Capítulo 2

Ponto de Vista: Alice Moraes

Na manhã seguinte, preparei o café da manhã de Arthur, os movimentos automáticos. Ovos mexidos, torradas, café. Coloquei o prato dele na sua frente, na ilha da cozinha. Ele resmungou um obrigado sem tirar os olhos do celular. Eu me sentia menos como uma esposa e mais como uma cozinheira de um restaurante que ele frequentava. O silêncio era denso com palavras não ditas, um cobertor pesado sufocando o que restava do nosso relacionamento.

Eu o levei até o pequeno estúdio de gravação que ele alugava no centro, um espaço que ele agora alegava ser apenas para colaborar com outros músicos, não para seu "trabalho solo sério". Isso, aparentemente, exigia o solo sagrado da minha garagem. A viagem de carro foi tão silenciosa quanto o café da manhã.

Quando cheguei ao meu próprio escritório na empresa, agi com uma eficiência cortante que surpreendeu até a mim mesma. Respondi aos e-mails mais urgentes, remarquei uma reunião não essencial e disse ao meu chefe que tive uma emergência dentária súbita.

Em vez de dirigir meu próprio carro para casa, chamei um Uber. Não podia arriscar que Arthur visse meu carro na garagem se decidisse voltar por algum motivo. O motorista me deixou no final da rua, e eu praticamente corri pela calçada, meu coração batendo com uma mistura de medo e adrenalina.

Era agora. Eu ia conseguir minhas respostas.

Tropecei nas minhas chaves, minhas mãos tremendo enquanto destrancava a porta da frente. Nem me preocupei em tirar os sapatos. Fui direto para a porta da garagem, minha bolsa ainda pendurada no ombro. Alcancei a maçaneta, uma sensação de vingança triunfante surgindo em mim.

E então meus dedos tocaram um metal frio e desconhecido.

Parei. Olhei fixamente. A simples maçaneta de latão que estava lá ontem havia sumido. Em seu lugar, havia uma fechadura eletrônica prateada e elegante com teclado, uma única luz vermelha brilhando ameaçadoramente no centro.

Meu sangue gelou. Ele havia trocado a fechadura. Ele havia instalado um teclado, um portão de fortaleza em uma simples porta interna. Minha respiração falhou. Eu não conseguia entrar. Eu estava trancada para fora. De novo. Desta vez, permanentemente.

Uma onda de fúria pura e inalterada me dominou, tão potente que me deixou tonta. Dando um passo trêmulo para trás, peguei meu celular e tirei uma foto nítida e em alta resolução da nova fechadura. Eu não sabia por quê, mas meu cérebro de analista me disse para documentar tudo.

De repente, a porta da frente bateu atrás de mim.

Eu me virei, um grito preso na garganta. Arthur estava lá, o peito subindo e descendo, o rosto uma máscara de raiva trovejante.

"Que porra você está fazendo em casa?", ele rosnou.

"Eu... tive uma dor de dente", gaguejei, minha mente a mil. Como ele sabia?

Ele deu um passo ameaçador em minha direção, o celular na mão. "Dor de dente? Sério? Porque seu escritório disse que você teve uma emergência dentária. E o meu aplicativo de localização diz que sua emergência é bem aqui, tentando arrombar meu estúdio."

Ele estava me rastreando. A constatação foi um golpe físico, tirando o ar dos meus pulmões.

Antes que eu pudesse processar a violação, ele avançou. Sua mão disparou e agarrou meu braço, seus dedos cravando na minha carne como garras. Ele apertou, com força. Uma dor aguda e lancinante subiu pelo meu ombro.

"Ai! Arthur, você está me machucando!", gritei, tentando soltar meu braço.

"O que você estava fazendo?", ele repetiu, a voz perigosamente baixa, o rosto a centímetros do meu. Eu podia sentir o cheiro de café em seu hálito.

"Me solta!", gritei, puxando meu braço com toda a minha força. O movimento repentino o desequilibrou, e ele tropeçou um passo para trás, seu aperto afrouxando o suficiente para eu me libertar.

