Capa do Romance A lei do crime

A lei do crime

9.2 / 10.0
Analu realizou o sonho de ser policial, sem saber que seu pai era um agente corrupto aliado ao crime. Durante um resgate arriscado em uma comunidade para salvar uma criança, ela se vê presa em um intenso tiroteio. Em meio ao caos, seu destino cruza com o do temido chefe do tráfico local. Agora, mesmo à paisana, ela enfrenta um perigoso jogo de sobrevivência: se sua verdadeira identidade for descoberta pelo dono do morro, o preço a pagar será a própria vida.

A lei do crime Capítulo 1

Analu

Acho que muitos poderiam esperar que meu dia começasse de um jeito melhor, talvez com meu cabelo perfeito espalhado pelo travesseiro, meus lindos olhos azuis se abrindo e fitando o teto. Mas eu estaria mentindo se falasse isso, afinal eu tenho belos olhos castanhos e não azuis, e nesse exato momento meu cabelo está parecendo um ninho, talvez eu não desperte de forma tão glamourosa. Ainda sim me arrasto vagarosamente até o banheiro no corredor, sempre me perguntei como morava numa casa tão grande e bonita, se o salário de um policial como o meu pai não parece tão atrativo, mas ele sempre me diz que sabendo investir o pouco dinheiro que você ganha o resto vem com o tempo.

Eu prefiro acreditar que meu pai é um bom investidor, mesmo minha mãe insinuando coisas, eu sei que ele é um bom homem. Termino de escovar os dentes e lavar meu rosto, agora era vez de usar uma escova para desembaraçar o meu cabelo, ele é ondulado e grosso o acho bem bonito até, mas da um certo trabalho todas as manhãs. Voltando o foco na minha querida família, minha mãe e meu pai não estão mais casados e já tem um bom tempo, afinal ela engravidou aos dezesseis e num momento de pura pressão foram morar juntos, porque meus avós não aceitaram ela grávida na casa deles. Quando eu tinha uns cinco anos eles largaram de mão, só estavam juntos por mim e resolveram colocar um fim nisso, então passaram a dormir  em quartos separados na mesma casa.

Meu pai é mais velho que minha mãe e já estava começado a pagar essa casa, na época em que eles estavam ficando e ela engravidou, então digamos que sempre vivi de forma confortável graças a ele. Meu pai teve mais um filho com sua atual namorada, ele tem dez anos e vive aqui, a mãe dele e o pai vivem de idas e vindas. Já eu sou uma garota focada nos estudos, nunca cheguei a namorar sério porém fiquei com alguns rapazes poucas vezes, talvez eu não seja a pessoa mais sociável desse lugar. Pego uma calça jeans e uma camiseta no armário, me olho no espelho e me sinto confortável com o look, eu não era uma garota padrão tinha minhas gordurinhas e tals, coisa normal que a maioria das mulheres tem e está tudo bem, na infância me sentia insegura por não ser magra porém hoje me sinto ótima comigo mesma.

— Nossa que cheiro bom de café — digo pegando a manteiga na geladeira.

— Eu fiz para a minha princesa — diz o meu pai dando um beijo em minha cabeça.

— Estou tão ansiosa para trabalhar hoje, ainda sinto como me senti no primeiro dia.

— Eu tenho tanto orgulho de você, minha única filha seguindo a mesma profissão que a minha.

— É uma pena eu ter que trabalhar em outra delegacia e não na mesma que a sua — passo passa a manteiga no pão quentinho.

— Mas pense que você não vai ser obrigada a ver a minha cara todos os dias.

...

Estava dentro da viatura com um colega que dirigia, estávamos fazendo a patrulha pelo bairro, aquele lugar era diferente do bairro aonde eu vivia aonde as casas em grandes e bonitas, aqui tudo era muito mais simples e as ruas pouco cuidadas, mas as crianças pareciam tão felizes brincando na rua. Eu realmente sentia um grande aperto no coração, toda vez que lembrava das ocorrências aonde pessoas inocentes eram atingidas por balas perdidas, principalmente quando se tratava de alguma criança tão flagil.  Em meio aos meus devaneios permaneço atenta a tudo a minha volta, parecia não ter nada demais acontecendo naquele momento, até que vejo uma mulher gritando e correndo na nossa direção.

— Um homem levou meu celular, ele foi naquela direção — ela diz desesperada.

— Como esse homem é? Precisamos de alguma característica — diz o meu parceiro.

— Ele usava uma blusa azul de capuz, óculos de sol e era magro e não muito alto.

