Ponto de vista de Alexis.
Atordoada com o que aconteceu no carro, entrei na escola de cabeça baixa, como sempre.
“Ei, veja, a ômega está aqui.”
"Nossa! Olha como as bochechas dela estão vermelhas.”
“Não sei o que a v*dia tem feito.”
“Haha… Talvez tentando pegar o companheiro de alguém para melhorar sua posição na matilha.”
“Que v*gabunda!”
“Parece um tomate.”
“Acho que Brittany gostaria de se divertir com ela hoje.”
“Ela não vai. Está ocupada com Brandon naquela sala de aula vazia."
Ouvi vários sussurros ao meu redor, mas o último chamou minha atenção.
E foi doloroso. Não sei por que, mas a partir do momento em que Brandon me defendeu na frente de todo o bando, foi como se meus sentimentos por ele tivessem despertado.
Sempre que penso nele com outra mulher, tudo o que sinto é mágoa e traição, mesmo sabendo que é uma ideia idiota. O que eu mais odeio é que ele está com a Brittany.
Brittany, minha irmã, não era melhor. Naquele dia, um ano atrás, no aniversário de Brandon, quando ele me defendeu, ela ficou chateada, isso ficou muito claro em seus olhos.
E, como ela adora atrapalhar minha vida, decidiu começar a cortejar Brandon. Mesmo depois de saber que tenho uma queda por ele. Sim, é assim que funciona sua cabeça maldosa. Seu objetivo era me deixar completamente sem qualquer esperança de felicidade.
No entanto, acho que é errado pensar em Brandon dessa maneira. Tenho um companheiro por aí, que provavelmente está esperando por mim, e aqui estou eu, me apaixonando por outros lobos. Será que eu era mesmo uma lanterna guiada por meus hormônios?
Ao fim da aula, depois de passar o dia sentada no canto mais distante do ambiente, saí atordoada, ansiosa para que aquele dia de escola acabasse. Era como uma rotina diária para mim.
Ir para a escola, passar o dia todo torcendo para que terminasse e aturar o bullying de qualquer pessoa, caso estivessem com vontade de se divertir.
Depois de oito horas de espera horrível, o sinal do fim do dia de aula finalmente tocou, e eu não poderia estar mais feliz.
Já eram 15h.
E, para tornar aquele dia especial, já tinha decidido o local da comemoração.
Passei todos os meus últimos três aniversários trancada no quarto, mas não naquele dia. Este aniversário seria especial.
Era meu aniversário de 18 anos, uma idade especial para todos os lobos.
O momento de encontrar meu companheiro. Minha outra metade, a pessoa que deveria me amar e cuidar de mim, independentemente dos meus defeitos.
Este também era o motivo pelo qual eu queria estar viva. Quero estar viva porque sei que no dia em que encontrar meu companheiro, tudo vai mudar. Minha vida será cheia de felicidade, amor e cuidado.
Depois de chegar em casa, fui direto para o meu quarto, me preparando com todo cuidado para encontrar o meu companheiro.
Eu não tinha certeza se encontraria meu companheiro justamente naquele dia, afinal, quando se chega à maioridade, você pode encontrar seu companheiro a qualquer momento. No entanto, as chances de encontrar seu companheiro hoje são as maiores.
Coloquei um elegante vestido cor de champanhe e enrolei meu longo cabelo castanho claro, complementando o visual com meus brincos favoritos e sandálias nude.
Olhando para o presente de Mark, fiquei tentada a abri-lo, porém, sabendo que poderia ter alguns efeitos colaterais, como ele me alertou, descartei a ideia de conferir naquele momento.
Verificando meu reflexo no espelho uma última vez, saí do quarto para entrar na floresta onde estava planejando passar meu aniversário.
Faltava apenas uma hora para completar 18 anos. Sorrindo enquanto a excitação crescia dentro de mim, desci as escadas correndo, esbarrando em alguns caras, que me olhavam com olhos incríveis.
"Uau."
“Não posso acreditar. A ômega é tão bonita.”
“Alexis? Era a Alexis?" Ouvi a voz ofegante de Brandon quando saí da casa da matilha.
Mais tarde conversaremos. Agora, tudo que eu queria era chegar ao lugar em que queria passar meu aniversário.
Depois de atravessar o lago, e entrar na caverna até a outra área da montanha, corri para chegar ao local. Aquele lugar que era o meu segredo. Ninguém o conhecia, pois estava escondido por algumas pedras e arbustos.
