Capítulo 2

A notícia explodiu como uma bomba no meio do salão de festas mais luxuoso da cidade.

Eu estava lá, Sofia Mendes, a designer de moda do momento, a "filha da sorte" que saiu de um orfanato para o topo, exibindo meu vestido de alta-costura e uma barriga de cinco meses de gravidez.

Então, a tela gigante atrás do palco, que antes mostrava desfiles de moda, mudou para um noticiário urgente.

"Escândalo de troca na maternidade abala a alta sociedade! Sofia Mendes, aclamada designer, não é a verdadeira herdeira da família Costa. A verdadeira filha, Isabella Costa, viveu uma vida de dificuldades."

O salão ficou em silêncio por um segundo, depois o zumbido de sussurros tomou conta de tudo.

Todos os olhares se viraram para mim.

Não eram mais olhares de admiração, mas de pena, de desprezo, de curiosidade mórbida.

Meu sorriso congelou. Minha identidade, minha história, tudo o que eu achava que era meu, foi arrancado de mim em um instante, ao vivo, para centenas de pessoas.

Senti o chão sumir sob meus pés. Minha mão foi instintivamente para a minha barriga, tentando proteger meu filho do desastre que caía sobre nós.

Procurei meu marido, Ricardo Silva, meu porto seguro.

Ele não estava ao meu lado.

Eu o encontrei em um canto escuro, perto da saída de serviço, de costas para mim, falando ao telefone. Sua voz, geralmente tão calma e amorosa, estava diferente, fria e cortante.

"O leilão está pronto, Isabella. Não se preocupe."

Uma pausa.

"Sim, o prêmio principal é a vida dela. Cada detalhe. A humilhação pública, a falência, a destruição de tudo o que ela construiu."

Outra pausa, e a frase seguinte fez meu sangue gelar.

"O bebê? Claro que está incluído. Isso torna tudo mais... valioso."

Isabella. A verdadeira herdeira. Sua amiga de infância.

Leilão. Prêmio. Valioso.

As palavras giravam na minha cabeça, sem fazer sentido, mas ao mesmo tempo formando a mais terrível das verdades.

Ricardo, o homem que me apoiou quando a primeira suspeita da troca de bebês surgiu, o homem que prometeu me amar não importava o meu sangue, estava vendendo a minha vida. E a vida do nosso filho.

Ele desligou o telefone e se virou. Quando me viu, seu rosto mudou instantaneamente. A frieza desapareceu, substituída por uma máscara de preocupação.

"Sofia, meu amor! Eu estava te procurando! Você está bem?"

Ele veio até mim, tentando me abraçar. Eu recuei, meu corpo todo tremendo.

"Não toque em mim."

Sua expressão vacilou por um segundo.

"Querida, eu sei que é um choque. Mas nós vamos passar por isso juntos. Eu estou aqui."

Ele me ofereceu um copo de água, a mesma mão que segurava o telefone enquanto negociava minha ruína. O gesto era tão falso, tão calculado, que senti vontade de vomitar.

O caminho para casa foi um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som do motor do carro de luxo. A cidade passava lá fora, indiferente ao meu mundo que desmoronava. Eu olhava para o perfil de Ricardo, o homem com quem eu era casada, o pai do meu filho, e via um completo estranho. Um monstro.

Eu precisava ter certeza. Precisava ouvir da boca dele.

"Ricardo", minha voz saiu fraca, rouca.

"Sim, meu amor?"

"O que vai ser de nós agora? Eu... eu não sou mais ninguém."

Ele esticou a mão e pousou sobre a minha, mas seu toque era como gelo.

"Não diga isso. Você é Sofia Mendes, minha esposa. Para mim, nada mudou. Eu te amo pelo que você é, não pelo sobrenome que você carregava."

As palavras eram perfeitas, ensaiadas. Exatamente o que uma mulher em pânico gostaria de ouvir.

"E a Isabella?", perguntei, o nome dela arranhando minha garganta.

Ele hesitou. Foi só por um segundo, mas eu vi.

"Ela... ela sofreu muito, Sofia. É justo que ela tenha o que é dela por direito. Vou ajudá-la a se reestabelecer."

"Ajudá-la... com o quê?", insisti.

"Com tudo o que ela precisar. Ela é a vítima aqui, não podemos esquecer disso."

A vítima. E eu era o quê? A usurpadora? A impostora que merecia ser leiloada no mercado negro?

Lembrei-me do dia em que o conheci. Eu era uma órfã talentosa, mas sem recursos. Ricardo apareceu como um príncipe encantado, um empresário bem-sucedido que viu potencial em mim. Ele financiou meus estudos de design de moda com a Professora Ana Lúcia, me deu capital para abrir meu primeiro ateliê, me apresentou às pessoas certas.

Eu pensei que era amor. Pensei que era a minha "sorte de filha do orfanato".

Que tola.

Era tudo parte de um plano. Um plano de vingança doentio. Ele me construiu apenas para ter o prazer de me destruir, para oferecer minha cabeça em uma bandeja para sua amada Isabella.

Chegamos em casa. A mansão que eu chamava de lar agora parecia uma prisão dourada.

Assim que entramos, o telefone dele tocou. Ele olhou para o identificador de chamadas e seu rosto se suavizou.

"É a Bella", ele disse, como se fosse uma desculpa.

Ele atendeu, e sua voz se encheu de uma ternura que ele nunca usou comigo.

