Ponto de vista de Scarlett:"
Quer mais alguma coisa?" perguntei incrédula.
"Temos que acordar cedo para ver Rita amanhã," respondeu Charles friamente.
"Está bem."
Fiquei confusa, me perguntando se ele havia voltado só para provar seu argumento.
"Vou dormir aqui esta noite," acrescentou ele.
No instante em que ouvi o que ele disse, voltei a mim. Eu queria perguntar se ele poderia mesmo ficar, mas preferi me calar.
"Receio que você acabe dormindo demais por causa do fuso horário," explicou ele. Ele devia ter percebido a confusão no meu rosto.
"Ah. Está bem. É melhor eu ir arrumar o quarto de hóspedes agora."
Assim que terminei de falar, me virei e fui até minha mala, pronta para sair com ela.
No entanto, de repente, Charles se aproximou e bloqueou minha passagem.
"Por que está me evitando?"
Olhando para seus olhos frios, o lembrei," Só estou fazendo o que você pediu. Não foi você que me pediu há três anos para manter distância?"
Assim que disse essas palavras, ele caminhou lentamente na minha direção, com um toque de raiva nos olhos.
"Você fica aqui."
Suas palavras me fizeram soltar a mala, fazendo com que ela caísse no chão. Então, ele se aproximou mais, fazendo com que meu coração começasse a bater cada vez mais rápido...
Para minha surpresa, ele simplesmente passou por mim e se sentou no sofá. Depois de desabotoar a camisa, ele se acomodou nele.
"Vou dormir no sofá," disse ele sem rodeios.
Não pude deixar de bater na minha própria cabeça e me repreender por ter sido tão imaginativa, pois um pensamento sujo acabou de passar pela minha cabeça! Sem dizer mais nada, peguei minha mala e a coloquei num canto.
Dando as costas para Charles, o ouvi tirar a roupa e abrir o armário para pegar uma roupa limpa. Um momento depois, ele finalmente entrou no banheiro.
Já fazia três anos que nos casamos. O homem dos meus sonhos, meu marido, estava a poucos metros de mim. Embora ele tivesse ido para o banheiro, seu cheiro ainda pairava no ar. Era tão bom que me fez ter um frio na barriga.
Fui até a cabeceira e me deitei na cama. Deitei de lado com o corpo encolhido e ouvi o som da água corrente do banheiro.
Quando o som finalmente parou, fechei os olhos rapidamente e fingi estar dormindo profundamente. Até diminui minha respiração, para que ele não percebesse que eu estava apenas fingindo.
Havia tantos quartos de hóspedes. Por que ele insistiu em dividir um quarto comigo? Talvez fosse porque não nos víamos há três anos. De qualquer forma, esse homem estava cada vez mais imprevisível.
Depois de um bom tempo, um silêncio ensurdecedor tomou conta do lugar. Abri os olhos discretamente e olhei para Charles. Ele estava deitado no sofá de costas para mim. Enquanto olhava para ele, meu corpo finalmente relaxou. Eu já sabia que nada aconteceria esta noite. Mesmo assim, não pude deixar de ficar decepcionada por dentro.
* *****
Quando acordei na manhã seguinte, Charles já havia saído do quarto. Quando verifiquei as horas no meu celular, meus olhos se arregalaram de choque. Já eram dez da manhã!
Pulei da cama e fui me lavar o mais rápido possível. Quando saí do quarto, vi Charles lendo um livro no sofá da sala.
"Por que não me acordou?!" perguntei, com a voz ligeiramente mais alta de pânico.
"Eu te acordei, na verdade. Quase joguei água fria em você para conseguir te acordar." Charles nem sequer tirou os olhos do livro enquanto falava, sem qualquer emoção no seu tom.
"Me desculpe. Estava um pouco cansada ontem à noite. Vamos logo," disse sem jeito, com os olhos fixos no chão. Pelo visto, dormi tão profundamente na noite passada.
" Coma alguma coisa primeiro.
""O quê? E Rita?"
"Não precisa ter pressa. Nos encontraremos mais tarde no almoço."