Sentada às margens do lago, fiquei encarando o medalhão que minha avó me deu. Tinhas cristais azuis e verdes com toques de amarelo. Ninguém sabia que estava comigo, e minha avó pediu que eu mantivesse tal segredo, nem mesmo à nossa família. Ela me deu esta antiguidade quando dava seu último suspiro, seis anos atrás. Eu entrei sorrateiramente no hospital para vê-la, e ali ela me deu este o colar.
Já eram 18h55, e eu estava muito empolgada, eu sentia como se a excitação estivesse me consumindo. Como ele será? As perguntas se formavam em minha mente como um tornado.
Honestamente, não me importava com sua aparência. Eu sabia que lhe daria todo o amor que ele precisasse. E valorizaria seus sentimentos por mim e nunca o trairia.
Quando o relógio bateu 7h01, imediatamente fechei os olhos para tentar sentir qualquer cheiro agradável ao meu redor.
Depois do que pareceu uma eternidade, apesar de serem apenas dez minutos, abri meus olhos abruptamente quando não senti nada.
Parece que meu companheiro não estava nesta matilha, pelo menos não naquele momento.
Suspirando de desânimo, pois queria muito encontrar meu companheiro naquela noite, comi a comida que preparei para comemorar meu aniversário.
Quando terminei de comer, arrumei minhas coisas, me levantando para voltar para casa.
Talvez eu não tenha conseguido farejar por ser uma lanterna.
"De quem você sentiria o cheiro tão distante de qualquer traço de civilização? Está se escondendo aqui onde ninguém nunca veio, e espera sentir o cheiro do seu companheiro aqui?” Minha consciência comentou, me fazendo revirar os olhos para mim mesma.
Como já disse, ele sempre aproveita qualquer chance de destruir minhas ideias e esperanças. Mas desta vez, ela estava certa mesmo.
Saindo da caverna e atravessando o lago, comecei a deixar a floresta profunda. Nesse momento, farejei algo. Era um cheiro agradável, como chocolate com uma mistura de madeira e canela.
Sentindo-me em êxtase que meu companheiro estava na casa da matilha, o que significava que era parte dela, eu praticamente corri para dentro da casa.
O cheiro vinha de algum lugar por ali.
Olhando para cima, semicerrei meus olhos tentando distinguir o cheiro e deixei meu pé seguir meus sentidos.
Ao sair do quarto, abri os olhos e franzi as sobrancelhas quando notei de quem era o quarto.
Brandon?
Talvez meu companheiro estivesse conversando com Brandon ou fosse um de seus amigos.
"Ou talvez você seja apenas estúpida." Minha consciência comentou, embora estivesse tão empolganda quanto eu de descobrir a verdade.
Revirando os olhos e ignorando-o como sempre, empurrei a porta para descobrir meu companheiro, no entanto, o que meus olhos encontraram não apenas me chocou, mas me deixou paralisada por alguns segundos.
Lá estava meu companheiro, fazendo sexo com outra mulher.
Ponto de vista da Alexis.
"Meu companheiro!"
Não sei o que mais me machucou. O fato de que meu companheiro estava fazendo sexo com minha irmã bem na minha frente, ou o fato de que ele provavelmente sabia que eu era sua companheira há um ano.
Pelo que me lembro, ele completou 18 anos no ano passado, o que significa que sabia que eu era sua companheira, mas mesmo assim decidiu ignorar esse vínculo e foi atrás da minha irmã.
Pensando nisso, toda a possessividade, proteção e cuidado comigo de repente fizeram sentido. Era como se todas as peças do quebra-cabeça estivessem finalmente se encaixando.
Acho que era apenas consciência pesada.
E agora, ele estava me rejeitando? Por quê? Porque eu era um ômega, ou por causa da minha irmã? Não pude deixar de tremer ao pensar nisso.
Eu era a loba mais odiada da matilha. Ninguém gostava de mim porque eu era uma lanterna. E agora sem um companheiro. rejeitada pelo futuro alfa, tenho certeza de que todos me odiarão mais do que nunca.
E sabia que meu pai me mataria. Nem mesmo o chefe do conselho vai se opor se minha matilha disser que eu fui morta em um ataque desonesto, porque eu era uma loba sem um companheiro.
Eles sempre me chamaram de fraca, e talvez estivessem certos.
"Pode parar com essa auto-piedade e resolver logo isso? Eu preciso chorar sobre meu companheiro perdido também. Agora, com sua falta de autoestima patética, o que devo fazer? Lamentar minha perda ou consolá-la?” Minha consciência gritou e, pela primeira vez, não achei irritante, foi reconfortante.
