Alina POV:
Gabriel ficou paralisado, Caia pairando atrás dele, sua fachada inocente vacilando. Era um contraste gritante com as discussões aos berros, as acusações lançadas, as lágrimas furiosas que costumavam definir esses encontros. Minha calma era uma arma, e isso os desestabilizou.
"Jantar?", Gabriel finalmente conseguiu dizer, sua voz tensa. "Alina, o que está acontecendo?"
Passei por eles, indo para a cozinha, o cheiro de pão fresco e ensopado já enchendo o ar. "O que está acontecendo, Gabriel, é que você finalmente decidiu voltar para casa. E a Caia", olhei por cima do ombro, encontrando seu olhar surpreso, "está aqui. Então, vamos jantar."
Caia olhou para Gabriel, depois de volta para mim, sua cabeça loira inclinada. "Sra. Almeida, eu posso... eu posso ir. Não gostaria de incomodar."
A polidez era um verniz fino, mal escondendo o triunfo em seus olhos. Ela achava que tinha vencido. Ambos achavam.
"Bobagem", eu disse suavemente, pegando um terceiro prato. "Você está aqui agora. E o Gabriel te trouxe. Ele sempre cuida das pessoas dele, não é, querido?" Meus olhos se voltaram para Gabriel. O canto de sua boca se contraiu, um músculo em sua mandíbula se apertando. Ele estava completamente confuso. Ótimo.
Sentamos à mesa de jantar, um quadro bizarro. Gabriel, rígido e silencioso. Caia, beliscando a comida, ocasionalmente me olhando com uma mistura de medo e curiosidade. E eu, comendo com uma calma que não sentia há anos.
"Então, Caia", eu disse, quebrando o silêncio tenso, "Gabriel me disse que você é uma arquiteta júnior incrivelmente talentosa. Ele sempre elogiou seu olho para os detalhes."
As bochechas de Caia coraram. "Ah, uhm, obrigada, Sra. Almeida. Eu só tento fazer o meu melhor."
Gabriel pigarreou. "Alina, podemos conversar? Em particular?"
Pousei meu garfo. "Há algo que você queira discutir que a Caia não deva ouvir? Certamente, como um membro valioso da sua equipe e, aparentemente, da sua vida pessoal, ela deveria estar a par de todas as conversas importantes, não deveria?"
Seus olhos brilharam, mas ele engoliu a resposta. Ele estava encurralado.
"Alina", ele disse, sua voz baixando, uma ternura forçada. "Sobre... sobre tudo. Eu sei que as coisas têm sido difíceis. E eu quero consertar as coisas."
"Consertar o quê, Gabriel?", perguntei, encontrando seu olhar. "Os anos de negligência? A humilhação pública? As inúmeras vezes que você a escolheu em vez de mim?"
"Eu... eu não a escolhi", ele gaguejou. "Ela só... ela precisava de mim. E você estava tão... brava."
Caia tossiu delicadamente. "Gabriel, talvez devêssemos ir embora..."
"Não!", Gabriel retrucou, depois suavizou o tom para Caia. "Está tudo bem, Caia. A Alina só precisa entender." Ele se virou para mim, seu olhar suplicante. "Alina, você sabe o quanto nossa família significa para mim. Nossa história juntos. Tudo o que construímos."
"Sim, eu sei", eu disse, minha voz monótona. "E quanto ao nosso futuro, Gabriel? A Caia faz parte dele também?"
Ele hesitou, olhando de mim para Caia. "A Caia é... ela é uma parte importante do futuro da nossa empresa. Ela é indispensável."
Meus lábios se afinaram. "Entendo. Indispensável. Tanto que ela precisa usar minhas coisas agora?" Meu olhar caiu para o pulso de Caia. Ela estava usando a delicada pulseira de pérolas que Gabriel me deu em nosso décimo aniversário. Meu estômago se contraiu, mas mantive meu rosto impassível.
Os olhos de Caia se arregalaram. Ela rapidamente escondeu a mão debaixo da mesa. O rosto de Gabriel ficou rígido.
"Alina, não seja ridícula", ele rosnou. "É só uma pulseira. A Caia admirou. Eu ofereci a ela."
Ele tinha oferecido a ela. O símbolo de nossa década juntos. Era uma ruptura tangível.
"Claro", eu disse, assentindo lentamente. "Que falta de consideração da minha parte. Ela deveria ficar com ela. Na verdade..." Empurrei minha cadeira para trás e me levantei. "Tem um colar que combina. Uma peça sentimental. Nosso primeiro Natal juntos. Você gostaria dele também, Caia?" Minha voz era doce, mas meus olhos eram gelo.
Caia parecia horrorizada. "Não! Não, Sra. Almeida, eu não poderia de jeito nenhum..."
"Bobagem", Gabriel interrompeu, sua voz firme, tentando assumir o controle. "Alina, se você está oferecendo, a Caia deveria aceitar. É um gesto de... boa vontade."
Fui até minha cômoda, abri a gaveta de cima e tirei a delicada corrente de prata, o pequeno pingente de estrela brilhando sob a luz. Nosso primeiro Natal, quando estávamos com dificuldades, construindo nosso primeiro pequeno empreendimento. Aquela estrela representava uma promessa, um sonho que compartilhávamos. Agora, era apenas um pedaço de metal.
Voltei para a mesa, estendendo-o para Gabriel. Seus olhos piscaram, um toque de algo indecifrável ali. Era arrependimento? Vergonha? Eu o observei pegá-lo da minha mão. Era uma despedida invisível, um adeus silencioso a uma vida inteira de memórias.
"Obrigado, Alina", disse Gabriel, sua voz surpreendentemente suave. Ele o entregou a Caia, que o pegou como se fosse uma cobra venenosa, seu rosto pálido.
"Você está... tão calma", disse Gabriel, sua confusão palpável. "Eu esperava... mais."
Eu olhei para ele, olhei de verdade. Meu eu do passado estaria gritando, chorando, implorando para que ele visse o que estava fazendo. Meu eu do passado estaria se agarrando a ele, exigindo explicações, atacando sua amante. Mas de que adiantou isso? Apenas solidificou sua narrativa de que eu era a esposa histérica, o obstáculo inconveniente.
Lembrei-me dos primeiros dias. As inúmeras discussões sobre Caia. As desculpas iniciais de Gabriel, suas promessas. "Foi um erro, Alina. Um lapso momentâneo. Ela não significa nada. Você é minha esposa. Minha parceira." Mentiras.
Ele se afastou lentamente, imperceptivelmente. As risadas compartilhadas desapareceram. As conversas noturnas se tornaram vazios silenciosos. Ele estava lá, mas não estava. Ele era um fantasma, assombrando nossa casa, seu coração em outro lugar. Quanto mais frio ele ficava, mais eu lutava. Eu implorei, argumentei, tentei reacender a chama que para ele já havia morrido há muito tempo. Tornei-me a caricatura que ele pintou: a esposa desesperada e raivosa.
Minha sogra, coitada, tentou intervir. Ela via através da fachada inocente de Caia. Mas Caia era uma mestra manipuladora. Algumas lágrimas bem cronometradas, uma história de um chefe autoritário, uma acusação sussurrada da minha própria instabilidade. Gabriel, cego, sempre ficava do lado dela.
Meu ponto mais baixo? A gala de caridade. Eu entrei, de cabeça erguida, apenas para ver Gabriel e Caia na pista de dança, a mão dela em seu peito, seus olhos adoradores. Eu fiz uma cena. Uma cena pública e humilhante. E Gabriel, em um acesso de fúria, voltou para casa e destruiu sistematicamente meu ateliê, o único lugar onde eu encontrava consolo. Ele quebrou telas, rasgou pinturas, jogou minhas esculturas no chão.
"É isso que você ganha, Alina!", ele gritou, seu rosto contorcido de fúria. "É isso que acontece quando você me envergonha! Você acha que seu passatempo de merda importa mais do que minha reputação?"
Ele me chamou de vadia egoísta, de uma amadora sem talento. Eu me encolhi no chão em meio aos destroços, mais quebrada do que a cerâmica. Naquela noite, algo se quebrou dentro de mim. A luta se foi. O desespero se instalou.
Eu me recolhi, um fantasma na minha própria vida. Perdi peso. Mal dormia. O mundo se tornou opaco, sem cor. Então, um milagre. Um pequeno lampejo de esperança na escuridão. Eu estava grávida.
Um bebê. Um pedaço de mim, um pedaço de nós. Uma chance de um novo começo. Eu me agarrei a essa esperança, aterrorizada, mas ferozmente protetora. Imaginei uma vida onde essa criança nos curaria, traria Gabriel de volta ao homem que um dia amei.
