Capa do Romance A Verdade Oculta Numa Pasta

A Verdade Oculta Numa Pasta

8.0 / 10.0
Durante três anos, vivi a ilusão de um casamento ideal com Guilherme e uma amizade leal com Carla. Tudo ruiu ao descobrir um vídeo oculto onde os dois se envolviam romanticamente. Ouvi meu marido confessar que nunca me amou, tratando-me como um fardo. A suposta rivalidade entre eles era apenas um disfarce para a traição. Quando Guilherme me abandonou para socorrer Carla em um falso acidente, decidi dar um fim ao engano. Com um tapa e o desejo de divórcio, encerrei nossa história.

A Verdade Oculta Numa Pasta Capítulo 1

Por três anos, eu acreditei que tinha o casamento perfeito com meu marido, Guilherme, e um laço inquebrável com minha melhor amiga, Carla.

Essa ilusão se despedaçou quando encontrei um vídeo escondido no nosso notebook, guardado numa pasta chamada "Lembranças".

O vídeo mostrava os dois juntos num quarto de hotel, se beijando, seus corpos entrelaçados. Ouvi meu marido prometer à minha melhor amiga que nunca me amaria de verdade, que eu era apenas uma responsabilidade que ele tinha que carregar.

Ele era o homem que jurou que nunca me trairia. Ela era a mulher que um dia salvou minha vida. O relacionamento inteiro deles, a falsa implicância, tudo não passava de uma encenação elaborada para esconder o caso bem debaixo do meu nariz.

Mas quando ele me deixou soluçando no chão para correr até ela depois de um falso acidente de carro, algo dentro de mim finalmente quebrou.

Eu os encontrei abraçados, e com o som do meu tapa estalando em seu rosto chocado, eu fiz uma nova promessa.

"Vamos nos divorciar."

Capítulo 1

PONTO DE VISTA DE BRUNA:

O arrepio gelado que percorreu meus ossos não tinha nada a ver com o ar-condicionado. Meu corpo tremia sem parar, um tremor que começava no fundo da minha alma e se espalhava até a ponta dos meus dedos e meu queixo. Eu me abracei, mas não adiantou nada. O frio estava dentro de mim. Estava em toda parte.

Eu me obriguei a assistir de novo. A tela brilhante do meu notebook, o nosso notebook de casa, me mostrava o impensável. Era um vídeo, escondido numa pasta que eu não deveria encontrar, uma pasta com o simples nome de "Lembranças". Minhas próprias lembranças estavam sendo reduzidas a cinzas a cada segundo daquela gravação.

Guilherme, meu marido, entrou no quarto. Era o quarto deles, não o nosso. Um quarto de hotel, ou talvez algum outro lugar. Carla, minha melhor amiga, já estava lá. Ela ergueu o olhar, um sorriso se abrindo em seu rosto que agora eu reconhecia como doentiamente íntimo.

"Demorou, hein?", Carla ronronou.

Guilherme riu, um som baixo que antes me dava borboletas no estômago, mas que agora o revirava com bile. "Não podia dar na cara, né? Você sabe como a Bruna é." Ele piscou. Uma piscadela para ela, não para mim.

Minha respiração falhou. Ele sempre interpretou o papel tão bem.

Carla revirou os olhos, mas seu olhar permaneceu nele, possessivo e faminto. "Ela é tão ingênua. Você realmente acha que ela não desconfiaria de nada, mesmo depois de todo esse tempo?"

Guilherme deu de ombros, aproximando-se. "Ela confia na gente. Confia em você." Ele estendeu a mão, traçando a linha do braço de Carla. "Chega de falar disso. Vem cá."

Meu estômago despencou. Eu sabia o que estava por vir. Eu já tinha visto uma vez, e agora, me forçar a assistir de novo parecia uma forma perversa de autotortura. Meus olhos ficaram turvos, mas eu não ousei desviar o olhar. Eu tinha que ver tudo. Cada detalhe horripilante.

Carla não hesitou. Ela jogou os braços ao redor dele, puxando-o para um beijo. Um beijo longo, profundo, inegável. Era um beijo que pertencia a amantes, a pessoas que compartilhavam uma história, um futuro. Um beijo que nunca foi feito para eu ver. Aquilo espremeu o ar dos meus pulmões.

A tela continuou a tocar, mostrando-me coisas que nenhuma esposa jamais deveria testemunhar. Coisas com meu marido. Coisas com minha melhor amiga. A imagem me atingiu, crua e brutal. Foi como assistir meu mundo inteiro se estilhaçar em um milhão de pedaços, cada um perfurando minha pele.

A dor era tão profunda, tão avassaladora, que parecia que minha própria essência estava sendo arrancada. Meus joelhos cederam. Eu desabei no chão gelado do banheiro, o notebook ainda brilhando com a traição deles na minha frente. Eu queria gritar, mas nenhum som saía. Era uma implosão silenciosa e agonizante.