Suas palavras me pegaram de surpresa. Ele não havia dito que eu tinha que acordar cedo? Será que ouvi errado? Ou talvez ele só tenha dito isso para me enganar.
De qualquer forma, fiz o que me foi mandado. Tomei um café da manhã leve e depois o apressei para irmos. Não era porque eu estava com pressa de ver Rita, mas porque eu queria acabar com isso o mais rápido possível.
Fiquei em silêncio no caminho para o restaurante. Charles também não disse uma palavra. Estávamos casados há três anos, mas, por algum motivo, éramos como estranhos um para o outro. Para piorar a situação, eu estava acompanhando meu marido para encontrar sua noiva.
O carro parou no Rainbow Dream, um restaurante com três estrelas Michelin. Esse era o restaurante mais luxuoso da cidade. Para ser sincera, eu nunca havia ido lá. Mesmo depois de me tornar a senhora Moore, Charles nunca me levou lá.
No instante em que entramos no restaurante, um garçom se aproximou e nos cumprimentou. "Senhor Moore, a senhorita Lively está esperando por você no segundo andar." Pela forma como o garçom o cumprimentou, parecia que Charles era um cliente frequente do local.
Sem dizer uma palavra, segui Charles até o elevador.
"Sorria quando vir Rita e não fique de cara fechada," ordenou ele friamente.
Forcei um sorriso e o assegurei:
"Pode deixar.""Scarlett, quanto tempo!" Rita nos cumprimentou com um sorriso largo no momento em que entramos na sala privativa. Aparentemente, ela não havia envelhecido nada nesses anos todos. Ela devia estar pagando uma quantia exorbitante para manter seu rosto jovial. O mais impressionante era que seu rosto era exatamente como o dos filmes. Ela não parecia uma pessoa que estava doente há muito tempo.
"Quanto tempo," cumprimentei de volta com um sorriso gentil.
"Você já se recuperou do fuso horário? Fiquei preocupada que você não fosse conseguir acordar hoje de manhã, então marquei para o meio-dia."
"Sim, obrigada. Dormi bem na noite passada. Afinal, esta é minha cidade natal."
"Você sofreu muito nos últimos três anos. A culpa é toda minha. Ainda bem que Charles está aqui. Me sinto muito melhor agora do que antes." Rita tossiu assim que terminou de falar. Como se fosse um sinal combinado, Charles lhe entregou um copo de água.
Ao ver Rita naquele dia, foi como se o gelo dentro dele tivesse derretido, o transformando numa pessoa completamente diferente num instante. Sua atitude com Rita era bem diferente da forma como me tratava.
O prato principal do dia era bife. Charles cortava cuidadosamente o bife no prato de Rita. Era incomum vê-lo assim, tão gentil e atencioso.
"Estou bem. Não se preocupe. Estou ótima. Na verdade, acabei de receber meu diploma." Enquanto lutava para cortar o bife com a faca e o garfo, sorri para Rita."
Você ficou na França por três anos. Arrumou um namorado? Vamos passar nossa lua de mel na França durante o Festival de Cinema de Cannes esse ano."
Namorado? Como uma senhora Moore leal, eu nunca havia cogitado ficar com outro homem enquanto ainda estava casada. Por algum motivo, eu ainda tinha um fio de esperança em relação a Charles.
"Ah... sim, na verdade, conheci um cara lá. Ele é artista." Imediatamente, pensei em um cara que eu poderia apresentar a ela. Como Charles havia dito ontem, eu precisava deixar Rita tranquila.
O observei pelo canto do olho enquanto ele cortava o bife. De repente, ele se enrijeceu por um segundo.
"Você tem alguma foto dele?" Rita perguntou curiosa.
A curiosidade dela me pegou de surpresa. Olhei para Charles na esperança de que ele me ajudasse, mas, infelizmente, ele nem sequer olhou para mim.
"Bem, ainda não estamos juntos, então não salvei a foto dele no meu celular," expliquei, continuando a cortar meu bife.
