Eu me arrependi profundamente de não ter ouvido meu pai e de ter entregue meu coração tão cedo.
Embora eu me importasse com Roderick, me recusei a deixar que me humilhassem tão descaradamente.
Levantei a mão para chamar os meus homens para dar uma lição naqueles dois.
Molly surgiu no corredor, o rosto cheio de preocupação. "O que houve, querida? Eu podia ouvir vocês discutindo daqui de dentro. Não podem conversar calmamente?"
Baixei a mão e a tranquilizei dizendo que era apenas um pequeno problema.
Molly estava ficando mais velha, e eu temia que seu coração não aguentasse o estresse.
"Vocês não são bem-vindos aqui. Saiam!"
Quando eles se afastaram, Erica de repente espirrou e olhou para Roderick com um beicinho delicado. "Está tão frio aqui. Minhas mãos estão congelando."
Roderick imediatamente tirou o casaco e o colocou sobre os ombros dela.
Ele a puxou para perto, aquecendo suas mãos nas dele.
Senti um nó no estômago de tanto nojo. Apenas ontem, ele tinha feito o mesmo por mim.
Não querendo olhar para eles por mais tempo, virei-me e ajudei Molly a voltar para dentro.
Na entrada, rasguei o cheque de dez milhões em pedaços e joguei no lixo próximo.
No dia seguinte, era o encontro combinado com os anciãos da família de Roderick.
Os faróis de um Bentley preto perfuraram a névoa da manhã, parando lentamente em frente à mansão deles.
Respirei fundo e avancei. Uma voz feminina aguda cortou o ar de repente. "Sophia! Como você ousa aparecer aqui?"
Erica veio em minha direção em saltos altíssimos.
Ela agarrou meu pulso, suas unhas quase cravando em minha pele.
Franzi a testa, sacudi meu pulso para me soltar e balancei a mão com desgosto. "Não te devo explicações. Saia do meu caminho."
Erica riu como se tivesse ouvido a piada mais engraçada, cobrindo a boca enquanto seus ombros tremiam. "Roderick me ama! Você acha que esse noivado te dá o direito de entrar numa família rica? Vai sonhando!"
Levantei o olhar, meus olhos frios como gelo. "Pelo menos por agora, eu sou a noiva que a família Hudson reconhece. Você nem tem o direito de estar aqui."
"Você!" O rosto de Erica ficou vermelho como um tomate.
Engasgada com minhas palavras, ela avançou, tentando arranhar meu rosto em um acesso de raiva.
Eu estava preparada. Desviei um pouco, agarrei seu pulso e usei o impulso dela para puxar e soltar.
Com um grito, Erica perdeu o equilíbrio e caiu de costas no canteiro de flores.
Ela gritou. "Sophia! Você me empurrou! Eu não vou deixar isso barato!"
"Quem começou?" Limpei a mão de um pó inexistente, meu tom neutro, como se tivesse feito algo trivial.
Nesse momento, a porta da mansão se abriu, e Roderick saiu.
Ele vestia um terno preto sob medida, o cabelo perfeitamente penteado.
Quando viu Erica no canteiro de flores, seu rosto escureceu.
Ele correu para ajudá-la a se levantar, a voz carregada de preocupação. "Erica! Você está bem? Machucou-se?"
Vendo Roderick, Erica deixou cair sua ferocidade anterior. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela se jogou nos braços dele, choramingando. "Roderick! Sophia me intimidou! Eu só vim guiá-la, já que é a primeira vez dela aqui."
Roderick a segurou perto e me lançou um olhar cheio de raiva. "Sophia! Você foi longe demais!"
Observei sua reação cega, um sorriso de desdém curvando meus lábios. "Roderick, entenda bem. Ela me empurrou primeiro. E se eu não me importasse com os interesses compartilhados de nossas famílias, eu não estaria aqui assistindo vocês dois atuarem como casal apaixonado."
Pausei, fixando os olhos nele, minha voz firme. "Se você a ama tanto, vá lá dentro agora mesmo, cancele o noivado e abra mão de sua herança. Não vou me prender a você."
Roderick hesitou, seu rosto ficando mais feio.
Ele não podia e não queria. Sem a fortuna, ele não seria nada.
Erica sussurrou em seus braços. "Roderick, veja como ela é arrogante! Não podemos deixá-la entrar, ou como ficaremos juntos?"
Roderick voltou à realidade, deu um passo à frente com Erica e bloqueou meu caminho. "Sophia, não venha ao jantar hoje à noite. Vamos evitar deixar todos desconfortáveis."
Erica concordou. "Exatamente! Vá embora! Você não é bem-vinda aqui!"
Eu olhei para os dois bloqueando meu caminho, prestes a falar, quando um grito severo ecoou da entrada da mansão. "Quem ousa impedi-la?"
Jones Hudson, o tio de Roderick, apareceu na entrada, seu rosto incrivelmente atraente obscurecido por uma expressão aterrorizante.
Seu olhar ardia de raiva ao encarar Roderick e Erica.
"Tio... por que está aqui fora?"
Roderick e Erica congelaram, sua arrogância desaparecendo, substituída por pânico e inquietação.
Olhei para o homem que havia surgido de repente, um lampejo de surpresa em meus olhos antes de recuperar a compostura.
Eu sabia que o tio de Roderick era uma figura formidável, mas não esperava que ele fosse tão jovem.
"Roderick, é assim que você trata uma convidada ilustre?" Jones vestia um terno escuro e elegante, com as mangas arregaçadas para revelar um relógio de luxo em seu pulso.
Suas feições tinham uma leve semelhança com as de Roderick, mas carregavam a gravidade experiente de um homem bem versado nos negócios.
Ele se aproximou de mim e estendeu a mão. "Senhorita Saunders, sou Jones. É um prazer conhecê-la."
Apertei educadamente sua mão firme e bem definida enquanto ele continuava. "Sou um grande admirador. Ainda me lembro do seu último golpe no campeonato nacional de boxe que você viu na televisão, nocauteando seu oponente. A determinação em seus olhos no ringue sempre me convenceu de que você venceria."
Sua sinceridade e admiração suavizaram meus nervos tensos. Assenti levemente. "Você é muito gentil, Jones."
Jones fez um gesto convidativo, e caminhamos lado a lado para o salão, deixando Roderick e Erica, com rostos pálidos, para trás.
Erica agarrou o braço de Roderick com força, seus olhos cheios de ressentimento.
Na sala de jantar, lustres de cristal brilhavam, e a mesa comprida transbordava de pratos requintados.
"Erica, este foie gras é o seu favorito. Pedi ao chef para preparar especialmente." A voz de Roderick era terna enquanto servia Erica, cortando cuidadosamente a comida em pedaços pequenos.
Erica deliberadamente me olhou, exibindo um sorriso provocativo.
Seu olhar era como um pavão exibindo seu domínio, mostrando a preferência de Roderick.
Eu saboreei meu vinho, indiferente às suas artimanhas.
Meu telefone vibrou de repente. Era meu pai.
Levantei-me devagar. "Com licença, preciso atender uma ligação."
No final do corredor, atendi, deixando cair toda emoção para relatar assuntos recentes de negócios em um tom profissional.
Só no final mencionei o noivado. "Pai, após observar Roderick, acho-o enganador, pouco confiável e indigno. Devemos reconsiderar o noivado?"
Ao desligar, passos se aproximaram por trás.
Virei-me para ver Erica segurando uma caixa térmica ornamentada, seu rosto estampado com um sorriso falso. "Sophia, estas são vieiras de Hokkaido que mandei trazer do exterior. Ouvi dizer que você ama frutos do mar e planejei surpreendê-la no jantar, mas a entrega chegou tarde. Dê uma olhada."
Levantei uma sobrancelha, permanecendo em silêncio.
O entusiasmo fingido de Erica cheirava a segundas intenções.
Virei-me para voltar à sala de jantar, mas após dois passos, uma sensação fria atingiu minhas costas.
Erica havia despejado toda a caixa de frutos do mar, caldo e tudo, sobre mim!
