Capítulo 2

Seu olhar foi significativamente para a taça de champanhe. 

— Vamos primeiro a esta festa e negociaremos mais tarde, quando você estará com um humor melhor. 

Antonella entendeu a deixa. Ele acha que pode baixar o preço quando ela estiver bêbada. 

— O preço não é negociável — diz ela com firmeza. — E terá de ser pago antecipadamente. 

Ele sorri minimamente. 

— Tenho certeza de que vamos chegar a um acordo em que ambos ficaremos felizes. — Antonella fez uma carranca. 

Ela foi ingênua. Seu plano é impreciso e ela não tem muitos argumentos para negociações de preços ou apostas. Ela ouviu através dos vidros do escritório onde trabalhou como secretária temporária, que seu chefe era um desses homens que estão dispostos a pagar dez mil libras para seu prazer, sem titubear. Mas, nunca achou que ele tentaria rebaixá-la para poder negociar. 

Enquanto Mase empanturra com queijo e biscoitos, ela se desculpa e vai para o banheiro. Há outra mulher de pé na frente do espelho. Ela olha para Antonella com uma mistura de inveja e desprezo. Antonella espera até ela sair, e em seguida, telefona para sua mãe. 

— Oi, mamãe. 

Onde está você, Antonella? 

— Ainda estou no restaurante. 

— Que horas você vai voltar para casa? 

— Vou me atrasar. Fui convidada para uma festa. 

— Uma festa? — a mãe repete preocupada. — Onde? 

— Não sei o endereço. Em algum lugar em Londres. 

— Como você vai chegar em casa? — Um fio de pânico se infiltrou na voz de sua mãe. Antonella suspira. Ela quase nunca deixou sua mãe sozinha à noite e consequentemente isso deixava-a uma pilha de nervos. 

— Eu tenho carona mãe. Só não espere por mim, OK? 

— Tudo bem. Você vai ter cuidado, não vai? 

— Nada vai acontecer comigo. 

— Sim, sim — diz a mãe, mas ela parece distraída e infeliz. 

— Como você está se sentindo, mamãe? 

— Bem. 

— Boa noite, então. Vejo você de manhã. 

— Antonella? 

— Sim. 

— Eu te amo muito. 

— Eu também, mamãe. Eu também. 

Desligou o telefone com um estalo. Ela não se sentia mais barata ou suja. Agora se sentia forte e segura. Não há nada que Magno possa fazer que vá humilhá-la. Ia conseguir o dinheiro, não importava o quê. Ela mal comeu, apenas observar ele sugar as ostras a fez se sentir enjoada, e como ela saberia que bife tartarré era carne moída crua? Ela reaplica o batom e vai ao encontro de Magno. 

— Vamos? — Magno perguntou, e antes que Antonella concordasse, ele imperiosamente estala seus dedos e pede a conta. Eles deixam o restaurante e uma vez lá fora, Magno chama um táxi preto. Está uma noite tão quente que Antonella carrega o casaco nas mãos. Rupert dá o endereço para o taxista e eles entram. O vestido dela levantou até as coxas, mas quando ela tenta puxá-lo de volta para baixo, ele coloca sua mão pálida sobre a dela e ordena com voz firme, 

— Deixe. 

Envergonhada, Antonella olha para o espelho retrovisor. O taxista os observava. Sem dizer nada, ela enrola seu casaco sobre os joelhos e vira o rosto longe de Magno, olhando para fora. Maldito. Enquanto ela olha para o nada, sente que a mão dele passa sob o casaco e sobre suas coxas. Mordendo o lábio, ela tenta ignorar, olhando para o lado, mas ele está arrastando a mão por sua coxa. Quando ele está quase em sua virilha, ela pega sua mão desagradável. Ela se vira para ele e o olha nos olhos. 

— Nós ainda não temos um acordo. 

— Verdade — ele diz, e tira a mão, mas o sorriso em seu rosto é provocativo e presunçoso. Ele sabe que ela precisa do dinheiro. 

O resto da viagem é feita em silêncio, enquanto o estômago de Antonella dá voltas. Ela está tão nervosa, que está realmente com medo de perder os poucos legumes que comeu vomitando no chão do carro. Felizmente, o táxi vira para a Avenida Bispo e para do lado de fora de uma casa grande e branca, de três andares, parecida com as do período histórico da Regência. Há carros de luxo estacionados ao longo do comprimento da rua. Magno paga o motorista do táxi e sobe um pequeno lance de escada para um conjunto de portas pretas. Ele toca a campainha e através das janelas altas Antonella vê o tipo de pessoas que só tem visto nas revistas. Impecavelmente vestidas e com joias. Ela olha para baixo, para seu vestido laranja barato, em desânimo e puxa a bainha, mas seus esforços de modéstia são contra produtivos, já que acaba destacando o seu decote. 

