãe, ele ameaçou usar os registros médicos sigilosos da minha mãe, seu histórico de depressão, para pintá-la como instável e suicida. Ele estava disposto a destruir a memória dela para proteger sua cliente e sua carreira.

Eu estava presa, humilhada e de coração partido. Ele havia sacrificado minha mãe por sua ambição, e agora estava tentando me apagar. Mas enquanto eu assinava os papéis do divórcio que ele havia preparado, um plano selvagem e desesperado começou a se formar. Se eles me queriam fora, eu desapareceria. E então, eu os faria pagar.

Capítulo 1

O piso polido do tribunal refletia as duras luzes fluorescentes, fazendo tudo parecer frio e irreal. Eu encarei a mulher no banco das testemunhas, Keila Diniz, seu rosto uma máscara perfeita de inocência e lágrimas.

Ela enxugava os olhos secos com um lenço de seda.

"Eu estava com tanto medo", ela sussurrou, sua voz tremendo na medida certa. "Ela veio para cima de mim... eu só me defendi."

Mentira. Cada palavra era uma mentira. Minha mãe, uma enfermeira comunitária que passou quarenta anos cuidando dos outros, não faria mal a uma mosca. Ela havia derramado acidentalmente uma bebida no vestido de grife de Keila em um baile de caridade. Esse foi seu único crime.

Por isso, Keila e suas amigas encurralaram minha mãe em um corredor silencioso. Elas não apenas a espancaram. Elas a deixaram para morrer.

O verdadeiro horror veio depois, no hospital, quando os médicos encontraram o veneno. Uma toxina de ação lenta, destinada a garantir que ela nunca mais acordasse.

Foi tentativa de homicídio, simples e direto.

Mas aqui estávamos nós, e o júri estava engolindo a performance de Keila. E o homem que dirigia todo esse circo, aquele que estava destruindo a reputação da minha mãe, era meu marido.

Gustavo Guedes.

Ele se levantou, seu terno caro perfeitamente alinhado, sua expressão de simpatia profissional por sua cliente. Ele era o fundador do maior escritório de advocacia da cidade, um homem conhecido por seu charme e suas estratégias impiedosas no tribunal. Eu já tive tanto orgulho dele.

Agora, eu só sentia nojo.

Ele voltou seu olhar para o júri. "Isso foi um acidente trágico, um mal-entendido agravado pelo medo. Minha cliente, a Sra. Diniz, é a vítima aqui."

As palavras me atingiram com mais força do que um soco. Senti a bile subir pela minha garganta.

O veredito veio rápido. "Inocente."

Keila abraçou Gustavo, um sorriso triunfante brilhando em seu rosto por uma fração de segundo antes de substituí-lo por um olhar de alívio e tristeza.

Eu fiquei sentada, congelada na galeria, o mundo se dissolvendo em um zumbido surdo em meus ouvidos. Não podia ser real.

Naquela noite, nossa mansão fria e silenciosa parecia mais um túmulo. Eu o esperava na sala de estar quando ele chegou em casa. Ele afrouxou a gravata, seus movimentos fluidos e confiantes, como se tivesse acabado de voltar de um dia normal no escritório.

"Janaína", ele disse, sua voz neutra.

"Como você pôde?", finalmente engasguei, as palavras saindo rasgadas.

"Era meu trabalho." Ele foi até o bar e serviu-se de um uísque. "Keila é uma cliente. Uma cliente muito importante."

"Ela tentou matar minha mãe!", gritei, meu controle finalmente se quebrando. "E você a deixou sair livre!"

Ele tomou um gole lento de sua bebida, seus olhos encontrando os meus por cima da borda do copo. O calor que eu antes amava em seu olhar havia desaparecido, substituído por algo frio e duro.

"As provas eram circunstanciais", disse ele calmamente. "A... condição da sua mãe a tornava uma testemunha pouco confiável aos olhos deles."

"A condição da minha mãe? Você quer dizer o coma em que Keila a colocou?"

Ele pousou o copo com um clique suave. "Estou falando do histórico médico dela. Aquele que eu tenho bem aqui."

