Olhei para Matteo e para os homens, senti meu coração acelerar.
— Por favor, por favor, não me levem!— implorei.
— Entra no carro agora, porra!— Matteo gritou e eu obedeci.
Entrei e sentei no banco de trás, e logo os dois capangas de Matteo cobriram meu rosto com um saco preto. Eu estava apavorada, isso não fazia parte do plano. Depois que a minha família sequestrasse Milena, eu voltaria para Sicília e terminaríamos o plano.
— Por favor, Matteo... Me deixa sair!— implorei.
— Cala a boca!— ele gritou e eu obedeci rapidamente.
Eu não sabia para onde ele estava me levando e muito menos o que ele iria fazer comigo, só sabia que provavelmente ele iria me matar. Depois de alguns minutos que mais pareciam horas, senti o carro parar, e fui puxada para fora do carro. Os capangas me guiavam e alguns minutos depois, retiraram o saco da minha cabeça. Eu estava em um quarto, ele não estava muito limpo, provavelmente era onde Matteo matava suas vítimas.
Os capangas então me jogaram no chão e se retiraram enquanto Matteo entrou, portando uma arma nas mãos.
— Sua vadia! Quem armou tudo isso com você? Para onde levaram a minha filha?— ele gritou apontando a arma para mim.
Me recuei no fundo do quarto e olhei para Matteo assustada, se eu contasse a verdade, seria morta.
— Não sei do que está falando... Por favor, me deixe ir!— implorei aos prantos.
— Você foi a última pessoa a ver minha filha, mandou ela ir sozinha até o ônibus, isso não pode ser uma mera coincidência. Você planejou isso com alguém, me diga, ME DIGA AGORA, COM QUEM VOCÊ PLANEJOU!— Matteo gritou novamente.
— Eu... Eu.
De repente ouvi um disparo, e senti uma dor aguda. Matteo havia atirado em minha perna.
— Porra!— gritei enquanto apertava a ferida que jorrava sangue.
De repente a porta atrás de Matteo se abriu e um rosto familiar entrou.
— O que está acontecendo?
Matteo olhou para trás ainda apontando a arma para mim, e viu o homem. O homem me olhou e arregalou os olhos.
— Quem é essa Matteo?— ele perguntou me encarando, enquanto eu apertava o ferimento e gemia de dor.
— Milena desapareceu, e essa vadia foi a última a vê-la! Ela era professora da minha filha.— Matteo exclamou me olhando.
— Calma, Milena desapareceu? Meu deus, minha sobrinha!— o homem exclamou. Como se notasse minha presença de novo, ele me olhou.— Matteo, você não pode matar a professora só porque ela foi a última a ver Milena, ela pode não estar envolvida com isso, sei que está bravo, mas pensa com calma meu irmão.— o homem disse colocando a mão no ombro do irmão.
Matteo me olhou e eu gemi de dor.
— Por favor, eu já disse que eu não tenho nada haver com o sumiço da garota, eu gostava muito dela. Eu te ajudo a procurar, vou fazer de tudo para ajudar a encontrar ela, mas me trás um médico!— implorei apertando o ferimento.
— Que fique claro que eu não confio em você, e você só vai sair daqui, quando a minha filha aparecer.— Matteo disse e se retirou.
Assim que Matteo saiu, o homem se aproximou e me pegou no colo. O nome do homem era Gabriel, era um grande "amigo" do meu pai, ele era irmão de Matteo e sub-chefe da máfia Adsa. O que Matteo não sabia, era que seu próprio irmão estava envolvido com o sumiço de sua filha.
— Que merda você faz aqui Yhelena?— Gabriel perguntou.
— Droga, Gabriel! Ele me sequestrou enquanto eu voltava para casa.— disse para Gabriel, enquanto ele me carregava para a enfermaria que havia na casa.
— Tenho que avisar seu pai...— Gabriel disse correndo comigo nos braços.
Ao chegar na enfermaria, algumas enfermeiras fizeram os primeiros socorros, enquanto os médicos que haviam na casa, preparavam o lugar para fazer a cirurgia para tirar a bala da minha perna. Me deram anestesia, e eu dormi em poucos segundos.
