Odeio perder o controle da situação, mas estava cansada de escutar eles falando da máfia, aquilo enche minha paciência.
A máfia ultimamente não me passa uma boa visão, é como se não fizesse sentindo pra mim.
Antes eu me sentia viva em participar de tudo, em ser a dona da porra toda, mas deste que a Lane morreu, não é como antes, a máfia não chama minha atenção e não trás boas memórias.
Claro que de boas memórias eu tenho muitas, mas tudo ficou triste depois que minha melhor amiga morreu.
As vezes eu sinto que é por minha culpa, eu poderia ter evitado tudo isso.
Ok, vai, não vou mentir.
Eu sinto uma falta do c*ralho da máfia, matar, correr em alta velocidade, roubos, festas de alto padrão e afins.
Mas no momento, não estou no mesmo pique de antes, fala sério, não sou mais aquela adolescente de dezeseis anos, que se metia em cada perigo que via pela frente.
Agora eu tenho uma responsabilidade maior, que é a Laís.
E nada além dela.
Alana entra em um assunto aleatório, tirando o clima tenso que avia ficado, contando um pouco de sua viagem.
Depois do jantar acabar, fui para frente da casa, sentando na calçada e olhando para o céu, que estava estrelado e com uma lua maravilhosa.
Alguns minutos depois, Bruce se senta ao meu lado, encostando sua cabeça no meu ombro.
— As coisas tão complicadas né? — Perguntou depois de um tempo, dei um suspiro, engolindo o seco.
— É, ela era meu ponto de equilíbrio, não é fácil sem ela.
— Sei que onde quer que ela esteja, ela sente muito orgulho da mulher forte que você se tornou, Kaitlyn. — Bruce fala, levantando seu olhar para mim, dou um sorriso sem mostrar os dentes e enxugou uma lágrima que fazia questão de escorrer.
— Nossa família cresceu, mas o lugar dela continua vazio e nunca vai ser substituído. — Falo e sinto ele me abraçar com força.
[...]
Me deito ao lado da Laís, que assitia um desenho na tv, ela ria enquanto comia pipoca.
— Sabe mamãe, as vezes eu acho que a senhora não é feliz. — Fala do nada, me pegando de surpresa.
— Como assim, meu amor?
— Eu sei que a senhora perdeu a titia Lane, mas a senhora não pode perder os outros títios. — Fala e se vira apara o lado, fechando os olhinhos.
Fiquei de boca aberta e olhos arregalados.
Ela realmente falou isso?
Dou um beijo em sua testa e saio do seu quarto, desço as escadas até a cozinha, pego um copo de água e me encosto no balcão.
Ainda pensando no que Lais falou, 4 aninhos e tem mais maturidade que eu.
Falando nisso
Uma semana para o aniversário dela, o aniversário em que Kaylane completaria 23 anos.
— Sinto sua falta. — Falo baixo olhando para o céu.
Meu peito doía e eu sentia um nó se formar na minha garganta, ainda não superei.
— Você teria orgulho de mim. — Enxugo as lágrimas, quando passos descendo as escadas são ouvidas.
— Amor? Já tá tarde, bora deitar. — Lucas fala, me abraçando por trás e beijando meu pescoço.
— Depois eu vou. — Me viro para ele e passo meus braços ao redor do seu pescoço.
— Eles ficaram tristes com a situação. — Lucas fala me arrancando um suspiro de frustração.
— Eu não quero falar sobre isso.
— Você não pode fugir do seu passado Kaitlyn. — Me dá um beijo lento e me solta, subindo as escadas em seguida.
Eu me sentia cansada, não fisicamente e sim mentalmente, era como se eu me encontrasse em um labirinto e não tivesses achando a saída.
Todo ano, eu e Bruce íamos para o cemitério, no dia do aniversário da Lane, e passávamos a tarde toda lá, lembrando dos momentos bons que a gente viveu.
Eu tentava encoder a Laís do mundo, não queria que nada de mal acontecesse com ela, ninguém sabe que eu não faço mais parte da máfia, os inimigos acham que eu só não quero ficar em holofotes, mas se descobrissem que eu não sou mais dona, a gente correria riscos.
A casa é cercada por seguranças, mas todo cuidado é pouco, depois da Laís, eu atravesso a rua olhando para os dois lados, nunca se deve confiar em alguém, é cuidado em cima de cuidados.
Coloco o copo na pia e resolvo ir descansar
Subo as escadas em direção ao quarto, Lucas estava jogado na cama roncando alto, me deito ao seu lado, me cobrindo com o edredom, apago a luz do abajur e me viro para o lado, sinto os braços de Lucas arrodear minha cintura e me puxar para mais perto.
Sei que amanhã será um novo dia, com novas escolhas e novas felicidades.
A paciência anda lado a lado com o tempo, sei que coisas novas vão surgi.
Sinto minhas pálpebras pesadas e por um instante tudo fica escuro.
[...]
— TIRA A MÃO. — Dou um tapa na mão do Lucas, que afasta rapidamente com uma cara de dor, me aproximo do bolo decorado, vendo a marca do dedo dele na cobertura. — Trate de ajeitar isso, seu nojento, eles já estão chegando. — Mando apontando para o bolo, me afasto da cozinha e tiro meu avental, jogando para algum canto da sala.
Minha mãe e o tio Giovanni iriam vim nos visitar hoje, por coincidência Ph também vai vim hoje, visitar a neta e o filho, poisé, minha mãe e o Ph no mesmo ambiente, coisa boa não sai daí.
Ele foi solto a três meses, depois de cumprir algumas punições, ele continua dono do morro, mas decidiu vim visitar nós hoje.
Poisé, traficante internacional.
Lais se aproxima de mim com a boca suja, de cobertura verde, ela me encarava com o olhar – não me mata – arregalei os olhos e corri até a cozinha, Lucas comia um pedaço do bolo.
— Eu vou te matar. — Fechei os olhos com força, buscando paciência e não enviar o resto do bolo no meio do cu dele.
— Foi mal, eles já estão chegando mesmo, não faz falta. — Aproveito que ele tá de costas e jogo a panela de pressão nela.
— A próxima vai ser na cara. — Saio da cozinha, enquanto eles resmungava de dor, a campanhia toca e Laís sai correndo para abrir a porta.
— VOVÓ. — Grita e pula no colo da Khloe.
— Oi minha pequena, a rapariga da sua mãe tá? — Lais da espaço para eles entrarem, tio Giovanni a abraça forte e entrega uma caixa de bombons.
— Oi mãe. — Dou um abraço forte nela, que não parava de falar o quanto eu estava cheirosa.
— Sabe, aquele aeroporto tava cheio, era cada briga. — Fala sentando no sofá — Até comprei pipoca pra vê o barraco de duas mulheres por causa de um macho que tava lá.
— A senhora e essa mania de Maria fifi. — Ela deu de ombro, colocando a última pipoca na boca. — Espero que esteja cuidando bem dela. — Falo ao tio Giovanni, que se aproxima com um sorriso.
— Eu tento né, mas sua mãe é complicada, acredita que ela ficou sem falar comigo, porque eu não dei bom dia a ela?.
— Ela é dramática, você se acostuma.
— Iae sogrinha. — Lucas sai da cozinha ainda com uma cara de dor, e abraça os dois. — Tá diferente, pintou o cabelo?
— Toda vez que venho aqui, você sempre pergunta a mesma coisa. — Mãe fala depois de revirar os olhos, dou uma risada baixa pela amizade dos dois e o não terem rancor do passado no presente.
— É claro, a senhora fica bonita a cada dia que passa.
A campanhia toca novamente, e dessa vez quem vai abrir é o Lucas.
— Pai. — Khloe levanta rapidamente e olha para porta, Ph passa por ela com um sorriso no rosto, aquele típico sorriso lindo de quem sempre está no comando, mas o sorriso vacila quando ver Khloe.
— Oii vovô. — Lais abraça o Pedro, que lhe pega no colo.
— Oi princesa, tá grandona. — Fala bagunçando seus cabelos. — Boa tarde a todos, oi Kaitlyn. — Coloca Laís no chão e se aproxima com as mãos no bolso
— Oi Pedro. — Minha voz quase não sai, ainda não consegui me acostumar totalmente com ele.
— Cadê sua irmã? — Pergunta se virando para o filho.
— Califórnia, ela falou que estaria ocupada e que não daria para vim, mas mandou um beijo.
Ph e Giovanni se cumprimentaram com um aperto de mãos, tava para sentir o clima pesado de longe.
Fomos para a sala de jantar, que estava com a mesa posta, as cadeiras em volta dela e várias comidas de todo o tipo, sentamos e começamos a nos servi.
— Sabe, nunca pensei em sair do Rio de Janeiro e passar o fim de semana aqui. — Ph quebrou o silêncio — Vocês precisam passar o fim de semana no Rio, o morro evoluiu muito.
— Assim que possível a gente vai sim, a gente marca o dia direitinho. — Lucas fala e eles entram em uma assunto que não me interessava.
Dava para vê que minha mãe tava desconfortável com a situação, mas o Giovanni parecia nem ligar.
— Como tá as coisas na máfia, tio? — Pergunto quebrando o clima estranho que ficou.
— Na metida do possível, Noah acabou sendo baliado e está no hospital, mas seu estado é estável, consegui novos membros para a equipe, já que Ryan, Matteo e Tracy ficaram aqui de vez.
— Você sabe que não é de vez, eles estão dispostos a voltar para a máfia italiana quando o senhor quiser.
— Não acho que seja necessário.— ele faz uma pequena pausa, parecendo lembrar de algo — alias, tenho uma proposta, queria juntar as duas máfias em uma só, a italiana e a sua, a duas estão no ranking de maiores e melhores máfias do mundo, as duas juntas só tem a acrescentar. — Fala e todos olham para mim.
— Isso não é comigo, você tem que falar diretamente com a Talita, ela que está responsável sobre a máfia agora.
— Eu sei, mas querendo ou não você é a dona, ela mesmo falou isso, mandou eu falar com você, pois só aceitaria se você aprovasse a ideia. — Revirei os olhos sabendo que não teria jeito, quem teria que decidir aquilo era eu, não via necessidade, já que a dona da máfia é a Lia, mas ela insistia em falar que a máfia continuava sendo minha.
— Depois a gente conversa sobre isso. — Falei, encerrando aquele assunto aqui.
Meu celular começou a tocar alto, pedi licença e sai da mesa para atender, no visor aparecia um número privado, atendi e levei até o ouvido.
— Alô?
Silêncio.
— Alô? — Repeti a fala sem paciência.
— Tão bom ouvir sua voz. — Senti minhas mãos soarem quando a voz reproduziu do outro lado.
— O que você quer? — Perguntei engolindo o seco.
— Só queria ouvir sua voz, beija-flor. — Fechei os olhos com força, sentindo minha pernas ficarem fracas, ele sabe que eu odeio esse apelido.
— Escuta aqui seu idiota, se você ligar novamente, eu...
Fui interropida pela sua gargalhada alta.
— Relaxe, só queria dá um aviso, toma cuidado ok? Vou cumprir com minha promessa de oito anos atrás. — E a chamada é encerrada.
Eu em, maluco.
Minha garganta forma um nó, meu peito aperta e eu sentia que poderia fraquejar e cair no chão a qualquer momento.
Mas não era possível, né? Mortos não revivem,bom, Bruce tá vivo, mas ele não morreu, então, meu Deus, vou enlouquecer, não é possível ser ele.
Se bem que o Bruce falou alguma coisa relacionada a ele...
Eu só posso está ficando louca, é,é isso, isso é o Lucas no meu juízo.
—KAITLYN PORRA. - Dou um pulo após escutar o grito do Lucas no meu ouvido, direciono meu olhar para ele, que recua um passo para trás.
—Se tu gritar no meu ouvido de novo, eu te mato, idiota. – Viro de costas e volto para a mesa.
— Sempre de bom humor. — Lucas fala com ironia no seu tom de voz.—Aconteceu alguma coisa? – Pergunta com preocupação, e tudo que eu faço é negar com a cabeça. — Eu te conheço amor, me fala. — Dava para vê a preocupação nos seus olhos, mas não queria deixar toda a família ajustada com isso, prefiro resolver eu sozinha, e depois eu falo dessa minha nova preocupação.
— Relaxa, juro que não aconteceu nada, se não eu te falava. — Tento ser o mais convincente possível, demostrando tranquilidade na minha expressão, mas não sei se a voz saiu como eu esperasse, ele me encara por mais uns segundos e concorda com a cabeça, desistindo de tentar.
A conversa continua e minha mente vai parar longe.
[...]
Me levanto da cama, sentindo minha cabeça latejar, tomo um gole da água que estava em cima do criado mudo, lavo meu rosto com a água gelada e escovo meus dentes, passo um pente no meu cabelo, só para tirar o frizz, tentando tirar mais a cara de morta.
Prendo meu cabelo e desço as escadas, vou direto para a cozinha, coloco um pouco de água no copo e tomo todo o líquido, pela pequena janela da cozinha, vejo os seguranças fazendo a patrulha pelo redor da casa, saio pela porta da frente, indo até eles, uns me cumprimentam com sorrisos e outros só dão bom dia.
A casa estava um completo silêncio, nem o som dos passarinhos era escutado, o que era estranho, já que são oito horas da manhã.
— Você viu o Lucas e a Laís? — Pergunto quando me aproximo de Alfredo, um dos principais seguranças da casa, ele era o que eu mais confiava.
— Eles saíram faz algum tempo, senhora. — Olho para os lados, vendo que o carro do Lucas não estava ali, volto meu olhar para Alfredo e dou um sorriso em agradecimento.
Volto para dentro de casa e subo as escadas até o quarto, procuro meu celular pela cama, quando escuto o toque alto dele, no visor aparece o nome de Tracy, abro um sorriso e atendo, levando o celular até a orelha.
— Kaitlyn, tá escutando? — Sua voz sai falha, o sorriso dos meus lábios desmancha na hora.
— O que aconteceu? Tracy, tá tudo bem? — Escuto seu suspiro, depois de longos segundos, ela responde.
— O Ryan tá no hospital, levou dois tiros hoje mais cedo, um foi de raspão, mas o outro acertou o peito, ele tá na sala de cirurgia agora. — Fala como se tivesse tentando não chorar, meu coração começa a acelerar, e penso em várias coisas ao mesmo tempo, a preocupação me invade.
— Q-qual hospital? — Pergunto, calçando meu tênis na pressa e pegando a chave do carro, desço as escadas correndo, esperando a resposta.
— Vou mandar o endereço por mensagem. — Desligo a chamada, antes de destranca a porta, Lucas e Laís aparecem, com sorvetes na mão.
[...]
KAITLYN POV
— Bom dia mamãe — Lais fala me abraçando, limpo as lágrimas que escorriam pelo rosto, Lucas me olha preocupado e se aproxima.
— O que aconteceu? — Pergunta tocando levemente no meu rosto, seus olhos demonstrava aflição e total preocupação.
— Ryan está em sala de cirurgia, precisamos viajar de volta para Califórnia, ele levou dois tiros, eu preciso vê-lo. — Ele me abraça assentindo com a cabeça, sobe correndo até o quarto e volta com três bolsas, pego Lais no colo e saio de casa, entrando no carro.
— O titio Ryan vai ficar bem, mamãe? — Lais pergunta com cara de choro, encosto sua cabeça no meu ombro e falo baixinho.
— Vai sim meu amor, vai sim. — Acho que eu tento me convencer com essas palavras, caminho todo foi em silêncio, minha mão tremia, a preocupação estava enorme, a dois dias atrás estavamos todos aqui e agora Ryan está lá no hospital, com uma bala no peito.
Passou cerca de 120 minutos, até o carro parar em frente ao hospital, desço rapidamente do carro, atrás de mim vinha o Lucas segurando a mão da Lais, entro rapidamente no hospital, vendo todos na sala de espera, assim que me vêem se levantam rapidamente, Tracy se aproxima de mim e me abraça forte.
— Já tem notícias dele? — Minha voz sai abafada por causa do seu abraço apertado, ela se afasta um pouco enxugando as lágrimas, olho ao redor, vendo todos com olhares para o chão, mas o olhar de Talita demonstrava culpa. — O que aconteceu?
— O médico falou que ele ainda está na sala de cirurgia, não temos nenhuma outra informação sobre o estado dele. — Naja fala se aproximando e me abraçando, me aproximo dos outros.
— Como isso aconteceu? — Pergunto e vejo Lia engolir o seco e olhar para mim, seus olhos estavam cheios de água, ela dá um suspiro arrastado, me deixando mais preocupada ainda.
— A g-gente estava na f-frente do galpão
— da uma pausa — Estávamos rindo de uma piada ridícula do Matteo, quando o barulho de tiro foi ouvido, n-não tivemos tempo de reagir, q-quando vimos o Ryan estava no chão, com a mão no peito, e-eu. — Não consegue terminar a frase, passo a mão no rosto sentindo uma forte dor no peito, olho para o Bruce em busca de repostas.
— Onde estava os seguranças do galpão? — O clima fica tenso, era como se aquela pergunta fosse a que todos temesse.
— Folga. — Lia fala baixo, não consigo enteder muito bem.
— O que?
— Folga. — Fala mais alto para que eu possa escutar, olho desacreditada para ela, meu olhar se altera entre ela e Bruce.
— Todos? — Pergunto mais uma vez e ela concorda com a cabeça. — Como você dispensa TODOS os seguranças da porra do galpão? — Dou ênfase na palavra todos, eu não estava conseguindo acreditar naquilo, como alguém consegue ser tão incompetente nesse nível?
— Eu não sabia que daria problema, eu pensei que... que. — Ela não fala, volta a se sentar na cadeira.
— Meu Deus, como você pode dispensar todo os seguranças de uma vez? Porra Talita, isso é a merda de uma máfia, isso não é brincadeira, você não pode dispensar todos os seguranças, você sabe o perigo que vocês correm só por fazer parte disso, e ainda tem a irresponsabilidade de ficar sem segurança? — Passo as mãos no rosto desesperada sem acreditar nisso. — Puta que pariu, meu Deus.
— Desculpa. — Falou baixo, abaixando a cabeça, me afastei dela e me sentei em uma cadeira separada, Lucas segurava Lais no colo, que essa altura já dormia, os minutos pareciam horas, ninguém tinha a coragem de quebrar o silêncio até o médico aparecer, seu semblante não estava um dos melhores, deixando todos nós ainda mais preocupados.
— Parentes de Ryan Butler. — Todos levantaram, fazendo o médico arregalar os olhos pelo tanto de pessoas que estavam aqui, ele ajeita seus óculos meia lua e se aproxima do nosso grupo. — Lamento informar que, a bala pegou em uma região do tórax muito próxima ao coração, o paciente passou por uma cirurgia demorada e arriscada para a região atingida, seu pulmão ficou comprometido graças a perda constante de sangue, após a cirurgia, o senhor Butler voltou para o quarto, mas teve três paradas cardíacas, nas duas primeiras conseguimos trazê-lo de volta, mas a terceira foi complicada, lamento informar, mas o paciente não resistiu, sinto muito. — Levo minha mão a boca rapidamente, sentindo um nó se formar em minha garganta, meu rosto é tomado por lágrimas, minha pernas fraquejam fazendo com que eu caia de joelhos no chão, era como se tudo aquilo não passasse de um sonho. Tracy me abraça com força, chorando alto e eu ainda estava no estado de choque, que logo foi passado quando começo a soluçar em meio de choros.
— F-fala q-que é m-me-mentira. — A voz de Tracy sai abafada graças ao choro alto, eu conseguia escutar o choro dos outros, mas não tinha forças o suficiente para levantar do chão, era como se aquela notícia tivesse tirado meu mundo.
Eu não conseguia escutar mais nada ao meu redor, até sentir uma mão tocar o meu ombro, um homem encapuzado me entrega um tablet, onde tinha um vídeo que precisava dá o play, em questão de segundos, o homem some da minha vista, ninguém tinha percebido esse homem, nem mesmo a Tracy, que estava do meu lado, fico paralisada com o olhar no tablet sem entender nada foi tudo em questão de segundos, resolvo me levantar lentamente para me afastar dos outros, dando play no vídeo.
A imagem do Parker, pela minha surpresa, aparece na tela, seus olhos verdes, sua barba bem feita chamava atenção, sua risada alta foi ouvida, como se fosse uma espécie de "eu avisei".
— Mais uma perda Jones? Triste, essa é mais uma de muitas que ainda virão, mas você pode evitar isso, e você sabe como, Ryan Butler é só mais um, de outros entes queridos que você vai ter que se despedir. — Antes do vídeo continuar, jogo o tablet com tudo no chão, sentindo o ódio me consumir por inteiro, as lágrimas são substituídas por ódio e rancor.
— Foi ele. — Me viro para os outros — Parker mandou matar o Ryan. — Falei sentindo o gosto amargo em minha garganta — E eu vou fazer questão de matar ele da mesma forma, ou pior, do que o Ryan.
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Entro em passos lentos no cemitério, de longe avisto Tracy abraçada com o Matteo, Tio Giovanni, Luigi, Maria, Khloe, Noah e Max também estão aqui, sem olhar para ninguém, me sento na primeira cadeira ainda com a cabeça abaixada, a roupa preta em meu corpo era longa, eu carregava comigo um buquê de flores vermelhas, a qual eu deixaria no caixão, onde o cheiro de Ryan estava sobre elas.
O primeiro a se levantar foi o Matteo, deixou uma flor rosa em cima do caixão e começou a falar.
— Meu melhor amigo, meu irmão, meu parceiro e meu companheiro de todas as horas, Ryan era uma pessoa que todos queriam por perto, sorridente, feliz, por onde passava arrancava risadas, seu gosto culinário era horrível, mas ele se esforçava, sempre sonhou em construir uma família, nunca vi ele tão feliz como ele estava nesses últimos meses. — deu uma pausa enxugando as lágrimas que corriam pelo seu rosto — A gente cresceu juntos, e agora, o vendo parti é como se levasse um pedaço meu com ele, as memórias que ficarão dele vão ser as melhores, aquelas que toda vez farão sair um sorriso do meu rosto, por saber que eu tive a oportunidade de conviver com ele, de viver com ele, de compartilhar meus pensamentos, meus sonhos, minhas conquistas com ele já é motivo de orgulho. Ryan era um muleque novo, mas conquistou tantas coisas, e eu vou continuar aqui, seguindo todos os conselhos dele, Ryan nos deixa hoje, mas suas memórias e suas lembranças irão ficar com a gente, até o nosso último suspiro.
Sinto uma lágrima escorrer pelo meu rosto, queimando cada parte que por ele escorre, Lucas aperta minha mão forte, enquanto Matteo dá um beijo no caixão e volta a se sentar, tento controlar o choro quando vejo Tracy se levantar e se aproximar do caixão.
— É inacreditável, uma hora ele está ali com a gente, rindo de uma piada ridícula, contanto seus planos de vida e no outro momento ele está aqui, nesse caixão, recebendo sua última despedida, Ryan é minha família, meu irmão e o amor da minha vida. Ryan sempre foi aquele que mais me apoiou, que sempre esteve lá quando precisei, em tempos difíceis ele nos fazia rir e esquecer os problemas, ele tinha um sonho, o sonho de construir uma família, com três cachorros, dois gatos e um papagaio. — deu uma risada fraca — Mas Deus tinha outros planos para ele, e eu sei que apesar da idade, o seu papel foi cumprido aqui na terra, e que em outra vida, eu poderei construir meu futuro ao seu lado, eu amo ele, sempre vou amar, amor insubstituível tenho certeza que ele nunca será esquecido. — Tracy toca levemente no caixão, limpando as lágrimas que caiam rapidamente pelo seu rosto, parecendo entrar em uma espécie de transe.
A próxima a se levantar seria eu, puxo todo o ar que consigo, me levanto e em passos lentos vou até o caixão, deixo as flores vermelhas ali e depositando um beijo no topo, onde o rosto de Ryan aparecia, sinto uma forte dor no peito, como se algo em mim morresse naquele exato momento.
— Não tive a oportunidade de aprofundar minha relação com ele, mas o que eu vivi foi perfeito, ele era um amigo para todas as horas, sempre me ajudou quando precisei, sei que onde quer que ele esteja, ele vai está pensando o quanto eu estou ridícula com a maquiagem toda borrada.— dou uma risada fraca, passando a mão em baixo do olho. — Ryan se sacrificaria por todos que estão aqui e por aqueles que ele não conhecia, o seu coração não tinha espaço para maldade, ele fazia de tudo para vê os outros bem, mesmo quando ele não estava em condições ótimas, nesses mês, o sorriso que estampava seu rosto era de satisfação, felicidade, como se lá no fundo, ele sentisse que seu papel e o seu dever estivesse sendo finalizado, ele ajudou milhares de pessoas com doações e todas as coisas que estava em seu alcance, aqueles que vêem de fora não sabe a pessoa incrível que ele era, a pessoa gentil, doce e amável, hoje ele deixa muitas pessoas queridas, mas seu legado e sua pessoa nunca deixara a gente, hoje o céu ganha mais uma estrelinha, e será aquela que irá brilhar em proteção a nossa família. — Volto meu olhar para o caixão uma última vez e sem forças saio do lugar.
