Capítulo 2

ARIA POV

O homem parou a poucos passos à minha frente.

De perto, ele era ainda mais intimidante. Alto, calmo, com ombros largos. Parecia ter completo domínio sobre si mesmo.

As luzes vermelhas do salão iluminavam seu rosto, projetando sombras escuras ao longo do maxilar. As mangas da camisa estavam dobradas até os antebraços, revelando mãos fortes, cobertas de tatuagens que pareciam acostumadas a serem obedecidas.

Ele me estudava em silêncio. Não estava apenas olhando - estava me observando. Como se eu fosse algo interessante que ele acabara de descobrir.

Então ele falou:

- Primeira vez aqui.

A voz dele carregava autoridade.

Não era uma pergunta.

Minha espinha se endireitou imediatamente. Era tão óbvio assim? Levantei o queixo, tentando não parecer nervosa.

- Está tão na cara? - perguntei.

O canto da boca dele se ergueu levemente.

- Só para quem conhece bem este lugar - respondeu, cheio de confiança.

Algo naquela calma e segurança dele fez meu estômago se contrair. Ele estendeu a mão na minha direção.

- Adrian.

Só Adrian. Sem sobrenome.

Hesitei por meio segundo antes de colocar minha mão na dele.

O aperto era quente e firme, mas gentil.

No instante em que nossos dedos se tocaram, quase puxei a mão de volta.

- Aria - eu disse.

Os olhos dele desceram por mim, me avaliando.

- Aria - repetiu devagar.

A forma como ele pronunciou meu nome fez um calor subir pela minha nuca. Depois seu olhar percorreu o salão antes de voltar para mim.

- Você está observando tudo com muita atenção - comentou de repente.

Franzi a testa.

- O que isso significa?

Ele inclinou a cabeça ligeiramente.

- As pessoas que frequentam este lugar ou que vêm com frequência não ficam tão chocadas.

Cruzei os braços.

- Talvez eu seja apenas observadora.

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele.

- Talvez.

Então ele se inclinou um pouco mais perto, baixando a voz apenas o suficiente para que só eu ouvisse.

- Ou talvez você tenha entrado em algo que não entende... algo perigoso.

Um arrepio suave desceu pela minha espinha.

Desviei o olhar dele e olhei novamente ao redor do salão.

Correntes pendiam do teto. A música baixa preenchia o ambiente. Pessoas se moviam ao nosso redor como se aquilo fosse completamente normal para elas.

Mas para mim... ainda parecia irreal. Eu nem sabia que um lugar assim existia.

- Que lugar é este, exatamente? - perguntei baixinho.

Adrian seguiu meu olhar com calma.

- É um clube privado.

- Isso eu já tinha percebido.

A expressão dele não mudou.

- É construído sobre regras, confiança, controle, submissão e dominação.

A última palavra fez algo se torcer dentro do meu peito.

Controle.

Eu havia passado a vida inteira sob o controle de outra pessoa. Meu pai decidia tudo por mim: escola, amigos, agenda. Até a forma como eu me vestia em eventos como o de hoje.

Adrian continuou, com a voz calma e controlada:

- Nada acontece aqui sem que as duas partes concordem.

Pisquei.

- Isso é... surpreendente.

Ele me olhou.

- Por quê?

Dei de ombros levemente.

- Não parece ser assim.

O olhar dele suavizou um pouco, como se entendesse exatamente o que eu queria dizer.

- Aqui o controle é escolhido - disse ele. - Não imposto.

Aquela frase ficou ecoando na minha mente por mais tempo do que deveria.

Escolhido.

Por algum motivo, aquela ideia me fascinava.

De repente me lembrei de algo e me virei rapidamente.

- Ashley?

Meus olhos vasculharam o salão, mas ela não estava mais ao meu lado. Girei o corpo.

- Ela estava bem aqui.

Adrian seguiu meu olhar com tranquilidade.

Então olhou para o outro lado do salão e acenou de leve com a cabeça.

- Ela saiu com alguém.

Meu coração deu um salto.

- O quê? - arquejei, chocada.

Ele voltou a me olhar.

- Relaxa. Ela está bem.

- Você parece bem certo disso - respondi.

- Eu conheço as pessoas daqui - retrucou, e a confiança na voz dele tornava difícil discutir.

Mesmo assim, meu peito ficou apertado. Foi então que percebi: eu estava sozinha.

Completamente sozinha com ele.

Adrian pareceu notar a mudança na minha expressão.

- Você está pensando em ir embora. Está com medo - disse.

