Capítulo 2

Desde o desaparecimento do Samuel, Dylan é o novo chefe da empresa. O que posso dizer sobre ele é que após o acidente ele tem se transformado em uma outra pessoa, como posso dizer, ele ainda é o mesmo Dylan convencido como sempre ou talvez pior do que antes, mas aos poucos ele tem mudado até a igreja está frequentando. Porém desde que descobri que o acidente do Samuel não foi uma falha mecânica e sim provocado por alguém, jurei que vou descobrir o culpado mesmo que para isso tenha que ficar perto do inimigo se por acaso for mesmo o Dylan. Contudo, seu novo "Eu" obcecado por trabalho está espantando os secretários, ninguém suporta o jeito Dylan de ser. Hoje por exemplo, ele fez uma reunião com todos em plena noite de domingo para trabalhar em um dia de folga, e adivinha a única louca que apareceu? Sim somente eu Marina, ainda por cima grávida.

__Aqui está seu hamburguer e suas batatas fritas, compradas especialmente por mim - Aponta para o prato sorrindo irônico.

__Obrigada - Olho de relance enquanto digito algo no notebook.

__Como você consegue? - Apoia a mão no queixo sentando-se ao meu lado.

__O que? - O fito curiosa.

_Não se apaixonar por mim, como consegue?! Sou extremamente lindo, carinhoso, bem-humorado, o melhor chefe que já viu. Se eu fosse mulher eu casaria comigo, mas como não posso dou essa chance a você - Pisca e neguei com a cabeça pegando o lanche e devorando. Lambo os dedos e o olho de repente.

__Simples, você não é o Sam.

__Aí, essa doeu! Como consegue ser tão maldosa? Sabe que sou loucamente apaixonado por você - Coloca a mão no peito ofendido.

__E você sabe que eu amo loucamente seu primo.

__E você sabe que ele está morto Marina - Me olha sério - E mortos não falam, quem dirá amam.

__Não acharam o corpo - Me justifico sentindo meu peito doer.

__Ele está morto Marina, precisa aceitar isso. O avião explodiu, Samuel não conseguiu se salvar.

__Como pode ter tanta certeza disso? Por acaso estava lá?! - Falei exaltada.

__Porque eu sei o que você está passando. Isso se chama negação, eu também perdi quem eu amava e mesmo vendo com meus próprios olhos eu não aceitava sua morte e acredite, se não o deixar ir isso vai acabar te matando por dentro como quase me matou. E não Marina, eu não matei o Samuel - Afirma levemente irritado e desvio o olhar desconfortável - E sabe por que não faria isso? Por você - Dylan descansou sua mão sobre a minha me olhando intensamente, havia um pequeno espaço entre nós. Ele parecia ser honesto, a forma como ele tem cuidado de mim depois que Samuel se foi tem sido uma grande surpresa na verdade. Eu sabia dos seus sentimentos há pouco tempo, mas não sei se um dia poderei retribui-los, porque para mim Samuel não morreu, não acharam o corpo dele somente do piloto e que fé eu teria se não acreditasse em milagres? Ainda não é tempo de desistir, eu sei que não.

Senti uma pontada forte na barriga e agarrei sua mão com força.

__Alii!! - Bradei de dor.

__Marina, o que houve? - Dylan agarrou minha mão preocupado.

__Acho que já vai nascer - Olhei para ele assustada.

__Seu filho?!

__Não, o sol do amanhecer! É claro que é meu filho Dylan, corre! Pega minhas coisas acho que a bolsa vai estourar - Bradei alto, deu um pulo e saiu correndo para dentro, dou um sorriso satisfeita do desespero dele.

__Corre Dylan!! Meu Deus, meu filho vai nascer. Que dor é essa? se seu pai tiver vivo eu juro que mato ele por me fazer passar por isso sozinha. Converso com a minha barriga.

__Aqui está, vamos - Dylan me entrega a minha bolsa e um balde.

__O que significa isso? - Ergo o rosto o fuzilando com o olhar.

__Não quero que urine no meu carro novo, eu mandei limpar ontem - Me olha indignado - Agora vamos - Puxa meu braço enquanto imagino várias formas de o torturar quando estiver em condições, porém sinto uma dor aguda, seguida por um líquido que escorre entre minhas pernas.

__Marina, devia esperar pelo menos chegarmos no carro e posicionar o balde, está vendo? Molhou meu tapete novo - Dylan comenta inconformado.