"Bella? Onde você está? Calma, não chore. Eu estou indo aí agora. Fique onde está."

Ele desligou e pegou as chaves do carro novamente.

"Ricardo, você vai me deixar aqui? Sozinha? Agora?", eu perguntei, a incredulidade me sufocando.

Ele me olhou, e pela primeira vez, não havia máscara. Havia apenas frieza e impaciência.

"Isabella precisa de mim. Você vai ficar bem. Descanse."

Ele se virou e saiu, batendo a porta atrás de si.

Nem um olhar para trás.

Ele foi consolar a "vítima", deixando a "impostora" grávida para trás, sozinha na casa vazia, com a verdade esmagadora da sua traição.

Capítulo 3

Sozinha na imensidão da sala, o silêncio era um zumbido nos meus ouvidos. Cada objeto de luxo ao meu redor parecia zombar de mim, uma decoração na vida falsa que Ricardo construiu para mim.

Meu celular vibrou sobre a mesa de centro.

Uma mensagem de um número desconhecido.

Abri, e a imagem me atingiu como um soco no estômago.

Era uma foto de Ricardo e Isabella. Ele a segurava em um abraço apertado, o rosto dela enterrado no peito dele, enquanto ele beijava o topo de sua cabeça. A cena era íntima, cheia de um carinho que ele nunca me deu.

Abaixo da foto, uma única frase.

"O lugar que nunca foi seu."

A bile subiu pela minha garganta. O ar me faltou. Isabella não estava apenas tomando meu lugar, ela estava fazendo questão de esfregar isso na minha cara.

Uma dor aguda e lancinante atravessou meu ventre.

Gritei.

A dor era tão intensa que minhas pernas cederam. Eu caí de joelhos no tapete caro, com as mãos espalmadas sobre a minha barriga.

"Não... por favor, não..."

O mundo girou, as luzes da sala se transformaram em borrões e a escuridão me engoliu.

Acordei com o cheiro de antisséptico e o som baixo de um monitor cardíaco.

Estava em um quarto de hospital. A luz era fraca, vinda do corredor. A porta do meu quarto estava entreaberta.

E eu ouvi a voz de Ricardo.

Ele não estava falando comigo. Estava no corredor, ao telefone. A mesma voz fria e calculista que eu ouvi na festa.

"O incidente desta noite não muda nada. Apenas aumenta o interesse. Sim, ela desmaiou. Estresse. O médico disse que a gravidez é de risco agora."

Uma pausa. Ele riu, um som baixo e sem humor.

"Claro que o preço sobe. Uma mulher grávida e frágil? Isso adiciona um tempero dramático que seus compradores vão adorar. O pacote 'mãe e filho' está mais atraente do que nunca."

Meu coração parou. Ele não estava apenas me vendendo. Ele estava usando a fragilidade do meu filho, do nosso filho, para aumentar o preço do meu sofrimento.

A porta se abriu e ele entrou. A máscara de preocupação estava de volta no lugar.

"Meu amor, você acordou! Que susto você me deu. O médico disse que você e o bebê precisam de repouso absoluto."

Ele se aproximou da cama e tentou tocar meu rosto. Eu virei a cabeça, a repulsa me dando forças.

"Fique longe de mim", sibilei.

Ele suspirou, um som teatral de paciência.

"Sofia, você está confusa, abalada. É normal. Mas eu estou cuidando de tudo."

Nesse momento, um médico e uma enfermeira entraram.

"Senhora Mendes, que bom que acordou. Tivemos que trazê-la às pressas. Foi um pico de estresse muito perigoso", disse o médico.

"Eu quero ir embora", falei, minha voz firme apesar do medo. "Eu quero ir para outro hospital."

Ricardo interveio, sua mão pousando no ombro do médico de uma forma falsamente amigável.

"Doutor, minha esposa está claramente traumatizada. Ela não está pensando com clareza. Eu sou o responsável por ela. Acho que um calmante seria o melhor, para ela poder descansar de verdade."

"Não! Eu não quero calmante nenhum!", protestei, tentando me sentar.

A enfermeira já se aproximava com uma seringa na mão.

"É só para ajudá-la a relaxar, senhora", ela disse com uma voz suave.

"Eu não preciso relaxar! Eu preciso sair daqui! Ele é perigoso!", gritei, olhando de Ricardo para o médico, implorando com os olhos.

Mas o olhar do médico era profissional e distante. Para ele, eu era apenas uma paciente histérica, e Ricardo era o marido preocupado e sensato.

A enfermeira segurou meu braço. Eu tentei puxar, mas estava fraca demais. A agulha perfurou minha pele.

O líquido gelado entrou na minha veia, e o quarto começou a girar novamente.

Minha última visão, antes de a escuridão me levar, foi o rosto de Ricardo. O sorriso dele não era de alívio. Era de triunfo.

"Eu vou sair daqui, Ricardo", consegui sussurrar, meus lábios pesados. "E você... você vai pagar por isso."

Ele se inclinou sobre mim, seu hálito quente no meu rosto.

"Você não vai a lugar nenhum, Sofia", ele disse, sua voz um veneno baixo. "Você é minha. E agora, você vai descansar."

Ele se endireitou e caminhou até a porta.

O som da porta batendo ecoou na minha mente enquanto eu afundava na inconsciência forçada. Eu era uma prisioneira.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED