PONTO DE VISTA DE OLIVIA:
A namorada de Lucas me encarava com os lábios ensanguentados.
"Não se aproxime! Fique longe de mim." Eu gritei ao me abaixar para fazer pressão no meu pé machucado, em uma tentativa de estancar o sangue.
Pensei que ela estava indo embora quando a vi se levantar.
Mas estava errada.
"Olhe para mim, sua vadia." Ela rosnou para mim, eu olhei para cima para ver o que ela estava planejando.
E para meu horror, ela estava segurando uma grande chaleira com água fervente.
Eu vi os trigêmeos correndo em nossa direção.
Eles já estavam próximos da porta.
Até que ela finalmente abriu a chaleira e jogou a água fervente em mim.
"Alice, o que... Não...!", gritou Lucas com os olhos arregalados de choque.
Eu usei as minhas mãos para tentar me proteger. Ao invés de atingir meu rosto, minhas mãos serviram de escudo e foram queimadas.
Eu gritei em pânico. Sentia que meu corpo inteiro estava queimando. Eu caí no chão, gritando de dor e tive uma visão daquela vadia sorrindo satisfeita.
Foi difícil manter os olhos abertos. Comecei a me sentir fraca e tonta. De alguma forma, consegui abrir meus olhos e vi a expressão horrorizada no rosto dos trigêmeos. Eles pareciam estar preocupados.
"Como você ousa fazer isso?" Surgiu uma voz familiar.
Olhei para a porta e ali estava Erik.
Meu único amigo em toda essa matilha. O herdeiro do Gamma e atual beta.
Erik nunca tinha sido cruel comigo. Mesmo após ser xingado e maltratado por seu pai, ele ainda dava um jeito de fugir e secretamente me oferecia um pouco de comida.
Ele é como um irmão. Ele até já comprou roupas para mim sem ninguém saber. Eu o amo.
Ele correu em minha direção mas hesitou em me abraçar pois todo o meu corpo estava vermelho e queimado.
"Olivia...", disse Erik à beira das lágrimas. De alguma forma ele conseguiu me levantar e me ajudou a sentar, aos prantos eu o abracei.
Minhas mãos queimadas doíam enquanto o agarrava, mas me sentia segura. Eu gritava enquanto o abraçava e escondia o meu rosto em seu peito.
"Shhh, acalme-se. Vai ficar tudo bem, Olivia. Vou te levar ao médico agora." Erik me consolava esfregando as minhas costas, um dos poucos lugares do meu corpo que não tinha sido queimado e não doía.
"A dor é insuportável, Erik. Por favor, apenas me mate. Eu não aguento mais, acabe com meu sofrimento. Por favor, por favor, por favor..." Aos prantos, eu implorei.
Erik permaneceu em silêncio, então eu implorei novamente.
"Erik, por favor. Eu quero ficar junto do meu pai. Ele nunca vai me machucar. Erick, por favor... Estou te implorando." Eu supliquei desesperada.
"Mas é claro que você quer estar com o Traidor, vocês são iguais. Sua vaca desprezível. Você merece apodrecer no inferno", disse a namorada de Lucas, com a voz anasalada.
"Alice, cala a boca!", gritou Lucas.
"Meu amor, você...", Alice respondeu sem acreditar.
"Já chega!" Erik gritou.
"Guardas!" Erik convocou os guardas.
"Escolte-a para as masmorras." Ele ordenou aos guardas enquanto me acolhia em seus braços.
Eu ainda chorava alto, sentindo muita dor.
"Ela? Mas...", um dos guardas hesitou, mas Erik o interrompeu.
"Eu, o beta da Matilha da Lua Cheia, ordeno que você escolte-a para as masmorras." Erik repetiu em seu tom beta e sem mais delongas, o guarda começou a arrastá-la.
"Mas... Como você ousa? Lucas fale alguma coisa! Ele não pode fazer isso comigo!", ela gritou ao ser arrastada pelo guarda.
"Se Alfa disser algo sobre este assunto, ele não pode questionar, seria um insulto à sua posição." Erik disse enquanto observava Lucas.