__Eu juro que vou te matar! Me leva agora para o hospital, estou à beira de ter um colapso. Está doendo muito - Agarro seu braço e Dylan passou o braço na minha cintura me levando rapidamente para o carro.

Ajeitei a postura no banco do passageiro puxando o ar fortemente, respirando e soltando pela boca enquanto Dylan dava a volta e ligava o carro. Lembrei da passagem bíblica que sempre guardo comigo, "Não temas eu estou contigo, não te assombres eu sou teu Deus" Ele estava comigo, e tudo ia acabar bem. Minha filha vai nascer saudável e tudo vai terminar bem.

__Corra Dylan!! Corre mais rápido - Berrei alto enfiando minhas unhas na sua perna e ele rugiu de dor.

__Ei, isso dói - resmungou pisando fundo no acelerador.

__Isso não é nem dez por cento da dor que estou sentindo. O que tenho dentro de mim? É só um bebê inofensivo, como pode doer tanto? - Choramingo.

__Inofensivo? - Ele ri - Você tem uma mini Marina dentro de você, acompanha com a genética do Samuel. Essa criança pode ser tudo menos inofensiva - O olho lançando faíscas dos olhos.

Descemos na frente do hospital, Dylan conseguiu uma cadeira de rodas e me levou diretamente para sala onde iria acontecer o parto. As dores ficaram ainda maiores junto com o medo do que estava por vir, sem Samuel seria difícil ter habilidade suficiente para criar uma criança, existia outra pessoa agora, um ser indefeso sob meus cuidados e isso era totalmente assustador.

__Por favor, não me deixa sozinha - Apertei o braço do Dylan com olhar de súplica prestes a desabar.

__Eu não irei a lugar nenhum, fique tranquila - Aqueceu minha mão e acenei em gratidão. Espero estar errada e que Dylan não seria capaz de provocar aquele acidente. Apertei os olhos, era hora de lutar mais essa batalha.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando minha mãe entregou minha bebê para eu segurar. As memorias tão enterradas por mim vieram à tona novamente e tudo que eu mais queria era tê-lo aqui do meu lado, apreciando esse momento tão importante para nós, descobrir minha gravidez foi há minha maior alegria no meio de tanta dor, eu sabia que teria que ser forte e corajosa não por mim, mas sim por ela.

__Ela é tão preciosa. É tão delicada mãe, tem certeza de que não vou machucá-la? Que vou conseguir cuidar dela? - A fitei entre lágrimas tentando segurar aquele pacotinho barulhento no meu colo. A enfermeira me explicou com alimentá-la e fiz morrendo de medo de matar a pobrezinha afogada.

__Sim, minha querida. Seu extinto materno vai mostrar como cuidar da sua filha, e eu estarei aqui para te ensinar - Passa a mão nas minhas bochechas limpando as lágrimas.

__Ela é linda, não é?! Se parece com o Samuel, tem o mesmo olhar dele, ele ficaria tão orgulhoso - Minha voz embarga.

__Ele a deixou de presente para você, sempre terá uma parte dele com você. Deus quis levá-lo Marina.

__Eu sei, mas algo dentro de mim diz que Sam não morreu - Argumento.

__Marina, já conversamos sobre isso - Me mira de forma repreensiva e desvio o olhar para minha filha sorrindo.

__Seu pai vai voltar, ele nos prometeu - Escutamos bater na porta.

__Posso entrar? - Dylan apareceu, seu rosto estava vermelho como se tivesse chorado, ele também tinha algumas olheiras escuras em volta dos olhos.

__Esse homem ficou a noite toda esperando você acordar. Dá para ver de longe o quanto se preocupa com você.

__Mãe - A olho séria.

__Só estou falando, Marina. Não o trate mal por suas suposições - Concordo - Entre querido, já estamos de saída, obrigado por cuidar tão bem da nossa Marina - Minha mãe beija sua testa.

__É um prazer, Dona Vera - Me olha sorrindo fraco.

Dylan se aproximou meio hesitante com as mãos no bolso procurando um sinal de aprovação, dei um sorriso e isso o encorajou a chegar perto. Seu olhar foi direcionado a bebê que estava no meu colo agora dormindo serena como um anjinho.

__Ela está tão quieta, tem certeza de que é sua filha e não foi trocada no berçário? Quer que eu vá verificar? - Gesticula e riu.

