Capa do Romance A Vingança Fria da Esposa Estéril

A Vingança Fria da Esposa Estéril

9.0 / 10.0
Após oito anos e sete abortos, descobri a cruel traição de Heitor e minha irmã adotiva, Lorena. Eles planejaram cada perda para usar células-tronco no tratamento do filho secreto que escondiam. Reduzida a uma incubadora e deixada estéril após uma cirurgia de emergência, perdi meu futuro e o sonho da maternidade. Eles subestimaram minha força, achando que eu era frágil. Agora, renascida e implacável, busco vingança para destruir o império deles e fazê-los pagar.

A Vingança Fria da Esposa Estéril Capítulo 1

Por oito anos, eu sofri sete abortos espontâneos, agarrando-me à esperança de começar uma família com meu marido, Heitor.

Então, ouvi a verdade. Ele e minha irmã adotiva, Lorena, haviam orquestrado cada perda. Eles precisavam das células-tronco únicas dos meus abortos para curar o filho secreto deles.

Meu corpo era apenas uma incubadora para o plano doentio deles. Após o oitavo aborto, eles me deixaram estéril, meu útero removido para salvar minha vida. Eles roubaram meus filhos, meu futuro e minha capacidade de ser mãe.

Eles pensavam que eu era uma princesinha ingênua e quebrada. Mal sabiam eles que tinham acabado de criar uma rainha sedenta por vingança.

Agora, eu estou de volta. E vou queimar o império deles até as cinzas, deixando-os com nada além da poeira de sua traição.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena:

"Deu positivo, Helena. Parabéns." A Dra. Esteves sorriu, suas palavras uma melodia suave no silêncio estéril da sala de exames.

Minhas mãos tremiam, agarrando o palito fino com duas linhas rosas fracas. Era isso. A oitava vez. Oito anos, sete corações partidos, mas desta vez parecia diferente. Uma esperança frágil, brilhando como o orvalho da manhã.

"O bebê parece forte e seus exames estão ótimos." Ela fez uma pausa, seu sorriso desaparecendo um pouco. "Mas Helena, dado seu histórico, esta é provavelmente sua última chance. Seu corpo... ele não aguenta muito mais."

Um nó gelado se apertou em meu estômago. Última chance. As palavras eram pesadas, um aviso severo contra a alegria que crescia em meu peito. Mas eu afastei o pensamento. Este bebê seria diferente. Este bebê nos tornaria uma família.

Eu praticamente flutuei para fora da clínica, com um sorriso bobo estampado no rosto. Eu tinha que contar para o Heitor. Tinha que contar agora mesmo. Ele tinha sido tão solidário em todas as perdas, me abraçando enquanto eu chorava, sussurrando promessas de um futuro com filhos. Ele merecia saber primeiro.

Dirigi direto para o escritório dele, a sede da Almeida Tecnologia, o império que construímos juntos. Ou melhor, o império que eu o ajudei a construir. Os contatos do meu pai, minha fé infinita, meu impulso incansável por sua visão. Passei correndo pelas elegantes portas de vidro, meu coração vibrando de expectativa. Ainda era cedo, os escritórios estavam silenciosos. Planejei entrar em sua sala particular, surpreendê-lo com a notícia. Talvez um bilhetinho, ao lado do teste. Um momento perfeito.

A porta do escritório de Heitor estava entreaberta. Ouvi vozes. A voz dele e outra, mais suave, familiar. Lorena. Minha irmã adotiva. Uma pontada de irritação, mas eu a ignorei. Ela o visitava com frequência. Eu estava prestes a empurrar a porta, a compartilhar minha alegria, quando um som frio cortou o ar.

"Você tem certeza de que esta é a última, Heitor?" A voz de Lorena, com uma doçura que agora arranhava meus nervos.

Minha mão congelou na maçaneta. A última? Do que ela estava falando?

"Sim, Lorena. A Dra. Esteves acabou de confirmar para ela. O corpo dela não aguenta outra perda." O tom de Heitor era indiferente, quase clínico. Não, não quase. Era clínico.

Meu sangue gelou. Meu coração martelava contra minhas costelas, um pássaro frenético preso em uma gaiola. Pressionei-me contra a parede, ouvindo, minha respiração presa na garganta.

"Ótimo. Não podemos ter mais atrasos. A paciência do seu pai está se esgotando, e minha gravidez está progredindo bem." Lorena riu, um som que fez minha pele arrepiar. "Este oitavo, o sangue do cordão... tem que ser suficiente para curar nosso filho, Heitor."

Nosso filho? Curar? Sangue do cordão umbilical? As palavras se embaralharam em minha mente, recusando-se a formar um pensamento coerente. Era um pesadelo. Um pesadelo horrível e impossível.

"Vai ser suficiente. A Dra. Esteves me garantiu que as células-tronco fetais de um aborto no oitavo mês são incrivelmente potentes, especialmente de uma mãe com os marcadores genéticos únicos de Helena. É a única maneira de salvar nosso filho, Lorena." A voz de Heitor endureceu. "E para garantir minha posição na empresa. Benício nunca suspeitará de nada."

Benício. Meu pai adotivo. Meu mundo girou. Minha visão embaçou. Heitor. Meu marido. Meu melhor amigo. O homem que me abraçou durante sete abortos. Ele os havia orquestrado. Todos eles.

Senti um pavor frio e paralisante infiltrar-se em meus ossos. Sete vezes. Sete vidas minúsculas. Sete vezes eu chorei até secar em seus braços, acreditando que sua dor era genuína. Acreditando que ele me amava. Ele tinha me usado. Usado meu corpo como uma incubadora, uma fábrica para seu plano doentio. E Lorena. Minha irmã. Aquela que eu sempre tentei proteger. Ela estava envolvida. Ela estava grávida do filho dele.