Ele bateu em uma pasta de couro elegante sobre a mesa. Meu sangue gelou.

"Do que você está falando?"

"Sua mãe tinha um histórico de depressão, Janaína", disse ele, sua voz baixando, tornando-se íntima, conspiratória. "Tratada por isso anos atrás. Não seria difícil para um bom advogado sugerir que ela era instável, talvez até suicida. Que o veneno..."

Ele deixou a frase pairar no ar, a implicação me sufocando.

Ele estava ameaçando destruir a memória da minha mãe, pintá-la como doente mental para proteger sua cliente e sua carreira. Para se proteger.

Lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e furiosas. "Você não faria isso."

Ele deu um passo mais perto, seu rosto se suavizando em uma máscara de preocupação que agora eu reconhecia como completamente falsa. "Claro que eu não gostaria. Eu te amo, Janaína. Você sabe disso."

Ele estendeu a mão para tocar meu rosto, e eu recuei como se estivesse queimada.

A lembrança dele me pedindo em casamento passou pela minha mente. Ele era um advogado jovem e ambicioso na época. Ele me perseguiu por dois anos, implacável e charmoso. Minha mãe o adorava. Ela me disse que ele era um bom homem, que sempre me protegeria.

"Eu desisti da minha própria carreira para te apoiar", sussurrei, as palavras com gosto de cinzas. "Eu estive ao seu lado quando seu escritório estava apenas começando, quando não tínhamos nada."

"E eu te dei tudo", ele contrapôs, sua voz perdendo o tom gentil. "Esta casa. Esta vida. Eu fiz tudo por nós."

"Por nós?", eu ri, um som quebrado e feio. "Você fez isso por você, Gustavo. E você sacrificou minha mãe por isso."

Sua mandíbula se contraiu. A máscara havia caído. "A família de Keila é poderosa. Torná-los inimigos destruiria tudo o que construí. Tudo o que temos."

Ele pegou a pasta novamente, segurando-a como uma arma. "Deixe isso pra lá, Janaína. Não entre com um recurso. Não fale com a imprensa. Esqueça."

"Ou o quê?", desafiei, minha voz tremendo. "Você vai divulgar os registros médicos sigilosos da minha mãe? Vai dizer ao mundo que ela era uma mulher deprimida que tentou se envenenar?"

"Estou pedindo que você seja inteligente", disse ele, sua voz baixa e perigosa. "Para o seu próprio bem. E pelo legado da sua mãe."

A ameaça era clara. Ele usaria as dores mais íntimas dela contra ela, contra mim. Ele transformaria a vida dela em uma mentira para se salvar.

Eu encarei o homem com quem me casei, o homem que amei com todo o meu coração. Ele era um estranho. Um monstro escondido atrás de um rosto bonito e um sorriso encantador.

A luta se esvaiu de mim, substituída por um desespero frio e pesado. Eu assenti lentamente, incapaz de falar com o nó na garganta.

Ele viu minha rendição, e um olhar de satisfação cruzou seu rosto. Ele caminhou até mim, seus passos silenciosos e predatórios.

"Boa menina", ele murmurou, sua mão pousando no meu ombro. Seu toque era frio. "Tudo vai acabar logo. Podemos voltar a ser como éramos."

Fechei os olhos. Ele estava errado. Nada jamais seria o mesmo. O amor que eu tinha por ele estava morrendo, sendo substituído por outra coisa. Algo sombrio e paciente.

"Preciso que você assine uma coisa para mim amanhã", disse ele, sua voz casual novamente. "Apenas alguns papéis para o escritório. Uma formalidade."

Eu não respondi.

"Vou pedir para minha assistente trazer", ele continuou, sem precisar de uma resposta. "Descanse um pouco, Janaína. Você parece exausta."

Ele se virou e saiu da sala, me deixando sozinha no silêncio opressivo. Olhei ao redor para a casa opulenta, para a vida que ele afirmava ter construído para nós. Era uma jaula. Uma bela e dourada jaula.

E eu soube, com uma certeza que me gelou até os ossos, que eu tinha que sair. Mas não apenas sair. Eu tinha que queimar tudo até o chão.

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