Uma noite, ele trouxe Caia para casa novamente. Ela alegou que não estava se sentindo bem, uma enxaqueca repentina. Gabriel, sempre o cavaleiro de armadura branca, insistiu que ela ficasse. Eu os observei, uma fúria silenciosa fervendo sob minha calma. Levei um chá para ela, uma mistura específica que eu sabia que ela preferia. Ela provou, então de repente agarrou a garganta, ofegando.
Pânico. Gabriel correu para o lado dela, seu rosto pálido de medo. "O que você fez, Alina?!", ele gritou, seus olhos em chamas.
"Nada!", chorei, genuinamente perplexa. "É só chá de camomila!"
Ele não me ouviu. Ele me arrastou para a cozinha, seu aperto machucando meu braço. No balcão havia um pacote aberto de amendoim, um lanche que eu às vezes guardava para o Arnaldo. Caia tinha uma alergia gravíssima a amendoim.
"Você tentou envenená-la!", ele acusou, sua voz tremendo com uma raiva que eu nunca tinha visto antes, nem mesmo quando ele destruiu meu ateliê. "Você tentou machucar o bebê dela!"
Fiquei atordoada. "O... bebê dela? Gabriel, eu juro, eu não..."
Ele não me deixou terminar. Ele pegou um punhado de amendoins. Antes que eu pudesse reagir, ele os enfiou na minha boca, forçando-os pela minha garganta. "Se ela sofrer, você sofre também, Alina!", ele gritou.
Minha garganta se fechou. Minha visão embaçou. Uma dor lancinante explodiu em meu abdômen. Eu desmaiei, ofegando, o mundo girando. Meu último pensamento consciente foi a cãibra excruciante, o fluxo quente entre minhas pernas.
Quando acordei, estava em uma cama de hospital. O rosto do médico era sombrio. "Sinto muito, Sra. Almeida. Você sofreu um aborto espontâneo."
As palavras ecoaram no quarto estéril, planas e sem vida. Meu bebê. Nosso bebê. Se foi. Por causa dele. Por causa da Caia.
Gabriel entrou mais tarde, seu rosto tenso, uma tristeza performática em seus olhos. "Alina, sinto muito. Eu não queria que isso acontecesse. Eu pensei... pensei que você estava tentando machucar a Caia. Ela disse que você ameaçou o filho dela..."
Eu apenas o encarei, entorpecida. Ele me deixou então, no quarto branco e estéril, as lágrimas finalmente vindo, silenciosas e intermináveis. Meu corpo era um campo de batalha, devastado e vazio. Ele voltou horas depois, cheirando ao perfume de Caia, segurando um buquê de lírios brancos. Ele se sentou ao lado da minha cama, segurando minha mão, interpretando o marido dedicado para as enfermeiras.
"Vai ficar tudo bem, Alina", ele sussurrou, dando tapinhas na minha mão. "Nós vamos superar isso."
Ele então se levantou, foi ao banheiro e preparou um banho para mim. "Você precisa se limpar", ele disse, sua voz monótona. Ele me ajudou a entrar na banheira, a água morna um breve conforto contra a dor ardente em meu coração e corpo. Ele me deixou lá, a água esfriando lentamente ao redor do meu corpo quebrado, assim como ele me havia deixado de todas as outras maneiras que importavam.
Alina POV:
A água morna na banheira parecia uma mortalha, agarrando-se à minha pele como para me lembrar do vazio interior. Gabriel me deixara ali, assim como me deixara de todas as outras formas imagináveis. Minutos se transformaram em horas, o silêncio da casa grande me oprimindo. Meu corpo latejava com uma dor surda, um eco constante da vida que me fora arrancada.
Ele voltou brevemente, algum tempo depois. Trouxe-me um copo de água, seu rosto uma máscara de preocupação cansada. "Está se sentindo melhor, Alina?"
Eu apenas assenti, minha voz sumira. Ele ficou por um momento, então seu telefone vibrou. Ele olhou para o aparelho, e um lampejo de algo, urgência, cruzou seu rosto. "Preciso ir", disse ele, sua voz seca. "A Caia... ela precisa de mim."
E assim, ele se foi novamente. A porta se fechou com um clique, deixando-me no silêncio frio do banheiro grande e vazio. Fiquei ali, fraca demais para me mover, com o coração partido demais para me importar. A dor física era uma pontada surda, mas a agonia emocional era uma ferida aberta. Meu corpo enrijeceu, meus músculos se contraíram. Eu não conseguia nem levantar a mão para pedir ajuda.