Dei um passo trêmulo para trás, o teste de gravidez positivo ainda em minha mão. Parecia uma piada cruel. Uma ironia doentia e perversa. Este bebê, minha última esperança, era apenas mais uma ferramenta em seu jogo monstruoso.

As memórias voltaram, uma torrente de dor e engano. Cada aborto, uma história diferente. O remédio trocado, a queda "acidental", o sangramento súbito e inexplicável. Ele sempre esteve lá, a imagem da dor devastada, sussurrando mentiras reconfortantes. Minha pobre Helena. Vamos tentar de novo, meu amor.

Ele nunca me amou. Nem um pouco. Eu era um meio para um fim. Um recurso. Um degrau para sua ambição e um banco de sangue ambulante para sua família de verdade.

Um soluço engasgado escapou dos meus lábios, mas foi engolido pela fúria súbita que me consumiu. Meus joelhos cederam. Caí no chão, pressionando a mão sobre a boca para abafar os gritos que ameaçavam explodir. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e amargas. Isso não era luto pelo bebê ainda. Era ódio puro e absoluto. Era o peso esmagador de oito anos de uma mentira meticulosamente construída.

Limpei o rosto com as costas da mão, forçando-me a respirar. Minha visão ainda estava turva, mas eu podia ver suas silhuetas pela fresta da porta. Lorena estava encostada em Heitor, a cabeça em seu ombro, o braço dele em volta dela. Eles estavam rindo. Compartilhando um momento de intimidade, um momento construído sobre o meu sofrimento. Ele acariciava o cabelo dela, um gesto que costumava reservar para mim. A percepção me atingiu como um golpe físico. Ele a amava. Ele sempre a amou.

"A Helena é tão ingênua," Lorena murmurou, sua voz pingando veneno. "Ela realmente acredita que você a ama."

Heitor riu, um som baixo e gutural que rasgou minha alma. "Ela sempre foi fácil de manipular. A princesinha protegida de Benício. Ela abriu o caminho para toda esta empresa para mim. E agora, ela vai me dar a peça final que eu preciso."

Minha visão se aguçou. Minha mente ficou fria, clara. As lágrimas pararam. Eu não era apenas uma vítima. Eu era uma arma. E eles tinham acabado de me carregar.

Minha mão instintivamente alcançou meu celular, um retângulo frio e duro em meus dedos trêmulos. Procurei o gravador de voz, meu coração batendo um ritmo furioso contra minhas costelas. Clique. A luz vermelha brilhou. Estabilizei minha respiração, cada músculo do meu corpo tenso. Eu não os deixaria vencer. Não desta vez. Nunca mais.

Rastejei para longe em silêncio, meu corpo gritando com a confiança violada. Uma vez segura em meu carro, estacionado vários andares abaixo, soltei um grito gutural que foi engolido pelo zumbido do motor. O teste de gravidez positivo amassado em meu punho, um símbolo de tudo que eu havia perdido e de tudo pelo que eu lutaria.

Minha família biológica. Eles me encontraram alguns anos depois que Benício me adotou. Eram da classe trabalhadora, lutando. Eles pintaram um quadro de arrependimento, de querer se reconectar. Eu, uma jovem ingênua faminta por conexão, caí na armadilha. Eles me apresentaram à outra filha deles, Lorena. Minha suposta irmã. Tudo isso, uma ilusão cuidadosamente construída.

Joguei o teste amassado pela janela. Ele voou para longe, uma bandeira branca de rendição a um passado que agora estava irrevogavelmente quebrado. Não, não quebrado. Reduzido a cinzas.

Peguei meu celular, meus dedos voando pela tela. O número do meu pai. Benício. Ele sempre me avisou sobre Heitor, sobre o brilho em seus olhos, a ambição que ofuscava tudo. Eu havia descartado suas preocupações, cega de amor.

"Pai," eu disse com a voz embargada, crua e quebrada.

"Helena? O que há de errado, querida? Você parece péssima." Sua voz era calorosa, preocupada. A preocupação genuína que eu sempre desejei e tolamente ignorei.

"Ele... ele planejou tudo, pai. Tudo. Os abortos. Para a Lorena. Para o filho deles." As palavras saíram de uma vez, uma confissão da minha dor mais profunda e da traição mais profunda dele.

Um silêncio pesado. Então, uma fúria silenciosa e controlada em sua voz. "Eu sabia. Eu te avisei. Aquele rapaz... ele é uma cobra."

"Eu quero que ele pague, pai. Quero que os dois paguem. Por cada vida que eles roubaram. Por cada lágrima que eu chorei. Por cada mentira." Minha voz estava fria agora, desprovida de emoção. "Eu quero arruiná-lo. Completamente. Financeiramente. Socialmente. Quero que ele perca tudo, assim como eu perdi."

A voz de Benício era firme, resoluta. "Considere feito, Helena. Vou tomar as providências. Apenas se concentre em você. E nesse bebê. Nós vamos proteger este, não importa o que aconteça."

"Não," eu sussurrei, uma nova resolução endurecendo meu olhar. "Este bebê... esta é a minha força. Minha razão. Eu farei isso. Por eles. Vou garantir que eles nunca esqueçam o preço de sua traição."

Desliguei a chamada, minha mão ainda tremendo, mas com um tipo diferente de energia agora. Não medo, mas propósito. O jogo havia mudado. E eu não era mais um peão. Eu era a jogadora.

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