Capítulo 2

O carro seguiu pelo asfalto em meio aquela tempestade torrencial, Rachel passou a mão pelo para-brisa, tentando desembaçar o vidro e se amaldiçoou por pegar a estrada mesmo chovendo. 

— Merda! Deveria ter esperado essa chuva passar, não consigo ver nada. 

Rachel diminuiu a velocidade, não queria arriscar, era noite e ainda parecia que o céu estava desabando, algo poderia acabar acontecendo naquela noite. Algo até mesmo parecia ter ouvido seus pensamentos, pois assim que pensou sobre aquilo, viu um vulto no meio da chuva e acabou batendo em algo. 

— Ai, minha nossa! Em que eu bati? — perguntou para si, após dar um grito com o susto que levou. 

Ela tentou se acalmar e acalmar sua respiração que estava ofegante, procurou no banco traseiro por uma lanterna, estava sem guarda-chuva, então mesmo não querendo, teria que se molhar. Rachel saiu do carro sentindo os pingos gelados da chuva caírem sobre seu corpo, mesmo com o frio, ela foi para a parte de trás do carro e começou a procurar em que havia batido e ficou de queixo caído, quando viu um homem deitado no chão do asfalto, com sangue pelo corpo e ainda por cima estava nu. 

— Caramba! Matei uma pessoa? E por que motivo, você estaria no meio dessa chuva e ainda pelado? — Se aproximou mais e com cautela. 

Rachel não tinha tempo para olhar para aquele corpo, aparentemente musculoso e sarado, ela foi para perto dele e colocou sua mão em seu pescoço, verificando se havia algum sinal de vida naquele homem. 

O suspiro de alívio veio em seguida, ao sentir que ele ainda estava vivo, ela tirou a mão de seu pescoço, quando sentiu um formigamento subir por sua mão, como se tivesse acontecido um choque estático entre eles. 

— Preciso de uma ambulância. — Correu para o carro, em busca do seu celular. 

Aquela noite parecia estar fadada a dar tudo errado para Rachel, pois assim que ela pegou seu celular, o viu descarregado e xingou, por esquecer de carregar a bateria, estava tão focada no seu trabalho que não se lembrou. Ela voltou para perto do homem, tentou chamar por ele, olhou melhor por seu corpo, vendo os inúmeros ferimentos e alguns deles, sabia que não teria como ser devido ao atropelamento, até mesmo sua canela parecia estar quebrada, além de cortes profundos, como se uma garra tivesse feito aquilo. 

— Será que você foi atacado por algum animal? — perguntou ao desconhecido, mesmo ele não respondendo. 

Rachel se assustou quando sentiu seu pulso ser agarrado por aquele homem, que acordou do nada e estava olhando em sua direção, ela voltou a sentir aquela dormência seguir por seu braço, mas tentou se acalmar e fazer o que importava. 

— Senhor, acabei atropelando você, meu celular está descarregado e não tenho como chamar uma ambulância, sei que não é o certo a se fazer, mas se você conseguir se levantar, posso te levar para o hospital em Des Moines, ou posso voltar para Ames, não sei ao certo qual está mais perto, se não conseguir, teremos que esperar que algum carro passe para pedir socorro. 

O homem deitado ainda a olhava, ela não sabia se ele poderia ter batido a cabeça e não estar entendendo o que ela estava falando, pois ele não respondeu, apenas fitou seus olhos no dela e sua respiração parecia acelerada e diante daquele olhar intenso, ela se deu conta de que nem estava respirando. 

— Você consegue me entender? — perguntou, tentando quebrar aquele clima estranho. 

— Apenas me ajude, consigo me levantar e ir para o seu carro. 

Um arrepio percorreu as costas de Rachel, quando ela ouviu a voz do homem, que era forte e imponente, mesmo para alguém caído e ferido como ele estava, sua voz grossa lhe dava um ar de empoderamento. 

— Acredito que eu consiga, passe a mão pelo meu ombro — pediu e se aproximou um pouco mais. 