Por que eu me sentia tão culpada? Por que essa dor parecia um castigo por algum pecado desconhecido que eu cometi? Era doentio, distorcido e absolutamente sufocante.

Lembrei-me da primeira vez que apresentei Guilherme a Carla, anos atrás. Éramos tão jovens, tão cheios de esperança. Eu estava tão apaixonada por ele e tão orgulhosa da minha melhor amiga.

"Guilherme, esta é a Carla. Minha alma gêmea. Minha irmã", eu disse, radiante, entrelaçando nossos braços. "Carla, este é o Guilherme. O cara certo."

Carla sorriu, um sorriso pequeno e contido. Na época, atribuí isso à sua timidez habitual com pessoas novas.

"Vocês dois precisam se dar bem", eu disse a Guilherme mais tarde naquela noite, com a cabeça em seu peito. "A Carla é a pessoa mais importante da minha vida, depois de você. Ela é meu porto seguro. Você precisa conquistá-la."

Ele beijou minha testa, suave e reconfortante. "Qualquer coisa por você, meu amor. Vou encantá-la, não se preocupe." Ele parecia tão genuíno. Tão comprometido.

No dia seguinte, durante o primeiro encontro real deles, notei um brilho nos olhos de Guilherme quando ele viu Carla pela primeira vez. Um vazio momentâneo, rapidamente substituído por seu sorriso charmoso de sempre. "É um prazer finalmente conhecê-la, Carla", ele disse, estendendo a mão.

Carla ignorou sua mão estendida. Seus olhos, geralmente quentes e brilhantes quando olhavam para mim, estavam frios, quase hostis, enquanto se fixavam em Guilherme. "Ouvi falar muito de você", ela zombou, sua voz com um tom que eu nunca tinha ouvido antes. "Só trate de tratar a Bruna direito. Ela merece o melhor, e se você aprontar com ela, vai se arrepender."

Eu me encolhi, minhas bochechas queimando. "Carla!", sussurrei, mortificada.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Carla pegou minha bebida da mesa. Sem uma palavra, ela jogou o conteúdo — um coquetel vermelho vivo — na camisa branca impecável do Guilherme. "Opa. Minha mão escorregou", disse ela, com um sorriso falso no rosto. Então ela me puxou pelo braço. "Vem, Bru. Vamos sair de perto desse tipo."

No corredor, ela se virou para mim, seus olhos em chamas. "Bruna, você está falando sério sobre ele? Ele é problema. Eu sinto. Você precisa ter muito cuidado."

Eu fiquei tão confusa. Por que ela estava agindo assim? Guilherme era tudo que eu sempre quis. Eu sempre valorizei o jeito protetor e feroz de Carla, mas aquilo parecia diferente. Parecia um ataque.

O vídeo no notebook me trouxe de volta ao presente. Carla olhava para Guilherme, seus olhos arregalados e sérios após o abraço. "Promete pra mim", ela sussurrou, a voz rouca de emoção. "Promete que nunca vai amá-la de verdade. Promete que sempre vai voltar pra mim. Que eu sou a única."

A mão de Guilherme acariciou sua bochecha. Ele a olhou com uma intensidade que eu, tolamente, acreditava ser reservada apenas para mim. "Você sabe que é, meu bem. Sempre."

Meu peito arfou. Lágrimas, quentes e incontroláveis, escorreram pelo meu rosto, borrando a imagem nojenta na tela. Meu mundo estava desabando.

Um clique repentino na porta da frente.

Guilherme. Ele estava em casa.

Eu me apressei, atrapalhada com o notebook, fechando-o com força. O quarto estava escuro, exceto pela luz fraca do corredor. Eu nem tinha percebido que estava sentada no escuro.

"Bruna? Por que você está sentada no escuro? Você está bem?", a voz de Guilherme, familiar, mas agora estranha, cortou o silêncio.

Ele me encontrou ali, encolhida no chão do banheiro, meu rosto manchado de lágrimas. Ele se ajoelhou ao meu lado, a testa franzida com o que parecia ser preocupação genuína. "Meu bem, o que foi? O que aconteceu? Quem te machucou?"

Ele me puxou para seus braços. Seu toque, que antes era um conforto, agora parecia veneno contra minha pele. Ele acariciou meu cabelo, sua voz suave e calmante. "Me diga, princesa. Quem ousou chatear minha esposa? Vou fazer essa pessoa se arrepender. Vou fazê-la pagar."

Ele me abraçou mais forte, me balançando gentilmente, como se eu fosse uma criança pequena. "Não chore, meu amor. Eu estou aqui. Vou te proteger. Apenas me diga atrás de quem eu preciso ir."

Suas palavras, destinadas a me tranquilizar, ecoaram com uma ironia grotesca. Ele prometeu me vingar, alheio ao fato de que ele era o monstro, bem na minha frente.

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