Dentro do veículo, Andres analisava os documentos recém-entregues a ele.
A mulher que o salvou era Corinna Hudson.
A família Hudson já foi muito respeitada em Driyver.
Os avós de Corinna, Jeff e Sandra Hudson, eram renomados médicos, mas faleceram prematuramente.
O filho deles, Brad Hudson, continuou o legado familiar e se casou com Rachael Brown, de outra proeminente família médica. Corinna era a filha deles.
Entretanto, quando Corinna tinha apenas um ano, a família Hudson começou a enfrentar uma série de tragédias e decadência.
Rachael desenvolveu sérios problemas mentais e foi internada num sanatório.
Brad se divorciou de Rachael e, no mesmo ano, se casou com Monica Hudson.
Seis meses após o casamento, Monica deu à luz uma filha, Cassie Hudson, e gêmeos no ano seguinte.
Como resultado, a vida de Corinna na casa da família Hudson, onde já não era bem-vinda, se tornou insuportável.
Ela mal conseguia sobreviver.
Andres fechou os documentos e pensou enquanto tocava sua ferida.
A dor havia se transformado em dormência há algum tempo.
"Senhor, é hora de voltarmos", disse seu assistente, Kevin Curtis, do banco da frente, virando-se para avisá-lo com cuidado.
Andres concordou com um aceno e se recostou para descansar os olhos.
Sua família provavelmente já sabia da emboscada recente. Se ele não voltasse logo, o caos tomaria conta.
Na tarde seguinte, Corinna, toda vestida de preto com chapéu e máscara, apareceu no beco.
Um paciente que ela tratou na noite anterior havia recuperado totalmente a consciência, e ela estava lá para receber o pagamento.
Ao adentrar o beco e caminhar alguns passos, ela parou de repente.
O silêncio era mais profundo do que o normal, e algo parecia errado.
Após hesitar por um momento, ela se virou para sair.
Mas na entrada do beco, ela encontrou seu pai, Brad.
Um grupo de guarda-costas vestidos de preto rapidamente a cercou.
A expressão de Brad era severa enquanto falava. "Você não volta para casa há meses. Realmente acha que este lugar é melhor que nossa casa?"
"Claro que não! Como este lugar poderia se comparar com sua casa?" Corinna respondeu com sarcasmo.
Mas a casa dele não era onde ela, de fato, residia.
"Então volte para casa imediatamente", ordenou Brad.
Assim que ele terminou de falar, dois guarda-costas apareceram ao lado de Corinna e a arrastaram para dentro do carro.
Escondido num canto escuro, um observador atento assistia a tudo. Depois que Brad e seu grupo partiram, o observador rapidamente enviou uma mensagem.
Kevin recebeu a mensagem e imediatamente informou Andres.
"Senhor, devemos agir?"
A voz dele mostrava preocupação, já que Brad e seus homens não pareciam ser pessoas confiáveis.
Andres respondeu com tranquilidade e firmeza: "Vamos aguardar um pouco mais."
"Certo!" Kevin confirmou.
Na mansão da família Hudson, Corinna foi empurrada pelo corredor.
"De joelhos!" Ela foi forçada a se ajoelhar no chão.
Sua máscara foi removida, revelando um olhar resoluto e desafiador.
Brad se postou diante dela, questionando-a severamente. "Você estudou medicina às escondidas?"
"Não." A resposta de Corinna foi firme e gelada.
O som cortante de um chicote atingindo a pele dela ecoou pelo corredor, fazendo os irmãos de Corinna tremerem involuntariamente.
Contudo, Corinna, que estava sob o chicote, parecia alheia à dor. Ela cerrou os dentes, mantendo-se em silêncio obstinado.
"Não pense que pode me enganar", bradou Brad, segurando o chicote com força. "Alguém me contou que você estudou medicina secretamente e até tratou pessoas! Vai confessar?"
Corinna estava pálida, mas sua determinação era inquebrável, e sua voz, ainda mais firme. "Não fiz nada errado. Por que eu deveria confessar algo que não fiz?"
"Então você diz que a informação que recebi é falsa?" Brad ergueu o chicote novamente.
Corinna apertou os punhos, sua resolução se fortalecendo. "Não sei quem mentiu para você, mas não estudei medicina secretamente nem tratei ninguém. Se duvida de mim, traga seu informante e vamos esclarecer a verdade juntos."
Como Corinna estava resoluta e preparada para enfrentar qualquer obstáculo, Brad percebeu que sua própria confiança vacilava por um instante.
Sua esposa, Monica, se aproximou dele e disse: "Brad, como pode ser tão severo com Corinna? Mesmo que ela tenha estudado medicina secretamente, ela está apenas continuando o legado da sua mãe. Lembre-se, Rachael era uma médica respeitada até aquele erro cirúrgico causado pela sua própria doença."
A menção disso apenas aumentou a fúria de Brad.
Ele levantou a mão e chicoteou Corinna novamente. "Vai dizer a verdade agora?"
Com outro golpe, o rosto de Corinna ficou totalmente pálido.
No entanto, seus olhos não mostravam sinais de rendição. Ela olhou para Monica com arrogância. "Como ousa falar da minha mãe? Ela era uma das melhores médicas do mundo. E vocês dois sabem muito bem o que fez ela ficar doente!"
Corinna não conhecia todos os pormenores, mas estava ciente do essencial.
A saúde da sua mãe se deteriorou após a descoberta do caso de Brad com Monica.
Como aqueles dois podiam ousar mencionar sua mãe diante dela?
O ódio nos olhos de Corinna fez Brad lembrar o dia em que Rachael os flagrou juntos.
Rachael não mostrou sinais de descontrole. Ela apenas os encarou com calma e desdém, como se fossem insignificantes.
Ela realmente achava que os dois eram desprezíveis.
Aquela expressão ficou gravada na memória de Brad para sempre.
Rachael sempre foi uma mulher distinta, exalando superioridade. Ao lado dela, ele se sentia pequeno.
Para todos, ele era apenas o marido da doutora Brown.
Ele detestava essa sensação.
Aquela noite foi um misto de orgulho e vergonha para ele, pois embora sentisse que havia ferido o orgulho de Rachael, ela desprezou ele e Monica completamente, tratando-os como se fossem um pedaço de lixo.
O olhar desafiador de Corinna trouxe à tona os sentimentos de inferioridade que Brad sentia em relação a Rachael.
Sua frustração rapidamente se transformou em fúria, e ele atacou Corinna com brutalidade.
"Quem te ensinou a falar assim?" Brad gritou, cheio de raiva. Cada golpe do chicote parecia ter a intenção de acabar com ela.
Apesar da dor, Corinna manteve a cabeça erguida. Com sarcasmo, ela respondeu: "Tudo o que vai, volta. É questão de tempo."
"Sua criança malcriada!" Os golpes de Brad, cego pela raiva, se tornaram ainda mais violentos.
No silêncio do salão, o som do chicote ressoava alto.
Os irmãos observavam com frieza, alguns até com prazer pelo sofrimento de Corinna, esperando que ela não resistisse.
Exausto, Brad perdeu a conta de quantos golpes desferiu.
Corinna estava caída no chão frio, completamente ensanguentada.
Só então que Monica interveio, "O que você está fazendo? Corinna é apenas uma garota. Pode ser teimosa, mas tenho certeza de que ela só estudou medicina em segredo para seguir os passos da mãe."
Para seguir os passos da mãe.
Essa ideia alimentava ainda mais a amargura de Brad.
Rachael assombrava a vida dele, e agora ele via o legado dela na filha, que constantemente o lembrava das suas próprias falhas e insuficiências.
"Tudo bem! Ela quer ser uma médica de verdade? Não precisamos chamar um médico, então. Que ela se cure sozinha!", Brad exclamou, cheio de sarcasmo.