No dia seguinte acordei em um quarto muito bem decorado, era tudo muito luxuoso, o quarto era decorado em tons mais escuros, o que fazia um lindo contraste com o mármore preto da parede.
Olhei para a porta, e vi Matteo encostado na guarnição. Ele me encarou e senti cala frios percorrerem todo o meu corpo. Depois de alguns minutos nesse clima tenso, Matteo se retirou sem dizer uma única palavra. Soltei um suspiro, Matteo me causava medo.
Alguns minutos depois, Gabriel apareceu e se aproximou.
— Bom dia Yhelena, como está se sentindo?— Gabriel perguntou seriamente, enquanto se aproximava para se sentar na cama.
— Bem... Só que, o Matteo, não parece nada feliz comigo aqui.
— E você esperava que ele ficasse como? Ele jura por tudo, que você está envolvida com o sumiço de Milena.— Gabriel disse baixinho, para que só eu escutasse.
— Eu... Não sei.— suspirei.— Me ajuda a sair daqui Gabriel, por favor, se ele descobrir que eu sou filha do chefe da máfia Mikazia, ele vai me matar.
— Fica quieta, e não repita isso novamente! Não tem como você sair daqui, vai ter que entrar no jogo do Matteo, já avisei seu pai, e ele já planejou algo.— Gabriel disse seriamente.
Suspirei frustrada, e um homem apareceu na porta do quarto.
— Senhor Gabriel?— o homem chamou.
Gabriel virou rapidamente, e o homem continuou.
— Você está sendo solicitado na mesa do café da manhã. — O homem disse rapidamente e se retirou.
Gabriel me encarou, e se retirou sem dizer nada. O que será que houve? Por mais que eu quisesse saber, não conseguia levantar da cama, e provavelmente Gabriel iria me contar depois.
Um tempo se passou, e Gabriel voltou com uma bandeja. Ele se aproximou e se sentou em minha cama me entregando a bandeja de café da manhã.
— Matteo reuniu uma equipe para investigar o desaparecimento de Milena, o plano está funcionando...— Gabriel disse com um sorriso no canto da boca.
— Isso quer dizer, que vou poder voltar para casa rápido...
— Sim, mas até lá, você precisa fazer que o Matteo acredite que você não teve nada haver com o desaparecimento de Milena. Como você disse que iria ajudá-lo, você irá fazer isso.— Gabriel disse seriamente, enquanto me olhava nos olhos.
Concordei com a cabeça e comecei a tomar meu café da manhã.
...
2 semanas já haviam se passado, eu já estava conseguindo andar, ainda que mancasse um pouco. Matteo nem falou comigo nessas duas semanas, mas Gabriel sempre me atualizava sobre tudo o que ocorria na casa. A equipe de investigação de Matteo não estava conseguindo avançar, não haviam pistas.
Hoje a noite, o clima estava fresco e eu e Gabriel estávamos jantando juntos na sala de jantar, pois Matteo havia ido em uma reunião para resolver algumas questões.
— Acho que seu pai vai querer prosseguir com o plano, ele vai começar a deixar pistas...— Gabriel sussurrou.
— Já estava na hora!
— Ele só estava esperando você melhorar, ficou preocupado com você.— Gabriel exclamou.
De repente ouvi a porta bater, e em segundos Matteo estava na sala de jantar.
— O que ela está fazendo aqui?— Matteo perguntou.
Gabriel me olhou, e eu olhei para Matteo.
— Eu... A retirei do quarto para jantar.— Gabriel disse rapidamente.
— Porque não deixou ela jantar no quarto?— Matteo perguntou novamente, ele parecia furioso.
— Os médicos pediram para ela sair um pouco do quarto, para ela caminhar, por causa da perna.— Gabriel respondeu rapidamente.
Matteo me encarou, e eu abaixei a cabeça.
— E como você está se sentindo?— ele perguntou me encarando.
Encarei Matteo, e me surpreendi com a pergunta, contando que ele mal falava comigo.
— Estou melhor.
Matteo encarou Gabriel e disse rapidamente.
— Amanhã, nós iremos para Veneza para um baile beneficente da máfia. É um grande negócio que a nossa família está fechando, e tio Theobaldo está na direção do baile. Não podemos faltar.— Matteo disse seriamente.
