Capítulo 2

No dia seguinte acordei bem cedo, eu queira saber sobre o bebê.

Estava cheia de planos e perguntas para fazer a mamãe.

Minha surpresa foi enorme quando eu vi que mamãe estava ao meu lado na cama.

Ela estava me observando, e no chão estavam duas malas.

— Bom dia querida.

Ela disse com uma voz suave.

— Bom dia mamãe.

Eu queria perguntar sobre o bebê, mas, estava muito curiosa sobre as malas.

— Mamãe, pra que são essas malas, nós vamos viajar?

Mamãe baixou o olhar antes de me responder.

— Sim querida, digamos que sim.

Fiquei eufórica.

Finalmente papai havia ouvido o meu conselho, nós íamos tirar férias.

— Mamãe mais que maravilha! Nós vamos para a casa do campo? Nossa eu tô muito feliz, até que enfim vamos ter um tempinho com o papai!

Eu disse empolgada.

Mas, mamãe não parecia tão animada.

—Que foi mamãe? você não queria viajar?

— Não minha querida não é isso.. É só que.... O papai não irá nos acompanhar nessa viajem.

Minha alegria se apagou rapidamente.

— Mas, como nós vamos fazer uma viagem de família sem o papai? Não vai ter graça se estiver faltando um membro da família... É melhor nós esperarmos o papai tirar folga pra viajarmos.

— Não minha querida, nós não vamos poder esperar... vamos precisar viajar hoje, nossos vôo sai em uma hora..

—Mas, mamãe, nós vamos deixar o papai aqui sozinho? Ele vai ficar triste.

Uma lágrima que mamãe insistia em segurar, rolou.

Os adultos acham que as crianças não percebi nada.

— Nós temos que ir na frente querida, logo o papai nos encontrará..

— Hum.. tem certeza mamãe? Você está chorando, ninguém chora assim quando está animada, ou feliz... Seus olhinhos estão tristes.

— Está tudo bem anjinho, vamos lá, você precisa se vestir e tomar café para nós irmos.

Ela disse enxugando a lágrima e se levantando.

— Estela por favor ajude-a e depois a leva para a cozinha.

—Sim senhora, ela respondeu.

Estela estava na porta do quarto, ela também estava chorando.

Eu queria gritar, espernear, mas, eu só consegui ficar sem ação.

Estática ali, parada na cama, sem entender que rumo a minha vida estava levando.

Porque estávamos praticamente fugindo e deixando o papai pra trás.

Quando cheguei a cozinha mamãe já não estava, tomei café sozinha, papai já tinha ido trabalhar, ele nem se despediu.

Assim que terminei, Mamãe me levou pata fora, o motorista estava nos aguardando para nos levar ao aeroporto.

Nós embarcamos num avião para a casa de campo que ficava em Detroit.

Papai não nos acompanhou, não ligou, não disse sequer um tchau ou eu te amo.

Mamãe parecia triste, na verdade era muito Maur que tristeza, ela estava desolada.

Essa era a primeira vez que eu a via assim, ela não dizia nada, não falava sobre o papai, eu não sabia o que havia acontecido, só sabia que tinha algo a ver com aquele telefonema misterioso.

***

Mamãe e eu já estávamos a dois meses na casa de campo, quando recebemos a visita de um homem, era um homem muito estranho, era alto, moreno, e tinha uma barba nojenta, mamãe atendeu da porta mesmo, mas o homem implorou que ela lhe emprestasse o telefone, mamãe sentiu pena do homem, na certa seria um mendigo, pensou ela.

O homem disse que se chamava Jeremias, ele precisava ligar para sua esposa que estava grávida.

Mamãe emprestou-lhe o telefone, o homem telefonou e depois mamãe lhe ofereceu um lanche.

Eu não sabia o porquê, mas, ele me causava arrepios.

A partir daquele dia, Jeremias nos visitava toda semana, eu já havia me acostumado, ele já não ia mal trapilho, agora fazia a barba, passava perfume, e sempre que vinha me trazia um presente, ele e mamãe riam muito, e eu não me importava, mas, sentia falta do papai, ele nunca havia ligado, sequer mandou uma carta, já haviam se passado seis meses, e eu não tinha notícias dele.

Jeremias sempre brincava comigo, mas não era o mesmo, não era meu pai.