__Seu bobo, é claro que é minha filha.

__Estou brincando - Passa as mãos entre os fios negros alisando - Ela é linda! - Me olha gentil, segurando a mãozinha dela - Também, com a genética tão boa quanto a do primo dela.

__Estava demorando - Reviro os olhos. Dá uma risada.

__O Alex e meu tio estão a caminho - Sorriu fraco enquanto olhava para minha filha com seus olhos perdidos e opacos, poderia jurar que vi o mesmo olhar de dor e sofrimento de quando o abracei naquela calçada quando escutou a sirene do carro de polícia.

__Ela estava grávida - Sua voz saiu como um chiado e meus olhos arregalaram.

__Quem? - Perguntei já temendo a resposta. Ele me olhou de volta só que com os olhos cheio de lágrimas.

__Jade - Sua voz saiu rouca. Abri a boca chocada.

__Samuel ele... -Não consegui terminar, ele negou com a cabeça.

__Nunca soube. Ele ficaria muito mal se soubesse, ele não suportaria sempre achou que tudo que de ruim era culpa dele - Sorriu triste - Eu sei que o culpei também, eu errei em culpá-lo, eu fiz isso todas as vezes que nos encontramos. Você não sabe, mas antes de viajar ele veio falar comigo e me pediu para cuidar de você, novamente ele se desculpou e o que fiz? Eu disse que nunca o perdoaria, que só se ele morresse para pagar tudo que ele me fez. E olha o que aconteceu?! Agora eu tenho mais uma morte para me culpar. A culpa é toda minha Marina, eu não mexi naquele avião, mas eu o amaldiçoei com minhas palavras - Engoli seco, sentido as lágrimas frias descerem sobre meu rosto.

__É melhor eu ir embora agora, você já sabe o tipo de monstro que eu sou. Agora poderá me odiar à vontade, adeus Marina - Ele solta a mão da minha filha e antes de sair eu seguro sua mão.

__Jade - Digo subitamente e ele gira o pescoço me olhando confuso - Jade, esse será o nome da minha filha - Repito sorrindo entre lágrimas e ele me olha em transe sem acreditar. Tenho certeza de que era exatamente isso que Samuel faria se estivesse no meu lugar, porque apesar de tudo está claro que Dylan se importava com o primo e agora tenho certeza que ele não é o mandante desse crime.

Capítulo 3

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos.

Hebreus 11:1

Eu estava deslumbrada, era a primeira vez que eu estava viajando para um lugar tão chique e mesmo sendo uma viajem de negócios, não poderia negar o nervosismo de estar pela primeira vez sozinha em um lugar com o S.r. Dylan. E pior de tudo longe da minha mãe a única que me ajudava a cuidar da Jade e não a colocar em perigo, porém Dylan me garantiu que teremos empregadas a nosso dispor se acaso precisarmos. A entrada principal da mansão que mais parecia um palácio era esplendorosa, sua aparência clássica e moderna, exatamente o tipo de casa que imaginei que Dylan compraria, ainda mais na Itália. As paredes brancas como algodão dava um ar elegante e discreto, havia uma enorme escadaria de concreto, também havia um lindo jardim com árvores e flores, me dando o aroma tropical e me fazendo de alguma forma me sentir em casa.

Passei pelas altas portas, olhando tudo em volta sorridente, enquanto Dylan segurava o bebê conforto. Era de se admirar o homem de negócios que ele tinha se tornado, só essa semana ele irá fechar três contratos com alguns investidores, não apenas isso como irá ter uma festa de negócios, mal posso esperar para ficar trancada no quarto tentando fazer jade adormecer que nem uma louca quando essa festa acontecer. Se bem conheço Dylan terá muitas amigas dele, ele realmente é popular com as mulheres eu sei disso porque sou sua principal secretaria e recebo todos os seus e-mails, Dylan disse que confia em mim quando se trata de assunto pessoal e da empresa, talvez seja por isso que eu neguei o convite de uma tal de Anna que o chamou para tomar um drink e lembrar os velhos tempos.

Não, me desculpe, sabe eu não vou posso tomar Drink com você, tenho uma bebê para cuidar. Isso me torna altamente antissocial.

Não é como se fosse obrigação dele cuidar da Jade, embora ele seja o padrinho dela, e isso o faz ser um grande candidato para ser meu ajudante.

