Capítulo 2

Harvey

Quando saí de casa naquele dia, não fazia ideia do que aconteceria. E posso dizer, com toda a certeza, que a última coisa que pensei era que encontraria uma mulher como aquela, presa em um elevador comigo, desejando que eu a levantasse para que ela abrisse o alçapão e pudesse subir, fugindo da caixa de metal, que já estava parada há 15 minutos.

Eu a encarei, confuso, como se ela fosse uma figura estranha, divertida e louca; tudo ao mesmo tempo. E meu bom humor no momento era surpreendente, pois, geralmente, eu não tinha paciência ou era complacente com essas atitudes. Minha mãe costumava dizer que isso vinha do meu pai, porque ele sempre foi assim, e ainda era em algumas ocasiões. Mesmo tentando dizer “não” para mim mesmo, eu concordava com esse pensamento. Sempre me espelhei nele, mas a nossa relação parecia distante.

Voltando-me para Samanta, que me olhava como se quisesse me matar, eu sorri, achando que estava em um sonho louco. Nunca teria apostado que algo assim pudesse acontecer com tanta facilidade. Observando-a um pouco, acabei vendo uma grande semelhança entre ela e minha mãe, que costumava provocar o meu pai e lhe dar apelidos, além de ser determinada, raivosa, inteligente e sempre conseguir o que queria.

— Eu não vou ajudar você nisso — recusei-me novamente.

Ela tinha um rosto muito delicado e olhos verdes intensos, que me deixavam encantado. Seu cabelo, ondulado, sofria com seus dedos longos, que insistiam em colocá-lo atrás das orelhas com muita frequência. Eu poderia dizer que ela era uma mulher muito bonita, mesmo com suas vestimentas mais despojadas e simples. Ela também tinha um belo corpo por baixo daquela casca estressada.

— Está louca? — Eu queria que ela visse o óbvio: se eu a ajudasse naquilo, ela poderia se machucar. — Sabe o quanto é perigoso ir até o alçapão de um elevador?

Ela batia, freneticamente, os seus pés no chão, com uma expressão de quem não queria saber dos meus conselhos.

— Estranho bonitão, eu não me importo.

Ela conseguia me fazer rir. Sério. E era tão natural. Eu gostava dessa sensação. Geralmente, as pessoas me tratavam sempre como se eu fosse o chefe ou o filho dele, e isso me deixava frustrado e entediado. Entretanto, entrar nesse elevador mudou um pouco as coisas para mim. Eu poderia dizer que tinha uma chave-mestra que destravava tudo, mas, não, eu desejava ver até onde ela iria ou quando os incompetentes da manutenção resolveriam o problema.

— Já falei sobre o quanto essa reunião é importante? — ela me questionou.

— Mais importante que a sua vida? — Franzi o cenho, semicerrando os olhos. — Tem noção de que se o elevador voltasse a funcionar, você poderia cair e morrer?

— Não vou sair, apenas abrir a caixa, para que o sinal do meu celular volte a pegar, pois, ironicamente, uma empresa de proteção de tecnologia faz tão bem o seu papel, que, nos elevadores, por conta da grossa camada que protege a cápsula, é quase impossível acessar o mundo lá fora. Então, tudo está cortado. Nem o botão de emergência está pegando. Estamos presos aqui há mais de 15 minutos, e... — Ela falou tão rápido, desesperada, que quase não entendi as suas palavras. Parecia que nem respirando estava. — Posso apostar que isso é coisa de Adam Clark. — Ao terminar a sua dissertação, finalmente, ela retomou o ar, parecendo aliviada.

Balancei a cabeça, achando graça disso.

— Sam. — Ela franziu o cenho, encarando-me. — Vou agir como se fôssemos amigos. Então, releva. — Seus olhos cor de esmeralda me fitaram com tanta atenção, quase como se lessem a minha mente. — Seria inútil se arriscar por conta de uma promoção. Além disso...

— Olha aqui, seu... Seu idiota... — Ela fez eu me calar, deixando-me chocado com o seu atrevimento. — Você pode se dar bem na academia, onde as mulheres disputam para te ter como professor, mas eu não. — Ela realmente acreditava que eu era um personal trainer. — Sou boa no que sou, e disso, não tenho dúvida. — Ela se aproximou de mim, levantando a cabeça e me olhando nos olhos. Sua postura determinada, sem medo, chamava a minha atenção. Não dava para eu acreditar que estava gostando de ser desafiado por uma mulher que devia ter 1,56 m de altura. — Mas, todos os dias, eu tenho que entrar nesta empresa e fingir que sou forte, que não me importo com as piadas, com as fofocas e com os olhares na hora do almoço. Não tenho um amigo ou colega. As pessoas acham que sou a queridinha da chefe. Sim, ela me trouxe para cá, mas o resto é comigo. Eu me sinto na selva, tendo que matar um leão todos os dias, pois sou a única mulher em uma sala composta 99% por homens. Agora, estou atrasada, presa e prestes a perder uma das poucas oportunidades que posso ter nesta empresa. Então, não venha me dizer que isso não vale a pena.