Surpreendentemente, Lucas permaneceu em silêncio, apenas acenou levemente com a cabeça para o guarda.
E assim, o guarda a arrastou para fora da sala. Ela continuou gritando, mas Lucas não se atreveu a olhar para ela.
"Obrigado, Alfa, por honrar os seus deveres de Alfa." Disse Erik e saiu correndo com sua supervelocidade comigo no colo, em direção ao médico.
"Pai, me espere... Estou indo." Foi tudo que consegui dizer ao cair na escuridão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
A escuridão tomava conta de tudo ao meu redor, mas de repente, em um canto mal iluminado, vi meu antigo quarto. A porta do quarto se abriu me fazendo estremecer.
Foi então que vi, eu, em forma de quando era criança, brincando com meu pai.
Ele estava vestido com uma fantasia de tigre, correndo atrás de mim enquanto eu ria despreocupadamente.
Vi a tia Lucy e me escondi atrás dela.
"Nem mesmo a tia Lucy vai te salvar hoje, Olivia." Papai disse imitando a voz de um vilão, me fazendo rir ainda mais.
A tia Lucy ria e se divertia com a nossa brincadeira.
"Mas eu posso te salvar!" O tio Brian apareceu e eu corri para os braços dele antes que meu pai pudesse me alcançar. O tio me pegou no colo e beijou minha bochecha.
"Seu herói chegou, Olivia", disse o tio Brian e eu o abracei, rindo ainda mais alto.
"E eu, não ganho um abraço também?", perguntou a tia Lucy se aproximando de mim e eu pulei em seus braços. Ela deu um beijo em minha testa.
Eu apenas sorria enquanto observava as minhas memórias de infância. Meus olhos se encheram de lágrimas.
Tudo era tão perfeito.
"Poxa, ninguém me ama." Meu pai fingiu estar triste, tia Lucy fez sinal para mim ir dar um beijo nele.
Fiquei na ponta dos pés e dei um beijo na bochecha do papai.
De repente, a porta se fechou com violência. E tudo ficou escuro novamente.
"Não, eles ainda estão no quarto." Eu corri desesperada em direção à porta.
Tentei abri-la, mas estava trancada.
Comecei a bater com força na porta.
Eles estão lá dentro, preciso encontrá-los.
Eu comecei a gritar.
Gritei sem parar, mas não ajudou em nada.
"Preciso abrir a porta...", gritei enquanto abria os olhos.
Eu estava no hospital da matilha. Sentia alguém me abraçar.
"Você está bem, Olivia?" Olhei e vi que era Erik que me abraçava.
"Pai... tia... tio...", me soltei de seu abraço e comecei a procurar por todos os lados.
"Olivia, acalme-se." Pediu Erik.
"Eu acabei de vê-los no meu antigo quarto. Eles ainda devem estar lá!" Tentei sair da cama, mas Erik me segurou.
"O que houve com você? São eles! Estão no meu quarto!" Eu gritei e o empurrei para longe.
"Olivia, acalme-se. Foi apenas um sonho." Erik disse, me deixando com raiva.
"Não é um sonho! Eu acabei de vê-los. Eu estava abraçando a tia Lucy. Foi real, não é um sonho. Eu preciso abrir a porta daquele quarto. Eles estão me esperando lá dentro. Preciso encontrá-los." Eu supliquei.
"Olivia..." Erik apenas olhou para mim com pena e me abraçou.
"Me largue!" Eu me soltei de seus braços.
"Olivia!" Erik gritou me fazendo recuar.
"Olivia, eles estão mortos. Isso aconteceu há mais de seis anos. Seu pai, a tia Lucy... estão mortos. O seu tio Brian está paralisado. Você está me entendendo?" Ele gritou enquanto segurava meu rosto.
Foi então que me dei conta. Erik está certo. Eles já estão mortos. Eu tinha apenas sonhado com algumas memórias da minha infância.
As lágrimas começaram a se formar em meus olhos. Eu comecei a chorar. A expressão no rosto de Erik se suavizou.
Ele me abraçou com força enquanto eu chorava em seus braços.