"Ele tem Facebook? Talvez ele poste fotos lá. Quero vê-lo," insistiu Rita. Pelo visto, ela não pretendia abandonar o assunto até ver o homem com seus próprios olhos.
"Me deixe verificar." Enquanto falava, peguei meu celular e pensei em qual colega eu deveria fingir que era meu pretendente por um momento. A primeira pessoa que me veio à mente foi Pierre. Como eu e ele tínhamos um bom relacionamento, meu plano poderia dar certo. Quando entrei na página do Facebook dele, vi imediatamente uma foto dele em frente à Torre Eiffel. Ele tinha cabelos longos e rebeldes e um rosto jovem e bonito. Pierre e Charles eram os opostos um do outro. O primeiro era artístico e deixava a vida o levar, enquanto o segundo era frio e reservado. Entreguei meu celular para Rita com a foto de Pierre na tela.
Os olhos dela brilharam de alegria ao ver a foto. "Nossa! Ele parece um cara parisiense artístico e despreocupado. Estou tão feliz por você, Scarlett. Afinal, Charles e eu... me desculpe." Então, ela mostrou a foto para Charles, que apenas a olhou por um segundo. "Vocês dois combinam muito," comentou ele friamente.
Por fim, Rita me devolveu o celular. "Ele virá para os Estados Unidos te visitar?" ela perguntou entusiasmada.
"Ele ainda está na Europa. Ele está fazendo uma exposição de arte em Lyon, mas virá para cá no próximo mês para construir sua carreira." Eu estava mentindo. Tudo o que saiu da minha boca não passava de uma invenção. Mas isso não importava. O mais importante para mim naquele momento era deixar Rita feliz. Além disso, eu poderia não vê-la novamente depois que assinasse o acordo de divórcio. Caso contrário, eu teria que pensar em como fazer com que Pierre viesse para cá.
"Você o ama?" Rita perguntou, com os olhos brilhando de expectativa.
Fiquei atônita com a pergunta.
"Claro que sim." Tentei ao máximo manter a calma e a compostura para que ela não percebesse a minha farsa.
" Que ótimo! Charles, parece que não precisamos nos preocupar com Scarlett mais. Vamos desejar felicidade a ela!" Rita ergueu sua taça animadamente.
Charles também ergueu a sua.
"Scarlett, me prometa que será feliz." Rita olhou nos meus olhos enquanto falava. No entanto, eu sabia muito bem que tudo isso não passava de uma fachada. Por trás da sua máscara gentil havia um coração perverso e cruel.
"Claro. Você também."
Como um sinal de promessa, bebemos o vinho das nossas taças.
Quando coloquei minha taça sobre a mesa, minhas mãos começaram a tremer de repente. Além disso, senti um mal-estar no estômago. Eu só queria que esse almoço terminasse logo, pois não queria mais ver essa hipócrita.
"Com licença, tenho que ir ao banheiro," pedi, sem conseguir aguentar mais. Eu queria sair e respirar o ar fresco para aliviar a sensação de enjoo.
Quando voltei à mesa alguns minutos depois, Charles já estava ajudando Rita a colocar o casaco.
"Rita não está se sentindo bem. Vou levá-la para casa. Depois, eu..."
"Não se preocupe. Posso ir para casa sozinha," o tranquilizei.
Então, observei impotente enquanto Charles saía do restaurante com Rita nos braços. De repente, os músculos tensos de todo o meu corpo se relaxaram.
PONTO DE VISTA de Charles:
Depois de levar Rita para casa, voltei ao escritório para resolver alguns assuntos de trabalho.
À noite, recebi uma mensagem de Spencer.
Nela, dizia:"Charles, quer vir com a gente? Estamos todos aqui."
Respondi:"Beleza. Já estou indo."
Respondi enquanto saía do escritório.
Spencer era o dono do Mint Bar, um dos bares mais badalados da cidade e, naquela noite, estava bem cheio. Assim que entrei, vi Spencer e David. Éramos amigos desde pequenos.
"Você viu a Scarlett?" Spencer perguntou quando me aproximei dele.
"Sim," respondi e pedi um copo de uísque ao barman.
"Vai mesmo se divorciar dela?" Spencer insistiu, se aproximando mais de mim.
"Sim," respondi impacientemente e acendi um cigarro.
" Como você pôde fazer isso, cara? Scarlett é como uma irmã para nós. Crescemos com ela. Você e Rita estão sendo muito cruéis com ela."
Quando o barman colocou minha bebida na minha frente, soltei uma baforada de fumaça. Então, preferi não responder a Spencer e só bebi meu uísque. Mas o que ele disse era verdade.
Sendo sincero, fiquei bem nervoso quando falei com Scarlett sobre o divórcio ontem à noite. Já ela ficou sentada o tempo todo, com um semblante calmo e sereno. Eu não sabia dizer se a atitude dela me incomodava ou me impressionava. Não nos encontrávamos há três anos, e ela não era mais a garotinha doce que não escondia o que sentia. Ela havia crescido muito.
Vê-la novamente com essa postura tranquila me deixou um pouco aborrecido.
"Ela concordou?" David perguntou com curiosidade.
"Sim, ela concordou."
Nesse momento, comecei a me arrepender de ter saído para encontrar meus amigos. Eu só queria tomar uma bebida com eles, mas eles estavam me sabatinando com todas essas perguntas.
"Então você vai se casar com Rita mesmo?"
"Sim."
"Está falando sério? Vai mesmo sacrificar sua felicidade só porque ela te salvou?" David ficou bastante emocionado com minha resposta, acabando por derramar seu vinho na minha roupa.
"Porra!" xinguei com raiva." Oh, meu Deus. Sinto muito, cara," David se desculpou imediatamente.
Como eu não queria ficar ali parecendo um completo desleixado, me desculpei e fui para casa trocar de roupa. Após sair do bar, pedi um carro. Minha intenção era ir para casa, mas assim que entrei no carro, me peguei pensando.
Então, pedi ao motorista que me levasse para a Rua Garden.
Quando cheguei, a casa estava bem iluminada e eu podia ouvir risadas vindas das janelas abertas. Um Mercedes conhecido estava estacionado na garagem.
Ao que parecia, minha mãe e minha avó tinham vindo nos visitar.
Caminhei rapidamente até a porta, mas antes que eu pudesse digitar a senha, alguém já a abriu por dentro.
"Onde você estava? Por que não atendeu minhas ligações?" minha mãe se aproximou e me repreendeu.
"Eu estava numa reunião, mãe."
"E por que você está fedendo a álcool? Andou bebendo? Meu Deus, você está um caos. Vá se trocar." Com o nariz franzido, ela me levou para dentro.
Ao entrar, vi minha avó e Scarlett sentadas na sala de estar, conversando e rindo animadamente. Havia frutas e até uma torta de maçã na mesa de centro.
"Oi, vovó." Fui cumprimentá-la e peguei um pedaço da torta de maçã, mas ela deu um tapa na minha mão.
"Tire as mãos daí. Ela não é para você. É da Scarlett."
"Charles, o que houve com você? Venha, vamos pegar uma roupa limpa," disse Scarlett, se levantando e vindo até mim.
"Vocês estão casados há tanto tempo. Por que ainda chama Charles pelo nome?" perguntou a avó a Scarlett, depois olhou para mim com desconfiança.
"Há algum problema na forma como o chamo?" Scarlett parou e perguntou.
"Casais jovens como vocês não chamam seus cônjuges de amor, querido ou algo assim?"
Scarlett ficou paralisada e pareceu pensar por um momento. Então, ela pigarreou. "Venha, querido. Deixe eu te ajudar a se trocar."
Depois de me ajudar a tirar o paletó, ela me deu um sorriso sincero.
" Agora sim," disse a avó com um sorriso, num tom cheio de satisfação.
Ela gostava muito de Scarlett. Enquanto Scarlett esteve no exterior nos últimos anos, minha avó sempre me perguntava sobre ela, mas eu sempre respondia superficialmente.
Logo depois, minha avó começou a falar sobre outro assunto.
"Charles, marquei uma consulta com o médico para você esta semana. Não beba até lá. Quero que você vá fazer um check-up."
