Nada é tão nosso, quanto nossas culpas. A culpa é um sentimento que não nos deixa em paz um só instante. Ela se instala e vai ganhando espaço, até nos paralisar por completo. As pessoas dizem que precisamos nos libertar desse sentimento. Pedir perdão e se perdoar. Mas eu nem tinha mais a quem pedir perdão. Durante muito tempo fiquei me sentindo assim, paralisada diante de tudo que aconteceu. Sentia como se tivesse morrido junto com o Lucas. De certa forma, uma parte de mim também se foi, e por muito tempo vivi em um mundo escuro e triste. Senti que não havia mais pelo que lutar, e por várias vezes desejei não estar viva. Esqueci o fato de que minha filha ainda poderia estar viva, e estava morrendo de depressão em uma cela do presídio. Foi nesse momento que vi que as pessoas que eu tinha ao lado, eram muito mais do que bandidos e uma facção criminosa. Ninguém soltou minha mão durante esse tempo. Mesmo eu me afastando da missão por vários meses, ninguém me pressionou, ameaçou ou me abandonou. Eles continuaram o trabalho, cuidaram de mim e muitos se solidarizaram com minha dor. Nunca me senti sozinha, eles sempre estiveram ao meu lado, como uma verdadeira família. E foi pela ajuda deles que consegui enxergar que ainda havia pelo que lutar, foram as mãos deles que me tiraram do poço de tristeza onde eu estava morrendo, dia após dia. Mas o que me incomoda ainda é o que sinto, ou melhor, o que eu não sinto. Não consigo sentir arrependimento por nada. Só sinto essa culpa, mas não é uma culpa com arrependimento. Isso pode parecer estranho, mas é muito real e as vezes até me questiono se me transformei em uma pessoa fria e má. Não consigo me arrepender das coisas que fiz. Pois tudo que fiz foi para sobreviver. A culpa que sinto é por ter me aproximado novamente das pessoas que amo, quando ainda havia muito perigo. Se eu nunca tivesse voltado para a vida deles, eles continuariam bem, e agora, o Lucas está morto e minha filha desaparecida por mais de cinco anos. Mas quando começo a pensar em tudo isso, vejo que nunca seria seguro me reaproximar deles, e talvez, nunca seja seguro para ninguém que queira ficar próximo de mim e que não aceite se envolver nesse mundo. Hoje já aceitei que minha vida nunca mais poderá ser a mesma. Já paguei minha divida diante da sociedade. Já não sou mais uma criminosa perante a lei. Porém, continuo no comando do morro, e sei que nunca vou sair disso, não viva, pelo menos. Durante todos esses anos, ganhei fãs, pessoas que me veem como uma heroína, mas também ganhei muitos inimigos. Sei que no morro sempre estarei segura e por isso, talvez nunca possa deixar essa vida para trás. E se um dia encontrar minha filha, vou trazer ela comigo. Pelo menos sei que estará protegida. Sei o quanto o Lucas era contra isso, mas foi por essa teimosia dele em não aceitar a proteção da facção que ele morreu e a Sofia novamente sumiu. Não estou colocando a culpa nele, afinal fui eu quem os meteu nessa, mas de certa forma, isso diminui um pouco a culpa sobre mim, e pensar dessa forma foi o que me fez conseguir voltar a viver.
Um dia no presídio, enquanto estava deprimida, recebi uma carta de um possível fã, e nela dizia que eu deveria parar de me sentir culpada e ver que a culpa não era só minha, ver o quanto eu também era vítima disso tudo. E isso, de certa forma, me ajudou a ver as coisas com mais clareza, e perceber que esse não era o fim, não podia ser o fim. E então eu me reergui e voltei a viver.
Na noite em que sai da prisão, houve uma grande festa na comunidade, depois que tudo acabou, e que finalmente fiquei sozinha com meu pai e o Gaby, meu pai me trouxe um presente. Disse que isso havia chegado na entrada da favela, que foi trazido por um entregador.
- Acho Que é de algum fã, filha.
- Tem cartão?
- Estava direcionado a você, e o motoboy entregou aos meninos que fazem o controle de quem entra e sai. Ele disse que não havia endereço, só dizia para entregar na entrada do morro e que era um presente para você. Os meninos o seguraram lá enquanto abriam a caixa, para ver o que havia nela. Como não havia nada de errado, liberaram o motoboy e me entregaram a caixa. Mandaram te pedir desculpas por isso. Mas eu achei que fizeram super bem, pois no momento em que estamos vivendo, todo cuidado é pouco.
- Verdade, pai. Amanhã quero me lembrar de agradecê-los pessoalmente por isso. Esses meninos tem feito um ótimo trabalho aqui, né?
- Tem sim. Essa é a diferença de trabalhar sendo valorizados e não escravizados e ameaçados. E isso se deve a você.
- Isso é o mínimo que qualquer ser humano merece. O que faziam aqui era crueldade demais.
- Isso é verdade. Mas vamos, abre logo isso aí por que também estou curioso pra ver o que é!
- E você já não viu?
- Eu não. Os meninos abriram para sua segurança. Se eu abrisse também seria por enxerido mesmo, e isso não quero fazer. É sua privacidade.
- Ah meu paizinho, eu te amo tanto. (Falei enquanto colocava a caixa na mesa e o abraçava) que bom que esses caminhos tortos nos colocaram na vida um do outro. Você foi essencial pra mim em todos esses anos.
- E você para mim, filha. Você me deu uma nova razão para viver. E me orgulho muito da mulher forte que você se tornou.
- Me tornei uma criminosa, pai. Isso não deveria ser motivo de orgulho.
- Você é uma sobrevivente da maldade desse mundo. E esse sentimento que temos, só nós dois conseguiremos entender.
Ele estava certo. Nossas razões para estar onde estamos hoje, só nós podemos entender. E ninguém pode nos julgar por isso. Somos sobreviventes.
Finalmente fui abrir a caixa. Era uma caixa prata, com detalhes em vermelho. Uma caixa bem bonita, por sinal. Nela havia um ursinho e uma rosa vermelha, feita artesanalmente, de crochê. Peguei a rosa e nela senti o perfume do Lucas, foi uma sensação tão estranha, era como se ele estivesse aqui. Neste momento comecei a chorar, não consegui nem explicar o que eu estava sentindo. Mas era um sentimento muito real, parecia que ele estava ali em algum lugar, tão próximo que eu podia sentir seu cheiro. Cheguei a pedir para o Gaby e meu pai sentirem o cheiro também, pra ter certeza de que eu não estava ficando maluca. E eles também sentiram o cheiro de perfume. Asssutada, peguei o ursinho que ainda estava na caixa. O cheiro que senti me levou ainda mais longe ao passado. Quando a Sofia era bem bebezinha, antes do acidente. Era o mesmo cheiro da colônia que havíamos comprado juntos, enquanto montavamos o enxoval dela. Neste momento deixei o ursinho cair da minha mão, pela emoção e por pensar em quem poderia ter feito isso comigo. Cai de joelhos no chão em pranto. Meu pai veio me amparar, enquanto o Gaby foi até a caixa e achou um papel.
- Olha Loh! Tem um papel aqui.
Levantei e ele me entregou o papel, nele dizia:
"Sempre prestamos muita atenção no que vemos ou ouvimos, e muitas vezes esquecemos do que sentimos. Dos sentidos que temos, o menos romantizado é o olfato. Mas hoje quero te mostrar o quanto é linda a sensação que os cheiros nos trazem. A capacidade de nos despertar lembranças apenas com um cheiro, nos da uma pista sobre a sua importância.
Hoje é seu primeiro dia livre, espero que aproveite muito e esteja feliz. Esse presente é para te lembrar que mesmo em meio a tudo de ruim que você passou, você continua sendo uma pessoa incrível. Aproveite as sensações boas que esses presentes te trouxerem. Seja feliz e não esqueça nunca quem você é, e o que realmente importa.
De um fã que admira muito sua força.
