Dentro do mar, meu corpo encharcado e meus cabelos escorridos enquanto eu mantinha Merlia sentada sobre meus ombros. Os outros jogando água em mim, me fazendo praguejar enquanto eles riam.
Quando era criança, sempre quis mais irmãos da minha idade. Archie sempre estava ocupado, então na maioria das vezes eu tinha que me divertir sozinho. Quando conheci Artur, ganhei um melhor amigo. Alguém próximo da minha idade para falar das mesmas coisas e correr por ai.
Quatro anos em Midorina nos tornou dois jovens bem unidos, comos carne e unha. E estava ansioso para a próxima aventura que vamos nos meter, quando voltar para a capital real.
— Vamos, vamos... Hora de irmos! Vou devolver vocês para o verdadeiro dono!
— Ah não!_ Gideon praguejou revoltado com a ideia de voltar. Fechando o cenho e fazendo bico.
Angie, a filha do meio de Dylan, bufou, deixando os braços cairem moles ao lado do corpo. Ela era uma pequena Helena, com seus cabelos ondulados e ruivos e olhos azuis, acinzentados como os de Dylan.
— Porque você não pode simplesmente voltar sozinho e deixar a gente aqui?_ León caminhou ao meu lado, chutando a água.
— Seu pai me mata se eu fizer isso!
— Sabe, acho que deveríamos pedir ao papai para deixar a gente ir visitar o tio Lucien!_ Dara se juntou ao meu lado, com seus cabelos escorridos e suas roupas molhadas.
— SIM! PADRINHO LUCIEN!_ Merlia vibrou sentada em meus ombros com a ideia de ver o pirata.
Revirei os olhos enciumado. Ela esqueceria da minha existência no primeiro instante que cruzasse seus olhos com Lucien.
Olhei para Any sentada sozinha na praia, parecendo um pouco solitária. Me doía vê-la assim, mas eu não podia apenas ignorar as crianças. Olhando no rosto de cada um, percebi que Merlia não era a única com ciúmes, e se um desses desmiolados, simplismente resolver sair por ai porque está chateado, e sumir, eu sou mais do que um homem morto.
— Vocês deveriam falar com a tia Any. Ignora-la é uma atitude feia...
— Mary! Pare ja com isso, ou irei contar para a mamãe!_ Leon rosnou mostrando que ja tinha pulso de rei, quando Mary beliscou Elisa. Mas não adiantou muito, já que as duas começaram a brigar.
— Vamos! Vocês duas...parem já com isso!_ ordenei sério e elas pararam, torcendo a cara cada uma para um lado.
— Eu nem me lembro quando foi a última vez que papai deixou a gente visitar o tio Lucien no barco dele. _ Dara era uma boa garota, muito observadora e pacífica. _ Na verdade, já foi estranho ele ter deixado virmos sem ele ou a mamãe.
— Seu pai é um homem cuidadoso. Você não se lembra, era um bebê, mas nosso reino ja passou por muitos problemas. Quando eu tinha sua idade, o rei de Thalfry mandou homens se infiltrar em Dazzo para me sequestrar. Lembro que eu não entendia a gravidade da situação e saia por ai sem avisar. Seu pai, sempre muito preocupado e cuidadoso, vivia me repreendendo. Até o dia em que Artur e eu estavamos brincando na floresta perto do castelo, e tentaram me levar. Willy e Archie chegaram a tempo de nos proteger. Mas se não fosse por eles, provavelmente eu teria me machucado muito, ou estaria morto.
— Será que um dia eles nos deixará viajar pelos reinos como você e Artur?_ Leon perguntou e maneio a cabeça pensativo com a resposta.
— Bom...acho que cabe somente a ele responder.
Any se levantou ao nos ver se aproximar, batendo o vestido para retirar a areia seca de seu corpo. Beijei sua têmpora rapidamente, mas o protesto veio imediatamente e rápido.
— ECA!_ eles praguejaram e bufei.
Any corou, rindo por trás das mãos que escondiam seu rosto envergonhada por termos sido zombados de crianças. Acenei com a cabeça, e ela seguiu ao meu lado tranquila, olhando as inúmeras pestinhas correndo a nossa frente.
— Acho que só agora percebi que são bastante delas... _ Any comentou humorada, com um sorriso bonito contornando seus lábios. _ Você quer ter muitos filhos também?
Maneio a cabeça, imaginando a situação caótica de todas essas crianças reunidas. Os três de Dylan, sete do meu irmão – E pelo andar da carruagem esse número não seria mais o mesmo, para nenhum dos dois casais– Os quinze de Lucien... Bom, pelo menos eram quinze da última vez que o vi. Todas essas crianças reunidas deixaria qualquer adulto louco. Principalmente os monstrinhos de Lucien...
— Acho melhor decidir isso em outro momento! _ Sussurro com meus ombros ficando tensos só de pensar nisso.
— Tio Nicolas, estou com fome!_ Merlia sentada sobre meus ombros e segurando meu queixo, se debruça para me encarar.
— Certo! Certo! Uma pausa para comermos algo antes de voltar para casa.
***
Meu irmão mandou a maior carruagem para trazer todas essas crianças. Elas vieram todas espremidas lá dentro, e agora para voltar, tive que dividi-las. Como sempre, Merlia estava em meus braços dormindo pesadamente. Graças ao calor do dia, seus cabelos estavam pregados na testa e gotas de suor escorrendo por seu pescoço.
— Pobrezinha... Não sei como consegue dormir em um calor tão intenso assim. _ Any tombou a cabeça, compadecida com a situação de minha sobrinha.
— Cristalia é bem quente também, não é?_ Any concordou tranquila. Talvez fosse por isso que ela parecia bastante a vontade e confortável. _ Devemos visitar seus pais em breve. Garantir que eles fiquem tranquilos quanto ao nosso casamento. Sei que estive fugindo por muito tempo, mas acho que nos casamos na hora certa. Você me odiaria se tivesse se casado comigo aos meus 15 anos!
Ela riu estranhando minha afirmação, com suas sobrancelhas apertadas, e suas bochechas ficando vermelhas pelo calor.
— Eu tinha pavor de você. Meus irmãos diziam que você era feio como a peste!
Soltei uma risada nasal incrédula.
— Me diziam a mesma coisa a seu respeito. Que tinha verrugas, era velha, e corcunda...
Any cobriu a boca, abafando o riso tremendo acordar as crianças. Cada uma em um sono mais pesado que a outra. Não importava a posição, eles pareciam confortáveis o suficiente e cansados também – para meu alívio.
— Eu fico feliz que tudo não passou de uma brincadeira. Você é um homem muito bom, e bonito, gentil... Eu tive a sorte grande.
Sorri tranquilo e acenei em positiva.
— Eu também!
***
— Aqui! Esse é seu, essa aqui também..._ praguejo entregando duas crianças adormecidas nos braços de Dylan que apenas os jogou sobre os ombros como sacos de batatas. _ Está faltando um ...
Vasculhei o interior da carruagem e puxei pelos pés o terceiro, entregando para Helena.
— Você não parece ter se divertido muito..._ Dylan comentou humorado e revirei os olhos.
— E tem como se divertir quando Archie manda o exército infantil atrás de mim? _ resmungo e Helena riu sapeca.
— Eu acho que alguém se divertiu nessa história. E não foi você e a Any.
— Talvez seu irmão e Evelyn finalmente tiveram lua de mel. _ Dylan completou e torci a cara em desgosto.
— Defina: lua de mel! _ Praguejei apontando para o interior da carruagem onde meus sobrinhos ainda dormiam. _ Eles estão de lua de mel desde o dia em que resolveram trepar como se não houvesse amanhã!
— Hey! Olha a boca! _ Helena praguejou apontando com o queixo para as crianças. _ E sua esposa, onde está?
— Foi na outra carruagem com o restante das crianças. Eu juro que vou sumir por mais quatro anos.
— Bom, alteza, apenas deixe-me lembra-lo que suas viagens prolongadas e aventuras chegaram ao fim. É um homem casado agora. Como fica sua esposa nessa história? _ Dylan maneou a cabeça e estagnei.
Era como se a realidade apenas tivesse batido nesse exato instante com tais palavras. E o desespero de ver aquilo que eu mais gostava de fazer ir embora, começou a me preencher. Eu teria que falar com Any sobre isso.
Era a minha liberdade, ir e voltar quando eu quisesse sem me preocupar com mais nada. Quando em Dazzo, eu fazia tudo ao meu alcance para ser um príncipe exemplar, e ajudar meu irmão a cuidar do reino, além de ser a galinha dos pintinhos dele o tempo todo. E quando eu saia, eu era só um homem sendo livre, arrumando encrenca em tabernas ao lado de Artur.
— Ela pode ficar no castelo... Evelyn a faria companhia e..._ Sussurrei em um fio de voz e Helena soltou uma risada nasal.
— Sabe o que me parece, Nicolas? Que se casou as pressas por quê sua consciência pesou.
— Não acho que tenha sido a consciência..._ Dylan miou escondido, de olhos arregalados como se estivesse pensando sozinho. Helena o olhou abruptamente como se soubesse o que passava em sua mente e o chutou na canela.
— Mesmo que eu deteste concordar com esse duque idiota ... Também acho que foi movido por coisas carnais. Any é uma garota bonita, e adorável, e você andou aprendendo coisas com Lucien que eu duvido muito que ele tenha sido boa influência...
Concordo com os olhos levemente arregalados. Lucien não foi nem um pouco boa influência. Ele nos ensinou a lutar com espadas muito bem, mas também nos ensinou a roubar, a ser mais ágil em fugas, a correr em telhados... Acho que ele mais nos tornou ladrões de portos do que nos ensinou a ser dignos nessa vida.
— Bom...
— Nicolas, você adiantou um casamento que estava previsto para o final do mês para o dia seguinte. Você não se deu tempo de conhecer, Any. O que me faz pensar, que o casamento de vocês, não é muito diferente quando um homem procura uma puta de taberna...
Engoli em seco com as duras palavras de Helena. Ela me deu um peteleco na testa e me cobri ainda incrédulo.
— Mas não há forma de voltar atrás. Seja responsável e cuide bem de sua esposa!
— Sim! Eu farei isso..._ disse um pouco zangado. Aceno entrando na carruagem e Helena acena um adeus.
Eu deveria ter ouvido Evelyn, e usado a cabeça, não a merda do meu coração... Se isso for ele que ouvi... O que acho que seja um pouco mais a baixo. Merda! Eu não queria magoar Any, mas também não queria perder minha liberdade. E eu não tinha uma solução para isso...
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Lucien: " um filho homem para cada filha mulher do Archie, os outros para o restante das moças de Dazzo..." Kkkkkkkkk
Boa leitura!
❤️
Evelyn
Vejo Any entrar no salão sozinha, parecendo tranquila de mais para quem teve as núpcias interrompidas.
O dia estava escaldante, e sentia um fio de suor escorrer por minhas costas enquanto a via se aproximar com as bochechas rosadas pelo calor.
— Majestade. _ ela se curvou e maneio a cabeça.
— Acho que não deu para passarem algum tempo juntos, não é? Eu teria parado o rei a tempo se soubesse...
— Oh! Foi divertido! _ Ela riu com seu peito vibrando e suas bochechas corando um pouco mais. _ Tudo é novo... então eu estava um pouco assustada.
— As vezes eu sinto falta do clima mais fresco de Hartz. _ comento abanando meu rosto e Any abaixou o rosto em concordância.
— Nunca estive em Hartz, majestade. Imagino que seja agradável. Sou acostumada com o calor de Cristalia.
Noto uma pontada de tristeza em seus olhos ao se lembrar de casa e maneio a cabeça.
— Sente falta de casa?
Ela ergueu seus olhos levemente arregalados para mim, e concordou com um aceno singelo, alisando o próprio braço.
— É que ... Aconteceu tão de repente, e provavelmente eu não voltarei para casa tão cedo. Nicolas disse que deveríamos ir até lá, mas eu sei que depois disso, não voltarei a ir para casa.
Dou um sorriso de canto abatido. Essa era a realidade, algumas de nós, nunca voltaria para casa depois de se casar.
— Eu te entendo. Mas quando vim a Dazzo, eu deseja voltar para Hartz porque me sentia mais em casa lá. Aqui eu ainda me sentia incomodada com os olhares curiosos, os sussurros... Mas, agora eu me sinto em casa aqui e lá. Eu nunca tive uma família para querer me encontrar em um abraço..._ Sussurrou baixinho deixando meu rosto repousar na mão. _ Aqui eu encontrei braços para me aconchegar, proteção e amor.
Any me encarou cética e a dei um sorriso tranquilo.
— Eu me sinto como se tivesse sido um objeto de troca ..._ ela sussurrou abaixando seus olhos para o chão com medo de suas palavras. _ Eu tinha dez anos quando recebi a notícia que um dia iria me casar, para um acordo com Dazzo. Eu fui preparada dia após dia para isso... E agora que estou aqui, não sei o que fazer.
— Eu fui preparada dia após dia, durante oito anos, Any, para ser entregue a um exército como uma distração. Um casamento não me parece tão ruim... _ Sussurrei me levantando do trono e suspirei pesadamente _ Você está muito cansada? Se ainda tiver um pouco de disposição e não quiser ir direto para o quarto, que tal dar uma volta comigo?
— Isso seria ótimo! Eu estava preocupada de ficar um pouco entediada..._ Ela sorriu, de um jeito doce e animada e acenei com a cabeça estendendo meu braço para ela segurar.
— A aldeia ainda está animada, mesmo com o festival chegando ao fim.
— Esse ano se prolongou um pouco mais...
— Archie está bastante empolgado esse ano. E ninguém quer contrariar a vontade do rei...
— Minha rainha, os príncipes e princesas estão querendo ir para Midorina, visitar o rei Lucien. Se eles forem, eu poderia ir também? Nunca estive em Midorina!
— É claro! Isso se o um certo rei ciumento e protetor permitir. Mas as crianças sabem exatamente como fazer o pai durão amolecer... _ ri rolando meus olhos pelo jardim. Acenei para um dos guardas e ele correu para o estábulo. _ Sinceramente, eu também quero ir. Já se passou doze anos desde que aquele pirata me fez uma promessa e eu aguardo ansiosa por isso.
— Às vezes me esqueço que o Rei Lucien é chamado de lendário pirata do mar estreito.
Ri rouca acenando em positivo.
— Eu vi com meus próprios olhos, Lucien tomar de volta sua honra quando decepou a cabeça do rei de Thalfry... E agora, temos novos seis reinos pequenos em batalhas constantes por território e poder.
Os cavalos foram trazidos e montei Aurora com tranquilidade. Artur, agora um paladino da minha guarda, colocou Any sentada sobre a sela.
— Minha rainha, devo acompanhá-las?
— Toda vez que olho para você, ainda vejo o pequeno menino medroso olhando diretamente para o rei. Você cresceu tanto Artur...
— Posso dizer que fiquei mais bonito?
— E esperto e forte também!_ respondi sorridente e ele sorriu largo.
Artur era o único paladino que recusou a armadura dourada. Ele se vestia ocasionalmente como em um dia qualquer, mas se misturava em qualquer lugar sem chamar atenção. Ele e Nicolas se tornaram espadachins extraordinários sob o treinamento intenso de Willy e Archie.
Balancei as rédeas e Aurora caminhou tranquila enquanto Any estava tensa sobre a sela de seu cavalo, provavelmente com medo de cair.
— Majestade, já esteve em algum desses reinos?
— Não! Desde a queda de Thalfry, nós ficamos onde devemos ficar: Em nossas terras. Se alguém quiser fazer alianças ou comércios, eles tem que vir até nós!
— Dizem que se tornou um lugar perigoso. _ Artur comentou, cavalgando um pouco atrás de nós, rolando seus olhos na paisagem. _ Uma terra sem lei, onde as pessoas tentam sobreviver se agarrando ao poder. Não é lugar para minha rainha colocar os pés. Iria manchar as solas de suas sapatilhas em terra perdida. Lá só tem ladrões, mercadores trapaceiros...
— Nossa... Eu não sabia que tinha se tornando um lugar assim. _ Any sussurrou tensa, com as sobrancelhas apertadas. _ Quem diria que a grande Thalfry se resumiria apenas a memórias gravadas em suas ruínas.
— Olho por olho, dente por dente... _ Artur sussurrou com amargor em sua voz.
Ele passou tanto tempo com Lucien, que pegou até mesmo ódio por Thalfry, como se fosse filho do pirata.
— Não acha que as pessoas inocentes pagaram por isso? Não pode chamar a todos de ladrões e mercadores trapaceiros! Deve ter alguém bom lá... alguém que não tem culpa! _ Any protestou e olhei de relance para ela e depois para Artur. Pessoas pagam pela violência, sabia?
Vi o rapaz sorrir debochado, arqueando a sobrancelha.
— Diga isso para seu marido, e ouça a resposta dele! Se eu der a minha, provavelmente perco a língua por ofender alguém de sangue nobre ...
— Olhe, o que estou dizendo, é que pessoas pagaram pelo erro de um cretino! Se a antiga Thalfry se tornou um lugar tão perigoso e ...
— Lutamos por este lugar!_ Artur rebateu ríspido_ Por estas pessoas! Por Dazzo e Hartz! Como princesa, deveria entender que uma guerra é o princípio de tentar defender aquilo que é o certo! Sem a violência, a ignorância das pessoas não é parada! Eu fui um menino de rua, e eu sei exatamente o que é ver a violência! Uma guerra, não é nada, quando todos os dias você vive a violência do seu próprio povo! Eu era de Avarya, mas agora aqui pertenço, e aqui defendo, não tenho pena de meus inimigos! E deveria começar a pensar assim, porque é o que seu marido pensa!
Any abriu a boca, mas a fechou, estressada com a resposta. Eu não poderia corrigir Artur por ele estar certo. A antiga Thalfry se tornou terra sem lei porque seu povo se mostrou ganancioso por poder. Eles não ergueram um novo regente, mas começaram batalhas entre si por causa de vários que se ergueram, com ganância e sede de poder.
— Dê uma oportunidade para um homem e ele vai aproveitá-la. Dê poder a ele, e verá o que ele se tornará! _ Artur sussurrou baixinho também irritado. _ É como estar passando fome durante anos de sua vida, e ser colocado na frente de um banquete...
— Ensopado e pão..._ comentei tranquila e olhei por cima do ombro para ver Artur dar um sorriso envergonhado. _ Você comeu tanto naquele dia que passou mal.
— Eu era uma criança... Homens têm desejos diferentes.
— Eu sei. Eu tive ... E eu conquistei o que eu queria para sobreviver e manter meu povo a salvo. _ sorri ladino e voltei a olhar a paisagem, com os olhos de Any arregalados. _ Ninguém é inocente, princesa... Ninguém é totalmente bom...apenas criança tem o coração puro, mas um dia elas também serão corrompidas por algo que almejam.
— Eu não penso assim...
— A lei é dos mais fortes! Se você fraquejar, alguém vai passar em cima... E vão tomar aquilo que vocês conquistou. Nenhum império nasce de um dia para a noite. Esses reinos vão continuar batalhando entre si, pessoas inocentes vão continuar pagando por erros que não são seus, até o dia em que um novo império se firme. Midorina se tornou ruínas, seu povo escravizados e mortos, garotas violentadas... Impérios demoram a ser construídos, mas caem em pouco tempo. Então é melhor ser forte o bastante para lutar contra as inconstâncias e ameaças... Ou não sobra nada de você, nem mesmo as cinzas para serem levadas com o vento.
— Eu não fui criada para isso..._ Any sussurrou como se a realidade tivesse batido na porta.
— Não. Você foi criada para se casar, porque alguém tinha que se tornar forte para não correr o risco de também se tornar ruínas. _ Sussurrei e ela apertou as rédeas. _ Estou sendo dura demais com você, Any, em minhas palavras? Espero que seja a única coisa dura de verdade contra você. Não vai querer encarar a realidade lá fora, que é grande, pesada e dura como uma montanha caindo sobre sua cabeça...
— Entendido, majestade... _ Any concordou ainda encarando séria a própria rédea apertada nas mãos.
— Vamos, relaxe! Viemos para um passeio, não para nos sentir chateadas...
Ela acenou, relaxando os ombros. Fiz Aurora galopar e Artur passou por Any a encarando nos olhos antes de me alcançar.
— Perdoe-me por ter sido rude com a princesa, minha rainha. Eu não tinha intenção de estragar o passeio das senhoras.
— Está tudo bem! Ela apenas nunca teve que lutar pela própria vida para entender isso. Não volte a confrontá-la, ela ainda é uma princesa... você pode arrumar problemas com isso. _ estiquei minhas mãos empurrando levemente seu rosto.
Artur concordou e parou seu cavalo, esperando Any conseguir fazer o seu galopar. Ele deu meia volta, parando o seu atrás do dela, e deu um tapa leve na traseira do cavalo que disparou, quase derrubando a princesa se ela não estivesse agarrada às rédeas com tanta força.
Ele riu quando ela gritou, e assistimos o rastro de poeira deixado pelo cavalo.
— Eu não sei o que Nicolas viu nessa ai...mas eles não combinam nadinha!_ Artur resmungou passando por mim e maneio a cabeça tendo que concordar.
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Boa leitura!
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