— Não se preocupe — Magno diz alegremente — Você vai ficar bem. 

Um homem acima do peso vestindo um antigo uniforme de mordomo abre a porta. Sua atitude sugere desdém. Ele pode dizer imediatamente que eles não pertencem ao local. Magno altivamente informa que eles são convidados de Blake Colleman. Os olhos do homem registram reconhecimento. Um vislumbre de um sorriso superficial. Ele acena educadamente com a cabeça e fica de lado para recebê-los. 

Antonella respira fundo, entra no grande corredor e abafa um grito ao ver o ambiente que a rodeava. 

Do lado de fora não parecia tão grande e espaçoso. Ela nunca foi a um lugar tão bonito e agora compreende o que Magno quis dizer e entende o significado do cheiro de dinheiro velho. As paredes são cobertas com pinturas de qualidade de um museu. Ela olha para os querubins Madona, com um olhar de admiração. Eles são tão bonitos que ela quer olhar com mais atenção, mas Magno a está guiando com firmeza pelo cotovelo em direção a uma espécie de antessala, onde uma jovem mulher pega o casaco em troca de um bilhete. 

A música clássica e as vozes emanam de duas portas abertas. Um garçom carregando uma bandeja de champanhe para na frente deles. Antonella quase não bebeu no restaurante, em um esforço para permanecer sóbria e equilibrada, mas agora sabe que deve beber ou nunca será capaz de passar por seu pacto com o diabo. Um diabo branco pálido e com caspa. 

Antonella pega uma taça e coloca a mão no braço do garçom, parando-o e bebendo o copo todo. As bolhas arderam pela sua garganta e fizeram seus olhos lacrimejarem. Ela devolve o copo vazio para a bandeja e pega outros dois. 

— Obrigada — diz ela, sem fôlego, e o garçom, um jovem do tipo mediterrâneo, permite que seus olhos escuros e inquietos passeiem até seu peito. 

Magno olha para ela com olhos selvagens, excitados. Ele a quer bêbada pois tem planos para ela. Ele a leva pela parte baixa de suas costas para uma das saletas. Antonella olha para a roupa das outras mulheres. Provavelmente custaram mais do que ela ganha em um ano. Ela sente muitos pares de olhos sobre ela e tem consciência de que se destaca como uma ferida no polegar. Ela olha para o quarteto de cordas e encontra seus olhos nela também. Droga de Colleman por convidá-los. Ela suga a taça de champanhe seco. Outro garçom passa e ela puxa mais um copo da bandeja. 

— Vá com calma — Magno a adverte. 

Ela se virou para ele com um sorriso brilhante. 

— Pensei que você me quisesse bêbada e flexível. 

Ele a pega pelo cotovelo e a leva para o fundo da sala, perto de uma grande palmeira. De costas para a festa ele diz — Eu não gosto de mulheres inconscientes, porra. 

Seus olhos se arregalam. O champanhe já subiu para a cabeça. Não há tempo melhor do que agora. Ela se sente corajosa novamente. 

— OK, estou pronta para falar dos termos agora. Certo, você não quer corpos inconscientes. O que você quer? 

Dos seus lábios veio o hálito frio. 

— Você já leu Cinquenta tons de cinza? 

Quase todas as outras meninas da agência leram o livro e ela estava atualizada sobre o assunto, enquanto elas ficaram entusiasmadas com isso, Antonella ficou confusa pela popularidade do livro. Será que todas as mulheres realmente têm um desejo secreto de ser propriedade de um homem poderoso? Poderia ser amor, quando um homem quer amarrá-la e açoitá-la nua? Quando ela mencionou isso para sua mãe, esta sorriu e astutamente observou — A mulher ocidental zombou das mulheres de burcas e agora veste uma coleira de cachorro e estão no mesmo patamar. 

Antonella olha em seus olhos claros. 

— Não, mas não é sobre um homem doente que abusa de sua amante? 

— Talvez não seja uma doença, mas uma questão de gosto. 

— É isso que você quer de mim? 

— Não é bem assim. O que eu gosto mesmo é de tomar uma mulher à força. Do ato perigoso, da probabilidade de acabar atrás das grades, por isso estou disposto a aceitar o estupro consensual. Você vai me encontrar em parques e becos, ou eu vou buscá-la no meu carro em um canto da rua e você vai fingir resistir enquanto eu irei dominá-la e estuprála. Haverá um pouco de dor e, às vezes, envolverá um pequeno sangramento, mas eu nunca vou marcar o seu rosto ou deixar cicatrizes permanentes. E quando terminar, vou deixá-la na sarjeta para fazer o seu próprio caminho de volta. Isso seria aceitável para você? 