Ele acelera rumo a direção que ela tinha apontado, poucos minutos depois avistamos alguém que batia com a descrição, ele estava subindo numa moto e carregava consigo uma mochila provavelmente com os objetos roubados. Seguimos na cola da moto que acelera ao nos notar, seguimos os suspeitos com a sirene ligada o tempo todo, passando por faróis fechados e por curvas difíceis, aquele lugar parecia um labirinto e os bandidos se aproveitavam disso. Seguimos no encalço dos suspeitos que tentam nos despistar o tempo todo, até que a moto cai com os dois, eles se levantam e correm então cada um de nós segue a pé atrás deles. Sigo o suspeito que estava com a mochila e ele tenta atirar contra mim, me escondo atrás de alguns carros enquanto permaneço o seguindo de perto, ele tropeça em alguns entulhos e eu avanço sobre ele o imobilozando rapidamente. O faço soltar a arma e o algemo.

— Eu tinha que ser pego logo por uma vadia — reclama o folgado parecendo não ter medo de desacatar uma polícial.

— Além de ser preso por roubo vai ser por desacato também — o conduzo até a viatura.

— Isso não vai ficar assim não. Tá ligado? Eu vou tá na rua hoje mesmo.

— Vamos ver se vai ser assim mesmo — continuo seguindo até a viatura aonde encontro meu parceiro com o outro suspeito.

...

— O dia hoje foi bem corrido — diz Silvia vestindo seu casaco.

— Eu sinceramente me sinto ótima trabalhando, mas tirar a farda e ir para casa descansar também é muito bom.

—  Eu ainda tenho que fazer a janta e lavar roupa — ela escreve algo no celular e depois o guarda na bolsa.

— Normalmente meu pai pede comida, minha mãe não gosta de cozinhar e eu e ele trabalhamos, então o jantar é sempre marmita ou pizza — caminho ao lado dela já que metade do caminho até a a casa dela era o mesmo que o meu.

— Bem que eu queria só que o salário não me permite fazer isso todos os dias, tá tudo tão caro que eu acabo fazendo o básico do básico.

— É... Realmente não ganhamos muito e essa é a realidade da maioria dos brasileiros — acabo ficando em silêncio pensativa sobre o nosso padrão de vida ser bem melhor que o dos meus colegas.

— E eu ainda estou pagando as parcelas do carro junto com o meu marido, então o jeito é da uma segurada e só comer coisa diferente no fim de semana.

Nos despedimos no meio do caminho e eu pego o transporte público, desço num ponto próximo a minha casa e ando cerca de cinco minutos a pé. Eu não costumava dirigir para ir e voltar do trabalho, normalmente só pegava o carro nos meus dias de folga. Chego em casa e encontro meu irmão jogando vídeo game, beijo a cabeça dele e sigo até o segundo andar aonde ficava meu quarto. Jogo a bolsa num canto e procuro pelo meu pijama, em casa costumava usar sempre algum pijama. Como não tinha passado maquiagem só precisei tomar um bom banho e me vestir. A essa hora meu pai já estava na cozinha pedindo comida, desço e o encontro pedindo marmita de macarronada e frango assado.

— Meu prato favorito — eu e meu irmão dizemos em unissono.

— Eu sei que vocês dois amam comer isso — ele faz cócegas no meu irmão.

— Principalmente com um refrigerante, né pai? — ele tenta convencer o pai.

— Você sabe que só no fim de semana, durante a semana só suco e água — ele bagunça o cabelo do menino.

— Eu odeio essas regras de refrigerante e doce só fim de semana — ele bufa.

— Se fosse por você ninguém nessa casa tinha sequer saúde — ele brinca.

— Não sei se quero ser saudável, principalmente se tiver que comer salada.

— Para de reclamar e vai com a sua irmã fazer a salada e o suco.

Todas as tarefas em casa eram divididas, meu irmão e eu normalmente fazíamos coisas como preparar os acompanhamentos do jantar, e tirar o lixo enquanto minha mãe era responsável pela louça, e normalmente meu pai era quem secava e guardava a louça. Uma diarista vinha três vezes na semana limpar, e nós só mantinhamos tudo organizado nos outros quatro dias. Minha mãe desce as escadas com o celular na mão, ela era uma mulher jovem que trabalhava como cabeleireira, e normalmente só ficava em casa até a hora do jantar depois ia viver a vida dela, mas o jantar em família era algo que ninguém aqui abria mão.

— Eu tenho um encontro com um boy daqui a pouco, então logo depois do jantar eu vou ter que sair — ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Marcela era uma mulher jovem com seu quarenta anos, cabelos cacheados e longos, olhos verdes levemente puxados e uma pele de cor quente. Ela tinha um corpo muito bonito cheio de curvas e usava roupas que o valorizavam muito, não tinha como achar aquela mulher feia, ela era realmente muito atraente e sabia como se arrumar. Eu tinha puxado um pouco mais ao meu pai que era calcasiano, de cabelos lisos e olhos castanhos, mas eu também tinha um pouco da minha mãe inclusive meu cabelo era a mistura do cabelo dos dois.

Insta: @autorashelbykirby

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