Capítulo 2

— Fim! — Luma declarou fechando o livro e colocando sobre a mesinha de centro.

— Credo! Que história triste! — Chloe levantou segurando a almofada e resmungando. — Me fez ficar acordada até agora para ouvir uma história com esse final trágico? Nem fala o que aconteceu depois da morte deles?

Ela questionou o final apenas por perceber que a amiga tinha algo em mente quando pediu para que escutasse a história do Duque de Sanches. Na verdade, achou bem justo o duque morrer e a filha também, por causarem a morte de uma mulher inocente e de um feto inocente.

Luma sorriu de orelha a orelha, como sempre fazia quando alcançava um objetivo.

— Fala sim, mas deixei para que você lesse quando a curiosidade te corroesse.

— Ótima estratégia! — Chloe não estava nem um pouco empolgada.

— Tem mais. O conto é baseado em fatos reais. Dizem que a tragédia aconteceu aqui em Miami há uns 400 anos.

Até parece! Miami é lá cidade com esse tipo de história? Aqui só tem plástica, balada e curtição — pensou com um sorriso de deboche.

— Você disse que escolheu essa história por um motivo especial. Qual é? — perguntou ao recordar que foi praticamente obrigada a ficar acordada até alta madrugada.

— O duque da história era o dono daquela casa que ninguém da sua empresa consegue vender.

Surpresa, Chloe se deixou cair no sofá e comentou:

— Então é por isso que não vendem. Esse autor a transformou em uma casa mal-assombrada.

— Dizem que durante a reforma, por causa do incêndio, as pessoas ouviam os lamentos do duque chorando pelo filho que nunca conheceu e pela esposa e filha que matou. — Luma falava cheia de empolgação.

— Credo! Desse jeito vou ter que procurar compradores sinistros. — Chloe riu. Não acreditava na história, mas tinha certeza que a culpa de todo mistério sobre ela vinha daquele livro.

— Isso foi antes do seu chefe nascer. Sabe que a casa é dele, né?

— Já me deixaram a par da situação dos Sanches. Se não for mais uma história fantasiosa, soube que ele colocou a casa a venda depois de ficar viúvo. Quis que a filha crescesse com os avós para não se sentir sozinha na ilha — contou superficialmente o que sabia sobre a família Sanches. E tentou ignorar a leve alteração na pulsação ao falar sobre o chefe que sempre a deixava de pernas bambas na sua presença. O homem era lindo, cheiroso e mal-humorado. Uma combinação de fogo e água gelada que mexia com a imaginação de muitas mulheres, entre elas, contra a sua vontade, estava Chloe.

— Não acha muita coincidência que Alejandro Sanches seja um viúvo que tem uma filha quase da sua idade? — Luma chegou mais perto da amiga. — Raciocina comigo, a mulher do conto se chama Cleo e você Chloe, acho que a história encontrou um jeito de dar um final feliz ao casal.

— Meu Deus! Não acredito que você está criando um romance imaginário entre eu e meu chefe rabugento. — Ela encarava a amiga sem acreditar.

— A culpa é sua. Quando me falou que o conheceu quando estava brincando com as borboletas no jardim da corretora, já achei que era um sinal de romance e, quando li esse livro, minhas suspeitas ficaram ainda mais forte.

Luma era facilmente influenciável. Acreditava em almas gêmeas, destino, cartomante e tudo mais que aparecesse em seu caminho. Aquele conto era um prato cheio para que sua imaginação criasse uma linda e dramática história de amor entre Chloe e seu chefe.

— Luma, querida, devia se lembrar que aquela também foi a primeira vez que ele foi grosso e me disse para desistir da profissão. E por falar nisso, é melhor eu ir dormir porque a primeira coisa programada na minha agenda é enfrentar o CEO descendente do duque — brincou enquanto se levantava.

— Vai rindo! Depois me conta como fui a primeira a torcer por vocês dois. Só não esquece que serei madrinha de todos os seus filhos.

— Vai dormir, professora!

Rindo, Chloe voltou para o quarto e se entregou a um sono tranquilo.

Era só uma história feita para vender livros, pensava.

***

No dia seguinte, ao chegar ao trabalho, Chloe foi orientada a ir direto para a sala de Alejandro Sanches, seu chefe e dono da corretora de imóveis.