Chocada, Antonella ouve a própria voz sair como se viesse de muito longe — Quantas vezes você esperaria esse… serviço de mim? 

— Digamos que cinco vezes? 

Ela sente como se fosse uma ave precariamente empoleirada em um fio fino. O rosto de Magno está congelado em uma máscara fria. Um homem de negócios até o fim. Dez mil deve ser o preço. O champanhe está fazendo ela se sentir muito tonta. Ele está esperando por algo dela e já descobriu que seu corpo é sua última opção. Ela pode realmente concordar em deixar alguém estuprá-la? Incapaz de falar, ela acena com a cabeça.

Capítulo 3

— Talvez eu deva deixar você lamber a borda para provar o veneno — ele murmura, e se aproxima dela. Instintivamente, ela dá um passo para trás com seu sapato alto, e se não fosse a parede sólida contra suas costas, cairia. Com as folhas da palmeira e seu grande corpo a escondendo, a mão dele chega até ela e belisca o mamilo direito. Tão forte que ela engasga numa mistura de choque e dor. Ele aproveita essa oportunidade para se enfiar em sua boca entreaberta e bate os dentes contra os lábios dela, empurrando a língua dura e pontiaguda em sua boca. Sua língua tem gosto de cobre amargo. 

Grande quantidade de saliva derrama em sua boca fazendo-a querer vomitar. Ela lembra das ostras que não comeu, mas o viu saborear e a lembrança pisca em sua memória. Sua língua está viscosa e suja. Ela quer escovar os dentes, lavar, cuspir e enxaguar novamente com o antisséptico bucal extra forte que seu pai costumava ter no armário do banheiro. Ela realmente precisa ir a algum lugar e vomitar, mas está presa firmemente por seu forte corpo de atleta contra a parede, ela se encontra totalmente incapaz de se mover e sente a força de sua mão entre suas coxas. Seus dedos ásperos já estão agarrando a borda da sua calcinha e empurrando o material para o lado. E não há uma única coisa que ela possa fazer sobre isso. Lágrimas se acumulam no fundo de seus olhos e começam a rolar pelo seu rosto. 

De repente, ele retira sua boca e olha para ela. Seu rosto está branco com horror e ela está tentando recuperar o fôlego. Ele traz uma mão e toca seu rosto. Sua angústia parece agradá-lo. Seu sofrimento é o seu prazer. Ela está fazendo o papel perfeitamente. Se tivesse gostado, teria arruinado tudo para ele. 

— A maior parte dos sintomas de excitação e medo são tão parecidos que a maioria dos homens não pode dizer a diferença. Mas eu sei — ele sussurra perto de seu ouvido, os dedos grossos se movimentam nas dobras de sua boceta — Vou te foder com os dedos entre todas essas pessoas altas e poderosas e nenhum deles jamais saberá. — Ela está cheia de ódio por ele. Seu cérebro luta pela fuga. 

— Você não se importa — ela sussurra de volta, através dos lábios horrorizados — Com o que essas pessoas vão pensar de nós? De você? Pensei que estivesse satisfeito em estar na companhia da nata da sociedade. 

Sua risada é dura e repentina. 

—Você viu alguém vir me cumprimentar ou falar comigo? Sou tão invisível quanto você, provavelmente mais. 

Ninguém está olhando para nós, porque ninguém se preocupa conosco. Nós somos os intrusos. 

Desesperada, ela empurra as palmas das mãos contra o peito dele. 

A náusea ameaça em sua garganta. 

— Preciso ir ao banheiro — ela engasga. 

Ele hesita por um segundo e, em seguida sorri. É o sorriso de um homem que está muito satisfeito consigo mesmo. Não é muito elegante dizer banheiro. Estas pessoas chamam de toalete. 

— Vá em frente, então — ele diz e fica de lado. 

A primeira coisa que seus olhos chocados e com vergonha encontram é Blake. Há uma loira com um vestido vermelho longo, enrolada em torno dele, mas ele está olhando para Antonella com uma expressão no rosto que ela não consegue entender. Seus olhos estão em chamas. 

Antonella fecha a boca, endireita os ombros, e se desencosta da parede, dando um passo adiante. Seus joelhos estão bambos e ela sente medo de cair, mas não cai. Ela precisa fugir. Ir para longe da cena de sua humilhação. Sente cabeças girando para vê-la, expressões desgostosas e sussurros. Ela tropeça indo em direção à porta e mal pode controlar a náusea. 

Ela não se atreve a abrir a boca para perguntar a ninguém onde estão os banheiros, mas vê duas jovens desaparecendo por um corredor e corre atrás delas. Elas a levam a um vestiário e ela as empurra, ignorando os gritos ofendidos e corre para um dos dois cubículos, cai de joelhos, vomita violentamente os pedaços de legumes que comeu e a champanhe. Uma das meninas pergunta se está bem e ela engasga, 

— Tudo bem — Ela as ouve ir para o outro cubículo e tranca a porta. 

Antonella se senta sobre os calcanhares e as lágrimas quentes vêm. Ela cobre a boca para abafar seus soluços pois fez papel de boba. O que vai fazer? O que vai fazer? Entorpecida, ouve as meninas no cubículo ao lado rindo sobre o que todas mulheres riem e conversam sobre homens. Em seguida, seus ouvidos captam os sons delas cheirando linhas de cocaína. Quando elas saem, ela libera o banheiro e abre a porta e percebe que não viu nada antes. Como a grande mobília. 

Há um grande espelho ornamentado de dourado que se estende ao longo da parede. O outro cubículo parece estar em uso e uma mulher magra, com cabelos perfeitos está sentada em uma das cadeiras dourada e creme, esperando sua vez. Há um ar de calma superior, sobre ela. Seus olhos curiosos se encontram brevemente com os de Antonella, antes dela entrar no cubículo que ela desocupou. 

Antonella fica na frente do espelho e olha para si mesma. Seu rosto está pálido e o rímel barato que comprou no mercado está manchado; os lábios estão como se ela tivesse sido picada por abelhas, e seus olhos estão vermelhos de tanto chorar. Isto foi o que Blake Colleman viu. Ela está parecendo exatamente como se sente. Suja. 

A mulher do outro cubículo sai. Ela parece idêntica à mulher que estava sentada na cadeira. Com um olhar rápido e surpreso em Antonella, vai para o outro lado do espelho. Ela acaricia o cabelo impecável, sacode de longe manchas de poeira imaginárias de seu vestido rosa suave. Antonella abre a torneira e enxágua a boca com água em abundância. Escavando água em suas mãos ela lava o rosto com sabonete e esfrega, depois seca com uma toalha de papel. Sem a maquiagem ela se sente indefesa.

Há um pervertido doente lá fora que quer violentá-la e deixá-la rasgada e sangrando em um beco. Você pode ir embora. Mande ele se foder. Mas ela não podia. Era tanto dinheiro. E ele sabia disso. Ela precisava daquele dinheiro. Pensou em pegar o dinheiro e não se entregar. O que ele poderia fazer? Não é como se ele pudesse ir à polícia ou recorrer à justiça por reembolso. Então, ela se lembra de seus olhos frios e perigosos. Não. De qualquer forma, ela sempre disse que preferia ser a pessoa que comprou a ponte de Brooklyn do que aquela que a vendeu.

Mais uma vez os seus pensamentos voltam para o homem Colleman. Por que ele ainda está em sua mente? Provavelmente, pela maneira como ele a olhou. Ninguém. Absolutamente ninguém a olhou assim.

Ela se entrega a um momento da fantasia. Talvez ele realmente a queira. Ele é podre de rico e irá simplesmente dar o dinheiro que ela precisa. Galante, ele irá se apaixonar por ela e irão se casar. Enquanto ela está de pé dentro dos seus sonhos, outra mulher abre a porta e entra. É a loira de vestido vermelho. Ela é alta e muito bonita, com um nariz aristocrático e olhos verde-garrafa e tem o mesmo ar superior de todas as pessoas nessa festa. O mesmo ar que Blake Colleman reivindicou para si mesmo.

Antonella não pode deixar de observá-la através do espelho. Seus olhos se encontram por um segundo, em seguida, se afastam da loira. Todo mundo sabe que ela não pertence a este lugar.

Antonella olha para seu reflexo. Com quem ela está brincando? Blake Colleman é o maior partido deste lugar. Simplesmente a maneira de Magno se comportar na sua presença disse isso. Ele estava, provavelmente, olhando para ela porque está vestida como uma prostituta e acha que realmente é uma. A única coisa real que ela tem é sua mãe. E não há nada que não vá fazer por ela. Antonella pensa em seu pai. Como facilmente se afastou quando ele era mais necessário. Quão fraco seu amor por elas foi. O dela é diferente. Ela não iria embora, mesmo que tivesse que andar em um caminho de espinhos. Vai sangrar, e essa será a prova de seu amor.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED