Noronha
Encarei o Magrinho sorrindo pra tela do celular, viadagem do caralho. Me aproximei dele devagar e dei um tapa na cabeça dele.
Noronha: Tá falando com quem? – Ele sorriu e deu de ombros.
Magrinho: A Karolzinha tá perguntando se eu vou colar no pagode, tá ligado né? – Ele deslizou a mão pela barriga.
Noronha: Caô, a mina vai colar com a gente. – Fechei a cara na hora, salvou a minha vida, tô devendo um bagulho pra ela. – Quero pivete nenhum atrás dela não, a consequência tu já sabe qual é.
Magrinho: Qual é Noronha? Tá atrás da novinha? – Ele me encarava sério, dei de ombros.
Noronha: Segue a tua caminhada e deixa a mandada na dela.
Me levantei e peguei o fuzil em cima da mesa atravessando nas costas, sai da boca fazendo toque com os menor que estavam na atividade em frente a casa.
Subi na Xt e dei partida pra casa, parei a moto em frente ao lugar escutando o som no talo com uma funk proibidão. Porra de mulher surtada. Entrei no sapatinho e desliguei o som, Aline saiu da cozinha igual um furacão e já veio me xingando.
Aline: Tá me tirando? Liga essa porra aí parceiro. – Neguei. Ela bufou e veio ao meu encontro me dando um selinho. – Chato pra caralho.
Noronha: Meu dinheiro tu não acha chato né filha da puta?
Aline: Do jeito que você fala parece que eu tô com você só por interesse. – Sorri de lado. Meu lance com a Aline é maneirinho, ela é minha mulher, mas na nossa relação não cabe sentimento não.
Noronha: E não é não?
Ela se virou e entrou pra cozinha, revirei o olhos e passei pra o banheiro. Tomei um banho e vesti uma roupa da lala, passei o Malbec e calcei a Kenner. Sai do quarto e encontrei a Aline jogada no sofá, peguei a chave da moto na mesinha e ela já se levantou vindo atrás de mim.
Aline: Vai pra onde assim? – Bufei.
Noronha: Caçar uma puta Aline. – Ela jogou uma almofada do sofá em mim. – Vou bater um papo com o Magrinho, não é foda não?
Sai de casa e subi na minha bebê, meti marcha pra casa da Karol. Bati na porta escutando os xingamentos dela antes de abrir. Quando ela abriu a porta e viu quem era fechou na minha cara, sorri da coragem da filha da puta.
Noronha: Tu tem trinta segundos pra abrir se não eu arrombo essa porra. – Murmurei.
Ela abriu no mesmo instante com uma cara de bunda. Sorri e empurrei ela entrando na casa, me sentei em uma poltrona que estava no lugar do sofá e tirei o bolo de dinheiro do bolso.
Karol: O Magrinho já me pagou, muito obrigada, agora se você puder ir embora... – Ela apontou pra porta. – Eu vou ficar muito agradecida.
Noronha: Tu não é Doutora? Então, vai ajudar os mano quando estiverem do mesmo jeito que eu tava ontem e receber por isso. – Ela gargalhou me fazendo ficar boladão.
Karol: Eu ainda não me formei e eu estudo medicina veterinária, eu tô ligada que vocês são cachorros, mas não tem corpo de um também não. – Apertei as mãos controlando a vontade de socar alguma coisa, se tem uma coisa que me deixa puto é escutar um não.
Me levantei da poltrona e caminhei lentamente em direção a ela, empurrei o seu corpo na parede e passei as minhas mãos no seu pescoço a enforcando sem muita força. A mão dela foi pra cima da minha, mas ela me encarava como se não ligasse, como se não se sentisse intimidada e isso me deu um tesão da porra!
Me afastei dela antes que eu fizesse besteira. Coloquei o dinheiro em cima da mesa na cozinha e sai da casa dela. Mulher marrenta do caralho.
Peguei a moto e sai em direção ao bar, Magrinho tava lá com os crias. Me sentei na mesa deles e comecei a conversar, semana que vêm ia ter invasão em um morro inimigo junto com os aliados.
Tomei só duas latinhas e fiquei esperando anoitecer lá, não tava nos meus planos ficar em casa enchendo meu saco com os papo torto da Aline. Voltei pra casa só pra tomar um banho, me trajei e passei a essência do Malbec no corpo. O cheiro que atiça elas é esse.
Aline: Já vai sair de novo Kaio? – Nega chata da porra menor.
Noronha: Vai pra casa do caralho Aline, tá me estranhando é? Te devo nada não. – Ela abaixou a cabeça e bufou. – Para de estressar pra gente não começar a se dar mal, falou? – Segurei no queixo dela apertando com uma certa força.
Soltei ela e sai da casa, pagode em comemoração do aniversário da irmã de um vapor das antigas meu. O mano Jacaré patrocina tudo pra piveta dele desde menor, desde iPhone à roupas de grife.
Parti pra casa dele em alta velocidade, empinei a moto na descida do morro. 244 nunca foi crime. Estacionei na frente da casa deles vendo uma fila de motos e carros lá na frente, pagodinho rolava alto.
Entrei na casa e cumprimentei os manos, vi a mandada sentada do lado da Dayanna em uma das mesas e o Magrinho junto delas. Me sentei do lado do Magrinho na mesa deles, tirei a carteira do bolso e estendi cinco notas de cem pra pirralha.
Noronha: Parabéns dragão, que Deus multiplique os homens na sua cama. – Ela sorriu pegando as notas da minha mão.
Dayanna: Amém coração, amém. Cadê a sua mulher? – A garota sorriu falsa. Não era pra menos, Aline nunca foi de fazer muita amizade não.
Noronha: Curtindo o Mc lençol e o Dj travesseiro.
O Magrinho tava conversando umas paradas com a Karol e ela toda sorridente pra o lado dele. Não Demorou muito pra a piranha da Dayanna arrastar ela pra dançar, os mano ficaram tudo olhando e não era pra menos. A Karol tinha um corpo de cavalona e uma cara de anjo, toda ninfeta! Me diz qual homem resiste a uma mulher dessa? Eu fico duro na hora.
Vi um dos vapor se levantar e puxar a cintura dela pra dançar, me levantei da cadeira e fiquei observando de longe. Não dava nem pra chegar nele e afastar sem ganhar a atenção de todas as maria fifis que esse morro tem. Mas fiquei esperando com a paciência a mil, quando ele largou dela que ela entrou na casa eu fui atrás.
Quando a Karol ia fechar a porta do banheiro eu coloquei o meu pé no meio impedindo ela de fechar a porta, entrei junto com ela e a empurrei na parede. Coloquei o meu joelho no meio das pernas dela e a enforquei tentando colocar o mínimo de força possível.
Ela gemeu baixinho no meu ouvido, não sabia ao certo se era dor ou tesão, mas foi um combustível pra que beijasse ela. Segurei na sua nuca e colei a nossas bocas em beijo sedento. Puxei o seu cabelo para trás me dando livre acesso ao seu pescoço e chupei deixando algumas marcas vermelhas.
Karol: Não... Hmmm. – Ela me empurrou com força e ficou me encarando séria. – Você é casado!
Noronha: Vai dizer que não gostou?
Ela arrumou os cabelos e saiu do banheiro. Filha da puta gostosa! Eu vou ter ela na minha cama custe o que custar.
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Karol
Antendi a mesa onde tinham algumas meninas, do outro lado da lanchonete entrou uma mulher loira. A Paulinha tirou a bunda dela da cadeira e foi atender a mulher, coisa que era muita raridade.
Fiquei só observando de longe enquanto atendia as pessoas. Depois de um tempo entraram alguns vapores e logo atrás deles o Noronha, ele se sentou do lado da mulher. Me condenei por ser tão lerda. É claro que aquela era a primeira dama da Rocinha, exatamente como o Magrinho me disse.
Paulinha: Karol minha filha, vem anotar o pedido dos meninos aqui. – Ela gritou de lá. Trinquei os dentes engolindo toda a minha vontade de xingar, o destino querendo me estressar as oito horas da manhã.
Fui até lá e sorri pra os homens sentados na mesa, a mulher nem sequer olhou na minha cara e eu também não fiz muita questão. Coisa mais besta, se ela soubesse que o marido vive atrás de mim não me olharia assim.
Karol: O que vocês vão querer? – Perguntei segurando o caderninho.
Xx: Trás sete mistos quente, cinco croissant e cinco sucos de maracujá novinha. – Concordei.
Karol: Vão querer mais alguma coisa?
Aline: Trás um sanduíche pra mim fofinha.