"Sinto muito a falta deles, Erik. Eu os amo. Se ainda estivessem aqui, não deixariam ninguém me machucar. Lucas, Alex e Benjamin, eles não me odiariam. Sinto falta dos trigêmeos, de como eles eram..." Eu soluçava.
Eu os amava tanto e me odiava por ainda amá-los.
Mesmo depois de tudo que eles me fizeram, eu ainda os amava. Eu os amava desde criança e continuo a amá-los.
É dolorido quando a pessoa que você tanto ama só te retribui com ódio.
"Vai ficar tudo bem, Olivia." Erik esfregou meu cabelo, fazendo um carinho em minha cabeça.
"Ai!" Senti uma pontada de dor no pescoço.
"O que houve?" Erik perguntou com preocupação no olhar.
"Dói... Está ardendo", respondi com lágrimas nos olhos. Eu me sentia péssima. Mas o que doía mais era que os trigêmeos não me protegiam.
"Tudo isso vai passar." Erik acariciou minha bochecha, me consolando como um irmão.
"Erik, eles prometeram me proteger." Chorei ao ver os curativos em minhas mãos.
"Eles disseram que nunca deixariam ninguém encostar em mim." Chorei mais forte.
"É assim que as pessoas cumprem suas promessas?" Eu disse, mostrando a ele os meus braços enfaixados.
Eu vi lágrimas surgirem nos olhos dele.
"Erik... Eu não aguento mais. Não sei o quanto mais eu posso suportar. Eles me prometeram..." Comecei a sentir tonturas e tudo ao meu redor caiu em escuridão novamente.
PONTO DE VISTA DA TERCEIRA PESSOA:
Os trigêmeos estavam do lado de fora do quarto, pois não queriam que Olivia surtasse logo depois de acordar.
Quando Erik correu para o hospital com Olivia nos braços, os trigêmeos não perderam tempo para segui-lo.
Eles realmente eram culpados, mesmo não achando que Alice faria algo do tipo.
Quando Alice jogou café quente no rosto de Olivia, o ímpeto de Lucas foi de querer ajudá-la, mas então se lembrou do que Gamma disse.
Flashback:
"Lembrem-se que tudo o que estamos fazendo com ela é porque ela merece", Gamma disse após o funeral da Luna.
"Tal pai, tal filha. Lembrem-se de que uma maçã não cai muito longe da macieira. Assim como seu pai, ela também é dissimulada e perspicaz. Nada mais do que uma máscara para esconder as suas verdadeiras intenções. A coisa mais importante que vocês precisam ter em mente é a vingança. Ela precisa pagar pela traição do seu pai", Gamma disse com determinação.
Os trigêmeos acenaram com a cabeça para o seu tio (Gamma).
Fim do flashback.
Lucas se controlou para não ajudar Olivia.
Alex estava prestes a se levantar, mas Lucas o deteve.
Os gritos de Olivia estavam fazendo os seus lobos uivarem de tristeza. Eles desviaram o olhar da cena.
Eles tinham consciência de que Olivia era forte o suficiente para suportar tudo aquilo, mas eles pensaram: 'estamos agindo bem em não ajudá-la? Ela merecia este tratamento?
Não, com certeza.' Seus lobos estavam gritando com eles, mas os trigêmeos os ignoraram.
Quando Alice ficou espreitando atrás de Olivia, eles sabiam que algo muito grave aconteceria hoje.
Todavia, eles estavam hesitando em ir.
Alex foi o primeiro a se levantar.
"Onde você está indo, querido?", a voz fanhosa da Mia, namorada do Alex, deixou ele e o seu lobo com muita raiva. Seu lobo reagiu.
"Cale a porcaria da sua boca. Só fale quando for necessário, você entendeu?" Alex bateu com o punho na mesa fazendo-a estremecer com um barulho estrondoso.
Alguns membros da matilha focaram seus olhares para eles e alguns pareciam assustados quando viram toda aquela raiva de Alex. Seu lobo era perigoso.
Ele era o mais impiedoso entre os três.
Mia começou a tremer de medo.