Água gelada escorria do meu cabelo, vieiras e ouriços do mar grudavam em meu vestido, a textura viscosa me fazia estremecer.
Erica jogou a caixa de lado, caiu teatralmente no chão, seus olhos instantaneamente vermelhos, sua voz trêmula com lágrimas falsas. "Sophia, eu trouxe frutos do mar por bondade. Mesmo que você não gostasse, não precisava ficar tão zangada..."
Ouvindo a confusão, as pessoas correram da sala de jantar.
Roderick viu Erica no chão e eu encharcada, e sem pensar duas vezes, apressou-se em ajudá-la a levantar.
Quando olhou para mim, seus olhos pareciam arder de fúria. "Sophia! Você tem perseguido Erica desde que chegou. Ela se rebaixou para agradá-la, e você continua atacando-a?"
Erica se aconchegou em seus braços, choramingando de forma lamentável. "Não culpe Sophia. Talvez eu tenha feito algo para irritá-la."
Eu sorri com desdém, limpando a água do rosto, meu olhar gelado varrendo a multidão e pousando no canto superior esquerdo do teto. "Roderick, em vez de me acusar, confira a câmera de segurança lá em cima. Ela mostrará exatamente quem começou isso."
Roderick protegeu Erica, seu tom inabalável. "Não é necessário! Confio em Erica. Ela nunca mente! Sophia, peça desculpas!"
"Basta." Jones interrompeu, aproximando-se de mim, seu olhar frio ao olhar para Roderick. "Roderick, não é da sua conta dizer isso."
Ele se virou para Erica, ainda soluçando, seu tom carregando um aviso. "Erica, saiba quando parar. Conferir as imagens não lhe trará benefícios."
Erica empalideceu, sabendo que Jones não era alguém a ser desafiado. "Não sou mesquinha. Pelo bem de Roderick, vou perdoar a ofensa de Sophia desta vez."
Roderick rapidamente a apoiou, conduzindo-a escada acima.
Jones me entregou uma camisa branca limpa com um toque de desculpa. "Troque por esta. Não pegue um resfriado."
Peguei e fui a um quarto de hóspedes para me lavar.
A camisa de Jones carregava um leve aroma de cedro.
Combinei-a com jeans justos, deixando a gola aberta para revelar um pouco da clavícula, meu cabelo molhado amarrado solto.
Jones avistou meu visual casual, um brilho fugaz de admiração em seus olhos. "Essa camisa fica ótima em você."
Ele me elogiou abertamente e então fez um convite. "Há uma reserva natural atrás da vila com belas vistas. Quer dar uma volta?"
Assenti levemente.
Caminhamos pelo passadiço de madeira ao longo do rio, a brisa da noite aliviando a tensão anterior.
Olhei para a água e falei de repente. "Quando eu era criança treinando em uma base próxima, vi um garoto cair neste rio e pulei para salvá-lo."
Jones parou, seu rosto cheio de surpresa. "Você quer dizer aqui?"
Ele hesitou, seu tom complexo. "Roderick favorece tanto Erica porque, quando criança, ele se perdeu aqui, caiu no rio, e ela o salvou."
Eu congelei, depois ri. "Que coincidência. Este rio parece ter histórias de heróis e resgates."
Jones riu, brincando. "Talvez seja um rio que espera para engolir meninos desavisados, esperando que meninas os salvem."
Compartilhamos um sorriso, o clima se tornando mais leve.
Quando a noite caiu, me despedi educadamente.
Meu assistente chegou para me buscar. No carro, dei uma ordem firme. "Puxe as imagens de vigilância próximas ao rio da base, de dez anos atrás."
Meu olhar se voltou para a noite lá fora, meus olhos se aguçando.
Erica também salvou Roderick lá?
O mundo não tinha coincidências tão perfeitas.
No andar de cima, Roderick aplicava suavemente pomada na pele de Erica.
Erica se aconchegava nele, um sorriso presunçoso curvando seus lábios.
Ela ainda não sabia que uma tempestade estava se formando, uma que desvendaria todas as suas mentiras cuidadosamente elaboradas.