__Dylan, quem é vivo sempre aparece, não é? - Uma garota morena de olhos azuis e maquiagem forte, trajando um vestido preto agarrado desceu as escadas. Nossa parece que beleza é o sobrenome dessa família.

__Daiana, aposto que já está indo para mais uma das suas festinhas acertei?

__Sim, e não voltarei hoje à noite, aliás você é a famosa Marina, não é? Quem te deu permissão de roubar o Sam de mim? - Ela dá um passo na minha frente e recuo surpresa.

__Como é? - Retruco confusa.

__Não liga para minha irmã, ela sempre teve uma quedinha platônica pelo Samuel, mas ele sempre a viu como uma criança birrenta, que é o que ela é - Sorriu irônico

__Muito engraçado. Eu já tenho vinte anos sou uma mulher, olha para ela, não parece muito diferente de mim, como ele a viu como mulher e eu não? - Olhou para o irmão indignada - E ainda tem uma filha dele. Isso é um absurdo, tudo estava bem com Samuel até você aparecer. Me olha acusadora e engulo seco sentindo o mar de dor vir novamente.

__Chega Daiana, você já estava de saída, não estava? Então vá agora! - Exclamou irritado.

__Claro, espero que não destrua a vida do meu irmão também, porque está claro que ele gosta de você - Sai trombando em mim.

__Não liga para ela. E isso porque ela não herdou a genética ruim do meu pai ou seria pior, se bem que seu pai não é muito diferente, minha mãe e seu dedo podre para macho.

__Ela me odeia - Fungo sentindo as lágrimas descerem.

__Daiana odeia a humanidade, o único de quem ela gostava era o Samuel. Perder ele foi muito difícil para ela porque ambos estavam brigados, ela não queria que ele fosse embora por minha causa. Mas ninguém prende o Samuel, a única pessoa a fazer esse milagre foi você - Segura meu queixo sorrindo.

__Acho que não, afinal de contas ele se foi de qualquer maneira - Abaixo a cabeça cabisbaixa.

__Você não acredita nisso, se acreditasse não estaria usando a aliança que trocaram, pendurada no seu pescoço - Seus dedos gélidos descem segurando o objeto e o olhando atentamente, percebo um vestígio de tristeza em seu olhar.

__Dylan, eu não sei se um dia vou poder deixar de amá-lo. Talvez se tivessem encontrado o corpo.

__Chega Marina, eu não vou te pressionar a me amar, só não quero te ver iludida achando que um belo dia vai acordar e Samuel vai estar aqui bem na sua frente. Isso não vai acontecer, e você só vai sofrer se não conseguir superar a morte dele e virar a página. Vai por mim, agora vou te mostrar seu quarto.

Dylan carregou o bebê conforto e as malas subindo as escadas e eu o segui sem graça. No fundo sabia que ele estava certo, mas meu coração não queria aceitar, eu o amava demais para perdê-lo de uma forma tão trágica e triste. Dylan destrancou a porta para mim e me entregou minha filha, não sem antes segurar uma mecha do meu cabelo e me olhar profundamente nos olhos.

__Eu tenho que resolver algumas coisas para a festa amanhã, se tiver alguma dificuldade é só procurar minha segunda mãe Valentina - Gesticulou para uma senhorinha de cabelos grisalhos e vestido florado.

__Senhorita Marina, acertei? Que bom finalmente conhecer a mulher que trouxe sorriso novamente para o rosto desse rapaz - Dylan coça a nuca sem graça.

__Dylan é um pouco difícil mesmo - Sorri genuinamente.

__Ótimo, vocês vão ter tempo o suficiente para falarem mal de mim, agora já vou. Não esqueça da lista que te mandei sobre minhas intermináveis qualidades Valentina, faça propaganda de mim como se sua vida dependesse disso - Ele pisca para mim e beija a bochecha dela se retirando.

__Esse garoto. Mas deixe-me ver, essa princesa é filha do Samuel, não é? - Eu aceno tímida.

__Sim, é filha do Sam, quer ver? - Entrego para ela empolgada - É a cara dele não acha? Psiu, não vamos fazer barulho se não ela começa a chorar e não sei como desliga-la - Tiro a manta para mostrar e ela ri olhando para mim curiosa.