"Acalme-se", Lucas disse a Alex através da ligação mental.
Como Lucas era o mais velho entre eles, Alex o escutou. Portanto, ele controlou-se.
Então, de repente, eles ouviram um som estranho.
Anna (uma das anciãs mais velhas da matilha) disse: "Tenho certeza, Alfa, Alice vai ser espancada hoje, como todos sabemos, nenhuma loba na matilha pode derrotar Olivia."
Alguns dos membros da matilha que estavam do lado da Olivia riram e outros estavam tentando conter a risada.
"Silêncio", Lucas ordenou e todos ficaram quietos imediatamente.
"Acho que devemos ir para lá imediatamente", eles começaram a correr para a cozinha, depois do comentário de Benjamin.
Benjamin percebeu que os pés de Olivia estavam sangrando, quando já estavam quase na cozinha.
"Seus pés estão machucados", Benjamin disse a ela, preocupado, enquanto eles corriam para o local.
Mas antes que os outros pudessem alcançá-los, eles notaram Alice segurando uma grande chaleira com água fervente, com vapor saindo da sua extremidade.
"Tome isto, sua traidora." Eles ouviram de longe por causa das suas super audições.
Eles chegaram no local rapidamente com sua supervelocidade, mas Alice foi mais rápida em jogar água em Olivia.
"Alice não...", Lucas gritou, surpreso com o que estava acontecendo naquele exato momento.
A água encharcou a bela pele cor de mel de Olivia e ela ficou vermelha instantaneamente, assim que entrou em contato com a água fervente..
Os trigêmeos ficaram estarrecidos. Eles não conseguiram impedir aquele ato macabro de Alice. Eles chegaram tarde demais.
Os gritos de Olivia impregnavam os seus ouvidos, partindo os seus corações. Eles sentiram uma dor excruciante dentro deles.
Benjamin queria decepar a cabeça da Alice do seu corpo, porém, o cadáver da sua mãe veio em sua memória para assombrá-lo.
Alex queria abraçar Olivia para consolá-la, entretanto, se lembrou da paralisia do seu pai.
Lucas queria ajudá-la, mas se conteve, a partir do momento que se lembrou das palavras de Gamma.
Eles ficaram atônicos, sem encontrar palavras, o que dizer, o que fazer. Eles ficaram completamente paralisados.
Foi então que Erik chegou no local da tragédia.
Erik acordou atrasado naquele dia e ele nunca esperava ver Olivia neste estado deplorável.
Erik lançou um olhar enojado aos trigêmeos, quando Olivia implorou para que matassem-na porque ela não conseguia mais suportar aquela dor.
Os trigêmeos estavam com os olhos marejados de lágrimas. Mas Lucas parecia pior do que os seus irmãos. Porque ele era o cara que tinha o comportamento mais violento com Olivia.
Depois de escorraçar a Alice para as masmorras, Erik não poupou energia para insultar Lucas.
Quando eles começaram a seguir Erik, os gêmeos ouviram Olivia dizendo:
"Logo nos encontraremos pai..." Estas palavras fizeram os seus corações afundarem de medo.
A culpa os estava consumindo.
E se algo mais sério acontecesse com Olivia? Eles nunca conseguiriam se perdoar e nem poderiam esquecer o que fizeram se alguma fatalidade irreversível acontecesse com Olivia por causa deles.
Eles estavam do lado de fora da sala ouvindo Olivia gritar.
Lucas prontificou-se a entrar, mas Alex segurou seu pulso.
"Não faça isso. Erik irá cuidar muito bem dela", Alex disse.
Eles conseguiam ouvir tudo o que Olivia estava dizendo.
As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Alex quando ele ouviu o que Olivia dizia.
Lucas controlava suas lágrimas e Benjamin parecia que estava prestes a chorar.
Quando eles ouviram Erik gritar com Olivia, todos ficaram furiosos.
Mas quem eles pensam que são? Eles têm tratado Olivia pior do que lixo.