Ela bateu na porta e entrou.

Alejandro estava analisando alguns papéis. Sequer olhou em sua direção ao dizer friamente:

— Feche as persianas e sente-se a minha frente, senhorita Hickmann.

Chloe obedeceu e aguardou que ele dissesse o motivo da reunião.

Depois de longos minutos, Alejandro afastou os papéis, tirou os óculos e a encarou com seus límpidos e intensos olhos azuis. Chloe engoliu em seco. Aqueles olhos eram um pecado que só fazia pensar em luxúria.

— Imagino que a senhorita já sabe o motivo pelo qual a chamei.

Fogo aceso, fogo apagado — pensou encarando-o.

— Sim. Creio que seja porque estou na empresa há quase três meses e não realizei nenhuma venda.

Não era exatamente o tópico da reunião, mas Alejandro estava curioso para ouvir o que ela tinha a dizer. Bateu com a ponta da caneta que segurava no queixo por alguns segundos, analisando-a.

— Como podemos resolver isso? — questionou.

— Se o senhor aceitar, gostaria que me desse mais uma chance. Me dê alguns dias e se eu não vender nenhum imóvel entregarei minha carta de demissão. — Chloe já havia pensado bastante sobre a sua situação na corretora, sabia que nenhum chefe manteria um funcionário “fantasma”. Mas estava disposta a dar o seu sangue antes de desistir de algo que gostava tanto.

— Acho justo. — Alejandro gostou da atitude dela. Tanto que deixou para contar qual era a sua opinião sobre o trabalho dela em um outro dia. Queria observar a tentativa dela em se superar.

Como Chloe não disse mais nada, ele concluiu:

— Procure seu supervisor e escolha qualquer imóvel. Você tem exatos dez dias para concluir uma venda.

— Sim, senhor. Agradeço.

— Pode se retirar e, lembre-se, senhorita Hickmann, essa é a sua última chance.

Chloe agradeceu novamente e saiu.

Suspirou aliviada ao sentar a sua mesa.

Não foi tão ruim. Ele podia simplesmente me demitir — pensou.

Em poucos instantes Josef, seu supervisor, chegou e ela expôs a situação.

Talvez porque estivesse influenciada pela história que Luma leu ou só quisesse um desafio, mas ela se viu escolhendo a casa dos Sanches para vender, entre as apresentadas por Josef. Poderia ir direto aos seus clientes mais excêntricos e sinistros, certamente era uma jogada arriscada a que pretendia, mas não via outra opção, uma vez que em todo esse tempo na empresa não vendeu nenhuma casa “normal”.

Seu supervisor nem tentou fazê-la mudar de ideia. Não tinham uma relação amigável, no máximo se tratavam cordialmente. Muitas vezes se ignoravam. O motivo: ela se negou a sair com ele quando começou a trabalhar na empresa. E ele não aceitou nada bem. Se tornou obcecado em tê-la em sua cama. Um sentimento que se tornava cada vez mais forte.

***

Os primeiros clientes que visitaram a casa ficaram completamente apaixonados pela estrutura e localização. O problema é que eles leram o livro de contos onde tinha a história sobre a mansão e eram supersticiosos.

Tratava-se de um casal que largou tudo em Manhattan para construir uma vida nova, longe dos trabalhos que quase acabaram com o casamento dos dois. Eram conhecidos por serem excêntricos, porém estavam de planos de ter filhos e uma casa com tal história poderia não ser bom para a criança.

A mulher se pronunciou quando estavam saindo:

— Vamos ser sinceros com você; viemos mais por curiosidade, por causa do livro, mas ver o imóvel e ouvir suas explicações nos fizeram ter um interesse real em adquirir a casa.

Droga de livro! Por que o senhor Sanches não proibiu a distribuição dessa porcaria de história? Deve estar interessado no marketing. Imbecil! — pensava já sentindo a derrota.

— Você parece conhecer muito sobre arquitetura. — O homem completou, tirando-a de seus pensamentos raivosos.

— Sou apaixonada pela área. Esse deve ser o motivo. — Chloe sorriu agradecida pelo elogio.

O casal se entreolhou e a mulher se virou para Chloe:

— Só tem um jeito de você nos convencer a comprar essa casa.

— E qual seria? — A esperança fez seu coração começar a bater mais rápido. Finalmente teria uma chance.

— Assinamos o contrato imediatamente se você morar aqui por um mês. Assim vai nos garantir que as histórias são apenas fantasias. Que não existem fantasmas residindo nesse imóvel. Não queremos fazer planos e nos mudar para depois termos problemas.

A proposta surpreendeu.

— Tenho que ver com o meu supervisor. Se não for contra as regras da corretora, não vejo motivo para não aceitar os termos, mas podem mudar esse prazo para uma semana? É que daqui a uma semana vou precisar me afastar da corretora por algum tempo. — Lembrou que se não vendesse a casa no prazo estipulado podia dar adeus ao emprego.

— A casa é considerada mal-assombrada então uma semana é suficiente. O que acha, querida? — O homem se virou para a mulher.

— Que seja uma semana. — Ela concordou. — Vamos ficar de olho para garantir que esteja mesmo morando aqui durante esses sete dias.

— Vai ser divertido! — Chloe sorriu com sinceridade.

Deram mais uma volta pela propriedade e se separaram. O casal seguiu para o hotel onde estavam hospedados e Chloe foi em busca do seu supervisor para informar sobre a condição dos compradores.

Josef não se opôs. Sabia que já houve várias quebras de contrato de clientes que tentaram morar lá. Eles sempre saíram assustados com os barulhos estranhos que não os deixavam dormir. Até os corretores a consideravam mal-assombrada e tinham medo de entrar lá. Na verdade, não acreditava que ela fosse conseguir.

Ele a orientou a redigir o acordo para que os clientes assinassem e a passar os dias estipulados na casa usando câmeras para comprovar caso houvesse questionamentos futuros por parte dos clientes. Também se ofereceu para acompanhá-la, mas a oferta foi recusada. O que o deixou irritado pelo resto do dia. Claramente suas intenções não eram nada nobres. Tudo que queria era a chance de ficar sozinho com ela para convencê-la a aceitar seus avanços.

Ele torceu para que um fantasma a assombrasse.

Capítulo 3

No dia seguinte, Chloe já estava a caminho da mansão onde passaria os próximos sete dias.

Enquanto isso, Alejandro estava enlouquecido no escritório.

— Por que permitiu que uma funcionária morasse em uma das casas?

Havia chamado Josef para uma reunião assim que descobriu o que estava acontecendo.

— Foi uma exigência de um cliente. O mesmo assinou um acordo garantindo a compra do imóvel após confirmar que a funcionária passou o período de sete dias no local — explicou.

— Isso é um absurdo! Agora estamos sujeitos a exigências malucas? — não esperou o funcionário responder. — Quem foi com a senhorita Hickmann?

— Ela foi sozinha.

Alejandro não acreditou no que ouviu. Sua funcionária estava sozinha em uma casa imensa em uma ilha.

Quando ela vai parar de mexer com a minha estrutura? — se perguntava enquanto olhava para o funcionário com ódio.

— Saia! Irei resolver isso. — Não via sentido em discutir com o funcionário quando sabia que se a situação não envolvesse a senhorita Hickmann nunca se daria ao trabalho de questionar. Talvez até elogiasse a atitude. Mas tinha que ser ela. A mulher que ele sentia que se agarrasse não soltaria mais. E que por esse motivo fugia do desejo desesperadamente. Não queria outra mulher assim na sua vida. Uma perda já foi o bastante para o seu coração. Tudo que queria depois da morte de sua esposa era prazer sem compromisso. E bastava olhar para Chloe Hickmann para entender que ela não se encaixava nesse perfil.

Josef saiu desconfiado de que estava em apuros. Decidiu ficar bem quietinho até a poeira baixar. Chloe que se entendesse com o todo poderoso Sanches.

***

Sozinho na sala, Alejandro começou a andar de um lado para o outro.

— O que você está fazendo? — esfregou a cabeça.

Sentia que suas emoções estavam a flor da pele desde que viu Chloe pela primeira vez. Achou que estivesse delirando ao ver uma bela jovem brincando com borboletas no jardim da corretora.

Na hora não acreditou que pudesse ser real. Era impossível existir tamanha beleza. Aqueles cabelos dourados escapando do coque por causa do vento, os grandes olhos castanhos, o corpo deliciosamente delicado oculto por um vestido estilo secretária, a boca vermelha que parecia incapaz de parar de sorrir.

E ele percebeu cada detalhe nos poucos segundos antes dela virar em sua direção e ficar sem jeito, por ser pega em tal atitude em seu primeiro dia de trabalho.

Foi naquele momento que ele entendeu que precisava ficar longe dela ou poderia perder o controle e agarrá-la só para saber qual era o gosto dos seus lábios; qual era a textura da sua pele; qual era o tom da sua voz ao gemer de prazer.

Ele riu e parou de andar ao ver a reação do seu corpo diante das lembranças.

Esquece! Não vou me masturbar pensando nela. E não vou me envolver com uma garota com quase a mesma idade da minha filha. Dariam ainda mais crédito àquele maldito livro — resmungou em pensamento.

— Mas também não posso deixá-la passar uma semana sozinha em uma casa da corretora.

Depois de respirar fundo para controlar o corpo, pegou as chaves do carro e seguiu para sua casa onde se trocou e ordenou ao piloto do seu helicóptero que o levasse até a praia, onde pegaria o barco até a ilha. Estava disposto a tirar Chloe da casa e esclarecer de uma vez a situação dela na empresa.

Não seria uma má ideia transferir a garota para uma das filiais. Ficar longe dela será ótimo para minha sanidade. Tenho que colocar um fim nisso — pensou durante o caminho. Começava a ter sonhos eróticos com a funcionária, e mais de uma vez chamou pelo nome dela durante o sexo com outras.

***

Alejandro chegou na ilha quando a tarde já estava pela metade. O clima deixava claro que logo a ilha estaria sob chuva.

Depois de alugar um buggy, ele seguiu para a casa.

Estava tudo escuro. Nem parecia ter alguém.

Estranhando isso, ele tocou a campainha. Apesar de ter a chave não quis entrar para não assustar sua funcionária.

Só no segundo toque, ela perguntou:

— Quem é?

— Alejandro Sanches. Abra!

Chloe abriu a porta e o deixou entrar.

Por alguns instantes ele ficou mudo. A olhava de cima a baixo, fascinado pela sua beleza. Em um vestido azul curto e com os cabelos dourados soltos, ela esbanjava sensualidade.

— Aconteceu alguma coisa, senhor Sanches? — disse esfregando os olhos.

— O que você estava fazendo com as luzes apagadas?

— Acabei dormindo enquanto desfazia a mala.

— Coloque suas coisas de volta na mala e vamos. O barco sai em poucos minutos. Vou levá-la a sua casa.

— Por que? Aconteceu algo? — Chloe ainda estava um pouco sonolenta. Tinha dormido menos de três horas na noite anterior, ansiosa pela possibilidade de ser demitida.

— Eu nunca aceitaria que morasse em uma das casas mesmo que fosse exigência de um cliente em potencial. — Alejandro declarou, tentando muito não encarar cada pedacinho de pele que o vestido deixava a vista.

— O senhor Josef permitiu. E essa é a única chance que tenho de manter meu emprego. — Ela tentou argumentar, mas se arrependeu de falar no nome de Josef. Temia que ele ficasse me apuros.

— Poupe-me! Do jeito que trabalha posso te garantir que mesmo vendendo essa casa será demitida em breve. Só inventei isso para não dizer que não te dei uma chance. — Se ouviu mentindo. Não entedia porque não podia ser somente educado. Tinha que ser afetado por um desejo tão absurdo.

— Uau! — Chloe estava sem palavras. Nem sono mais sentia.

— Vá lá buscar suas coisas que meu tempo é precioso. — Deixou para se explicar quando estivessem em um ambiente mais profissional. Sempre que ficava sozinho com ela se sentia incomodado.

As palavras duras dele a despertou completamente.

Por causa da diferença de altura, ela levantou o queixo para encará-lo.

— Não vou sair daqui. Existe um contrato que exige que eu fique aqui.

Alejandro levantou a sobrancelha, supresso com a ousadia que presenciava.

— Está querendo invadir a minha casa? — ele riu cinicamente.

— Não senhor. — Chloe também tentou rir, só que apenas conseguiu fazer uma careta de desagrado. — Só estou cumprindo o meu trabalho.

— Pois isso é desnecessário. Pode pegar o primeiro transporte amanhã direto para a empresa. Sua demissão estará te esperando.

Chloe se viu sem chão. Quando pensava que estava próximo de realizar a primeira venda e provar que era capaz, ouvia que não tinha a chance nem de tentar.

Tentando manter as lágrimas nos olhos, ela perguntou:

— Por que o senhor me detesta tanto? Sei que não consegui vender nada desde que entrei na imobiliária há poucos meses, mas às vezes parece que, que...

Alejandro demorou um pouco para reagir. Estava paralisado diante do olhar triste dela. Nunca se sentiu assim. Era como se seu coração estivesse sendo esmagado cruelmente em seu peito. Quis pegá-la no colo e aninhar em seu peito dizendo que tudo ficaria bem, porém naquele momento estava incapaz de mexer um músculo. A encarava sem expressão.

Sem saber bem o que achava da atitude dele, Chloe virou as costas e subiu as escadas correndo.

Assim que a porta do quarto bateu atrás dela, Alejandro recebeu uma ligação do responsável pelo barco que os buscaria. Ele se recuperou do “transe” e atendeu o homem que avisou que não haveria possibilidade de fazer a viagem devido ao mau tempo.

Ele ficou em dúvida se seria melhor ficar em um hotel e deixar Chloe se resolver sozinha, mas pensou bem e decidiu que não podia deixar a funcionária sozinha na casa durante uma tempestade.

Eu sou um homem, porra! Posso muito bem passar a noite debaixo do mesmo teto com ela sem agir como um tarado — pensou indo em direção as escadas.

Como não sabia o que dizer a Chloe, resolveu usar seu antigo quarto e deixar para conversar depois de um banho e de uma prece onde pediria força e sabedoria para agir com ela.

Uma hora depois, de banho tomado e com uma roupa confortável, ele lia um livro sentado no sofá. Ler sempre o deixava mais tranquilo. Precisava disso para enfrentar sua funcionária.

Ouviu um barulho vindo da escada e se surpreendeu ao ver Chloe descendo com uma mala.

Ela nem falou com ele. Foi direto para a porta.

— Espere ai! Você não pode ir. — Alejandro fechou o livro já prevendo a tempestade que enfrentaria dentro de casa.

Ignorando-o, Chloe abriu a porta e saiu.

Alejandro a alcançou na varanda.

— Eu disse que você não pode ir. — Segurou seu braço com mais força que o necessário.

— Qual é o seu problema? — ela olhou o braço e puxou. — Está me machucando.

Ele a soltou como se sua pele o queimasse. A última coisa que queria era machucar aquela pele que assombra suas noites.

— Não tem barcos disponíveis. Uma tempestade se aproxima. — Se justificou.

— Esperarei em um hotel até a tempestade passar. — Ela evitava o olhar nos olhos na inútil tentativa de esconder que seus olhos estavam vermelhos de chorar.

Mas Alejandro percebeu. E se odiou por ter causado aquilo. Afinal ela não tinha culpa de atrai-lo ao ponto de deixá-lo confuso.

— Não precisa. Pode ficar aqui até amanhã. — Controlou o tom de voz deixando-o mais calmo.

Só que isso não foi o suficiente para aplacar a magoa de Chloe.

— Depois de ser praticamente expulsa seria ridículo ficar aqui. Eu sou sua funcionária não um brinquedo.

— Não estou te tratando como brinquedo. Talvez eu tenha sido grosseiro e me expressei mal. Só me preocupa que fique aqui sozinha. E andar até um hotel arrastando essa mala seria tão ridículo quanto ficar aqui depois de ser ofendida.

— Olha, não somos amigos nem parentes. Guarde sua preocupação. — Chloe estava tão magoada e com raiva que nem ouviu o tom de suplica nas palavras do chefe.

Irritado por ela não aceitar suas desculpas implícitas, Alejandro voltou para dentro de casa.

— Teimosa. Se quer enfrentar chuva, vá! Eu tentei ser gentil — resmungou enquanto entrava.

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