Me sento ao lado de Lucas, apoiando minha cabeça em seu ombro, tio, minha mãe e os meninos fazem seus breves discursos, até a hora em que teremos que se despedir para sempre, alguns minutos se passam, até vierem para enterrar o caixão, cerca de quatro homens fazem força para colocar o caixão no local, a lápide — Ryan Butler 1998-2019 — Após trancarem a porta do necrotério, as pessoas vão saindo do cemitério ao pouco, eu sou a última a sair mesmo sem querer, última despedida nunca é fácil.
Mais uma pessoa se foi, por minha culpa.
Parker Hall não descansaria até ter aquilo que queria, e eu não descansaria até matar aquele filho da puta, minha mente estava a milhão, tudo tão confuso, depois da morte do Ryan as coisas só se complicaram mais, os ataques iram ser mais frequentes, a máfia iria cair cada vez mais, e sem ele por perto, minha vida mudaria.
Talita POV
Eu estou preste a enlouquecer, Kaitlyn tem que voltar, era a única forma que a máfia tinha para não vim a falência, aquele não era meu papel, e eu já estava totalmente aflita.
Estávamos no galpão, quando o barulho de pneus derrapando no chão foi ouvido, rapidamente, todos os portões foram abertos, e o barulho de tiro ecoou por todo galpão, corremos e pegamos as armas, atirando contra os caras que entravam de forma rápida por todos os lados.
Foi totalmente inesperado, em questão de segundos, o galpão foi preenchido por vários homens vestidos de preto, todos pararam de atirar, mas continuaram com suas armas apontadas para nós, a gente estava em desvantagem, ali tinha o triplo de homens a mais que os nosso.
Foi tudo muito rápido.
Do meio deles, um homem - muito gato por sinal - deu um passo a frente, como se fosse uma espécie de chefe, ele era a cara do Xamã, mas era muito mais musculoso e um pouco grande, ele tinha uma arma nas costas e outra em sua mão, se aproximou da gente e pude vê quando seu olhar caiu em Bruce.
— Pensava que você seria o primeiro a morrer,quando tudo isso aqui começou. — Xamã falsificado falou assim que ficou frente a frente com Bruce. — Cadê ela?
— Não está — Bruce falou firme, ainda mantendo contato visual com o homem, era como se não existisse mais ninguém ali, o cara deu uma risada baixa negando com a cabeça.
— Você sabe que eu não estou para brincadeira Willians, cadê ela? — O cara perguntou novamente, ali todo mundo estava em silêncio e só os dois falavam.
— Você acha que eu sou idiota e que eu falaria onde ela está? mas eu vou repetir novamente, ela não está aqui. — Bruce da um passo a frente, mostrando firmeza.
— Vou deixar só um aviso aqui, e espero que esse aviso chegue até ela, o jogo virou, ela sabe o que eu quero, e não vou descansar até conseguir, Ryan foi o primeiro, se liga para não ser o próximo. — Vejo Tracy querer ir pra cima dele, mas eu a seguro, vejo o olhar dele cair em mim e da um sorriso de lado, sinto um forte aperto no peito — Kaitlyn sabe que eu sempre consigo tudo que eu quero. — ele passa o olhar por todos no galpão e se vira para sair, mas antes, seus homens atiram em tudo que tem ali.
O prejuízo vai ser grande, estou até vendo, assim que escutamos o barulho dos carros se afastando, olho para Bruce de sobrancelhas arqueadas sem entender porra nenhuma.
— Que porra foi essa?
— Parker, era ele. — Arregalo os olhos.
— Que merda — Olho ao redor, vendo tudo destruído. — Já era, perdemos toda a estrutura do galpão.