Quando a enfermeira finalmente me encontrou, horas depois, eu estava tremendo incontrolavelmente, meus lábios azuis. Ela me ajudou a sair, seu rosto marcado pela preocupação. Deu-me analgésicos, envolveu-me em cobertores quentes e sentou-se ao meu lado.
"Seu marido disse que voltaria logo", ela ofereceu gentilmente.
Eu apenas fechei os olhos. Ele não voltaria. Ele não se dera ao trabalho de ficar nem um momento quando meu corpo ainda se recuperava do trauma que ele causara.
Na manhã seguinte, as enfermeiras decidiram que eu precisava de cuidados mais abrangentes. Elas me transferiram para uma ala diferente do hospital, uma com melhores instalações para recuperação pós-operatória.
Estávamos no elevador, a enfermeira empurrando minha cadeira de rodas, quando as portas se abriram no terceiro andar. E lá estava ele. Gabriel. Seu braço estava em volta da cintura de Caia, sua cabeça inclinada, murmurando algo para ela. Ela riu, um som brilhante e despreocupado que rasgou meu último nervo. Ela usava uma camisola de seda fina, uma delicada, azul-clara, que reconheci instantaneamente. Era a minha favorita, um presente de Gabriel em nossa lua de mel.
Meu estômago revirou. A dor, física e emocional, era uma onda avassaladora. Eles olharam para cima, me viram. O sorriso de Gabriel vacilou. Os olhos de Caia se arregalaram, depois se estreitaram rapidamente quando ela reconheceu a camisola em si mesma, e depois em meu rosto.
"Alina", disse Gabriel, sua voz monótona. Ele puxou Caia para mais perto, como se para protegê-la do meu olhar.
Caia se inclinou para ele, sua mão tocando seu peito. Era uma demonstração pública de posse, uma farpa deliberada. Meu coração, que eu pensava não ter mais nada para dar, se torceu em agonia. Uma dor aguda e lancinante me atravessou, como mil pequenas agulhas perfurando minha carne. Senti-me tonta, uma dor profunda e oca no peito. Senti como se minha própria essência estivesse sendo arrancada do meu corpo, deixando para trás um vazio imenso e sangrando.
A enfermeira, vendo meu rosto pálido, rapidamente empurrou a cadeira de rodas para passar por eles, murmurando: "Com licença."
"Sinto muito, Sra. Almeida", sussurrou a enfermeira, sua mão tocando brevemente meu ombro. "Eu não sabia..."
"Não é sua culpa", consegui dizer, minha voz rouca. Meus olhos estavam fixos no espelho retrovisor da minha alma. Eu o tinha visto, o homem que amei, escolhê-la, protegê-la, acarinhá-la, bem na minha frente, logo depois de ele ter assassinado nosso filho e me deixado sangrando. Ele tinha visto minha dor, minha humilhação, meu estado de destroços, e escolheu exibir sua infidelidade ainda mais descaradamente. O último resquício de confiança, de esperança, de qualquer conexão emocional, se foi. Foi uma ruptura limpa, brutal e final.
Mais tarde naquele dia, Gabriel me visitou. Ele ainda usava a fachada de um marido preocupado. "Alina, sinto muito por... tudo", disse ele, seus olhos evitando os meus. "Mas você precisa entender. A Caia... ela é muito sensível. E seu comportamento... tem sido errático. Você precisa se concentrar em melhorar."
Eu apenas o encarei. Ele ainda estava girando a narrativa. Ainda me culpando. Ainda a protegendo.
"A propósito", ele continuou, seu tom mudando, "aquela pessoa lá embaixo, o que você contratou... o Léo. O que foi aquilo? Eu o vi saindo do seu quarto na outra noite."
Eu quase sorri. "Ah, o Léo. Sim. Ele é um ator profissional. Eu precisava de alguém para... preencher um certo papel."
A mandíbula de Gabriel se apertou. "Um papel? Que tipo de papel, Alina?"
"O seu papel, Gabriel. Aquele que você abandonou." Eu disse isso com calma, de forma factual, observando seu rosto. Não havia ciúmes, nem raiva desta vez. Apenas um olhar vago. Ele não se importava. Nem com quem eu trazia para nossa casa, nem com o que eu fazia para lidar com a situação.
Ele assentiu lentamente. "Entendo." Ele fez uma pausa, depois se levantou. "Preciso ir. A Caia precisa de mim no escritório."