Quando ela terminou o seu discurso, nós nos entreolhamos por um tempo. Realmente, vivíamos vidas completamente diferentes. Enquanto eu sempre tinha o que queria, ela tinha que brigar para ter.

Não que eu não soubesse que as mulheres sempre tinham que fazer o dobro do esforço dos homens para conseguir algumas coisas. Minha mãe costumava me dizer isso, e ela era um desses exemplos. Porém, eu vivia em minha bolha há tanto tempo, sem me importar com as pessoas ao meu redor, que isso acabava me passando despercebido.

Eu não era insensível, só um idiota que tinha tantas coisas na cabeça, que se esquecia de prestar atenção nos pequenos detalhes.

— Você quer abrir o alçapão para acessar o mundo exterior, sem ter que se arriscar lá fora? — questionei, ainda achando que ela seria louca o suficiente para realmente sair.

Eu não poderia deixar que ela fizesse uma loucura. A chave que eu tinha em meu bolso e que, ironicamente, ficava grudada com a chave do meu carro, poderia ajudar, só que eu não queria que Samanta soubesse quem eu era. Eu achava bom ser tratado como um cara comum. Um “idiota”, como ela mesma disse.

— Sim — ela respondeu, firme.

Até acreditei nela. Senti o objeto no bolso e pensei em usá-lo, antes que ela se machucasse, mas a garota puxou o meu braço, mostrando-me o que eu tinha que fazer.

— Assim. — Ela uniu minhas mãos, entrelaçou os meus dedos e abaixou os meus braços, criando uma espécie de apoio para ela colocar os pés. — Vou abrir o alçapão e usar o meu celular para me comunicar com alguém. — Tirou o aparelho do bolso. — Simples.

— Eu...

— Não se oponha, bundão, apenas... — Do que ela me chamou? Franzi o cenho, confuso. — É só me ajudar, e se livra de mim.

— Mas eu...

— Qual o seu nome, bonitão?

As palavras pareciam presas na minha língua. Apenas a encarei por um tempo, até que ela estalou os dedos na minha frente, fazendo com que eu voltasse à realidade.

— Harvey — falei, ainda aéreo. — Me chame de Harvey.

— Harvey... — Olhei para os seus lábios quando ela falou o meu nome. Ela usou o mesmo apelido que minha mãe usava para se referir ao meu pai. — É só me ajudar nisso, e logo vai se livrar de mim.

Minha mente ficou tão nebulada, que eu não disse uma palavra. Ela apenas se segurou nas minhas costas e se impulsionou para subir. Então, as luzes voltaram ao normal e o elevador voltou a subir, fazendo com que ela se desequilibrasse e quase caísse. Por sorte, segurei o seu corpo, mas bati as costas na parede de metal.

Foi tudo tão rápido, que mal pude refletir. Em poucos segundos, eu já estava agarrado com a mulher, que se segurava em mim e me olhava, assustada. Seus olhos estavam esbugalhados. Eu estava assustado também; o que me trouxe uma raiva repentina.

— Está vendo, sua maluca? — Fiquei furioso, entretanto, não a soltei. — Poderia ter se machucado. — E lá estava o Harvey que todos conheciam: furioso, arrogante e autoritário. — Avisei que era perigoso. Poderia ter se machucado. Eu não...

— Olha aqui, bundão... — Seu rosto ficou vermelho de raiva e ela se soltou de mim. — Eu não tive culpa se esse... Se esse elevador parou e me deixou puta da vida. — Bateu os pés, apertando as mãos. — Eu, provavelmente, perdi a minha oportunidade. Fiquei presa neste negócio com um idiota. Não pode me culpar por ter ficado desesperada. — Todas as vezes que ela me chamava assim, eu me sentia desconfortável. Era como se eu estivesse vendo a minha mãe mais jovem. — Você, aparentemente, tem tudo que quer; já eu nunca tive nada. — Minha ira desapareceu no momento em que a vi segurar as lágrimas. Eu me senti um completo idiota por ter falado daquela forma com ela. — Não importa mais. É melhor seguir o seu caminho, e espero não te ver mais.

No mesmo instante, as portas se abriram no 18º andar e ela saiu. Fiquei tonto pelo choque. Olhei para as suas costas enquanto ela caminhava para longe, e, então, as portas se fecharam de novo. Dois andares depois seria o meu, e eu ainda me sentia desnorteado.

Olhando para o chão, vi o telefone da mulher caído, só que já não dava mais para eu a chamar.