S.A.D.A"
Quando terminei de ler isso, em voz alta, senti uma sensação muito estranha, como se alguém estivesse me vigiando. Abracei meu pai e disse que estava com medo. Ele ligou para o pessoal da segurança e pediu que colocassem mais homens na guarda de hoje e que ficassem atentos a qualquer coisa fora do comum. Meu pai queria jogar fora as coisas que vieram na caixa, eu não deixei. Quem poderia ter me enviado isso. Senti muito medo, por que seja quem for, é alguém que me conhece o suficiente para saber os perfumes das pessoas mais importantes da minha vida. Talvez, fosse até a pessoa que está com minha filha. Talvez sejam os inimigos querendo me torturar. Mas nada parece fazer sentido agora. Fui dormir, o Gaby dormiu comigo. Durante a madrugada acordei com a sensação do cheiro do perfume do Lucas. Isso mexeu muito comigo. Eu queria tanto que fosse real. Que ele realmente estivesse aqui e eu pudesse abraçar ele. Levantei da cama com cuidado para não acordar o Gaby, peguei a caixa que havia ficado na sala. Abri a varanda com cuidado e sentei no chão com as luzes apagadas. Abri a caixa e só ao abrir senti o cheiro do Lucas e da Sofia. Não peguei nada, só fechei os olhos e fiquei pensando neles, nos nossos momentos juntos. Levei a mão no pescoço e tirei de baixo da camiseta do pijama, o relicário que o Lucas havia levado pra mim na última vez que nos vimos. Coloquei junto dele, na mesma correntinha, nossas alianças, que nunca chegaram a ser colocadas em nosso dedos. Apertei forte e os beijei. Tudo que eu mais queria era poder voltar no tempo e sentir novamente a paz que me trazia o amor dos dois. Lágrimas caiam incessantemente dos meus olhos. E então, me dei conta de que isso talvez possa ser uma pista.
Anderson
- Você está fora, Anderson! Anda vai embora daqui.
- Você não pode me colocar pra fora assim!
- Você não pode sair por aí confrontando nossos superiores e achar que não vai sofrer as consequências. Acorda cara! Parece que não sabe com quem estamos lidando.
- São corruptos, aliados de bandidos! Celso, eu que estou errado? É sério isso? Eu estou sendo desligado da corporação por ser honesto?
- Não é por ser honesto. É por ser burro mesmo! Cara, presta atenção. Você é meu melhor amigo, meu melhor policial, tanto que confiei em você para ser o capitão, mas daí a fazer o que você fez... cara, não se sai por aí acusando um tenente coronel de corrupção sem esperar um desligamento.
- Vou falar com o coronel Ramos. Isso não pode ficar assim.
- Acorda Ander! Já parou para pensar que eles podem estar juntos nessa?
- Eu me recuso a acreditar que nossa corporação virou isso. (Anderson fala enquanto da um murro na mesa, se levanta e coloca as mãos na cabeça, demonstrando estar exausto)
- Olha... vai pra casa. Esfria essa cabeça e vê se não faz mais merda. Fica em casa cara, sem entrevistas, sem jornalistas, esquece isso. Deixa que eu me viro aqui, vou ver o que consigo fazer por você.
Anderson sai bravo da sala do seu superior, o major Santos. Ja no corredor, o amigo grita:
- Ei! Eu admiro muito sua lealdade e honestidade. Nunca pense que isso é errado.
- Vou ser punido por isso... Não me parece muito certo.
- Nem tudo que é certo é conveniente, e vice versa.
Anderson sai, ele está muito irritado. A meses Anderson vem investigando um esquema de corrupção dentro da sua corporação, e nessa investigação, muitos caíram, e quem não caiu, quer o derrubar acima de qualquer coisa. O capitão acumulou inimigos dentro e fora da corporação. E suas mais recentes pistas o levam a crer que o tenente Coronel está diretamente ligado ao tráfico. Anderson o confrontou jogando alguns fatos em sua cara, mas sempre mantendo o respeito de um capitão para com seu superior. O tenente não gostou nada da posição de Anderson e resolveu puni-lo, deixando ele e sua equipe fora de uma grande missão, para a qual eles já vinham se preparando a meses. Anderson não se conformava com a punição, não achava justo que sua equipe fosse prejudicada por algo que ele fez, e saiu irritadissimo da sede em um momento ruim. A sede estava cercada por jornalistas pois as recentes notícias de corrupção envolvendo um vereador que foi preso e deixou no ar que o batalhão estava envolvido nisso, fez com que a imprensa viesse com tudo. Quando Anderson saiu, andando rápido e furioso, uma jornalista vem atrás dele e grita:
- Capitão Cunha! Capitão Cunha!