Fiquei atônito com suas palavras.
"Mas acabei de fazer um exame médico, vovó. Estou muito saudável."
"Não quero que você faça outro exame médico. É um check-up mais especializado. Já se passaram vários anos. Onde estão meus bisnetos? E acho que a culpa não é de Scarlett. É sua."
Scarlett franziu os lábios e olhou para mim, um músculo se contraindo no seu maxilar. Ela parecia estar tentando não cair na gargalhada.
Antes que eu pudesse me defender, meu celular começou a tocar, e eu soltei um suspiro de alívio. Scarlett, que segurava meu paletó, pegou meu celular no bolso e viu o nome do contato na tela. Pude perceber que era Rita pela forma como seu rosto se transformou de repente.
"É aquela mulher? Ah, tenha a santa paciência!" exclamou minha mãe.
Peguei meu celular de Scarlett e rejeitei a ligação.
"É Rita? Você é um homem casado agora, Charles. Por que ainda está envolvido com aquela mulher? Você deveria ser leal a Scarlett. E o que eram aquelas fotos de Rita experimentando vestidos de noiva que vi no noticiário? O que está acontecendo?" a vovó perguntou.
"Não é o que você está pensando, vovó."
"Então por que rejeitou a ligação dela? Há algo que vocês dois precisam conversar e não querem que saibamos?"
Eu não sabia como responder. Eu podia mentir para os outros, mas não para minha avó, que sempre me conhecia pelo avesso.
A vovó estava tão brava que começou a tremer. Vendo isso, Scarlett rapidamente lhe serviu um copo de água.
"Charles ficará mais do que feliz em responder à sua pergunta, vovó, mas me deixe levá-lo para trocar de roupa primeiro," disse Scarlett, me empurrando escada acima e para o quarto.
"Tenho algumas camisas brancas no terceiro armário."
Enquanto Scarlett ia pegar uma camisa limpa para mim, tirei a que David havia manchado com seu vinho. Ela já estava estragada. Droga! Eu não pouparia David da próxima vez.
De repente, senti um silêncio palpável atrás de mim. Quando me virei, Scarlett estava parada ali, me encarando com uma das minhas camisas na mão. Ela abaixou o queixo, tentando esconder o intenso rubor em suas bochechas.
"Há quanto tempo está aí?"
Ela não respondeu, apenas fechou os olhos rapidamente. Então, fui até ela.
Dessa vez, pude ver melhor a nova versão dela. Ela não era mais a garotinha de antes. Seus três anos na França a transformaram de um simples botão em uma rosa delicada.
Seus longos cílios tremiam, e seus lábios estavam cerrados como se ela estivesse reprimindo algo. Seu rosto ficava cada vez mais vermelho a cada minuto que passava.
Peguei a camisa da mão dela e a vesti rapidamente.
Depois que coloquei uma camisa limpa, voltamos para a sala de estar.
"Não me restam muitos anos, Charles. Por que não pode viver uma vida tranquila com Scarlett? Por que está sempre tentando me tirar do sério, hein?" a vovó continuou me repreendendo.
"Vovó, da próxima vez que quiser vir aqui, pode me ligar que venho te buscar, tá bem?" Eu ainda não sabia como respondê-la, então decidi mudar de assunto.
"Não, obrigada. Você está sempre tão ocupado. Não quero te incomodar. Só quero ver se você está tratando sua esposa bem."
"Vovó, estou bem," Scarlett interveio.
"Muito bem, então. A propósito, não se esqueça da festa de sessenta anos do Grupo Moore amanhã. Charles, quero que compre um belo vestido de festa para Scarlett. Quero que todos vejam a sorte que você tem de fisgar alguém como ela. Não me deixe infeliz novamente, está me ouvindo, rapaz?"
"Claro, vovó."
Depois de conversar com minha avó e minha mãe por um bom tempo, finalmente consegui convencê-las a dar a noite por encerrada e as acompanhei até a saída.
Naquela situação, não havia como eu mencionar o divórcio a elas sem causar um verdadeiro alvoroço.