Assim que aquele homem passou o braço por seu ombro, ela conseguiu sentir um cheiro de canela vindo daquele homem, apesar de não gostar de canela, o cheiro dele a agradou, ela pensou que seu perfume era ótimo, pois apesar de estar sujo de lama e sangue, aquele perfume ainda persistia. 

Mas uma vez aquele choque percorreu seu corpo, mas daquela vez foi um pouco mais forte, ela olhou para ele, vendo que também a olhava e sabia que ele tinha sentido aquela sensação, mas já estava achando tudo aquilo muito estranho. 

— Minha nossa! Você é pesado — resmungou, quando ele ficou em pé. 

Rachel jamais se imaginou naquela situação, no meio de uma tempestade, ajudando um homem enorme e pelado a entrar no seu carro. Em outras circunstâncias, aquilo poderia ser interessante, mas naquele contexto, era meio bizarro e assustador, apesar de que ela não estava com medo dele, pelo contrário, estava calma até demais e se deu conta que estar ao lado daquele homem, mesmo naquele estado, lhe dava uma sensação de paz. 

— Se apoie no carro, vou abrir a porta de trás para você, talvez se sinta mais confortável se for deitado. 

Ela abriu a porta e retirou sua bolsa, colocando no assoalho, tirou uma toalha e um cobertor, jogando a toalha no banco da frente e deixando o cobertor de lado. 

— Vem, se apoie em mim novamente. 

Ele se apoiou e seus corpos ficaram bem próximos, ela podia sentir sua respiração quente, mesmo debaixo daquela chuva, além de que ele estava ofegante, como se sentisse muita dor. 

Rachel o ajudou a entrar e voltou para o lado do motorista, respirou fundo pensando no que estava fazendo e em todas as possibilidades. 

— Use o cobertor para se cobrir e se esquentar é um pouco estranho e desconfortável, com você pelado no carro. Vou te levar para o hospital de Des Moines. 

— Não! — Sua voz saiu quase como um rosnado. 

Ela olhou para o homem no banco traseiro, aquele “não” que ele soltou, fez seu corpo tremer, nem parecia ser a mesma voz de antes, só então que ela parou para pensar que poderia estar com um fugitivo, ou um assassino no carro, teria que pensar em uma forma de fazer com que ele não tentasse nada contra ela.

Capítulo 3

Rachel não estava entendendo o que levou aquele homem a responder daquela forma, não deveria perguntar, mas não conseguia manter sua boca fechada, queria saber se ele tinha algum motivo para não querer ir para o hospital. 

— Você é algum fugitivo da polícia? Por isso não quer ir ao hospital? Ou você prefere ir para Ames? 

— Você é bem curiosa, não é mesmo? 

— Mesmo que eu tenha atropelado você, ainda tenho o direito de saber que tipo de pessoa estou levando no meu carro. — O encarou pelo espelho interno — Nem mesmo sei o seu nome. 

— Ok, senhora curiosa e posso dizer, corajosa, vou responder suas perguntas. Não sou fugitivo da polícia e não sou um assassino, mas tem pessoas atrás de mim, uma pessoa em específico, que me tomou tudo, se puder ir para algum lugar, eu vou ficar bem, de preferência em Des Moines. Quanto ao meu nome, é Philip. 

Aquele era o máximo de informações que ele poderia dar a ela, não teria como dizer o que tinha realmente acontecido, nem que era um metamorfo, não era o tipo de coisa que ele saia dizendo por aí. 

— Está bem, Philip, vou levar você para lá, então, tente ficar relaxado aí atrás, vou ver onde posso deixar você. — Hesitou, mas também se apresentou — Me chamo Rachel. 

Ela seguiu e ainda olhava algumas vezes pelo espelho, para ver se ele estava mesmo quieto lá trás, mas diminuiu um pouco mais a velocidade, não queria passar por aquilo de novo. 

Philip fechou seus olhos e recostou sua cabeça no banco, ainda estava com muitas dores, sentia o efeito do veneno em seu corpo, podia ver seu lobo deitado e choramingando em sua mente. 