Anderson para e se vira para ela, dizendo:
- Hoje não, desculpa.
- O senhor sempre manteve a população a par de tudo que acontecia aqui, agora não pode ou não quer falar?
- Não quero falar! Não tenho nada a falar. Respeite meu momento!
- O que o senhor acha de todo esse falatório que está sobre sua corporação?
- Acho um desrespeito com os policiais que trabalham de forma honesta! Vocês deveriam esperar que ás notícias verdadeiras saiam antes de correr enfiar câmera e microfone na cara de policiais que não tem nada a ver com essa merda toda!
- E quem você acha que tem haver?
- Eu não sei! Vai perguntar isso para o tenente Coronel, ele deve saber...
A fala de Anderson virou manchete de vários jornais, e não demorou muito para que uma investigação sobre ele fosse pedida. O Tenente Coronel agora sendo foco principal da imprensa e de investigações, ficou com sangue nos olhos e pediu a cabeça de Anderson, ordenando imediatamente seu desligamento da corporação. Alegando ao seu superior, o Coronel Ramos, que mesmo que Anderson tivesse desconfianças sobre ele, deveria ter formalizado uma denúncia, e não sair jogando na mídia coisas sem cabimento. Ramos concordou que a atitude de Anderson foi incabida e inconsequente, gerando assim mais problemas para todos, e desviando talvez, o Real foco das acusações, concordando então com seu desligamento temporário, até que tudo fosse esclarecido.
Após ser noticiado de seu desligamento, por seu major, cunhado e amigo, Anderson sai da sede muito irritado, se sentindo injustiçado. Ele vai até um hospital, onde caminha lentamente pelos corredores, de cabeça baixa, até chegar a um quarto, onde entra. Lá está uma mulher jovem e bonita, em uma cama, cheia de aparelhos, inconsciente. Anderson a olha de longe por alguns instantes, com os olhos cheios de lágrimas, enquanto uma enfermeira finaliza a medicação.
- Boa tarde capitão! Já acabei, pode entrar.
- Como ela está? Alguma novidade?
- Infelizmente não. O doutor pediu que quando o senhor viesse, que fosse procurá-lo para conversar...
Anderson baixou o olhar, respirando fundo e passando as mãos sobre seus cabelos, enquando balançava afirmativamente a cabeça e quase que sussurava um "ok, obrigado" para a enfermeira, que em seguida, saiu do quarto, fechando a porta e deixando Anderson sozinho com a mulher. Ele então se aproximou dela, carinhosamente tocou em suas mãos, passou a mão em seus cabelos e entre lágrimas que já caiam de seus olhos, sussurrou:
- Queria tanto que você acordasse...
Ele então abaixou ao lado da cama, colocando sua cabeça sobre o corpo adormecido da mulher. Seu sofrimento era eminente. Parecia que o mundo a sua volta estava desabando e ele não podia fazer nada para mudar a situação.
Lorena...
Bem longe de toda confusão em que estava Anderson, havia Lorena. Recém saída do presídio feminino e com a cabeça a mil. Lorena estava confusa com o presente que recebeu após sua chegada em casa. Seja quem for que enviou aquilo, ela sabia que deveria ser alguém que a conhecia muito bem, e que sabia a importância de Lucas e de Sofia em sua vida, e mais que isso, era alguém que sabia até demais, para saber dos perfumes. Lorena sabia que essa pessoa deveria ser muito próxima a eles, ou então, uma pessoa que sabe investigar muito bem, e que sabia muito bem o que estava fazendo. Ela comentou sobre isso com seu pai, levantaram juntos muitas hipóteses e possibilidades, mas nenhuma parecia fazer muito sentido.
- E se for a pessoa que está com a Sofia, pai?
- Olha, filha. Tem coisas que, eu não queria te falar, para não te machucar ainda mais, ou não destruir suas esperanças. Mas eu acho, filha, que você precisa virar essa página e começar a pensar em você um pouco...
- O que você quer dizer com isso?
- Me dói dizer isso, Lorena, mas minha netinha pode nem estar viva mais. Ela era o alvo naquele dia. O Lucas só morreu por que entrou na frente. Os tiros eram para ela, e ele a protegeu com sua vida. Então, se a pessoa que pegou ela era da facção rival, eles provavelmente a mataram, pra se vingar de você. Te tiraram as duas coisas com as quais você mais se importava.