"Eu sinto falta deles, Erik. Eu adoro aqueles três. Se eles estivessem comigo, nunca teriam deixado ninguém me machucar. Lucas, Alex, Benjamin, eles não me odiariam. Eu sinto falta deles ao meu lado." Logo após Olivia terminar a sua frase, todos os três não conseguiram conter as suas lágrimas.
Na realidade o pai deles os teria odiado por tratar Olivia desta forma. Mas o pai dela era a razão dos seus sofrimentos.
Ela agora está pagando pelos atos do seu pai.
"Controlem-se rapazes. Principalmente agora, não podemos ser fracos", Lucas disse enxugando as lágrimas do seu rosto.
"Ela não merece estar passando por isto", Alex disse, enquanto olhava para o chão.
"Claro que ela merece isto. Não se esqueçam de tudo que o pai dela fez", Benjamin disse, mudando sua expressão imediatamente e tornando-se frio e indiferente com a situação.
Alex estava prestes a dizer algo, quando ouviram a voz de Olivia novamente.
"Eles prometeram que iriam me proteger, Erik."
A expressão de indiferença de Benjamin sumiu imediatamente ao se lembrar da promessa que eles fizeram para Olivia.
"Eles prometeram que nunca deixariam ninguém me machucar."
Lucas suspirou ao ouvi-la.
"Olhe para mim agora! É desta forma que eles cumprem suas promessas?"
Alex estava sentindo raiva de si mesmo por quebrar a promessa que fizera, e se martirizou por todas as vezes em que ignorou as torturas que Olivia estava suportando.
"Eu não aguento mais, Erik. Eu simplesmente não aguento. Eles me prometeram..." Subitamente, Olivia suspirou profundamente, seguido de um silêncio agoniante.
Os trigêmeos entraram em choque com o silêncio repentino.
"Olivia, acorde. Olivia." Eles ouviram a voz de pânico do Erik dentro da sala..
Por puro impulso, Alex abriu a porta. E correu para dentro. Lucas e Benjamin o seguiram.
Eles viram o corpo inconsciente de Olivia nos braços de Erik.
"Ela está respirando? Veja se ela está com pulsação", Benjamin disse em pânico.
"É melhor ela não...", Erik balbuciou.
"Como você pode dizer aquilo?", Lucas gritou para Erik.
"É melhor morrer do que ter que suportar todas essas torturas", Erik retrucou.
Os trigêmeos ficaram sem palavras com o comentário de Erik.
Erik era o melhor amigo deles e, ele sempre tentou impedi-los de maltratarem Olivia. Mas Erik nunca tinha dito algo tão duro para eles e o desgosto em seus olhos pelos trigêmeos era nítido, sendo algo, nunca visto por eles anteriormente.
"Erik... você não entende", Lucas tentou falar, mas Erik o interrompeu.
"O que mais eu posso querer entender! Eu nunca disse nada a vocês, porque é meu dever obedecer à decisão do Alfa. Mas o que vocês fizeram é um ato de extrema crueldade", Erik disse, apontando para os ferimentos de Olivia.
"O pai dela era um traidor", Benjamin disse.
"Eu sei disto. Mas ela não é", Erik retrucou.
"Não tem como você ter certeza disto", Benjamin disse.
"Se ela realmente fosse uma traidora, vocês já estariam mortos, haja visto que, ela poderia ter matado todos vocês adicionando veneno na comida, já que, é ela quem prepara todas as refeições", Erik acrescentou.
"Da mesma forma que o pai dela envenenou o meu pai", Benjamin riu amargamente.
"Se todos vocês têm tantos problemas assim com ela, então a matem de uma vez, mas façam isto agora", Erik disse, chocando-os.
"Se vocês não fizerem, faço eu. Porque eu não suporto mais vê-la sofrendo assim, com tanta dor", Erik disse, enquanto colocava Olivia na cama e se levantava.
"Você, não se atreva", Lucas disse em um tom perigoso.
"Por quê, Alfa? Oh... agora eu entendi, você quer matá-la com suas próprias mãos, certo? Fique à vontade, então", Erik disse em tom sarcástico.
"Erik!", Lucas gritou com sua voz de Alfa.