— Como você está, Zeus? — perguntou ao seu lobo, pelo link mental. 

— Estou fraco, Philip, precisamos encontrar um lugar para descansar, se eu não me recuperar, não posso te ajudar a se curar, mas ao menos estou feliz, nós a encontramos. 

Philip abriu seus olhos e olhou para Rachel, que dirigia concentrada, sabia que iria travar uma boa briga com seu lobo, mas discordava de algumas coisas. 

— Ela é humana, não posso aceitar uma companheira humana, Zeus. — Tentou argumentar. 

— Não me importa o que ela seja, ela é nossa companheira, nem se atreva a rejeitá-la. — Tentou se levantar, mas caiu novamente. 

— Fique quieto e descanse, não vou fazer nada por agora, não estamos em condições de discutir sobre isso, o que importa agora, é conseguir sobreviver a esse veneno e voltarmos para recuperar nossa alcateia. 

Zeus se acalmou um pouco e ficou quieto novamente, enquanto Philip ainda ficou observando Rachel. Os olhares dos dois se encontravam algumas vezes pelo espelho e ele pensava que mesmo seu lobo discordando dele, ainda achava uma falta de sorte que sua companheira fosse humana. Se ela ao menos fosse uma loba assim como ele, as coisas poderiam melhorar, ela poderia se tornar uma aliada, o deixando mais forte, mas pensava apenas que ela o deixaria mais fraco. 

Ele fechou novamente seus olhos, tentou relaxar como ela disse, mas não conseguia, as dores não deixavam, além de que ficava pensando em Quinton e em sua traição, em como as coisas estariam naquele momento na alcateia, se seu Beta e sua irmã estariam em segurança, ou se eles haviam sido mortos, assim como seu antigo Gamma tentou fazer com ele.

 ************

Na alcateia lua de sangue, o tumulto ainda estava alastrado do lado de fora, enquanto no escritório do novo Alfa, ele deslizava sorridente pelo cômodo, até finalmente se sentar na cadeira que sempre achou que combinaria melhor com ele. 

— Acha mesmo que o Alfa… quer dizer, que o Philip sobreviveu? — perguntou um dos lobos que estava do seu lado. 

— Não é tão fácil sobreviver ao mata-lobos, ele está ferido e se o rio o levou, ele pode acabar em um território diferente e ser morto por outra matilha, isso seria ainda melhor. 

— Acredito que não podemos falar muito sobre o acônito, eles precisam acreditar que o senhor venceu porque é o mais forte. — Um dos lobos comentou.

Quinton não gostou do que ouviu, se levantou de sua cadeira confortável e foi até aquele lobo, que, em sua opinião, já estava falando demais. A garganta do homem foi agarrada, ele o levantou um pouco acima do chão, falando com ele de forma ameaçadora. 

— Eu deveria matar todos que sabem desse detalhe, começando por você, então esqueça o que você sabe, quanto a ser o mais forte, eu sou e posso acabar com ele, mesmo sem o acônito. 

Quinton ficou irritado e o jogou do outro lado da sala, um rosnado saiu de sua boca mostrando sua irritabilidade, aquele homem se levantou segurando seu pescoço, achou até mesmo que fosse morrer. 

— Não se esqueça que agora eu sou seu Alfa, saia daqui e me traga a Sara e o Taylor, talvez eles tenham conseguido alguma comunicação pelo elo mental. 

O homem inclinou seu pescoço em submissão e saiu apressado, Quinton andou pela sala, pegando um porta-retrato na mesa, o olhou e passou o dedo pela imagem de Sara. 

— Não posso me livrar de você por agora, quem sabe posso fazer de você minha Luna. — Sorriu e jogou aquela fotografia na lata do lixo. 

Quinton sabia que não seria fácil ganhar a confiança da sua alcateia, mas se tivesse Sara ao seu lado, aquilo poderia mudar, ela sendo a irmã do antigo Alfa, poderia fazer com que todos o vissem de uma maneira diferente.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED