Capítulo 2

A jovem Petra estava sentada no sofá da sala, observando silenciosamente enquanto seu pai conversava com o Sr. Miller, um homem que ela nunca tinha visto antes. As palavras que seu pai falava eram difíceis de ouvir, mas Petra percebeu a expressão séria no rosto do Sr. Miller e se perguntou o que estava acontecendo.

De repente, o pai de Petra levantou o olhar e olhou para ela.

— Filha, eu tenho uma grande notícia para você — ele disse. — Você está prestes a se casar.

Petra ficou chocada e incrédula.

Seu pai explicou que Sr. Miller, era pai de Bryan Miller, noivo de Emma. Porém, devido ao acidente, Emma não queria mais se casar, Bryan precisava de uma esposa, então, ele tinha oferecido Petra para se tornar a noiva substituta da irmã, e se casar com Bryan.

Petra ficou indignada. Como seu pai podia ser tão insensível, forçando-a a se casar com um homem que ela não conhecia.

Ela protestava e tentava argumentar com o pai, porém, ele não estava aberto a negociações, ele já tinha descidido tudo.

Ela se recusou a ser "vendida" dessa forma, e começou a discutir com seu pai.

— Por que a Emma pode ter o direito de escolha e eu não? — pergunta Petra indignada.

— Por que a Emma já é adulta, agora você, você é menor de idade, eu sou responsável por você, então, eu mando em você. — diz ele falando em tom sério enquanto se aproximava de Petra. — e se eu estou falando que você vai se casar, é por que você vai. Conversa encerrada.

Assim Anton sai deixando sua filha ali, ainda processando o que tinha sido dito pelo seu pai.

Petra sobe correndo para seu quarto e se joga na cama, a mesma começa a chorar.

— Vejo que já está sabendo sobre seu destino. — diz Emma entrando no quarto e encarando sua irmã que estava deitada de bruços enquanto soluçava.

— Vai embora. — diz Petra sem olhar para a irmã.

Emma ri e se senta na cama.

— Aceite seu destino querida irmãzinha, você ficará para sempre ao lado de um homem inválido. — diz ela rindo. — enquanto eu vou estar viajando pelo mundo, gastando dinheiro e comprando tudo o que eu quiser. Você passará o resto da sua vida empurrando seu marido inválido em uma cadeira de rodas.

Petra não aguentava mais ouvir as palavras da sua irmã, a mesma se levantou bruscamente da cama e deu um tapa no rosto dela, o impacto foi tão forte que fez Emma cair da cama, por cima do braço.

Anton apareceu no quarto e seu olhar foi diretamente para Emma, que se contorcia de dor no chão, enquanto segurava seu braço. Ele correu até sua filha e a ajudou a se levantar, Emma chorava enquanto falava que seu braço estava doendo muito.

Os dois direcionaram seus olhares de desprezo para Petra, mas não falaram nada, apenas saíram, mas Petra acabou ouvindo Emma falar que ela iria se vingar.

Petra sabia que sua irmã era capaz de tudo, então ela ficou um pouco assustada. Mas, agora ela tinha problemas maiores, o maldito casamento.

Ela tinha completado dezessete anos recentemente, e já estava de casamento marcado, se isso já não era pior, ela não conhecia seu noivo. Talvez, ele nem se quer soubesse da sua existência.

Desolada com todos esses pensamentos, Petra continuou a chorar enquanto se perguntava o que seria da sua vida.

. . .

O sol ja estava quase se pondo, Petra caminhava lentamente pelo jardim, seus pés deslizando suavemente sobre as pedras no caminho. Ela olhava ao redor, notando as flores exuberantes e a brisa fresca que soprou em seu rosto. Ela se perguntava como poderia sentir tanta tristeza em um lugar tão bonito. Por um momento, Petra parou e olhou ao redor, observando as flores vibrantes e as árvores altas e imponentes que a cercavam. Era um lugar tão bonito, pensou ela, e no entanto, ela se sentia tão presa ali.

Era difícil para Petra pensar em sua vida sem sentir uma onda de desespero. Ela era uma adolescente, mas sua vida era governada por outras pessoas. Seu pai, especialmente, parecia determinado a controlá-la em todos os aspectos.

Petra suspirou quando pensou no assunto que mais a afligia. O casamento, no qual ela foi submetida a ser uma noiva substituta.

Ela nunca viu o homem em questão, mas soube que era um homem muito rico que seu pai havia escolhido para sua irmã, porém, em decorrência dos fatos, agora seria dela. Petra não tinha muito a dizer sobre o assunto - seu pai era muito claro que ela deveria se casar com ele.

— É como se eu não tivesse escolha — murmurou Petra para si mesma enquanto olhava para o céu. — Eu me sinto tão impotente.

O pai de Petra sempre fez de tudo para fazê-la se sentir impotente, rejeitada, humilhada. A mãe dela morreu no seu parto, e desde então, seu pai a maltrata, por que segundo ele, ela é a culpada pela morte de Stella, o grande amor da vida dele. Então, desde então, Anton não suporta a filha, até por quê, Petra é muito parecida com Stella, e isso o faz ter ainda mais raiva dela.

Mas, como Petra sabia muito bem, não havia nada que ela pudesse fazer. Ela tinha apenas que aceitar seu destino, e tentar fazer daquilo pelo menos suportável, para que ela não sofresse mais do que ela já estava sofrendo.

Petra não tinha ideia do que o futuro lhe reservava, mas, por enquanto, ela se concentrou no presente. A beleza do jardim e a sensação do sol em seu rosto a ajudava a se sentir um pouco melhor.

Então, ela ficou ali por um tempo, até avistar o carro de seu pai estacionando na frente da casa. Petra suspirou cansada e começou a andar em direção à sua casa, ela sabia que o tormento iria começar, mas, enquanto ela estivesse morando ali, teria que aguentar.

Por isso, no meio de tantas coisas ruins, ela viu naquele casamento, uma chance dela escapar daquela vida medíocre que ela levava. Mas também, ela tinha muito medo, medo de sair de um lugar ruim, para outro pior.

Capítulo 3

Petra estava apavorada. Ela estava dentro do quarto do hospital, vestida de branco, pronta para se casar com um completo estranho.

Um homem que ela nunca viu antes. Foi o pai dela que organizou tudo, sem lhe dar nenhuma escolha ou oportunidade de recusar. Ela sentia-se presa em uma situação que não era sua escolha, mas não podia fazer nada para mudar isso.

O homem com quem ela estava prestes a se casar estava em coma, após sofrer um acidente de carro. Ela se sentiu um pouco aliviada por não ter que enfrentar o ato físico de casar com um completo estranho, mas ainda assim estava apreensiva com a situação.

O padre começou a cerimônia, e Petra ficou parada ao lado do noivo inconsciente, olhando fixamente para o seu rosto pálido e imóvel. Ela se perguntava quem era ele, o que ele fazia da vida quando não estava trabalhando, quais eram seus interesses e sonhos. Será que ele teria gostado dela se estivesse consciente?

Os pensamentos de Petra foram interrompidos quando o padre a chamou para o juramento. Ela hesitou por um momento, mas acabou lendo as suas juras de amor e fidelidade. Ela não sabia por que estava fazendo isso, não estava apaixonada por ele, mas sabia que tinha que seguir em frente.

No final da cerimônia, Petra beijou a testa do noivo desacordado, imaginando como seria a vida a partir daquele momento. Uma vida sem amor, sem escolhas, mas com o peso de uma cerimônia de casamento como uma corrente amarrada ao seu pulso.

E assim, Petra saiu do hospital como uma esposa, mas não como uma noiva feliz. Ela se perguntou se algum dia seria capaz de se apaixonar, se algum dia teria a chance de escolher o homem certo para ela. Mas por enquanto, ela precisava lidar com sua nova realidade, e cuidar de um marido em coma e talvez paraplégico.

. . .

— Você irá ficar nesse quarto. — diz Rebekah, mãe de Bryan. — mas só até amanhã, sua casa precisa de algumas manutenções antes de você se mudar definitivamente para lá.

— Tudo bem. — disse Petra puxando sua mala para dentro do quarto. — a casa fica muito longe daqui?

Petra estava muito curiosa, mas também estava aliviada por saber que não iria ficar naquela casa, com aquelas pessoas que ela não conhecia.

— Sua casa fica a cinco quilômetros daqui. — diz Rebekah. — agora vá tomar um banho e melhorar essa aparência. Não quero que falem que a minha nora anda parecendo uma mendiga.

Assim ela sai deixando Petra sozinha naquele quarto boquiaberta.

Como assim uma mendiga?

Petra se locomoveu para a frente do grande espelho que tinha ali e se olhou atentamente, suas roupas casuais, estavam normais, certo que seu cabelo precisava de um corte e uma boa hidratação, mas não estava tão feio assim.

Mas de uma coisa a bruxa, quer dizer, a sua sogra tinha razão. Ela realmente precisava de um banho e de um bom descanso.

Assim, Petra andou até o banheiro onde tomou um banho relaxante, fez uma rápida hidratação no seu cabelo e fez uma anotação mental de depois cortá-lo.

Após sair do banho, Petra abre sua mala e retira uma camisola de renda, a mesma queria ficar confortável para dormir um pouco.

Quando ela terminou de se vestir e fez um coque no cabelo, ouviu alguém bater na porta. Petra pensando ser sua sogra, andou até a mesma e a abriu.

Mas quem estava na porta não era Rebekah, e sim um homem completamente desconhecido por ela. O homem a sua frente deveria ter 1,90 de altura, cabelos castanhos da cor de mel e olhos azuis. Ele usava trajes sociais, e seu olhar deixou Petra desconfortável.

— Quem é você? — perguntou Petra tentando se esconder atrás da porta, para que o homem parasse de olhar seu corpo.

— Perdão, sou Adrian, irmão do Bryan — diz o mesmo estendendo sua mão, mas logo abaixou quando Petra não fez nenhum movimento para pegá-la.

— Sou Petra. Ei! O que você está fazendo? — disse Petra quando Adrian foi entrando no seu quarto sem nenhum convite.

— Só quero conhecer minha cunhada. — diz ele olhando para o corpo de Petra, naquele momento ela se sentiu com se estivesse nua, e tentou cobrir seu corpo com os braços.

— Você pode sair do meu quarto? — diz Petra apontando para a porta. — eu não te convidei para entrar.

— Eu fiquei bem curioso quando meu pai me falou que Bryan iria se casar com a filha mais nova dos Martínez. — diz o homem avaliando Petra e praticamente devorando-a com o olhar. — eu nunca tinha te visto antes, mas agora, vejo que você é ainda melhor do que aquela vadia da sua irmã, e até mais gostosa.

— Sai do meu quarto! — exclama Petra já ficando muito brava.

— Abaixa seu tom, minha mãe me falou que você seria uma boa esposa, calma e obediente. — diz o mesmo com um sorriso de deboche. — Eu não estou vendo nada disso, estou vendo que é bem brava, sabe, adoro mulheres bravas.

Adrian começou a andar na direção de Petra, enquanto a mesma anda para trás. O espaço entre eles diminui quando Petra bate com as costas na parede e fica sem saída, Adrian sorri levando sua mão até o queixo de Petra, porém, uma voz é ouvida por eles e faz com que Adrian se afaste de Petra.

— Adrian? — era uma voz masculina que chamava ele no corredor.

— Foi bom te conhecer, Petra. — diz o homem se afastando ainda mais dela com um sorriso no rosto. — espero te ver novamente.

Assim ele sai deixando Petra ainda com as costas coladas na parede e a respiração irregular. Ela sabia que teria que tomar cuidado com o Adrian, apesar de não conhecê-lo, ela já sabia que ele poderia trazer problemas para ela, e problemas era a última coisa que ela queria naquele momento, afinal, sua vida já estava cheio deles.

Ela respira fundo e anda até a porta, trancando-a com a chave, após isso, Petra anda até sua cama e se joga na mesma, sentindo todos os seus músculos relaxarem ao entrar em contato com a maciez daquele colchão.

Amanhã ela iria se mudar daquela casa, e estava bastante aliviada, porém, ela sabia que os problemas ainda iriam continuar acompanhando-a, e ela estava com medo de tudo aquilo, pois sabia, que talvez poderia ter futuros problemas ainda maiores.

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