Erik estava prestes a retrucar algo com Lucas, quando ouviram uma voz suave.
"Alex", disse Olivia, com uma voz quase inaudível, mesmo para uma superaudição. Seus olhos estavam fechados.
Ela estava tendo algum tipo de lembrança.
Alex, que estava em silêncio olhando para Olivia durante toda a conversa, correu para perto dela, quando ouviu o seu nome.
"Olivia." Alex rapidamente a puxou para seus braços.
Seu corpo parecia tão vulnerável e frágil.
Esta foi a primeira vez que Alex segurou Olivia desde aquele dia.
"Alex...", Olivia disse novamente, enquanto algumas lágrimas escorriam pelo seu rosto.
"Olivia, estou aqui. Por favor, olhe para mim." Alex deu levemente um tapinha em seu rosto.
Mas ela não respondeu, de fato Olivia começou a ofegar de forma estranha, enquanto estava inconsciente.
"Chame o médico", Benjamin gritou.
"Você disse que me protegeria, entretanto, por que você não a impediu?", Olivia disse soluçando.
A culpa que já estava devorando Alex, agora começou a dilacerar o seu coração ao extremo.
As mãos de Alex começaram a tremer.
"O... olivia." Alex tentou enxugar as lágrimas que escorriam no rosto de Olivia, mas ela começou a gritar.
"Ai... está doendo muito."
Olivia segurou a mão de Alex, enquanto gritava.
"Alex, por favor, faça parar", Olivia gritou.
"Lucas, você me prometeu que sempre cuidaria de mim."
Olivia arqueou as costas como se estivesse sendo apunhalada por trás.
Lucas olhou para Olivia com lágrimas nos olhos.
"Benjamin, você me disse que ninguém nunca faria mal algum para mim, enquanto você estivesse respirando."
Benjamin abriu a boca para dizer algo, mas não conseguiu encontrar palavras.
"Ahhh", Olivia gritou, com sua voz embriagada de dor.
"Todos vocês disseram que me amavam", Olivia disse chorando e terminando com um grito.
Erik olhou perplexo para o que estava acontecendo. Ele estava atônico, hesitando sobre o que deveria fazer.
Foi então, que o médico abriu a porta e entrou na sala.
"Rápido, por favor, examine-a", Erik disse em pânico.
"Alfa, você precisa me dar espaço para examiná-la", o médico disse e Alex rosnou.
"Alex, dê licença. Deixe o doutor trabalhar. Ele precisa examiná-la", Benjamin disse.
Alex cuidadosamente deitou Olivia, que ainda estava ofegante e gritando.
"Parece que ela está tendo lembranças ou...", antes que o médico pudesse completar, Benjamin disse:
"Sim, são lembranças."
Alex e Lucas se lembraram do dia em que o Gamma atingiu Olivia com seu cinto.
O médico deu a Olivia uma injeção e depois de alguns minutos, Olivia se acalmou, parando de gritar.
"Eu dei a ela um sedativo, ela vai ficar bem e pode ficar consciente em algumas horas, caso contrário, amanhã ela deve despertar, no estado dela é imprevisível saber ao certo", o médico disse.
"Ela vai ter esse problema de novo?", Erik perguntou.
"Não tem como eu afirmar nada. Como eu disse anteriormente, no estado dela é imprevisível saber ao certo. Ela parecia muito assustada e ficava tocando seu corpo inteiro como se estivesse com dor. Talvez os eventos que ela tenha enfrentado foram muito brutais para que seu corpo suportasse", disse o médico, despedindo-se antes de sair da sala.
Os trigêmeos olhavam para o corpo inconsciente de Olivia, quando de repente Benjamin e Lucas decidiram sair da sala.
"Venha, Alex", Lucas disse.
"Não, eu vou ficar com ela", Alex afirmou.
Benjamin começou a falar telepaticamente com Alex: "Não podemos ser fracos agora, Alex. Você sabe disso."
"Eu não me importo", Alex disse, desviando o olhar dos seus irmãos.
Benjamin e Lucas olharam para Alex incrédulos e saíram da sala.