Capítulo 3

Samanta

Não dava para eu acreditar no que tinha acabado de me acontecer. Eu nunca tinha visto aquele homem na minha vida, mas... parecíamos ser velhos amigos. Ele me deu a liberdade para falar o que quisesse e ser alguém que, normalmente, eu não era. Foi assustador, porém eu não poderia parar e refletir sobre isso, pois estava mais do que atrasada.

Assim que as portas se abriram, corri para a sala de reuniões, onde estava acontecendo a apresentação para a promoção, como se fosse uma esportista. Naquele instante, eu não poderia parar para respirar ou descansar o meu corpo, pois aquilo era muito importante.

Eu acreditava que o grupo que iria assistir aos candidatos daria uma chance de eu me explicar e me apresentar. Eu realmente sentia que era boa e que poderia ganhar aquela disputa. Entretanto, minhas esperanças caíram por terra quando vi todos saírem da sala.

Parei de correr, pois quase me esbarrei em um dos homens, que, provavelmente, era um grã-fino do alto escalão. Ele me olhou estranhamente, achando que eu era uma louca. E o pior era que eu estava prestes a ficar como uma.

Olhei para os que saíam e conversavam. Eu estava totalmente desanimada e sentindo o meu rosto arder; o que significava que ele estava todo vermelho por conta do esforço físico. Eu também respirava pesadamente, sufocada e sem forças.

Eles olhavam para mim, surpresos, e eu tomei o ar para pronunciar alguma explicação.

— Eu... — Isso saiu da minha boca como um ar cansado e abafado. — Sou a Samanta Still. Estou aqui para a apresentação.

Eles ficaram parados, encarando-me, sem reação. Eu conseguia ver o quanto estavam chateados. Olhei para cada rosto ali e vi Alisson Novack no meio deles; o que me deixou ainda mais apavorada.

Ela estava ali. Eu não sabia que estaria. A mulher que tinha me dado aquela chance estava presente. Eu deveria ter me esforçado mais. Aqueles homens poderiam me achar uma boba, uma fracassada, mas ela era a mulher na qual eu me espelhava.

Atrás deles, estava Adam Clark, sorrindo, vitorioso. Eu queria matá-lo; enfiar minhas unhas em seu pescoço e matá-lo, mesmo sabendo que o erro tinha sido meu. Eu deveria ter acordado mais cedo e pegado um táxi em vez de esperar pelo metrô, no entanto, achei que o trânsito caótico de NY me atrapalharia. Talvez, se eu tivesse subido pelas escadas de emergência, teria chegado mais rápido. Assim, eu não teria ficado presa no elevador.

— A reunião já acabou — um deles falou, com uma certa arrogância. — Você se atrasou. Isso não é nada profissional.

“Acredite, eu sei”, respondi em pensamento.

Eu mesma estava me criticando.

Eu era mais do que poderia apresentar. Então, por que não fazia isso?

— Eu sei... — Abaixei a cabeça, sentindo os meus olhos arderem com as lágrimas que se formavam. Entretanto, não as deixei cair. — Fiquei presa no elevador. Ele...

— Não arranje desculpas.

Engoli as palavras que sairiam pela minha boca e o olhei, assustada. Seu tom foi duro, e isso surtiu um grande impacto em mim. Lembrei-me de quando estava no orfanato e ia mal em algumas coisas. A diretora me colocava de castigo no sótão escuro e frio, deixando-me com fome. Eu merecia o sótão naquele instante.

— Senhor Martin — a voz de Alisson ecoou pelo espaço, só que eu não me dei ao trabalho de prestar atenção detalhadamente nela, pois a pressão em minha mente me forçava a encarar os homens de terno, que mais pareciam o júri da minha inquisição. — Não seja rude com a Samanta. — Fiquei surpresa em ver que ela, meio que, estava me defendendo; pelo menos das palavras duras do seu colega. E eles abaixaram os ombros, pois ela realmente tinha um certo poder ali. Óbvio, era a esposa do CEO e a mulher que havia criado várias formas de proteger o nosso sistema, transformando a empresa na melhor e mais requisitada no ramo de proteção de dados. — Deixe que ela se explique.

— Não podemos voltar atrás na nossa escolha, senhora Novack — o homem, de quem eu nem sabia o nome, falou. Era o mesmo que havia me tratado com arrogância. — A vaga já foi preenchida.

O sorriso de Adam, atrás de todos eles, só fazia eu me sentir mais frustrada. Ele, mesmo não sendo um terço do que eu era em questão de produtividade, sempre conseguia as coisas por ter uma lábia boa. Além disso, era homem. A única que já tinha tomado esse cargo, sendo mulher, foi a própria Alisson, quando trabalhava no setor. Depois disso, a vaga foi passada para um homem, que estava prestes a se aposentar.

Confesso que eu não era uma mulher forte, que batia de frente. E esse era um dos meus pontos fracos. Ninguém me via como líder, porém eu merecia uma oportunidade de mostrar do que era capaz.