__Talvez eu entenda por que Samuel se apaixonou por você dessa forma. Um homem raro como ele...não seria qualquer mulher que tocaria seu coração, e você tem isso, essa individualidade que o menino Samuel sempre teve, ele sempre foi tão diferente do irmão e dos primos - Sorri para ela.

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Eram exatamente 4 horas da madrugada, isso mesmo, foi exatamente nesse horário que jade começou a chorar como se o mundo fosse acabar e o pior, faziam apenas poucas horas que finalmente tinha conseguido fazê-la dormir. Por que ninguém nunca minha avisou que ter filho era tão difícil? Me levantei na força do ódio, com olheiras enormes, descabelada e fui parecendo um zumbi até o berço.

__Jade? O que você quer? Eu já te alimentei, o que você quer? - Debrucei no berço choramingando, ela desviou os olhinhos na minha direção, em seguida voltou a chorar, parece que eu assustei a pobre criança. Esfreguei o rosto e peguei ela com cuidado no colo.

__Vamos dar uma volta pela cozinha. Você deve estar com fome de novo, vou preparar o leite está bem? - Converso com ela que parece entender o que eu disse. Coloco ela no bebê conforto e vou para cozinha, deposito ele em cima da mesa e a viro de frente para mim - Assista sua mãe cozinhando - Posiciono com cuidado.

Agora preciso encontrar os utensílios, pego o leite na geladeira, sua mamadeira e coloco em cima do balcão, agora preciso de uma caneca para esquentar. Aonde um homem organizado como o Dylan colocaria suas canecas, começo a abrir as portas rapidamente, procurando as canecas no meio dos alumínios quando acidentalmente deixo algumas panelas caírem no chão causando um barulho enorme.

__Shiii jade. Não faça barulho tem gente dormindo - Sussurro para minha filha olhando por cima na mesa. E volto a ficar de joelhos guardando as panelas de volta no lugar. Ergui meu pescoço lentamente e avistei as canecas na parte dos vidros no armário. Como eu não vi isso antes? Levantei de uma vez a bati minha cabeça na quina da mesa caindo de bunda no chão.

__Aii minha cabeça - Escutei uma risada e franzi a testa. Me levantei rapidamente olhando para minha filha.

__Não ria, não tem nada engraçado, respeita sua mãe - Falo seriamente e ela continua rindo. É o Samuel purinho, a gente demora nove meses para carregar um filho e ele vir a cópia do pai. Voltei a analisar onde estava as canecas certamente não vou conseguir alcançar, então arrastei uma cadeira para subir em cima. Subo cuidadosamente para não fazer tanto barulho e tento alcançar as benditas canecas, qual a necessidade de colocar no alto - Estou quase lá - Meus dedos estão prestes a tocar na caneca vermelha de alumínio quando percebo um movimento estranho e meu corpo deslocar rapidamente para o lado, estou preparada para o tombo que vou tomar, quando dois braços abraçam minha cintura me puxando para frente antes de cair, assustada, apoio meus braços em seus ombros buscando segurança. O encaro em choque.

__Me desculpa - Gaguejo nervosa desviando meu olhar para outra direção que não seja suas safiras azuis.

__Achei que era um assalto, mas é só a furação Marina como sempre - Ele me desce no chão buscando meus olhos, enquanto encaro meus próprios pés envergonhada.

__A culpa é sua se quer saber, para que colocar as canecas tão alto olha - Aponto para cima.

__Estou vendo, talvez seja porque não quero que ninguém as pegue? - Sussurra no meu ouvido e passa por mim sorrindo irônico. Suspiro, enquanto ele abre a porta do armário e tira um canecão de alumínio de dentro. Ele passa por mim me fitando e me entrega o canecão.

__Obrigada - Sorri sem mostrar os dentes.

__Pensando bem vou te ajudar a preparar, só por precaução sabe - Pega de volta.

__Você vai preparar o leite da Jade? - Começo rir.

__Está duvidando do meu potencial? Você ficaria surpresa em saber o ótimo cozinheiro que estou me tornando - Se gaba.

__Ah é? Desde quando o impecável senhor Dylan resolveu se interessar por cozinhar e sujar suas belas mãos com isso?

__Desde que te conheci, ver você cozinhando me deu inspiração - Fala honestamente e não consigo evitar de sorrir.

__A propósito, se um dia se casar comigo poderá viver como uma rainha e eu irei fazer questão de cozinhar todos os dias para você - Coloca a água na caneca, enquanto o assisto sentada na mesa apoiando o queixo - Aposto que está tentada em aceitar, não está? Será que você realmente merece um homem como eu? Eu sou muito areia para qualquer mulher - Colocou a mão no queixo pensativo e rolei os olhos.