- Não pai! Eu não quero pensar assim. Não faz sentido. Veja, se eles queriam matar a Sofi para me atingir, por que não deixar o corpo dela por aí, para que eu vesse minha filha morta? Que sentido faz eles a matarem e não entregarem isso na minha cara?!
- O teu sofrimento. Era isso que eles queriam. Te ver sofrendo, te ver em uma busca eterna, te fazer se sentir culpada.
Lorena respira fundo e anda até a sacada, que tem uma linda vista de toda a cidade, limpa as lágrimas que escorrem em seu rosto e diz:
- Eu não sei o que fazer, pai. Não sei nem quem eu sou mais.
- Você tem que voltar a viver, filha. Isso aqui... sua vida não pode se resumir só a isso.
- Eu não tenho mais outra vida, pai. Eu não tenho mais o Lucas e a única coisa que me manteve viva durante esses anos, foi a ideia de reencontrar minha filha e me vingar de quem fez isso com o Lucas.
- Esquece essa vingança. Eu sei que não sou a melhor pessoa pra te falar isso, que não tenho nenhuma moral para te dar esse conselho, mas ainda assim sou seu pai e só quero o seu bem. Por isso, filha, te peço. Tira do seu coração esse sentimento de vingança, você é jovem, ainda pode viver muita coisa bonita.
- Você está me dizendo para viver minha vida, ter novos amores, talvez novos filhos, e esquecer que o Lucas e a Sofia existiram?! E se ela estiver viva? Se ela estiver em algum canto desse mundo precisando de mim? Como que faz isso, pai?!
- Não, Lorena. Você me entendeu errado. Não disse para você abandonar as investigações. Vamos continuar, temos muitos aliados, se ela estiver viva, um dia vamos encontrá-la sim. E eu te prometo que enquanto estiver vivo, vou procurar por ela também. Mas o que quero dizer, é que você precisa desencanar disso. Precisa esquecer essa ideia de vingança, que nunca te fez bem e que sempre vai levar a outra vingança e outra... E esse ciclo nunca terá fim. Quero que você volte a viver, que seja feliz, filha. Se permita isso. Você merece.
Lorena abraçou seu pai enquanto deixava as lágrimas escorregam por seu rosto, seu pescoço e entre seus seios. Ela não sentia que merecia ser feliz, ela nem sabia como fazer isso. Passou tanto tempo pensando em vingança, investigando o paradeiro de Sofia, que nem se lembrava mais de si mesma, e nem sabia como poderia deixar tudo para trás.
- Eu não sei como seguir em frente, pai. Não posso simplesmente dizer adeus, pedir demissão e ir embora. Você sabe, melhor do que eu como as coisas funcionam.
- Eu sei. Não estou te falando para fazer isso. Sabemos como isso acaba. Mas podemos achar uma forma de você não precisar se expor tanto. Você já provou que consegue comandar tudo de longe. Você pode ir embora daqui. Pode morar em Esmeralda, voltar a trabalhar com maquiagem. Duvido muito que alguém de lá tenha ficado sabendo sua história. Mas se não quiser ir pra lá, Pode ir para onde quiser, você tem dinheiro pra isso. Pode levar uma vida normal, sem precisar sair disso. Acredito que o chefe não vá se importar, sabendo tudo que você passou, e o quanto você é competente.
- Você e o Gaby são tudo que eu ainda tenho, pai. Não quero ficar longe do senhor, nunca mais.
- Eu posso ir com você. Podemos treinar alguém para ficar no nosso lugar e permaneceremos no comando de longe. Temos muitas pessoas de confiança aqui.
- Resta saber se o chefe aceitaria outra pessoa também, né... Não é tão simples assim. Você ficou por que é meu pai, e eles já confiavam em você também.
- Eu sei, mas você sabe como convencer ele a fazer o que você quer. Aquele cara tem adoração por você.
- Não sei, pai. Preciso pensar sobre isso. Falando nisso, ele me ligou mais cedo e pediu que eu fosse até ele, disse que tinha algo importante pra tratar comigo. Vou mais tarde, mas queria que você fosse comigo.
- Claro, filha. Te acompanho.