Alisson passou entre eles e ficou em minha frente. Ela, ao contrário dos demais, sorria amigavelmente. Ela era uma mulher incrível, que sempre me olhava assim. Eu sentia como se ela fizesse parte da minha vida, sendo uma mãe que eu nunca havia tido.

— Isso não significa que não podemos deixá-la se explicar. — Ela pegou em minha mão, e esse gesto me deixou confiante; pelo menos para falar algo.

— O elevador parou e eu fiquei presa nele por uns 20 minutos — falei, mesmo aceitando que aquilo não teria mais volta. A chance passou por mim e eu não a agarrei. — Sinto muito pelo transtorno.

Alisson franziu o cenho e os seus olhos ficaram distantes, indicando que ela estava pensando.

— Nosso elevador?

— Sim. — Balancei a cabeça, confirmando, tímida. Foram poucas as vezes que eu já tinha ficado na frente dela. — Entendo que perdi a chance; eu só queria me explicar.

— Agora, podemos ir. — Diferentemente de Alisson, os outros não se importaram com a minha explicação. Era como se não fizessem questão.

Eles saíram, um atrás do outro, passando por nós. A senhora Novack, porém, permaneceu com minha mão nas suas. Adam passou por mim, com um sorriso de canto. Ele estava em silêncio, mas eu sabia que, assim que estivéssemos a sós, ele iria soltar as suas garras e me provocar com seus insultos.

Os burburinhos atrás de mim se encerraram quando o elevador se abriu. Eles entraram lá e as portas se fecharam. Eu abaixei a cabeça novamente, decepcionada comigo mesma.

— Sei que te decepcionei — falei, frustrada.

Essa sensação pesou o meu peito e um nó se criou em minha garganta. Eu odiava a minha personalidade fraca. Eu era órfã, sem muitos amigos e sem família, então me apegava ao meu talento com computador e sistemas. Esquecia-me do fato ruim de ser sozinha e focava no trabalho. Contudo, acabei decepcionando a única pessoa que já tinha acreditado em mim.

— A senhora me colocou aqui e viu o meu potencial, mas acabei falhando na primeira oportunidade.

Mesmo sentindo vontade de chorar, não deixei uma lágrima sequer cair. Engoli todo aquele sentimento, como sempre fazia. Tudo o que eu mais desejava era ser diferente; ser determinada e não deixar ninguém tirar o que era meu. Mas...

— Não me decepcionou nem um pouco. — Ela acariciou o meu rosto e o levantou, para que eu a olhasse. Ela era uma mulher linda, com olhos verdes e um sorriso doce. Acho que foi isso que fez Nathan Novack se apaixonar por ela. — Coisas assim acontecem. Acredite em mim: eu já estive no seu lugar.

— Foi a melhor monitora do meu setor — lembrei-lhe. — Fez coisas incríveis, desenvolvendo sistemas.

Eu já tinha lido tudo sobre ela; sobre o quanto ela era inteligente e como desenvolveu um sistema de rastreamento de dados. Isso me fascinou.

— Eu era jovem quando entrei aqui e sempre estava atrasada ou desastrada. E o destino parecia brincar comigo — ela falou, sorrindo. Eu apostava que estava revivendo aquelas memórias. — Nada é por acaso, Samanta. E você é a melhor naquela sala.

— Mas sou uma decepção em pessoa.

— Você pode contornar isso, e não é uma decepção.

— Por que acredita nisso? — Eu sorri, desacreditada.

— Posso não estar aqui em 100% do tempo, porém observo tudo de onde fico, então sei que você ainda será valiosa e que esses homens vão ter que te pedir desculpa pela forma como te trataram. — Era impressionante o quanto ela acreditava em mim mais do que eu mesma. — Agora, volte para o seu posto, não abaixe a cabeça e não deixe que outro idiota tome o seu lugar. Prove que eles estão errados e, no final, será recompensada.

— Parece uma mãe falando assim. — Depois que terminei a frase, notei o quanto fui idiota. Mas ela riu.

— Me sinto um pouco assim. Agora, vá. Não perca tempo.

Sabe... Ela tinha razão. Eu não poderia abaixar a cabeça, ainda mais para aquele idiota. Adam podia ter ganhado a vaga, mas não ganharia a batalha.

Decidimos pegar o elevador. Ela voltaria para o andar da presidência, onde o CEO, seu marido, estava, e eu iria para o meu setor. Pus a mão no bolso e notei que tinha perdido o meu celular. Arregalei os olhos e olhei para o chão, mas não o encontrei. Contudo, não demostrei nada; já bastava tudo que havia acontecido. Isso só mostrava o quanto eu era desastrada. Como iria encontrá-lo?

“Espera! O outro elevador! O estranho! Mas, quem era ele?”, pensei.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED