Capítulo 2

- Você tem cinco minutos para sair do meu apartamento - disse Serena, com a voz fria e postura irretocável.

Jaimes deu um passo à frente, os olhos ainda presos nos dela.

- E se eu disser que só preciso de dois?

Ela não respondeu. Apenas apontou para a porta com um sutil levantar de queixo, como quem não tinha tempo a perder - mas por dentro, seu corpo estava em combustão.

Quando ele se foi, o silêncio retornou à cobertura... mas Serena já não era mais a mesma.

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Na manhã seguinte, o sol entrava pela imensa janela de vidro, tocando os lençóis como dedos quentes. Serena saiu da cama sem hesitar, determinada. Caminhou até o closet, ainda sentindo o gosto metálico do vinho e o perfume masculino deixado no ar.

Vestiu uma saia lápis preta, justa na medida que fazia qualquer olhar vacilar. Blusa de seda marfim com leve transparência, colada ao corpo, sem ser óbvia demais. Soltou os cabelos longos e negros, que desciam em ondas suaves pelas costas. Finalizou com lápis preto ao redor dos olhos verdes, que agora pareciam ainda mais hipnotizantes.

A mulher que encarava o espelho não era só CEO. Era uma força da natureza. Serena Navarro, intocável - mas com algo perigosamente vivo de novo por dentro.

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Na cozinha da cobertura, o aroma de café fresco e waffles tomava o ar. Maria sorria enquanto virava uma panqueca para Amoris, que já ensaiava alguns passos de balé ao lado da bancada.

- Mãe, você tá muito linda hoje - disse Amoris, entre uma mordida e outra.

- Isso é roupa de reunião ou de desfile? - brincou Aruna, sentada com um livro nas mãos, mas com um sorrisinho curioso no rosto.

- É roupa de mulher que vai mandar no mundo hoje - Serena respondeu, pegando sua xícara de café.

- Vai ser uma reunião muito importante? - perguntou Aruna.

-Sim, com alguém que apareceu de surpresa. Literalmente - respondeu Serena, dando um gole no café, os olhos distantes por um segundo.

Maria observou em silêncio. Ela conhecia aquele olhar. Serena estava tentando esconder algo... ou alguém.

- Se precisar de mim, estarei por aqui - disse Maria, sorrindo.

Serena apenas assentiu, pegando sua bolsa.

- Meninas, estudem, se comportem e... deixem um pouco de waffle pra mim amanhã, ok?

- Prometido - responderam em uníssono.

Ao sair, o salto ecoou como na noite anterior - mas agora, havia algo diferente nos passos. Determinação, sim. Mas também... desejo.

E Jaimes Carter mal sabia o que o aguardava naquela reunião.

Capítulo 3

O prédio da filial em Manhattan refletia o céu azul entre as janelas espelhadas. Serena desceu do carro como quem dominava não só os negócios, mas a cidade inteira. O Porsche vermelho brilhou ao sol enquanto o manobrista quase esqueceu de respirar.

Ao entrar no edifício, o som dos saltos sobre o piso de mármore pareceu dar o compasso do ambiente. Todos a cumprimentavam com respeito, mas também com uma pontinha de admiração - e medo.

Ela foi direto para a sala de reuniões. Já havia gente aguardando: a gerente de marketing, o diretor editorial e... ele.

Jaimes Carter estava de pé, encostado casualmente junto à janela. Camisa branca com os punhos dobrados, gravata fina, blazer jogado nas costas da cadeira. O olhar azul encontrou o dela e não hesitou em descer por seu corpo como se a despisse ali mesmo.

Serena manteve o queixo erguido.

- Sr. Carter - disse, com profissionalismo impecável. - Bem-vindo oficialmente à minha editora.

Ele sorriu. Um sorriso lento, como se saboreasse cada palavra que ela dizia.

- Obrigado, Sra. Navarro. Ou posso te chamar de Serena? Afinal, já entrei na sua casa.

O silêncio na sala foi imediato. A gerente de marketing tossiu discretamente.

Serena arqueou uma sobrancelha.

- Aqui, você vai se referir a mim como CEO.

Ele assentiu, ainda com aquele olhar de quem adorava ser desafiado.

- Justo.

A reunião começou. Estratégias, números, metas. Serena comandava com maestria, mas a presença dele parecia empurrar pequenas ondas de calor contra sua pele. Cada vez que ela falava, Jaimes a observava como se cada frase carregasse um duplo sentido.

Quando os demais saíram, Serena permaneceu.

Ele se aproximou devagar.

- Você sempre foi assim... firme, impossível de intimidar?

- Eu aprendi a ser.

- Eu gosto disso. Muito.

- O que você quer, Jaimes?

Ele parou a menos de um metro dela. O perfume amadeirado, a voz baixa.

- Eu quero investir mais. Tempo, atenção... talvez algo além dos números.

Serena cruzou os braços, o olhar frio, mas os lábios levemente entreabertos.

- Eu não misturo negócios com prazer.

- Ainda. - ele respondeu, e virou-se para sair.

Ela ficou ali, imóvel. O coração acelerado, a respiração calma. Controlada. Mas por dentro...

Jaimes Carter tinha acabado de abrir uma porta que ela nem sabia que ainda existia.

E ela não sabia se estava pronta para fechá-la.

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