Ele saiu. Simples assim. A fachada de marido perfeito caiu no momento em que ele percebeu que eu não era mais uma ameaça, que não estava mais agarrada a ele.
Mais tarde, soube que ele levara Caia para um retiro extravagante, exibindo-a como sua parceira, apresentando-a a seus contatos da alta sociedade. Ele estava investindo pesado nela, preparando-a para ser o rosto do futuro deles, não apenas profissionalmente, mas pessoalmente. Ele estava despejando dinheiro em sua carreira, seu guarda-roupa, sua posição social. Ele a estava construindo, assim como me havia destruído.
Mas ele não sabia. Ele não sabia sobre as transferências silenciosas que eu fizera ao longo dos anos. As contas escondidas. Os ativos que eu meticulosamente assegurara, peça por peça, sem que ele percebesse. Minha mente, afiada e estratégica, estava trabalhando muito antes de meu coração finalmente se quebrar.
Caia, por um tempo, se deleitou em sua glória recém-descoberta. Ela estava em todos os lugares, vestida com roupas de grife, seu rosto estampado nas colunas sociais. Ela era a estrela em ascensão, a nova queridinha do cenário de desenvolvimento imobiliário. Até que os sussurros começaram. Sussurros sobre seus gastos extravagantes. Sussurros sobre os fundos da empresa misteriosamente diminuindo. Sussurros que se transformaram em gritos quando um grande evento de caridade que ela estava liderando desmoronou devido a um erro de cálculo financeiro colossal. Ela foi publicamente humilhada, exposta como uma alpinista social sem perspicácia para negócios, apenas um rosto bonito e o dinheiro de Gabriel.
Ela correu para Gabriel, soluçando, implorando. Ele ficou furioso, não com a incompetência dela, mas com o escândalo público. Ele me culpou, é claro. Por não estar lá para "guiá-lo". Por torná-lo vulnerável.
Sua retaliação foi rápida e brutal. Ele usou suas conexões para me internar à força em uma clínica psiquiátrica. "Para observação", disse ele, sua voz desprovida de emoção. "Para o seu próprio bem, Alina. Você está claramente instável."
Eles me drogaram. Eles me isolaram. Eles tentaram me quebrar. Mas no quarto silencioso e acolchoado, minha mente, afiada e clara, planejava.
Quando ele finalmente veio me "visitar", após semanas de isolamento forçado e um coquetel de sedativos, ele parecia triunfante. "Sentindo-se melhor, Alina?", perguntou ele, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "Talvez agora você aprenda sua lição. A Caia precisava da minha proteção. Você tentou arruiná-la."
"Você jogou nosso filho fora", eu disse, minha voz rouca, mas firme. "Você tentou me destruir. Tudo por ela."
Ele deu de ombros. "Ela é jovem. Ela comete erros. Você... você é apenas amarga."
"Amarga?" Uma risada fria e dura escapou dos meus lábios. "Gabriel, ela tentou me substituir. Ela atacou a Bia. Ela é uma cobra manipuladora e venenosa."
Seus olhos se estreitaram. "Não se atreva, Alina. A Caia é uma boa pessoa. Ela é apenas... incompreendida. E você está apenas com ciúmes." Ele se inclinou, sua voz baixando para um sussurro perigoso. "Se você tentar machucá-la novamente, eu vou garantir que você desapareça. Permanentemente."
"Por que, Gabriel?", perguntei, minha voz monótona. "Por que ela? Por que você jogou fora tudo o que construímos? Tudo o que éramos?"
Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Alina, você era... confortável. Previsível. A Caia... ela é excitante. Ela me faz sentir vivo."
Era o clichê mais antigo, dito com facilidade praticada. Meu coração, ou o que restava dele, não sentiu nada. Nenhuma dor, nenhuma raiva. Apenas um cansaço profundo. Suas palavras eram apenas ruído agora. Ruído vazio e sem sentido.
"Eu quero o divórcio", eu disse, as palavras cortando o ar estéril. "Quero separar nossos bens. Oficialmente."
Ele pareceu surpreso. "Divórcio? Alina, não seja tola. Temos muita coisa amarrada juntos. Nossa empresa. Nossa reputação."
"Eu não me importo mais com nada disso, Gabriel", eu disse, minha voz ganhando força. "Eu quero sair. E quero o que é meu."
O jogo havia acabado. As regras haviam mudado. E ele não tinha ideia do que estava por vir.