Pisquei.

- Como você sabe disso? - perguntei, surpresa.

- Porque uma parte de você parece excitada e iluminada - respondeu calmamente. Fez uma pausa. - ...e a outra parte está apavorada.

Soltar uma risada nervosa.

- Talvez você esteja só chutando - murmurei, tentando soar corajosa.

Os olhos escuros dele prenderam os meus.

- Eu nunca chuto - rosnou.

Por um momento, nenhum de nós falou.

A música pulsava suavemente ao nosso redor. Pessoas circulavam pelo salão, rindo, conversando, sussurrando, se beijando e transando.

Mas, de alguma forma, o espaço entre nós parecia estranhamente silencioso.

Então Adrian ergueu a mão e gesticulou para o corredor atrás de mim.

- A saída fica por ali.

Meus olhos seguiram a direção que ele apontou. Depois ele gesticulou para o interior mais profundo do clube.

- Ou... - A voz dele baixou um tom. - Você pode ficar.

Meu coração acelerou.

- ...e descobrir por que as pessoas vêm aqui.

Engoli em seco.

Pela primeira vez em anos, ninguém estava me dizendo o que fazer. A escolha estava nas minhas mãos.

Olhei mais uma vez para a saída. Se eu fosse embora agora, tudo voltaria ao normal.

As regras do meu pai. A vida controlada por ele.

Então olhei de volta para Adrian. Algo rebelde se acendeu novamente no meu peito.

- O que acontece se eu ficar? - perguntei baixinho.

Adrian me estudou por um longo momento. Depois estendeu a mão e segurou a minha com gentileza.

Meu coração falhou uma batida.

- Então eu te mostro - sussurrou, com a voz mais grave e sombria.

Meu coração martelava forte no peito enquanto ele se virava e começava a me guiar para o interior do clube.

A música ficava mais alta, as luzes mais escuras.

E enquanto eu o seguia para só Deus sabe onde, um único pensamento ecoava na minha mente.

Talvez esta noite mudasse tudo.

Ou talvez...

Eu tivesse acabado de tomar a decisão mais perigosa da minha vida.

Capítulo 3

ARIA POV

Adrian não tinha pressa. Ele ia com calma, o que me deixou um pouco mais à vontade.

Ele me guiou por um corredor estreito com cortinas de seda preta. Quanto mais avançávamos, mais silencioso ficava. Meus saltos ecoavam alto no chão e meu coração batia acelerado a cada segundo.

Ele parou em frente a uma porta de madeira simples. Parecia comum por fora. Abriu devagar e se afastou para eu entrar.

A sala era menor que o salão principal. Uma lâmpada âmbar quente brilhava no canto, iluminando o espaço com suavidade.

No centro havia um largo banco de couro preto, com algemas presas em cada canto. Na outra extremidade, uma barra mais longa chamou minha atenção.

- O que é isso? - perguntei, apontando para a segunda peça e já indo em direção a ela, mas Adrian segurou minha mão, me impedindo de avançar.

- Barra separadora. É usada para prender as pernas abertas.

Só de ouvir aquilo, apertei as coxas com uma antecipação inesperada. Mas não disse mais nada.

Na parede, vários instrumentos estavam organizados com cuidado: cordas de seda, tiras de couro, palmatórias e um flogger escuro. Eu conhecia tudo isso porque Ashley tinha me emprestado livros sobre o assunto. Nem desconfiava que ela curtia esse tipo de coisa.

Nada ali parecia violento. Tudo parecia cuidadosamente colocado.

Adrian fechou a porta atrás de nós. O clique suave deixou o ambiente ainda mais íntimo.

- Sem pressão - disse ele com calma. - Paramos no momento em que você disser "pare". Se disser "vermelho", tudo acaba imediatamente.

Assenti devagar.

- Tudo bem.

- Não vou aprofundar muito com você porque parece nova nisso.

Assenti novamente.

Ele se aproximou. Agora eu conseguia sentir seu cheiro: sabonete limpo, pele quente e um leve toque de cigarro.

Meu corpo reagiu imediatamente.

Meus mamilos endureceram sob o vestido e um calor lento se espalhou entre minhas pernas.

- Vire-se - ordenou com voz suave.

E eu obedeci.

Os dedos dele encontraram o zíper do meu vestido. Ele o desceu devagar, de forma sensual, enquanto o polegar deslizava pela minha nuca e descia pela coluna em movimentos circulares. O ar fresco tocou minhas costas conforme o tecido escorregava dos meus ombros.

O vestido caiu no chão.