Os meses foram se arrastando lentamente, até o natal, e eu estava muito animada, afinal papai iria nos visitar, Jeremias e mamãe haviam preparado uma ceia, e eu estava enfeitando a árvore, para que papai visse.

Meu coração parecia querer saltar do peito só de pensar que meu pai iria me visitar, ah como eu sentia falta, era como se meu coração estivesse pela metade sem papai.

Eu esperei a noite inteira, jurei que não me sentaria a mesa enquanto papai não chegasse.

Mamãe insistiu para que eu comesse, e por mais que eu sentisse fome, minha decepção era maior, eu nunca havia sentido tal coisa, papai havia prometido.

Eu não me importava com os presentes, ou com Jeremias, eu não queria saber de nada, eu só queria o meu pai, eu só queria que ele estivesse ali.

Já passava da meia-noite e papai não chegava, permaneci forte eu não comeria sem papai.

Por um instante adormeci, e quando acordei eu estava em minha cama, papai não havia chegado, e mamãe estava dormindo, eu entrei no quarto para chamá-la, como ela poderia dormir sem esperar por papai?

Imagine a minha surpresa ao saber que Jeremias dormira ao lado de mamãe, ele estava exageradamente a vontade e mamãe também parecia bem confortável.

Foi a segunda maior decepção que tive em menos de vinte e quatro horas.

E para piorar, fui surpreendida por papai que chegou e os flagrou naquela situação.

Eu não pude suportar a expressão no rosto dele, ele parec, eu nunca havia visto tal expressão tal olhar, papai estava sentindo dor, muita dor, talvez estivesse sofrendo muito mais do que sofreu com a morte da vovó.

Ele não disse nada, apenas me pegou no colo, e me levou para fora, dessa vez papai não havia trazido um daqueles brinquedos caros e luxuosos, ele colocou a mão no bolso e tirou um lindo pingente de ouro, não parecia algo muito valioso, não era uma coisa rara, era só um pingente, um lindo pingente em forma de um pássaro, era um pássaro bem pequenino, papai tirou a correntinha que havia em meu pescoço, e colocou o pingente, depois pôs o cordão em mim novamente.

Eu nunca amei tanto um presente como aquele, era o melhor de toda a minha vida.

Papai me disse que sempre que eu olhasse para aquele pássaro ele estaria por perto, era um presente para que eu nunca esquecesse do quanto ele me amava.

Enquanto papai falava senti um grande aperto no peito, era como se ele estivesse se despedindo, eu senti que jamais veria o meu pai novamente, meus olhos se encheram de lágrimas e eu chorava inconsolável, papai fazia o mesmo ,era como se nos comunicássemos através das lágrimas, ele me abraçou forte ,tão forte que parecia não querer soltar, eu não queria sair daquele abraço, queria permanecer ali para sempre, no abraço do meu pai.

Depois de alguns minutos papai me soltou, e disse que teria de ir, eu me neguei a deixá-lo partir, eu sabia que ele não voltaria, mas ele disse que precisava ir, e pediu para que eu me lembrasse que ele sempre estaria comigo.

Eu o abracei pela última vez, eu não podia conter minhas lágrimas, papai me soltou e entrou no carro.

Eu o segui pela estrada até que seu carro desapareceu em meio a poeira.

Eu corri para casa aos berros.

­-Mamãe! Mamãe Eu o perdi! Eu o perdi!

Mamãe e Jeremias se levantaram assustados.

- O que houve Angie, o que você perdeu?

Mamãe me perguntou atordoada.

Ela tocou em seu corpo, olhou ao redor e encarou Jeremias confusa.

Ela parecia não entender o motivo dele estar ao seu lado.

Eu a respondi com grande raiva.

-Foi sua culpa! Foi tudo sua culpa! Você nos separou você fez o papai sofrer! Eu te odeio! Eu te odeio, eu odeio vocês!

Tudo o que eu sentia naquele momento era ódio!

Eu estava furiosa! Eu sentia que não veria mais o meu pai, e mesmo que minha mãe não tivesse culpa, ódio era tudo o que eu conseguia oferecer naquele momento.

Mamãe chorou sem entender o que havia acontecido, eu corri sem rumo para fora eu só queria me afastar deles.

Mamãe tentou me seguir, mas Jeremias a impediu, ele encontrou uma carta de papai endereçada a ela, não sei o que havia escrito mas depois da carta, mamãe correu horrorizada, Jeremias a seguia e ela corria em minha direção como se fugisse de algo, eu a rejeitava sem querer ouvi-la, Jeremias nos alcançou, e puxou mamãe pelos braços, ela tentava se soltar e ele a segurava com ainda mais força, mesmo com raiva eu tentei defendê-la, mas Jeremias era mais forte, ele nos obrigou a voltarmos com ele para casa.

Depois daquele dia eu senti que algo havia mudado, mamãe estava diferente, não falava mais, não sorria, e Jeremias passou a morar conosco.

Papai nunca mais voltou.

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Olá meus amores!

Espero que tenham gostado da história.

Estou muito feliz com a sua leitura, e ficarei mais feliz com seu comentário, conta pra mim:

O que você está achando da história? Já tem um personagem favorito? Tem algum Crush? Tem um personagem mais odiado?

Comenta aqui, terei prazer em te responder.

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Capítulo 3

Em Fetmancity nós começamos uma vida nova, mamãe logo trocou nossos nomes, agora mamãe se chamava Stela, e eu me chamava Sophia, eram lindos nomes, mas eu custaria a me acostumar com eles.

Mamãe conseguiu um emprego como secretária do prefeito do lugar, e eu comecei a estudar na escola local, e finalmente pude fazer amizades.

Jeremias nunca mais nos procurou, e ninguém mais foi morto.

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Mamãe finalmente se apaixonou novamente, e começou a namorar o médico da cidade, era um bom homem se chamava Antony, e adorava minha mãe, ela finalmente parecia feliz, e eu também me sentia assim, nós estávamos reconstruindo nossas vidas, e eu estava começando a descobrir novos sentimentos.

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Já faziam dois anos que mamãe e eu éramos Stela e Sophia, e eu adorava a nova vida.

Eu havia acabado de completar treze anos, e estava sentindo tudo o que uma adolescente normal deveria sentir nesta idade, logo arranjei meu primeiro namorado, se chamava Henri, era meu colega de classe, nosso namoro era o mais inocente de todos, nem nos beijávamos, éramos felizes apenas por podermos voltar juntos da escola de mãos dadas, tudo era perfeito, tudo corria muito bem na cidade, até que um terrível crime aconteceu na cidade.

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Parecia que eu nunca seria feliz, eu já não me sentia merecedora da felicidade, primeiro minha avó havia morrido, depois meu pai, depois minha vida sofreu uma reviravolta graças ao louco do Jeremias, e agora eu estava prestes a sofrer uma grande perda.

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Era uma manhã comum, e eu voltava da escola sozinha, Henri havia faltado, resolvi visitá-lo para saber o que havia acontecido.

Quando cheguei a porta havia sido arrombada, mesmo assustada decidi entrar, e me deparei com a pior cena de todas, Henri toda a sua família estavam mortos, imóveis, havia sangue em tudo, seus corpos estavam espalhados por toda a casa, e não havia sobreviventes, corri inconsolável, gritei por socorro, os vizinhos logo apareceram e viram tal cena, a polícia foi chamada, e foi iniciada uma investigação, todos os moradores eram suspeitos, corri para a prefeitura para dar a notícia mamãe, mas ela não estava, e também não estava em casa, então voltei para frente da casa de Henri, e a multidão já havia tomado todo o quintal, e mamãe estava lá, ela parecia outra novamente, com o olhar parado, e sem emoção aparente.

Eu corri para abraçá-la e ela me abraçou com enorme frieza, mas naquele momento eu não poderia perceber, já que eu estava sofrendo demais com a morte de Henri.

Senti uma dor imensa, algo que eu jamais havia conhecido, uma dor que rapidamente se transformou em um ódio profundo, eu sabia quem havia feito aquilo, com toda a certeza, as mortes não eram coincidências, estavam ligadas à de vovó, e de papai, e os assassinos iriam pagar.

A investigação levou vários meses, e eu me sentia aflita, eu odiava a pessoa que havia me tirado Henri, mesmo sem saber ao certo quem era eu odiava tal pessoa.

¥

Finalmente a investigação teve fim, e a polícia apareceu em nossa casa, mamãe estava no banho e pediu que eu os atendesse.

Quando abri a porta os policiais sequer me cumprimentaram, foram entrando sem pedirem licença, revistaram a casa, bagunçaram tudo, tiraram mamãe do banho, eu estava perplexa, que confusão era aquela? Porque aquelas pessoas estavam invadindo nossa casa?

O que estava acontecendo?

Os policiais algemaram mamãe e a levaram presa.

Senti meu mundo desmoronar, berrei, me agarrei aos pés de mamãe, que chorava inconsolável, os policiais me seguraram, eu gritei, eu implorei para que não levassem mamãe, mas eles me ignoravam, eu nem sabia para onde a tinham levado, corri em busca da ajuda de Antony, ele pediu para que sua mãe cuidasse de mim, enquanto ele procurava descobrir, porque tinham prendido mamãe.

Mais de duas horas haviam se passado e Antony não retornava com notícias de mamãe.

Depois de quase três horas esperando, Antony apareceu, e estava acompanhado de um homem, que não me era estranho, mas parecia estar disfarçado.

Antony estava aparentemente arrasado, não era possível que estivesse dissimulando, eu perceberia, sempre fui boa em perceber as verdadeiras emoções das pessoas.

¥

Antony disse que mamãe era suspeita do assassinato de Henri.

Fiquei irada, quem eram esses policiais medíocres?

E Porque queriam envolver mamãe nessa sujeira toda?

De certo é por algo que tenha acontecido na prefeitura, esses malditos políticos sempre aprontam e depois colocam a culpa nas secretárias, com certeza aquele prefeito nojento quis se aproveitar de mamãe e ela não permitiu, então ele decidiu se vingar.

Milhares de suposições passavam por minha mente naquele momento, mas o que eu tinha certeza era de que mamãe era inocente, ela jamais mataria alguém, ainda mais alguém que eu amasse, mamãe não era fria, as vezes demonstrava os sentimentos de forma confusa, mas ela era doce.

Antony me apresentou aquele homem com rosto familiar, era o advogado que ele havia contratado para defender mamãe, não sei porque, mas senti que este advogado não era um advogado de verdade, foi bem estranho ele aparecer no mesmo dia em que mamãe foi presa, algo fedia nessa história, e eu iria descobrir.

¥

No dia seguinte, pedi que Antony me levasse a delegacia.

Senti uma dor imensa ao ver mamãe ser trazida sala de visitas algemada, e um guarda sempre a vigiava, meu Deus quem fizera algo tão maligno contra alguém tão doce?

Mamãe e eu nos abraçamos, e nos beijamos, era como se estivéssemos separadas por anos.

Eu perguntei a mamãe o que estava havendo.

Mamãe disse que tinham armado para ela, mas que não havia sido o prefeito, ela disse que de certa forma tinha a ver com a explosão na empresa de papai, ela acreditava que Jhon Stouths havia nos encontrado, e queria se vingar de papai.

Eu fiquei confusa, pois todos sabiam que papai havia morrido, porque alguém iria se vingar dele?

Mamãe disse que a explosão na empresa havia sido planejada, ela sabia de tudo, era um plano de papai para nos proteger de Jhon, se ele imaginasse que papai estava morto, não iria mais nos perseguir.

Mas pelo jeito Jhon havia encontrado papai, e agora o golpe final dele seria me matar.

Mamãe implorou para que eu fugisse, disse que eu não poderia confiar em ninguém, ela pediu para que eu não contasse sequer a Antony.

Ninguém era confiável, mamãe me disse onde havia dinheiro pra mim em nossa casa, disse que eu devia pegar o dinheiro e ir pra bem longe.

Ela havia escondido várias identidades falsas com minha foto, para que eu me mudasse sem levantar grandes suspeitas.

Eu prometi a mamãe que voltaria para vê-la, mas ela disse que se eu voltasse seria morta, e que eu deveria encontrar papai e fugir.

Eu não sabia como fazer, eu tinha apenas treze anos e minha vida havia desmoronado por completo, fui obrigada a amadurecer depressa.

Me despedi de mamãe e corri para casa antes que Antony me visse.

Mas quando cheguei em casa já estavam me aguardando.

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Olá meus amores!

Espero que tenham gostado da história.

Estou muito feliz com a sua leitura, e ficarei mais feliz com seu comentário, conta pra mim:

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Amor e Vingança

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