Mentalmente, Celia calculava quais eram as chances de ela conseguir escapar daquela situação. Ainda sob influência da droga, a fraqueza parecia consumi-la cada vez mais. E o segurança continuava ao lado dela. Estava claro que ela não poderia tomar qualquer atitude precipitada.
Felizmente, o afrodisíaco ainda não parecia ter feito efeito.
Celia precisava ser rápida o suficiente para se salvar antes que isso acontecesse. Caso contrário, ela não poderia imaginar o que aconteceria com ela.
A limousine já estava na estrada há alguns minutos. Estranhamente, o caminho tornou-se remoto, com pouquíssimas pessoas ao redor.
Aquele não parecia ser o caminho para a casa da família Shaw.
Considerando que eles eram a família mais rica e poderosa de Hosworth, os Shaw não poderiam viver em uma área tão desolada.
Foi então que nervosismo voltou a atingir Celia.
Seria este o "presente" que Cerissa mencionou?
Antes que pudesse concluir seu raciocínio, um calor avassalador envolveu seu corpo, e suas bochas ficaram avermelhadas.
Aquilo só podia significar uma coisa. O afrodisíaco começou a fazer efeito.
Ao mesmo tempo, a ansiedade deixou o coração de Celia apertado.
O segurança não pôde deixar de perceber o rosto avermelhado da mulher, o que o fez olhá-la com os olhos cheios de luxúria. Ele se aproximou mais um pouco, sorriu maliciosamente e disse: "Parece que o afrodisíaco fez efeito."
Celia não escondeu a confusão em seu rosto. Afinal, como aquele homem sabia que Cerissa a havia drogado? A única explicação lógica era que ele estava ajudando Cerissa.
Celia se contorceu, tentando lutar desesperadamente contra a sensação que a consumia. Mas as ondas de luxúria gradualmente pareciam devorar seu lado racional.
"Senhorita Celia, não se preocupe. Eu posso te ajudar com isso."
Sem esperar pela resposta da mulher, o segurança a algemou e, em seguida, segurou a barra do vestido dela, levantando-o lentamente para cima.
"Nossa! Eu nunca pensei que teria o prazer de dormir com uma mulher rica."
O motorista não pôde conter sua vontade de olhar o que acontecia atrás dele através do retrovisor. A mera visão da pele macia de Ceclia o deixou excitado. Então ele apressou o segurança: "Rápido! Depois de você, será a minha vez de me divertir com ela. Não se esqueça de gravar tudo. A senhorita Cerissa deixou claro que não podíamos nos esquecer disso."
Celia sentiu seu corpo se estremecer, e seus olhos se escureceram de ódio.
Aquele era o "presente" ao qual Cerissa se referiu momentos atrás. Sua meia-irmã estava determinada a destruí-la.
Celia sentia-se perplexa, mas juntou forças para se acalmar. Naquele momento, o pânico não a ajudaria em nada.
"Se a família Shaw descobrir que a noiva foi estuprada antes do casamento, vocês acham que eles vão deixar por isso mesmo?"
Celia não teve outra opção a não ser usar a família Shaw como escudo, na esperança de dissipar os maus pensamentos daqueles dois homens.
O segurança lançou-lhe um olhar de desprezo. Ignorando a ameaça de Celia, ele pegou uma câmera e começou a gravar tudo. "É o que veremos. Afinal, se a família Shaw realmente se importa com Tyson, o perdedor, você não se casará com ele hoje. Nem mesmo aquele babaca é amado pela família. Então quem você pensa que é?"
Celia mordeu o lábio inferior, contendo seu desespero. O afrodisíaco, além do efeito esperado, também serviu para deixar seu rosto ainda mais bonito.
Não era exagero dizer que seu rosto por si só, era o suficiente para despertar o desejo de qualquer homem.
Aproximando a câmera um pouco mais do rosto da mulher, o segurança acariciou a pele macia dela. E, em seguida, ele rasgou seu vestido de noiva com brutalidade.
Agora, seus ombros macios e deliciados estavam expostos. Engolindo em seco, o segurança deixou um elogio escapar de seus lábios sedentos: ''Você é maravilhosa!"
O mero vislumbre da pele exposta da mulher, só serviu para alimentar o desejo que ele sentia.
Celia estava com os olhos arregalados de medo. Seu desespero era tão grande, que ela juntou forças para dobrar os joelhos e golpear a virilha do segurança.
Um rugido estridente de dor escapou da boca do homem, o que o fez sair de cima de Celia, rolando de dor no assento.
Tentando se recompor, ele não escondeu o ódio que o consumiu enquanto voltava seu olhar para Celia. No segundo seguinte, ele se aproximou de novo, deu um tapa forte no rosto dela, e exclamou: "Cadela! Você realmente se acha uma dama pura e elegante, só porque é de família rica? Só estou te chamando de senhorita porque estou tentando ser educado. Mas você acredita mesmo que tem algum valor?"
O tapa forte do segurança fez Celia recuperar um pouco de consciência e força.
Com um sorriso zombeteiro no rosto, o motorista disse: "Por que você está com raiva dela? Existem várias mulheres iguais a ela. Pare de perder tempo e transe com ela logo. Assim, ela fica mais mansinha. Posso até apostar que, depois, ela vai te procurar para ter um caso com você. Afinal, aquele perdedor da família Shaw não será capaz de satisfazê-la."
"Verdade, você está certo. Deixe-me domar esta vadia", o segurança disse com um sorriso satisfeito nos lábios.
Celia teve que segurar o vômito ao ouvir as palavras nojentas daqueles homens. Aproveitando-se do momento de distração da dupla, a mulher aproveitou a oportunidade para agarrar o volante.
Quando se deu conta do que estava acontecendo, o motorista ficou apavorado. "Você é louca! Você quer nos matar?"
Embora o segurança estivesse fazendo de tudo para puxar Celia para trás, o motorista estava em pânico, o que o impossibilitou de conseguir estabilizar o volante.
Em um piscar de olhos, a limousine perdeu o controle e colidiu com um carro de luxo que se aproximava.
A limousine foi lançada há poucos metros de distância dali. Quando o carro finalmente parou, tanto o motorista quanto o segurança estavam tontos. Celia sentiu sua cabeça chocando-se contra a janela, o que a deixou um pouco tonta também.
Mas ela ainda estava consciente. Aquele era o momento certo para fugir.
Mesmo com o corpo dolorido, Celia precisava reunir as forças que lhe restavam para sair do carro. Sem pensar mais, ela chutou o segurança, abriu a porta do carro e correu sem olhar para trás.
"Que merda! A vadia está tentando fugir!" Celia ouviu o grito do segurança atrás dela.
O motorista e o segurança desceram rapidamente do carro para persegui-la. Afinal, se Celia fugisse, os dois estariam em apuros.
Celia correu o mais rápido que pôde até um carro de luxo ali perto. Ela se sentia tonta e sua visão estava um pouco borrada. Felizmente, não tinha se machucado e sua mobilidade não foi afetada.
Não havia ninguém ali por perto. A única coisa que viu foi aquele carro. Era sua única chance de escapar.
Depois de ser atingido, aquele carro parou bem na beira do penhasco. Se o motorista não fosse tão bom, provavelmente teria caído no abismo e sofreria sérias consequências.
Os dois caras de terno no banco da frente saíram rapidamente. Um deles foi conferir o carro imediatamente, enquanto o outro parou em frente à porta de trás. Se curvando, ele disse: "Sinto muito."
O homem dentro do automóvel estava totalmente inexpressivo. Ele desceu do carro e atendeu ao celular, que estava tocando fazia algum tempo.
Uma voz severa e irada se fez ouvir do outro lado da linha. "O que você está fazendo? A noiva está praticamente aqui, mas você ainda não voltou. Acha que faríamos uma cerimônia de casamento dessas se você não fosse nosso filho? Hosworth é enorme. Você nem sequer consegue uma esposa. Por quanto tempo está planejando humilhar nossa família?"
"Não sou mais um membro da família Shaw, portanto não pretendo voltar." Após dizer isso, o homem desligou abruptamente o telefone.
Após observar o carro, seu assistente Briar Powell veio para o lado do homem e disse: "Nosso veículo foi atingido por outro, senhor. Mas a princípio está tudo bem e você não vai se atrasar para seu encontro com o senhor O'Brien."
O rosto do homem estava desprovido de qualquer emoção. "Vamos seguir o caminho então. Godwin, você fica para lidar com o restante do problema."
Celia, por sua vez, se projetou o mais rápido que pôde na direção deles. Assim que viu o homem entrar no carro, correu para frente e bloqueou a porta que se fechava com a mão.
Sua mão ficou com uma grande marca vermelha ao ser prensada pela porta. Tentando entrar no carro para escapar do perigo em que se encontrava, ela seguiu se comportando de maneira precipitada. Encarando o homem dentro do carro com lágrimas nos olhos, ela implorou: "Por favor, me ajude!"
Ele virou o rosto e a mirou intensamente.
Briar se absteve de agir por impulso. Abaixando a cabeça, perguntou: "O encontro com o senhor O'Brien já vai começar, senhor. O que devemos fazer com esta mulher?"
Ao ouvir isto, Celia se agarrou no terno dele e implorou com uma voz chorosa: "Por favor, me ajude!"
Seus lindos olhos amendoados estavam cheios de lágrimas.
Ao vê-la vestida de noiva e completamente desgrenhada, o homem se lembrou da ligação com seu pai e fez uma suposição.
O motorista e o segurança responsáveis por Celia também chegaram nesse momento. O motorista viu que o carro na sua frente era de luxo, por isso suprimiu seu medo e sua ira para falar educadamente: "Sinto muito por ter batido no seu carro agora, senhor. Mas foi apenas um acidente. A culpa é nossa, estávamos com pressa para entregar a noiva para a família Shaw."
Embora soasse cortês, suas palavras insinuavam que o mais importante nesse momento era levar a esposa até os Shaw ou as repercussões de ofender uma família tão rica seriam terríveis.
O homem permaneceu em silêncio com uma mirada compreensiva em seus olhos.
Celia negou com a cabeça veementemente. O afrodisíaco havia penetrado completamente em sua corrente sanguínea, fazendo com que não conseguisse organizar direito seus pensamentos para refutá-lo.
Ela apenas se agarrou na roupa do homem, se recusando a soltá-lo. Tentando suportar a angústia que sentia o melhor que conseguia, ela murmurou: "Senhor, não... por favor, não confie nele. Eles... eles querem me estuprar. Preciso da... sua ajuda."
Agitado, o motorista gritou: "Mas que bobagem!"
Então encarou o homem dentro do veículo e disse: "Sugiro fortemente que você não se meta nesse assunto. Entrar em conflito com a família Shaw não é uma decisão sábia."
Afinal, eles eram o clã mais poderoso de Hosworth.
O homem encarou Celia com uma expressão glacial.
Os olhos dela estavam turvos. O rosto dela estava ruborizado como uma nuvem carmesim e seus ombros estavam descobertos.
Franzindo a testa, ele tirou o terno e o passou ao redor do corpo dela. "Entre no carro."
Ela obedeceu imediatamente, como se tivesse encontrado uma tábua de salvação.
Briar rapidamente fechou a porta, impedindo que os outros dois se aproximassem dela.
Ao ver isso, o motorista o ameaçou: "Como você se atreve! Sabe quais serão as consequências de se colocar no caminho da família Shaw?"
"Tudo que sei são as consequências de você me ofender."
O tom dele soou tão frio quanto gelo. Olhando para fora do carro, ele ordenou para seu guarda-costas Godwin Benson: "Se livre deles."
Então ele se virou para Briar e ordenou: "Vamos embora."