Fiquei ali apenas de calcinha e sutiã de renda preta, ainda de salto.

Sem pensar, cruzei os braços sobre o peito, me sentindo exposta demais.

- Braços abaixados - comandou com voz rouca, o que me fez estremecer.

Baixei-os imediatamente.

Ele circulou ao meu redor devagar, os olhos percorrendo meu corpo. Não de um jeito que me fazia sentir desconfortável. Parecia mais que ele me estudava, me avaliava.

- Linda - murmurou. Seu olhar se fixou nos meus mamilos endurecidos, visíveis através da renda do sutiã.

A palavra fez um rubor subir pelo meu rosto e um calor se espalhar pela minha barriga.

Ele me guiou até o que imaginei ser o banco de bondage.

- Deite-se - sussurrou contra minha orelha. - De barriga para cima.

Não soava mais como o Adrian frio de antes.

Subi no banco de couro. Estava levemente quente e meu coração disparou.

Ele prendeu primeiro as algemas nos meus pulsos. O couro era macio e confortável.

Depois prendeu meus tornozelos.

Meu corpo ficou aberto e exposto. Testei as restrições levemente.

Elas me mantinham no lugar.

Ele ficou ao meu lado, olhando para baixo. Meus seios completamente à mostra para ele.

- Cor? - perguntou.

- Roxo - sussurrei.

Ele pegou um pedaço de seda preta.

- Venda?

Hesitei, depois assenti.

A seda cobriu meus olhos e a escuridão tomou conta. De repente, cada pequena sensação ficou mais intensa: o ar fresco na pele, o som da respiração dele, o movimento suave do couro.

Os dedos dele roçaram de leve minha clavícula.

Depois desceram para o meu peito, para os meus seios. Circulou um mamilo gentilmente por cima do sutiã, provocando uma sensação que eu nunca tinha sentido antes.

Soltei um suspiro suave.

- Boa menina - murmurou.

O elogio fez um calor percorrer meu corpo inteiro.

Ele tirou meu sutiã devagar, com maestria. O ar frio tocou minha pele, me fazendo estremecer.

Então sua boca substituiu o frio.

Seus lábios quentes envolveram meu mamilo endurecido. A língua dele se movia devagar ao redor, enviando ondas de prazer pelo meu peito.

Arqueei o corpo levemente contra as algemas.

Ele beijou descendo pela minha barriga até a coxa, bem devagar.

Quando deslizou minha calcinha pelas pernas, um gemido suave escapou dos meus lábios.

Agora eu estava completamente exposta. A respiração dele roçava a parte interna das minhas coxas.

Tão perto, mas ainda não o suficiente.

- Me diga o que você quer - disse ele baixinho.

Mordi o lábio.

- Eu... não sei - respondi, achando difícil admitir o que eu desejava.

- Sabe sim.

Os dedos dele traçaram o caminho entre minhas coxas, mal tocando.

Gemi.

- Por favor...

- Por favor o quê? - perguntou suavemente.

- Me toca - pedi, me contorcendo sem controle.

- Onde?

Meu rosto queimava.

- Entre as minhas pernas.

Ele sorriu, satisfeito. Devagar, deslizou um dedo pela minha umidade, circulando meu clitóris.

Depois parou.

Gemi novamente.

- Paciência - murmurou.

Então enfiou dois dedos dentro de mim. Movimentou-os devagar no começo, pressionando meu clitóris até uma explosão de prazer me fazer gritar.

Meu corpo se arqueou.

Ele acelerou. Minha respiração ficou entrecortada.

Continuou com os dedos, depois substituiu um deles pela língua. O prazer explodiu pelo meu corpo.

Gozei com um grito alto, as pernas tremendo e as costas se arqueando contra as algemas.

Ele não parou, prolongando o orgasmo até eu estar tremendo inteira.

- Por favor... Adrian... está demais...

Ele finalmente diminuiu o ritmo. Beijou minha coxa com carinho.

Fiquei ali tremendo, tentando recuperar o fôlego. Ele removeu a venda.

A luz suave voltou e os olhos escuros dele me observavam atentamente. Soltou as algemas.

Pensei que tinha acabado.

Mas não.

Ele me ajudou a levantar e me inclinou com cuidado sobre a borda do banco. Meu peito pressionado contra o couro, quadris erguidos no ar.

A mão dele deslizou devagar pelas minhas costas.

- Você está tremendo - disse.

- Eu sei - respondi, ainda abalada pelas ondas de prazer.

- Ainda roxo?

- Sim.

A mão dele acertou minha bunda de leve.

Arquejei.

Outro tapa veio, um pouco mais forte. Ele continuou dando palmadas, esfregando e acalmando com as mãos.

A ardência logo se transformou em prazer. Gemi, aproveitando cada segundo.

Ele continuou devagar, criando um ritmo constante até um calor se espalhar pela minha pele.

Então parou e beijou minha orelha com suavidade.

Ouvi o som do zíper dele. Um instante depois, senti algo grosso e quente pressionando contra mim.

Ele se inclinou perto da minha orelha.

- Diz sim - gemeu.

- Sim - sussurrei. - Por favor.

Com isso, ele entrou em mim devagar. A sensação foi profunda e incrível.

Um gemido entrecortado escapou dos meus lábios.

Ele me fodeu com força, segurando meus quadris com firmeza. Uma das mãos deslizou para frente e voltou a tocar meu clitóris.

Movimentava-se rápido, cada vez mais fundo. A cada estocada ele dava um tapa na minha bunda, fazendo-me gritar mais alto.

Minutos depois gozei com força, as pernas tremendo descontroladamente.

- A... Adrian... - gritei o nome dele sem pensar.

Pouco depois ele gozou também, derramando seu gozo quente nas minhas costas, a respiração pesada contra meu pescoço.

Depois, ele me envolveu com um cobertor macio e me puxou para perto.

Encostei o rosto no peito dele, ouvindo as batidas do seu coração.

Pela primeira vez em anos, me senti calma, livre.

Viva.

*************************************************

Quando acordei mais tarde, a sala estava silenciosa.

Uma luz dourada suave preenchia o espaço, vinda da pequena lâmpada no canto. Por um momento, fiquei imóvel, tentando lembrar onde estava.

Então as memórias da noite voltaram lentamente.

O clube.

Adrian.

Meus lábios se curvaram num pequeno sorriso enquanto eu virava para o lado.

Mas a outra metade do banco estava vazia.

O cobertor ao meu lado estava frio.

Meu sorriso desapareceu no mesmo instante.

- Adrian? - chamei baixinho.

Minha voz soou estranha no silêncio da sala.

Nenhuma resposta.

Sentei-me devagar, o cobertor escorregando até meu colo. Meu corpo ainda estava quente e dolorido do que havíamos feito.

A sala estava igual: o banco de couro, a luz fraca, os brinquedos arrumados na parede.

Mas ele havia sumido.

Olhei ao redor mais uma vez, procurando qualquer pista.

Foi quando notei o pequeno papel dobrado na mesa ao lado do banco.

Meu peito apertou enquanto eu o pegava.

Por algum motivo, hesitei antes de abrir.

Finalmente desdobrei o bilhete.

A mensagem era curta:

__Às vezes o prazer é para ser vivido apenas uma vez, e guardado como memória.__

**A**

Fiquei olhando para as palavras por um longo tempo.

Uma dor estranha se formou no meu peito. Não fazia sentido, eu mal o conhecia.

Tinha sido apenas uma noite.

Apenas algumas horas com um homem cujo sobrenome eu nem sabia. Mesmo assim, parecia que eu o conhecia a vida inteira. Meu coração se partiu em vários pedaços.

Dobrei o bilhete devagar e coloquei de volta na mesa.

Levantei-me e juntei minhas roupas do chão com os olhos cheios de lágrimas.

Minhas pernas pareciam fracas enquanto me vestia.

Quando finalmente saí da sala, o clube ainda estava movimentado. Homens e mulheres faziam suas coisas.

A música tocava baixinho ao fundo.

As pessoas riam, conversavam e se moviam sob as luzes fracas como se nada tivesse mudado.

Caminhei em silêncio pela multidão, olhando para baixo. Ninguém me parou, ninguém pareceu notar minha saída.

Quando cheguei à porta de saída, empurrei-a e saí. Pensei em Ashley, mas sabia que ela ficaria bem.

A brisa fresca bateu na minha pele.

Inspirei profundamente, deixando o ar frio encher meus pulmões.

Por um momento, fiquei parada na calçada, olhando para a rua escura à frente.

Então comecei a andar. Não olhei para trás, para o prédio.

Lágrimas embaçavam minha visão, mas eu as pisquei para longe.

Dizia a mim mesma que não importava. Tinha sido apenas uma noite.

Apenas um momento, apenas uma memória para guardar. Era só isso que deveria ser.

Mas torcia para estar errada. Torcia para vê-lo novamente.

E esse pensamento me assustava mais do que tudo.

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