Minha consciência estava certa. Agora não era hora de lamentar e me odiar pelo que não tenho, era a hora de tomar uma atitude.
Como se eles tivessem me farejado de dentro do quarto, a porta foi aberta - e já disse que eu estava encostado na porta? Sim, eu estava, e pateticamente piorei a minha situação ao quase cair de bunda no chão, se não fosse pela maçaneta da porta que me apoiei no último segundo.
"O que está fazendo aqui, v*dia?" Minha sempre tão adorável de irmã disse.
Mas desta vez eu não ia aceitar seus insultos. Era a gota d'água com essa matilha. Estava cheia deles todos e, mais importante, do alfa imundo deles.
Não sei se foi uma resposta à mágoa por me sentir rejeitada, ou porque me sentia traída a nível profundo, mas fui tomada por uma descarga de energia por todo meu corpo. Uma raiva que nunca senti antes.
“Não vim falar com você, v*gabunda. Então saia da minha frente, porque se eu te tirar do meu caminho, será muito doloroso.” Eu retruquei para minha irmã pela primeira vez, e o choque em seus olhos era visível e compreensível.
Bem, até eu estava impressionada.
Meu momento de felicidade foi interrompido quando vi a mão dela prestes a me dar um tapa, porém, antes que ela pudesse me alcançar, dei um chute em sua barriga, e devo dizer, pelo tanto que seu rosto estava contorcido, deve ter doído pra caramba.
Somando isso à como ela devia estar dolorida pela tórrida transa com Brandon, ela devia estar bem mal. Bem, isso me lembra Brandon.
Então meus olhos encontraram os do meu companheiro, me fitando com um olhar de desculpas. Eu queria esmagar seu rosto, mas optei por não fazer isso porque não queria sujar minhas mãos. Pela expressão dele, ficou claro que ele entendia que eu sabia que ele é meu companheiro e que está me traindo há algum tempo.
"Como você pode?" Fiz a pergunta presa em minha garganta desde o momento em que o vi transando com minha irmã.
“Alexis, você...“ Brittany começou de novo. No entanto, eu não estava com paciência para aturar seu chilique no momento.
“Cala a boca, p*rra!” Gritei de volta, cortando-a enquanto era encarada por seus olhos tomados pelo horror.
Retornando meu olhar para Brandon, e seus olhos estavam do tamanho de bolas de futebol de tão arregalados, provavelmente porque ele estava me vendo respondendo a ela assim pela primeira vez. Bem, ele pensou que eu aceitaria essa traição tranquilamente?
"Sabia que eu era sua companheira há um ano, e ainda assim foi atrás da minha irmã e dormiu com ela mesmo sabendo que eu estava por perto?" eu gritei.
"Nossa! Você fala de um jeito que parece que queria que ele transasse com você!" Minha consciência gritou, me fazendo revirar os olhos.
"Ela é sua companheira?" Minha irmã perguntou horrorizada, questionando Brandon com descrença.
“Alexis, eu posso explicar. Vamos nos acalmar. Não é como eu queria, mas eu sou o futuro alfa desta matilha e ela precisa de uma Luna forte e não de uma...“
“Não uma lanterna como eu que nem se transforma em loba e não passa de uma fraca. Certo? Então era disso que se tratava.” Completei para ele.
“Olha, não é como se eu estivesse rejeitando você ou a expulsando da matilha. Ainda pode viver conosco e vou tratá-lo como minha companheira. Cumprirei todas as minhas responsabilidades, no entanto, precisa entender que, como alfa da matilha, preciso de uma luna forte.” Brandon disse, enquanto eu o encarava com os olhos arregalados.
Ele era mesmo aquele cara por quem me apaixonei há tantos anos?
Como ele poderia pensar de uma forma tão distorcida? Então ele precisa de uma luna forte para a matilha e para ser sua companheira, e sem dúvidas é minha irmã. Então, o que eu seria? Apenas uma amiga para transar? Uma máquina de fazer bebês e realizar desejos?
“Uau, você é mesmo um alfa exigente, Brandon,” comentei, não acreditando que este era o mesmo cara por quem eu estava me apaixonando. O meu companheiro.
O cara que eu amei por tantos anos e com quem queria me casar.
É verdade que, saber o que a pessoa realmente pensa, por fazer com que passemos do amor ao ódio.
"Ele está insultando a nós duas, e você vai ficar aí parada aceitando? Se fosse eu, já o teria matado." Minha consciência disse, me fazendo suspirar novamente.
Como se isso fosse possível. Era possível uma consciência matar uma pessoa viva? Ainda mais um alfa?
Zombando dos meus pensamentos, olhei para Brittany, com um sorriso arrogante no rosto e depois para Brandon, que parecia esperar pela minha resposta com um sorriso fraco.
Ele esperava que eu me rebaixasse tanto quanto ele, que aceitasse todas as ofensas da matilha e essa proposta vergonhosa só porque eu era uma lanterna. Porque eu estava tão sozinha ali?
"Bem, eu estou do seu lado." Minha consciência interrompeu.
"Sabe, sua oferta é tentadora..." eu comecei, fazendo Brandon sorrir mais enquanto o sorriso de Brittany se tornou ainda mais arrogante.
“No entanto, o fato de você esperar que sua companheira aceite o bullying de todos, além de se tornar sua máquina de fazer bebês, é o suficiente para me enojar. Adivinha só? Posso ser uma lanterna, mas não sou uma v*dia como minha irmã. Mesmo que eu não seja uma beta, ainda tenho decência.” Eu vociferei enquanto olhava para Brandon.
Seu rosto empalideceu e seu sorriso se apagou imediatamente. Brittany também ficou chocada ao ouvir minhas palavras. Mas ainda não havia chegado à parte mais importante.
''Eu...'' continuei com a voz firme.
“Eu, Alexis, filha da deusa da lua, rejeito Brandon Sterling como meu companheiro legítimo porque não posso viver com uma pessoa que não quer nada de mim além do meu corpo.
Declaro minha alma como uma livre, e rejeito o vínculo de companheiro com o alfa da matilha da Névoa Negra, e por meio deste declino a posição de ser a luna da matilha da Névoa Negra e companheira de Brandon Sterling.
Eu, Alexis, também rejeito meu vínculo com a matilha da Névoa Negra a partir de hoje, e viverei minha vida como uma alma livre até que eu decida o contrário.” Ao fim, meus olhos se arregalaram quando senti uma dor excruciante no meu corpo quando o vínculo da matilha começou a se romper, mas o choque em seus olhos funcionava como um analgésico leve. Tenho certeza de que, mesmo em seus piores sonhos, Brandon nunca imaginaria que seria rejeitado assim.
Então, ele cerrou a mandíbula e punhos, claramente sentindo a dor da rejeição do vínculo de companheiro.
Eu também estava sofrendo, a dor de ter todas as minhas fantasias sobre encontrar um companheiro serem destruídas. No entanto, essa dor de rejeição do vínculo com meu companheiro e minha matilha não era nada comparada à dor que sofri todos esses anos. Hoje, não apenas rejeitei esses vínculos, mas também todas aquelas relações.
Hoje, prometi a mim mesma não deixar ninguém mais me influenciar no futuro.
Segui para o meu quarto, arrumei minhas coisas e guardei o presente de Mark no bolso, então desci as escadas.
A maioria da matilha estava no corredor, provavelmente após ouvir e sentir minha rejeição à matilha e ao alfa através de suas conexões mentais.
Me dirigi à minha família, que incluía minha mãe com os olhos cheios de lágrimas, meu pai, que me encarava com uma expressão de animosidade, e minha irmã que me desafiava com um sorriso orgulhoso, e sorri antes de dizer:
“Não sou eu a desgraça para a matilha ou para a nossa família. Todos vocês que são uma desgraça para a espécie dos lobisomens, vocês sequer conseguiram apreciar a única lanterna da matilha, enquanto lá fora eles são tratados como filhos da deusa lua.
Vocês são uma desgraça para a humanidade, e o pior de todos é o seu alfa, que mesmo sabendo que eu era sua companheira há um ano, transou com outra loba. O vínculo do companheiro sagrado criado pela deusa da lua divina tem o propósito de fazer-nos encontrar o verdadeiro amor, mas nosso alfa pensou que era para reforçar a matilha.
Um alfa que não pode nem aceitar sua companheira, será que saberá administrar esta matilha?” Eu zombei antes de sair da casa, minhas lágrimas caindo incontrolavelmente agora que toda a dor começou a jorrar de mim.
"Shhh... não chore. Eu ainda estou aqui." Minha consciência disse, e não pude deixar de rir de sua tentativa falsa de me animar.
Agora veremos como conseguirei sobreviver no mundo real sozinha.