Capítulo 2

Bruninho

Acordo 6:30 da manhã e levanto de vagar.

Tomo meu banho tranquilão, jogo um traje maneiro no corpo e desço a escada pra sala.

Pego meus armamento, faço toque com os cara da contenção, e parto pra boca a pé mermo, com a segurança atrás.

Desde que eu assumi o morro, tento me aproximar o máximo da comunidade pra passar confiança prós morador.

Até por que, eu sou novo aqui né, e alguns ainda não se acostumaram com a troca no poder, muitos foram criados com os menor que foram mortos no confronto, e alguns ficaram um pouco bolados com tudo que aconteceu naquele dia, nós sacudiu legal.

Mas a maioria diz ter gostado da nova facção, que a favela mudou muito depois que o VT tomou o morro, diz que a facção atual é mais família.

Na verdade Naldinho só queria poder, dinheiro e mulher. O cara não ligava muito pra comunidade que tinha.

A maioria aqui tinham medo dele, e eu não quero medo, eu quero respeito, que são duas coisas parecidas, porém muito diferente.

Vou caminhando no suave rindo das bobeira dos cara, falo com alguns manos que passa por nós, cumprimento morador que vem fazer queixa e os caralhos.

Quando nós tá quase chegando na boca, passa um grupinho de piranha do lado da tropa e os cara já começa a comenta igual cachorro.

- Gostosas pra caralho._ um dos meus seguranças assobia.

Elas passa jogando na cara do pai como sempre né, não tem jeito.

- E aí Patrão._ a tal da Érica me joga piada mexendo no cabelo.

- Meu pau._ respondo sério sem olhar pra cara dela.

- Queria, posso pegar?._ ela fala debochando, rebolando e rindo.

É puta mermo né, alá.

- Postura 0 em._ olho de rabo de olho pra ela_ respeita minha aliança caralho._ beijo a minha aliancinha de compromisso e os caras da segurança começa a rir igual uns otário.

...

Entro na boca e já começo os trabalhos de uma vez. Vários b.o pra resolver, muita coisa pra fazer hoje.

Meto a cara nós trabalho e nem vejo o dia passar, e quando termino os bagulho, acendo um balão pra relaxar, boto ele pra subir e fico na salinha marolando.

Um temo depois, quando eu estava quase indo embora, alguém bate na porta da minha sala.

Fico olhando pra porta pensando se deixo entra ou não. Já sei que é b.o na certa, mas uma hora ou outra vou ter que resolver mermo, então não tem pra onde corre, mando entra.

E entra o doidão do Fê, o moleque só vive na onde, parece até um cigarro de maconha ambulante, alá.

- Ai patrão, tem uma mina querendo trocar um lero com tu._ ele fala pausadamente muito louco de maconha.

- Que mina e essa porra?_ pergunto cruzando os braços e rindo da cara de drogado dele.

- Sei não patrão, só sei que a mina é gata, padrão FIFA_ ele coloca mão no peito fingindo ser a mina, ele fica se balançando igual viadinho e eu dou uma gargalhada alta com a imitação dele.

- Manda essa mina entra aí cara._ falo ainda rindo dele e ele sai saindo da sala.

Esse cara é foda, foi uns dos maluco que veio do Vidigal pra trabalhar aqui com a gente, moleque firmeza, muito engraçado, maconheiro pra caralho, mas é bom de trabalho pra caralho também, topa tudo, moleque é da guerra.

Um minuto depois entra a mina que ele falo.

O bife é padrão mermo, toda gostosa, boquinha carnuda, cabelo enroladão até a bunda, magrinha, mas com peitinho durinho, bundinha redondinha, gata pra caralho, a mina é sexy viado.

Olho pra ela de cima em baixo e percebo que ela tá nervosa.

Não sei por que, mas essa mina me faz lembra a Manuelly.

Dou um riso de canto da boca com a lembrança e ela franze a sobrancelha me encarando.

- Solta a voz mina, o que tu quer aqui dentro da boca de fumo? aqui não é lugar de mina descente não._ falo ainda com o sorrisinho e ela fica puta.

- Infelizmente, pra tratar desse assunto tenho que entra nesse lugar horrível._ ela fala fazendo cara de nojo.

Hum... Mandadinha ela, alá!

- E que assunto é esse aí?_ cruzo os braços jogando o peso no corpo no encosto da poltrona encarando ela, e ela fica sem graça mexendo na unha de cabeça baixa_ bora fia, tenho teu tempo não._ falo e ela se assusta.

- É que meu pai é viciado, e eu estou achando que a conta dele provavelmente está muito alta, porque os cara já foi lá em casa cobrar duas vezes, mas ele não tem o dinheiro, queria pedir mais um tempo para mim poder ajuda ele a paga essa dívida, eu vou entra de férias daqui a um mês e vou pagar tudo que tiver aí sem falta._ ela fala toda sem graça e eu fico encarando ela por um tempo antes de fazer minha pergunta.

- Qual o nome dele, e onde vocês mora?_ pergunto depois de um tempo mexendo no PC.

- Luiz Carlos, goma 5._ fala chegando mais perto da minha mesa.

Vejo no Pc a conta do cara e até me assusto com o tamanho da dívida dele.

Olho pra cara dela com a sobrancelha arquivada e ela sustenta meu olhar.

Puta que pariu viado, a mina é gata mermo.

Nós ficamos um tempo se encarando e acho que tô hipnotizado pelo olhar ela mano.

Ela também não desvia o olhar e pisca os cílios longos dela e depois suspira.

Eu respiro fundo tentando afastar meus olhos do dela e me concentra, depois de um tempo consigo recuperar minha consciência e volto a encarar a tela do PC.

- Mano vou te falar, tem nem desenrolo, ou teu pai paga essa dívida aí, ou infelizmente vou tem que passar ele._ falo sem neurose e ela arregala os olhos e da um passo pra trás me encarando assustada.

- O que? Não... Mas por quê? Você tem que esperar as pessoas ter dinheiro pra te pagar, se você matar todo mundo, você nunca vai ter o seu dinheiro. Isso também é desumano que eu saiba, ele tem família você não tem coração?_ ela fala toda desesperada andando de um lado por outro me deixando tonto.

- Ei, ei aquieta o cu aí fia, tu vem aqui na minha boca me esculacha? Tá drogada?_ eu falo autoritário e ela já começa a chorar.

Porra, aí me fode.

Não consigo ver mulher chorando não papo reto.

- Mina, senta o cu ai._ aponto pro sofá me levantando da minha poltrona_ porra vou te dá o papo reto._ ela me dá espaço no sofá ainda chorando e eu sento do lado dela_ teu pai tá fudido cara, a conta dele tá em 15 mil, e eu vou tem que até bate um lero com o cobrador, quero saber por quê que deixaram uma conta crescer tanto assim._ falo pra ela o mais calmo possível pra ver se ela consegue entender a gravidade da situação.

- 15 mil?._ ela repete encarando o chão com as sobrancelhas levantadas_ eu não tenho esse dinheiro nem se eu entra de ferias._ coloca a mão no rosto e chora mais ainda.

- Ô, eu vou tentar te ajudar._ coço a cabeça incomodado de ver ela chorando_ a última forma é ele fazer uns corre pra mim, até ele conseguir pagar essa dívida aí._ falo encarando ela.

Ela tira as mãos do rosto me encarando com o rosto inchado, os olhos vermelhos, e mordendo os lábios para tentar parar de chorar.

A minha vontade e de segurar o rosto dela e beija muito essa boquinha linda que ela tem.

- A mas ele faria o que? Ele não é novinho assim como vocês, ele não vai aguentar nem segurar um fuzil direito._ ela fala me olhando e toda hora olha pra minha boca também.

Será que ela me quer?

- Ou é isso, ou é a morte, ele escolhe, eu ainda estou sendo bonzinho demais._ o certo é o certo, tô tentando aliviar a parada dele, ou faz ou é um homem morto. Simples!

- Vou conversar com ele, você me dá um dia?._ concordo com a cabeça encarando ela.

Porra, essa mina conseguiu mexer comigo de verdade mermo, sem k.o.

Ela levanta limpando o rosto, me agradece pela oportunidade e sai saindo da minha sala.

Eu fico igual um otário encarando a porta por onde ela acabou de sair tentando entender o que foi que acabou de acontecer.

Eu tenho que fica ligado mano, agora sou um cara casado, se for pra mim fazer algo tenho que fazer no sigilo absoluto.

Sei que os cara que é vilão, faz na careta mermo, e ainda esculacha a fiel, mas eu sou sujeito homem, se eu for fazer tem que ser uma parada muito foda.

Se a minha mulher fosse alguma piranha, eu botava pra foder mermo, mas Rayane é de respeito pô, não vou vacilar com a mina assim não.

Fico viajando na ficha do coroa na tela do PC, mas aqui não diz nada sobre ela.

Eu nem vou procurar saber não, é melhor eu corre de problema, se eu quiser um bife novo vai ser um bife qualquer, pra ela não acabar mexendo com a minha mente, e eu não acaba fazendo merda.

Capítulo 3

Juliana

Saio daquele lugar com as pernas bambas.

Aquele homem me intimidou tanto que quase não consigo falar nada.

Pelo menos ele me deu uma opção, mas não vai ser nada fácil convencer meu pai a ir trabalhar na boca.

Ele não é um pai ruim, o problema é esse vício maldito que ele não consegue largar de jeito nenhum.

Lá em casa é só eu e ele, minha mãe também era viciada e morreu de overdose quando eu tinha 15 anos.

Meu pai passou a ser um pai e uma mãe para mim, fez muito por mim todos esses anos, ele se controlou e deixou o vício de lado para cuidar só de mim e por muito tempo fomos felizes, só que de uns tempos pra cá, ele infelizmente se afundou novamente nas drogas.

Eu comecei a ficar preocupada, quando os meninos da boca vieram cobra e ele já não tinha dinheiro pra pagar, ele nunca deixou de pagar as dívidas das drogas, pois tinha muito medo que eles fizessem algo comigo.

E quando eles foram cobra pela segunda vez, eu tive a certeza que meu pai estava entregue totalmente.

Meu medo era ele não ter condições de trabalhar e não conseguir mais pagar os meninos, porque eles viriam atrás dele e eu não posso perde meu pai assim.

...

Quando chego em casa, ele está largado no sofá e eu agradeço a Deus por isso, pelo menos está dormindo, e não pela rua se drogando ou fazendo coisa pior.

Quando ele acordar, o efeito das drogas já vai ter passado e nos vamos poder conversar sobre o que esta acontecendo.

Espero que ele entenda a gravidade da situação que estamos vivendo.

Meu emprego de vendedora não paga o melhor dos salários, porém ele sustenta a casa, dá pra pelo menos pra compra a comida e paga algumas contas.

Meu pai trabalha como ajudante de pedreiro, e de uns tempos pra cá, quando ele voltou para essas drogas malditas, ele deixou de ajudar na casa e as coisas se apertaram um pouco para o meu lado, mas não é nada que eu não possa da um jeito.

Entro no banheiro, tomo meu banho e vou para a cozinha começar fazer o almoço.

Deixo tudo prontinho e vou me arrumar pro trabalho.

Coloco meu uniforme, penteio meu cabelo, faço uma trança boxeadora e vou pra cozinha colocar meu almoço.

Meu pai já acordou e está tomando banho pra almoçar também.

Eu espero ele terminar o banho dele e vim pra cozinha, a conversa vai ser difícil, mas precisamos resolver logo essa situação.

...

Depois de um tempo ele sai do banheiro, coloca sua comida, e se senta na cadeira a minha frente, e fica me encarando.

- Onde você estava filha?._ ele me pergunta quando começa a comer.

- Fui la conversar com o novo dono do morro._ falo sem rodeios e ele quase engasga com a comida, bate na mesa e me encara nervoso.

- O que? Você foi fazer o que lá no meio de traficante Juliana?_ ele fala furioso.

Meus pais sempre soube que a vida que levavam não era digna, e sempre me disseram para não ser fraca como eles foram.

- Os caras do movimento vieram duas vezes só essa semana pai, eu vi sua conta, e ela é absurda._ falo seria encarando ele.

- Não quero saber Juliana, não quero você metida nessa história._ ele muda o tom voltando a comer sua comida me deixando com mais raiva ainda.

- E o senhor acha certo eu ver isso tudo e fica calada? Acha mesmo que vou deixar o senhor morrer por causa desse maldito vício?._ eu grito já com lágrimas nos olhos e com a voz falha.

- Filha eu sinto muito por te fazer passar por isso, mas te peço, por favor não se mete com esses caras, eu vou resolver isso, vou conversar com ele e ver se ele me dá um tempo pra pagar essa dívida._ diz ele me encarando também segurando as lágrimas.

- Ele disse que o senhor pode trabalhar pra ele para quita essa dívida pai._ falo segurando sua mão_ ele disse que se não for isso é a morte._ ele me encara sério com os olhos arregalando.

- Eu não sou bandido Juliana, vou arrumar um jeito de pagar, mas não vou me envolver com o crime, sou viciado mas sou honesto, já te dei mal exemplo demais minha filha._ ele deixa algumas lágrimas caírem partindo o meu coração no meio.

- Pai eu conheço o senhor, sei que se dedicou pra ser um bom pai, e o senhor foi o melhor do mundo para mim, todos temos os nossos defeitos e eu sei do lado ruim que o senhor também tem, mas o lado bom é muito maior._ falo e ele enxuga as lágrimas_ pai, sua dívida é de 15mil reais_._ eu coloco todo o meu pesar na voz, e ele arregala os olhos ainda mais, depois apoia sua cabeça nas mãos desesperado entendendo a gravidade da dívida.

- Meu Deus filha, o que eu fiz? De onde vou tirar esse dinheiro todo?._ ele fala triste.

- Infelizmente não temos opção, o senhor vai ter que quitar essa dívida ou eles vão vim atrás do senhor pai._ falo também triste e ele me olha com o olhar vazio_ ele nos deu 1 dia para pensar, eu vou trabalhar agora, mais tarde conversamos melhor, não faça nada que se arrependa depois por favor, me espera sóbrio e em casa._ dou um beijo na testa dele levantando da cadeira.

Não comi quase nada, estou sem apetite desda segunda vez que os traficantes vieram cobra meu pai.

Escovo meus dentes correndo e saio de casa.

A loja que eu trabalho é no asfalto, consegui esse emprego através de uma amiga do curso que fiz, a mãe dela é gerente da loja e arrumou a vaga para mim.

Vou no ponto do moto táxi, e peço pra ele me deixar lá em baixo.

...

Chego no trabalho e as meninas da manhã já estão indo embora, cumprimento elas e entro na loja correndo.

Olho em volta e não vejo minha gerente na loja, acho muito estranho, ela sempre é a primeira a chegar, porém não comento nada.

Começo a arrumar algumas coisas que estão fora do lugar e passo o espanador nas prateleiras dos calçados.

- Ju, você notou que a Kátia não veio hoje?._ Débora me pergunta disfarçando.

- Claro, foi a primeira coisa que reparei quando cheguei aqui, achei estranho, ela nunca chega atrasada._ falo me tocando que a Vanessa também não falou nada o dia todo no ZAP, ela sempre manda uma corrente de bom dia de manhã.

...

Continuamos trabalhando e quando da 18:30 o nosso expediente acaba.

Hoje o movimento foi forte, e eu quase não vi a hora passar.

Dou tchau para as meninas e vou embora.

Entro em casa procurando meu pai, mas ele já não está mas lá.

Só espero que ele não esteja se drogando para não complicar mais ainda a nossa vida.

Coloco meu telefone pra carregar e vou tomar um banho.

Quando termino, eu visto um shorts jeans e um cropped, meu telefone já deu 50% e tá ótimo, depois coloco pra carregar mais um pouquinho.

Estou morta de fome e morrendo de preguiça pra fazer comida, então vou compra um x tudo mesmo e esperar meu pai chega.

...

Saindo de casa recebendo uma mensagem no celular da Vanessa e eu abro correndo.

*Vavá amiga*

- Oi amiga, você não sabe o que aconteceu._ ela começa. ?

- O que houve? te deixei mil mensagens e liguei várias vezes, sua mãe nem trabalhar foi hoje, fiquei preocupada caramba.

- Aí amiga passei mal a madrugada toda, vomitando e com dores, minha mãe não dormiu preocupada comigo e hoje de manhã fomos no médico e descobrimos que estou grávida??

Eu fico em choque com o que ela me diz.

Não acredito que ela fez essa burrada, ainda mais de quem.

Nossa cara, a tia Kátia deve está arrasada, ela nunca aceitou o relacionamento da Vanessa com o 2D.

1 ano atrás quando o novo dono assumiu de vez, teve um baile de 2 dias aqui no morro, e a Vanessa quase implorou pra que eu fosse com ela, já que ela mora lá no asfalto e eu aqui, ela poderia dizer que ia dormi na minha casa para podermos ir juntas, e foi o que aconteceu.

Acabou que ela conheceu o 2D, traficante que veio do outro morro e começou a se envolver com ele, desde então eles estão juntos, mas tia Kátia nunca aceitou, porém, respeitava o relacionamento da filha, até porque Vanessa já é maior de idade, mas até aí ter um filho, acho que ela não vai encarar isso muito bem.

- O que?? Você é louca, não conhece anticoncepcional? Pílula do dia seguinte ou camisinha sua retardada?

- Amiga eu esqueci de tomar, ele me deu dinheiro pra compra e eu tomei açaí, eu ia compra depois com o meu dinheiro, mas eu esqueci.?

- Porra, você é uma imbecil cara, o que a tia falou sobre isso?

- Ela falou que eu vou ter que morar com o Dudu de qualquer jeito. :'(

- E ele já sabe?

- Não amiga, vou prai amanhã conta pra ele, você vai comigo? Por favor?

- Claro que vou, antes vou da dois tapas no meio da sua cara pra ver se você parar de ser ridícula.

Assim que chego no x tudo, eu faço meu pedido e fico esperando ficar pronto.

Tô cheia de fome, não comi nada hoje no almoço, e parece que um minuto demora uma eternidade.

Converso mais um pouco com a Vanessa e com o moço do x- tudo.

De longe, vejo uns 3 caras arrastando uma pessoa pelos braços.

Todas as pessoas que estão na rua, logo se levantam para poder ver o espetáculo.

Os caras vão chegando mais perto e eu me esforço entre as pessoas para poder ver melhor o que está acontecendo.

E aquela pessoa não me é estranha.

Eu conheço aquela cabeça, e também aquela blusa.

Porra, não acredito!

- PAAAAI..._ eu grito ofegante e com o coração a mil.

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