"Esta casa é minha!", berrei, minha voz tremendo de dor e raiva. "Eu posso estar onde eu quiser na minha própria casa!"

"Não no meu estúdio", ele sibilou, os olhos em chamas.

"Quando você ia me contar que trocou a fechadura?", exigi, esfregando meu braço latejante. Um hematoma escuro já estava começando a se formar.

"Eu ia te contar na hora certa", disse ele, descartando minha pergunta como se fosse irrelevante.

Ele deu outro passo em minha direção, as mãos cerradas em punhos. Eu recuei, meu coração martelando contra minhas costelas. Naquele momento, eu estava genuinamente com medo dele. Ele viu o medo em meus olhos e um lampejo de algo — satisfação? — cruzou seu rosto.

Instintivamente, desviei quando ele tentou me agarrar de novo. Desta vez, eu estava pronta.

"Se você me tocar de novo, Arthur, eu vou chamar a polícia", eu disse, minha voz trêmula, mas firme. Levantei meu celular, meu polegar pairando sobre o botão de chamada de emergência.

Meu braço doía. Minha alma doía. Uma única lágrima quente de pura raiva escorreu pelo meu rosto. Era isso. O limite havia sido cruzado. Isso não era mais um desentendimento ou um segredo. Isso era abuso.

A ameaça da polícia o parou na hora. O pânico brilhou em seus olhos, arregalados e nítidos. Ele visivelmente murchou, a agressão se esvaindo para ser substituída por um medo desesperado e astuto.

"Ok, ok", disse ele, baixando a voz, levantando as mãos em um gesto de rendição. "Vamos parar de drama, Lice."

"Drama?", eu ri, um som áspero e quebrado. "Você me rastreou, me agrediu, e está me chamando de dramática? Eu vou chamar a polícia."

"Não, espera!", sua voz era afiada de urgência. "Não chame. Podemos resolver isso. Se você ligar para eles... acabou. É isso que você quer? Jogar nosso casamento fora?" Ele deu um passo mais perto, seu tom mudando para um de súplica. "Nós vamos nos divorciar."

Divórcio. A palavra pairou no ar entre nós, feia e final. Eu congelei. Pensei nos meus pais, na decepção silenciosa deles. Pensei no legado da minha avó, na base que ela me deu, e na vergonha de ver tudo desmoronar em menos de um ano.

E pensei na casa. Minha casa. Em um divórcio, ele teria direito a metade do seu valor. Metade da minha herança. O pensamento era nauseante.

Ele viu a hesitação no meu rosto e aproveitou a vantagem. "Chame a polícia, e eu saio daqui com metade desta casa. A casa da sua avó", disse ele, a voz cheia de veneno. "Ou... você deixa isso pra lá. Você promete respeitar minha privacidade, fica fora da garagem, e nós esquecemos que isso aconteceu. A escolha é sua."

Era um xeque-mate. Ele me encurralou, usando meus próprios bens, meu próprio orgulho familiar, como uma jaula. Uma onda de fúria impotente me invadiu. Eu queria gritar, atacar, quebrar alguma coisa.

Em vez disso, olhei-o nos olhos e disse: "Tudo bem." A palavra foi um caco de vidro na minha garganta.

Ele não tinha terminado. "E você vai se desculpar por andar bisbilhotando pelas minhas costas e tentar invadir meu espaço."

A audácia daquilo era de tirar o fôlego. Eu o encarei, minha visão embaçada por lágrimas de raiva. Senti uma dor aguda na palma da mão e olhei para baixo para ver que minhas próprias unhas haviam cravado feridas em forma de crescente na minha pele. A dor física era uma distração bem-vinda do inferno de humilhação que queimava dentro de mim.

Virei-me sem outra palavra e me afastei, o eco de sua vitória presunçosa me seguindo escada acima.

De volta ao escritório naquela tarde, minha melhor amiga e colega, Helena Chaves, olhou para mim e franziu a testa. "Ida ao dentista foi difícil?", ela perguntou, seus olhos se estreitando na marca roxa fraca no meu braço que minha manga não cobria completamente.

Eu rapidamente puxei minha manga para baixo. "Tipo isso."

"Você parece que andou chorando", ela observou, seu cérebro cínico de analista de dados não perdendo nenhum detalhe. "Problemas no paraíso com o músico incompreendido?"

Forcei um sorriso fraco. "Coisas de recém-casados. Você sabe."

"Não, não sei", disse ela secamente. "E é por isso que continuo feliz e solteira. Falando em casais, a lista de inscrição para o retiro anual da empresa está circulando. Duas noites naquele resort chique no lago. Já coloquei você e o Arthur como 'talvez'."

Uma nova onda de exaustão me atingiu. "Ah. Certo. Eu vou se ele for."

Helena bufou. "Boa sorte com isso. Eu o vi no saguão mais cedo quando ele te deixou. Ele disse ao Marcos da contabilidade que 'nem fodendo' ele iria em uma 'viagem de confraternização de engravatados'."

A crueldade casual daquilo, de nem ter a decência de me dizer pessoalmente, foi apenas mais um pequeno corte. "Vou perguntar a ele eu mesma", eu disse, com a voz tensa.

Encontrei Arthur perto da máquina de café, encantando uma nova estagiária. Ele estava de volta ao seu elemento, o artista carismático, todo sorrisos e confiança fácil. Esperei até a estagiária se afastar, corando.

Enquanto me aproximava, ouvi-o conversando com Marcos. Eles estavam discutindo um engavetamento catastrófico na rodovia na semana passada, uma tragédia que matou uma jovem família. Era um tópico sombrio, mas Arthur falava sobre isso com um estranho distanciamento, quase clínico.

"Arthur", eu disse baixinho, aproximando-me dele. "A Helena mencionou o retiro da empresa."

Ele se virou para mim, seu sorriso desaparecendo. Seus olhos estavam vazios, desprovidos de qualquer calor. "Eu não vou."

"Arthur, meu chefe está esperando a gente. Pega mal se não aparecermos. É importante para a minha carreira."

De repente, sua voz ecoou pelo escritório silencioso. "Eu disse que não vou, porra! Você é surda? Quantas vezes eu tenho que dizer?"

O escritório inteiro ficou em silêncio. Todas as cabeças se viraram. Todos os pares de olhos estavam em nós. Meu rosto queimou com uma humilhação espetacular e avassaladora. Senti-me nua, exposta, cem agulhas invisíveis de julgamento picando minha pele. Pude ver a pena nos olhos de Helena do outro lado da sala.

Naquele momento, qualquer traço de amor que eu pudesse ter por ele, qualquer resquício do homem com quem pensei ter me casado, evaporou. Não foi lascado; foi incinerado, deixando para trás nada além de cinzas frias e duras.

A ilusão estava quebrada. Eu não era casada com um artista em dificuldades. Eu era casada com um monstro.

Mais tarde, Helena me encontrou na copa, olhando fixamente para uma xícara de café que eu não tinha intenção de beber. Ela não disse nada, apenas me entregou um pedaço de papel. Nele havia um nome e um número.

"Ele é chaveiro", disse ela em voz baixa. "Também mexe com sistemas de segurança. Ele me deve um favor. Ele pode te dizer que tipo de fechadura é essa na sua garagem e como passar por ela."

Olhei do papel para o rosto dela, meus olhos se enchendo de lágrimas que me recusei a deixar cair.

"Obrigada", sussurrei.

Ela apertou meu ombro. "O que quer que esteja acontecendo, Lice, você não está sozinha nisso."

Enquanto ela se afastava, olhei de volta para o escritório principal. Arthur estava perto de sua mesa, fingindo estar em uma ligação, mas seus olhos estavam fixos em mim, estreitos e vigilantes. Ele sabia que eu estava planejando algo. E eu sabia que ele estava observando.