Karol: Falou, patroa. – Murmurei e sorri de lado. Virei as costas pra sair, mas parei quando escutei a voz enjoada dela.
Aline: Tu tá debochando de mim? – Me virei e dei uma risada.
Karol: Você acha que eu perco o meu tempo dessa maneira? – A mulher ficou vermelha na hora, quando ela ia se levantar o Noronha a empurrou de volta na cadeira.
Ele sussurrou alguma coisa no ouvido dela que eu não consegui ouvir e nem sei se queria também. Voltei pra bancada e entreguei os pedidos para o Alessandro, ele que preparava todos os pedidos, tem a mesma idade que eu e também faz medicina veterinária. As vezes eu costumo brincar dizendo que nós somos almas gêmeas e vamos casar do tanto que nós fazemos tudo igual, mas o Ale é gay, se bem que nem parece.
Ele me entregou os pedidos prontos em uma bandeja depois de alguns minutos, levei tudo até a mesa e organizei lá.
Xx: E aí mina, rola contato não? – Concordei. Ele tirou o celular do bolso e me entregou, coloquei o meu número e salvei o contato.
Karol: Qual é o seu nome? – Entreguei o celular de volta e ele sorriu.
Xx: L7, mas tu pode me chamar de amor da tua vida.
Noronha: Qual foi Alan? Deixa a menina trabalhar na dela.
Sai de lá pra não vomitar com tanta hipocrisia, a mulher do cara bem do lado dele e ele fazendo essas palhaçadas. Fui atender as outras mesas cheia de tédio, trabalhar pra me manter, mas que eu goste eu não gosto. Pérolas de ter nascido pobre.
[…]
Subi o morro andando junto com o Alessandro. Hoje a aula tinha sido super interessante e didática e eu achar isso é uma raridade, porque pense numa pessoa preguiçosa pra estudar.
Alessandro: Qual foi Karol? Vamos brotar no baile da Colômbia hoje? – Fiquei pensando no que o Noronha tinha dito sobre ir lá em casa hoje a noite, é melhor eu nem estar lá quando ele chegar mesmo.
Karol: Só vou em casa tomar um banho e me arrumar, te mando uma mensagem e a gente pede um Uber pra lá. Pode ser? – Ele concordou.
O cara que tinha pedido o meu número hoje mais cedo passou de moto igual uma bala, não sei porque todos os caras desse morro acham que moto é avião.
Karol: Aquele cara que passou na moto pediu meu número hoje mais cedo lá na lanchonete. – Comentei sabendo que se o menino tivesse algum podre o Alessandro me falaria. Acho que o Ale é a pessoa mais fofoqueira e FBI desse morro, todo mundo ele conhece, sabe do passado, da família.
Alessandro: Tô ligado, ele é puto mais caiu na minha que tem uma pegada do caralho. Karol: Já experimentou?
Alessandro: Queria eu mona, queria eu. – Ele sorri negando. – Eu fico por aqui nega, até daqui a pouco. – Concordei, mandei beijo no ar pra ele que só sorriu como resposta.
Fui o resto do caminho até a minha casa sozinha, era na rua de trás da casa do Alessandro e não tinha tanto perigo ir só a noite. Peguei a chave de casa dentro da minha mochila e abri a porta, liguei a luz e gritei vendo a figura do Noronha deitado no meu sofá novo.
Karol: Quer me matar seu desgraçado? Como é que você entrou aqui hein?
Noronha: Vai se arrumar logo, a gente tem que voltar cedo. – Neguei. Joguei a minha mochila no sofá e coloquei as mãos na cintura.
Karol: Vai pra sua casa, se tu quer mulher pra ser mandada lá você encontra.
Noronha: Minha paciência contigo hoje tá pouca Karol, faz o seguinte, tu não quer tanto que eu te deixe na tua? Cola comigo ali só hoje e eu te deixo em paz.
Karol: Você tá mentindo!
Noronha: Eu me garanto mandada, tu tem vinte minutos pra se arrumar se não eu te enfio dentro do carro do jeito que tiver.
Me enfiei dentro do banheiro e fui tomar um banho rápido, lavei os meus cabelos nas pressas. Ódio e ódio, apenas.
Enrolei uma toalha no cabelo e outra no corpo, passei pra o quarto e escolhi um vestido de alcinha colado no corpo. Eu já tinha usado ele umas duas vezes e acho que valoriza muito todas as minhas curvas, como uma boa sereia.
Finalizei o meu cabelo, coloquei uma argola prata e passei o meu lily. A meta é ter um Good Girl, mas o meu saldo no banco me impede de luxar tanto. Calcei uma réplica do Jordan preto e voltei pra sala vendo o Noronha agora sentado jogando no celular.
Ele guardou o aparelho no bolso assim que me viu e se levantou. Saímos de casa, tranquei a porta e guardei a chave dentro da minha bolsa. Ele entrou em um carro preto estacionado na frente da casa da minha vizinha e eu entrei logo depois.
O Noronha deu partida no carro e foi dirigindo em direção a entrada do morro, olhei pra ele surpresa.
Karol: Não é perigoso pra você sair daqui, não? E se a polícia te pegar na pista? – Ele sorriu negando. A primeira vez que eu vi ele rindo tão espontaneamente.
Noronha: Brabão é o que tentar me pegar na pista. – Ele colocou uma das mãos na minha coxa, engoli em seco e fiquei encarando o rosto dele. – Perigo mesmo é verem nós dois juntos dentro do morro com aquele bando de povo fofoqueiro.
Karol: Mas também, né? Você é casado, não tem nem porque a gente tá saindo agora pra início de conversa.
Noronha: Eu quero te conhecer melhor mandada.
Karol: Você deveria conhecer melhor a sua esposa! – Que saco. Se arrependimento matasse eu já estaria enterrada uma hora dessa.
Fomos o resto do caminho em silêncio. O Noronha parou o carro em um estacionamento perto da praia. Ele desceu do carro e eu fiz o mesmo seguindo ele, paramos de andar quando chegamos em frente ao mar.
O Noronha se sentou na areia e eu me sentei do lado dele.
Karol: Porque aqui? – A praia estava vazia, o vento frio soprava com força.
Noronha: Esse é um dos lugares que eu venho pra pensar, tá ligada? Qualquer dia desses eu te levo pra conhecer os outros.
Karol: Você disse que ia me deixar em paz Noronha.
Noronha: Brisado em tu do jeito que eu tô, tu acha mesmo que eu ia conseguir? – Dei de ombros e fechei os olhos sentindo o friozinho gostoso que fazia aqui. – Na hora que eu bati o olho em tu, eu peguei a visão de que tu era pra mim.
Karol: Você é maluco, isso sim.
Noronha: Kaio.
Karol: O que?
Noronha: Me chama de Kaio.
Ele se levantou, segurou na minha mão e me puxou pra eu levantar também. O Noronha foi me puxando até a beiradinha do mar, lá ele apontou pra o reflexo da lua na água.
Noronha: É isso o que eu venho ver aqui. – Concordei e sorri, era lindo.
A gente se encarou e eu comecei a sentir a tensão se formar, o Noronha colocou uma mão na minha cintura e apertou firme o local. Ele tentou se aproximar, mas eu recuei.
Ele segurou no meu queixo com uma certa força e me deu um selinho. Forcei o meu corpo para trás e me afastei dele.
Karol: Você é casado! Pelo amor de Deus para com isso, respeita a sua mulher.
Noronha: Eu e Aline só tamo junto pela dívida que eu tenho com ela, a mina salvou a minha vida e eu devo máxima consideração. Agora tu acha que eu e ela temos alguma coisa? Nem olhar pra cara um do outro dentro de casa a gente olha mais e depois que eu te conheci só piorou. Eu brisei em tu pô, vamos tentar um bagulho no escondido?
Karol: Você só pode tá é doido, me leva pra casa na moral. – Ele negou e se aproximou novamente de mim.
Dessa vez noronha segurou na minha cintura mais forte, sua outra mão veio pra minha nuca e ele aproximou os nossos rostos me beijando. Sua língua invadiu a minha boca em um beijo feroz. Ele me pegou no colo e eu acabei rodeando as minhas pernas na sua cintura por impulso. Parei o beijo com alguns selinhos e fechei os olhos me condenando mentalmente por ter gostado.
Karol: Esse foi o maior erro da minha vida. – Murmurei.
Noronha: É errado, mas é gostoso pra caralho, não é não? – Concordei sorrindo.
Já tava no inferno, eu ia abraçar o capeta só por hoje.
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