— Mas, você vai conseguir ir? Porque, vamos ser sinceros meu irmão, essas duas semanas, você mal está dormindo ou comendo.— Gabriel disse aparentemente preocupado.
— Preciso fazer algo para... Distrair minha mente.— Matteo disse com a voz triste, seus pensamentos pareciam distantes. Mas se recompondo rapidamente, ele me olhou e continuou a falar.— Preciso que ajude ela a escolher um vestido.
— Yhelena vai?— Gabriel perguntou surpreso.
— Vai. Não vou deixar a única pista do paradeiro da minha filha, aqui. Amanhã, vão trazer alguns vestidos para ela, e preciso que ajude ela a escolher.— Matteo disse firmemente.
Olhei para Matteo, e ele se aproximou de mim me olhando nos olhos.
— Me escute com atenção, amanhã você vai estar entre a minha família, e não adianta tentar fugir, a casa vai estar totalmente vigiada. E se por acaso você conseguir fugir, eu vou atrás de você até no inferno se for preciso.— Matteo disse quase em um sussurro e se retirou rapidamente.
No dia seguinte, como Matteo disse, alguns vestidos chegaram e Gabriel me ajudou a escolher. Quando o vestido já havia sido escolhido, Gabriel mandou que retirassem os que haviam sobrado. Em seguida, uma mulher chegou, ela estava muito entusiasmada.
— É ela? Como ela é linda!— a mulher exclamou.
Olhei para as mulheres e depois para Gabriel confusa.
— Ela irá te aprontar para o baile...— Gabriel disse seriamente.
— Hó minha querida, não se preocupe, você ficará linda!— a mulher disse sorridente. Em seguida olhou para a minha perna e vi seu semblante mudar.— O que houve com a sua perna?
— Você é paga para trabalhar, não para conversar, se apresse para fazer seu trabalho.— Gabriel interrompeu rapidamente e a mulher ficou quieta.
A mulher arrumou uma bancada com algumas maquiagens e pincéis, como eu já havia tomado banho, ela começou a me maquiar. Alguns longos minutos depois, ela terminou e começou a arrumar meu cabelos, enquanto Gabriel me observava do canto da sala. Assim que a moça terminou, ela foi embora e Gabriel se retirou do quarto para eu me trocar.
Coloquei o vestido e me olhei no espelho, eu fiquei congelada com o meu reflexo. O vestido era dourado, todo trabalhado em pedrarias e brilho, ele era longo e tinha o estilo sereia com um decote em coração. Meus cabelos ruivos estavam presos em um coque despojado, que fazia contraste com a minha maquiagem e meus olhos verdes. A maquiagem tinha tons quentes, como laranja e dourado, combinando perfeitamente com o esfumado marrom, o que me deixava com o olhar marcante. Eu estava linda. Coloquei um sapato baixo, e mancando um pouco saí do quarto.
Tinha um homem na porta do meu quarto, provavelmente estava me vigiando, ele me acompanhou até às escadas que davam para o hall de entrada, onde Matteo e Gabriel me esperavam.
Desci as escadas apoiando no corrimão, enquanto sentia os olhares de Matteo e Gabriel em mim. Ao chegar no fim da escada, Gabriel se aproximou e me ajudou. Fomos para o carro, e me preparei para as longas 3 horas de viagem até Veneza.
Quando finalmente chegamos na casa onde ocorreria o baile, já estava anoitecendo e pude ver os carros luxuosos em frente a mansão. Na frente da mansão estava toda e imprensa, tirando fotos de todos que entravam, afinal todos queriam aparecer nos blogues e revistas comparecendo a um baile beneficente, é bom para a imagem. Mas a verdade que nenhum desses paparazzis sabiam, é que o baile beneficente era só para acobertar algum acordo sujo da máfia.
Eu, Matteo e Gabriel entramos na enorme mansão e eu me impressionei com o lugar, tudo estava luxuosamente decorado em tons de dourado e branco. Haviam várias mesas espalhadas pelo hall, e uma mesa com diversas comidas que atravessava o local de um lado ao outro. No canto do estacionamento, havia uma orquestra que tocava suavemente algumas canções, o que combinava perfeitamente com o local e as pessoas que ali estavam. As pessoas exibiam suas roupas mais chiques e glamourosas, o que demonstrava que todos ali tinha muito dinheiro. De repente vi um homem gordo e calvo se aproximar.
— Matteo e Gabriel, que surpresa extraordinária! Pensei que não iriam vir, por causa dá... Milena.— o homem disse aparentemente receoso ao citar o nome da menina.
Matteo me encarou e olhou para o homem.
— Oi tio... Eu não perderia esse baile.— Matteo disse firmemente.
O tio de Matteo sorriu francamente, e olhou para Gabriel.
— Gabriel meu caro, como está?— ele perguntou com um enorme sorriso.
— Bem tio, na medida do possível.
O homem me olhou, e como se ignorasse minha existência voltou sua atenção para Matteo.
— Vocês estão lindos!— ele disse gentilmente.— Preciso ir agora, aproveitem a festa.
O tio deles não estava mentindo. Matteo estava muito elegante e sexy usando um terno totalmente preto, o que destacavam sua pele bronzeada. Enquanto Gabriel usava um terno azul marinho, que fazia um contraste perfeito com seus olhos azuis.
Matteo olhou para a multidão de pessoas e Gabriel fez o mesmo.
— Acho melhor ir pegar um bebida, a noite será longa.— Gabriel disse olhando a multidão.— Querem?
Eu e Matteo respondemos que não e Gabriel foi buscar a bebida, logo ele me encarou.
— Eu preciso... de um ar. Pode aproveitar a festa, mas te lembro que está sendo vigiada.— Matteo disse seriamente e começou a andar entre as mesas e entrar em um corredor.
Poderia ser o momento perfeito para fugir, mas conhecendo a máfia, a casa estaria completamente vigiada e com ordens precisas para não me deixar sair. Então a única opção era provar para Matteo que eu estava ao seu lado, e ganhar sua confiança.
Fui atrás de Matteo e o encontrei em uma varanda que dava para o jardim da mansão. Ao me ouvir chegar, Matteo se virou rapidamente e ao me ver, soltou um suspiro de frustração.
— O que faz aqui?— ele perguntou.
— Fiquei preocupada, você não parecia muito bem.— disse suavemente.
Matteo deu um sorriso sarcástico e balançou a cabeça.
— Por favor Yhelena, eu não sou burro. Está somente procurando a melhor oportunidade para fugir...— Matteo disse me olhando nos olhos.
De repente ouvimos um telefone tocar, Matteo olhou ao redor, e seguiu o som do telefone. Segui Matteo, e vimos que o som vinha de uma sala que ficava no mesmo corredor que dava para a varanda. Matteo abriu a porta e nos deparamos com um escritório, era estranho pois não havia nenhum guarda no escritório, contando que era o escritório de um mafioso.
— É o escritório do meu tio Theobaldo, ele nunca deixa está sala sem guardas, provavelmente estão todos lá fora.— Matteo sussurrou e entrou.
Segui Matteo e entramos no escritório. O telefone continuou a tocar e quando Matteo iria atender, ouvimos a voz do tio de Matteo.
— Estão ligando a muito tempo?— ele perguntou para alguém.
— Não senhor, assim que escutei, fui lhe chamar.— alguém respondeu.
Matteo então me empurrou e nos escondemos em baixo da mesa. Ouvimos Theobaldo entrar e estender a mão para atender o telefone.
— Alô?— ele esperou por alguns segundos e finalmente disse alguma coisa.— Sim, ele está aqui. Comentei sobre Milena com ele, mas não disse nada. A família inteira já sabe que ela sumiu.
Matteo me olhou confuso, e fez sinal para que eu ficasse quieta. Depois de alguns minutos, Theobaldo continuou.
— Que bom que meus serviços foram úteis, mas não trabalhei sozinho.— ele disse com a voz entusiasmada.— Sim, está tudo no pen drive que me enviaram, irei dar um fim nele. Só que nesse instante eu preciso voltar, antes que sintam a minha falta.
Depois de mais alguns minutos, Theobaldo desligou e se retirou da sala. Saímos de baixo da mesa e Matteo se apoiou nela tentando entender o que havia acabado de acontecer.
— Que porra aconteceu aqui?