O jogo havia mudado.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Alice Moraes

Naquela noite, uma trégua frágil se instalou sobre a casa. Eu fiz o jantar, comemos em quase silêncio, e o ar estava pesado com as coisas que não estávamos dizendo. Antes de subir, fiz uma vistoria casual no primeiro andar, meu coração batendo forte quando verifiquei o painel da câmera de segurança perto da porta dos fundos. Como eu suspeitava, a imagem da câmera apontada para a garagem ainda estava convenientemente "offline". Ele deve tê-la desativado ontem antes de sair para me seguir.

Arthur chegou em casa carregando uma sacola pequena e discreta de uma loja de eletrônicos cara. Ele tentou virar o corpo para longe de mim enquanto entrava, levando-a rapidamente para a garagem. Pela fresta da porta, antes que ele a fechasse, vislumbrei uma caixa. Não era equipamento de música. Parecia mais uma babá eletrônica ou algum tipo de dispositivo de escuta avançado. O mal-estar em meu estômago se transformou em um nó frio e duro.

Passamos pelos rituais de nos prepararmos para dormir. Cuidei do hematoma feio no meu braço, passando pomada. Arthur nem sequer olhou para ele. Ele estava a um milhão de quilômetros de distância, sua mente claramente no que quer — ou quem quer — que estivesse na garagem.

Quando eu estava prestes a apagar a luz do meu abajur, ele falou, sua voz me assustando no quarto silencioso.

"Você ainda está pensando nisso?", ele perguntou.

Virei-me para ele. "Sobre o quê?"

"O divórcio."

A pergunta foi tão direta, tão desprovida de emoção, que pareceu uma transação comercial. Ele não estava perguntando por medo ou tristeza. Ele estava coletando dados.

"E você?", retruquei, minha voz perigosamente baixa.

Mil pensamentos amargos giravam em minha mente. Seria esse o plano o tempo todo? Casar com a mulher estável com a casa bonita, estabelecer residência, depois se divorciar dela e sair com uma bolada e metade de seus bens?

"Eu perguntei primeiro", disse ele, a voz neutra.

"E eu estou te perguntando, Arthur. É isso que você quer?", eu disse, me apoiando em um cotovelo para encará-lo. "Porque se você não está feliz, pode ir embora. Pode sair por aquela porta agora mesmo. Mas você vai sair apenas com a roupa do corpo."

Ele não respondeu. Apenas ficou olhando para o teto por um longo momento antes de soltar um suspiro pesado e virar as costas para mim. "Apenas vá dormir, Alice."

"Você prometeu que estava trabalhando nos seus 'problemas'", eu disse para as costas dele, as palavras com gosto de veneno. Eu não conseguia parar de provocá-lo. "Você prometeu que as coisas iriam melhorar."

"Pelo amor de Deus, você pode simplesmente deixar isso pra lá por uma noite?", ele retrucou, a voz abafada pelo travesseiro. "A gente conversa amanhã. Apenas durma."

Apaguei a luz, mergulhando o quarto na escuridão. Ficamos ali, de costas um para o outro, o espaço entre nós um deserto congelado. Pensei em como as pessoas podiam ser diferentes em um casamento, querendo coisas completamente diferentes. Eu queria um parceiro, uma vida construída juntos. O que ele queria? Estava se tornando terrivelmente claro que seus objetivos não tinham nada a ver comigo.

A vida que eu estava vivendo parecia insuportável, uma sufocação em câmera lenta. Mas eu me sentia presa, sem um caminho claro para sair que não envolvesse destruir tudo pelo que eu havia trabalhado.

Devo ter adormecido em algum momento, porque a próxima coisa que soube foi ser despertada por um leve som de arranhão. Abri os olhos. O relógio digital na minha mesa de cabeceira marcava 3:17 da manhã. O espaço ao meu lado na cama estava vazio.

Minha respiração ficou presa na garganta. Ele estava na garagem. Ele havia saído da cama sorrateiramente, pensando que eu estava dormindo, para ir ao seu precioso "estúdio".

Esta era a minha chance. Eu tinha que ver o que ele estava fazendo. Eu tinha que saber.

Joguei minhas pernas para o lado da cama, pronta para descer as escadas e ouvir na porta. Mas meu corpo parou de repente. Meu braço esquerdo estava esticado, preso por algo frio e metálico.

Olhei para baixo. Meu coração parou.

Um par de algemas estava preso em meu pulso. A outra algema estava presa a uma corrente grossa e pesada que estava cadeada na estrutura da cama.

Por um momento, meu cérebro se recusou a processar o que eu estava vendo. Era impossível. Esta era a minha cama. Meu quarto. Meu espaço seguro. E eu estava acorrentada a ele. Como um animal.

O pânico, frio e agudo, me dominou. Puxei a corrente, mas era sólida, inflexível. O metal mordeu meu pulso, frio e implacável. Eu estava presa. Ele havia me trancado. Ele havia me acorrentado à cama para que pudesse cuidar de seus negócios secretos sem medo de que eu o descobrisse.

A raiva que se seguiu foi tão intensa que me cegou. Eu não era mais uma esposa. Eu era uma prisioneira. Eu era uma personagem de um daqueles filmes de terror, a mulher acorrentada no porão. Ele não me via como uma pessoa. Ele nem sequer me via como humana.

Então eu ouvi. O rangido suave das tábuas do assoalho no corredor. Ele estava voltando.

A pura sobrevivência instintiva entrou em ação. Voltei para a cama, puxando o edredom até o queixo, arrumando a corrente para que ficasse escondida sob os cobertores. Virei-me de lado, de costas para o lado dele da cama, e forcei minha respiração a ser lenta e uniforme. Eu estava dormindo. Eu não era nada. Eu não era uma ameaça.

Minha mente disparou. Eu não podia lutar com ele fisicamente. Ele era maior, mais forte e, claramente, mais impiedoso. Eu tinha que ser mais esperta. Tinha que jogar o jogo dele, mas tinha que jogar melhor.

Ele entrou no quarto silenciosamente como um fantasma. Senti a cama afundar quando ele entrou. Não movi um músculo. Senti-o destravar a algema do meu pulso com cuidado e perícia. Houve um clique suave, e a pressão sumiu. Ele era treinado nisso. Quantas vezes ele já tinha feito isso antes de eu perceber?

Ele se deitou e, depois de um momento, senti-o cutucar meu ombro gentilmente. Um teste. Para ver se eu estava acordada.

Permaneci perfeitamente imóvel. Nem sequer tremi. Eu era uma estátua.

Depois do que pareceu uma eternidade, ele pareceu satisfeito. Ele rolou de costas e soltou um suspiro baixo. Enquanto se acomodava, um estranho coquetel de cheiros chegou até mim. Havia o cheiro fraco e familiar de sua colônia, mas por baixo havia outra coisa. Um perfume barato e frutado que eu não reconheci, e o cheiro acre e químico do que eu pensei que poderia ser tinta de couro ou algum tipo de cola industrial.

O que diabos ele estava fazendo naquela garagem? Havia mais alguém lá com ele? O perfume... era de outra mulher? Minha mente girava com possibilidades, cada uma mais sombria que a anterior. Nada fazia sentido.

Sua respiração logo se aprofundou em um ronco suave. Mas para mim, o sono havia desaparecido. Fiquei acordada pelo resto da noite, minha mente um mar turbulento de medo e fúria, a sensação do aço frio ainda fantasmagórica em volta do meu pulso.

Quando o sol finalmente nasceu, as olheiras escuras sob meus olhos eram um testemunho da minha noite sem dormir. Olhei para mim mesma no espelho do banheiro, para a mulher que me encarava com olhos assombrados.

Isso tinha que acabar. Hoje. Eu não conseguiria sobreviver a outra noite nesta casa, nesta cama, com este homem. O tormento psicológico era um veneno, e estava me matando uma gota lenta e agonizante de cada vez.

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