Dylan prepara o leite da Jade com uma agilidade incrível, como se tivesse treinado para fazer isso, e me entrega.

__Toma, faça bom proveito - Pisca galanteador.

__Obrigada vou testar - Olho para ele sorridente e coloco minha filha de frente para mim. Começo a alimenta-la e Dylan se senta de frente para mim, a olhando orgulhoso enquanto ela come.

__Viu só?! Ela adorou - Sorriu convencido.

__Isso é porque ela estava com muita fome - Desconverso e ri. Jade termina de mamar e pego ela no colo com cuidado para leva-la para o berço, Dylan me acompanha.

__Olha como ela dorme, uma princesinha dormindo - Balanço ela enquanto ele abre a porta para eu entrar.

__Realmente ela dormiu.

__Ela estava com fome. Comeu, a raiva se foi e dormiu como um anjinho - Explico sorrindo. Me curvo para colocar ela no berço, quando estou quase tirando o braço por debaixo dela, Jade começa a chorar pior do que antes.

__O que houve? Ela acordou? - Dylan pergunta, e o olho desesperada.

__O que eu fiz de errado? Eu não entendo - Ergo ela de volta balançando com força e chora ainda mais - Tem algo que a está deixando com raiva, o que eu faço? Será que ela está com dor? Vamos para um hospital agora - Bradei desesperada.

__Posso pega-la? Talvez ela só queira um colo paternal, e não seja nada demais.

__Sim, ela quer o colo do Samuel, mas ele não está aqui - A balanço incansavelmente - E agora Dylan? Como fazemos ela parar de chorar? Podemos entregar de volta para a mãe dela? - A olhei apavorada.

__Marina, você é a mãe dela. Se acalme está bem?

__Verdade. Psiu, eu sou sua mãe, fique quietinha, Jade, Jade!!

__Me dê ela primeiro, vamos fazer um teste - Dylan estica os braços.

__Está bom, mas certamente não vai adiantar. Eu que sou a mãe dela, não consegui fazê-la parar de chorar - Entrego com cuidado e Dylan a segura sorrindo e começa a balança-la, imediatamente Jade parou de chorar e fico o olhando quase hipnotizada. Coloco a mão na boca a chocada.

__Como assim? Ela parou de chorar. Que piada é essa?

__Não disse? Normal, ela está vislumbrada com meu rosto. Aposto que está pensando que sou algum tipo de anjo pela beleza que emana de mim... - Sorri docemente para minha filha e faço uma careta.

__Eu vou me deitar ao lado dela, para ficar mais confortável.

__Dylan não faça isso. Não ouse roubar toda atenção da minha filha - Falo brava.

__Shii Marina, tranquila. Ela certamente vai me querer como pai dela.

__Seu interesseiro, não tente se aproveitar da situação Dylan.

__Boa noite Marina, se quiser pode dormir no sofá ali do lado. Eu se fosse você pegava um cobertor aqui costuma ser bem frio a noite - Debocha e me virei furiosa.

(.....)

Abri meus olhos vagarosamente, incomodada com a claridade, tampei a luz com a mão e me virei para o lado no sofá descansando meu rosto na minha mão. Avistei Dylan dormindo sereno abraçado com a Jade, poderia ser o Samuel, mas ele não está mais aqui entre nós. No fundo acho que Dylan tem razão, Jade já tem seis meses, vai fazer quase dois anos que Samuel morreu, e por mais que odeie admitir é a verdade, minha filha precisa de um pai que a ame e cuide dela. Eu mais do que ninguém sei o quanto a criação de uma família é importante, e porque esse homem não pode ser o Dylan? Não acho que Samuel ficaria chateado com isso, ele sabe que ninguém amaria mais a nossa filha do que o primo dele.

Dylan abre os olhos de repente e me encara de forma profunda e por algum motivo dessa vez eu não desvio o meu olhar do seu, o sustentando por alguns minutos.

Eu vou aprender a te amar.

__Good morning - Mexi a boca para ver se me compreendesse.

__Good morning - Respondeu sorrindo de canto, fazendo meu coração se aquecer por um momento.

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