Amber Brown
— SOLTA ISSO! ! ! ! NÃO É SEU! ! ! — Seu grito era estridente e apavorado, girei o corpo imediatamente para conseguir ver o que acontecia, e a cena era completamente assustadora.
Três homens enormes estavam catando nossas malas, e minha mãe tentava inutilmente puxar sua frasqueira onde eu sabia estarem guardadas suas joias mais caras, num impulso eu tentei ajudá-la, apenas para sentir um poderoso tapa em meu rosto que me fez perder completamente o eixo, fiquei tonta, já não escutava nada, minha cabeça rodava, eu não consegui ver muita coisa depois disso apenas sentia minha cabeça girar com força, continuei escutando os gritos de mamãe, os gritos dos homens, era tudo como um borrão, não dava para entender o que eles falavam.
Depois de alguns minutos, que eu não saberia estimar quanto, senti minha consciência voltando lentamente, então consegui enfim me erguer do chão e o que vi depois disso me deixou completamente desolada, mamãe estava caída ao chão, em prantos, segurando com força algo que eu não conseguia ver o que era, e nenhuma, absolutamente nenhuma das nossas malas estavam ali, todas nossas roupas, nossos pertences pessoais, nossas roupas de marcas, perfumes, bolsas, joias, calçados, não tínhamos mais absolutamente nada.
Nos tiraram tudo!
Minha respiração começou a ficar acelerada, eu ia sentindo o desespero me corroer profundamente, não era só questão dos itens mais íntimos, era uma questão de sobrevivência, só a venda de uma daquelas malas vazias já nos sustentaria por meses, se fossemos econômicas e vivêssemos apenas com o necessário, duas malas daquelas, nos daria algum conforto e alguns passeios ainda, somando as joias que estavam em nosso poder, nós ainda tínhamos uma pequena fortuna que nos sustentaria por alguns anos sem muitos luxos, não era possível que absolutamente tudo que tínhamos para nos salvar da desgraça que estávamos metidas havia sido levado em questão de segundos.
Segundos!
Olhei ao redor do bairro e avistei inúmeras janelas abertas, muitas pessoas nos olhavam, mas nenhuma delas se dignava a nos ajudar, quando notaram que eu já os tinha flagrado, alguns fechavam as janelas, outros continuavam nos olhando, me senti completamente humilhada por estar naquela posição, eu não era a pessoa que estava jogada no chão, eu era a pessoa que jogava os outros no chão, sempre foi assim, mas agora eu estava aqui, largada como um mendigo na rua, me levantei correndo, peguei nos braços de mamãe e a ajudei a se erguer, tão logo fiz isso corremos para dentro da casa a fim de fugirmos de mais olhares curiosos.
Depois que entramos tranquei imediatamente a porta, rindo da minha estupidez, já nos levaram tudo, o que mais poderiam nos levar. Respirei fundo tentando entender o tamanho da desgraça que nos assolava, eu tinha esperanças, e todas elas estavam naquelas malditas malas, eu não tinha mais nada agora, me virei para olhar para a sala, por sorte havia um sofá, não precisaríamos sentar no chão, mas era apenas isso, mamãe se sentou nele chorando, eu não sabia o que fazer.
Olhei em volta para tentar me situar, vi ao lado a cozinha, havia o básico, tinha uma geladeira, fogão e micro-ondas, segui até lá, haviam algumas louças e talheres velhos, senti nojo deles.
Olhei para uma porta que havia ali ao lado e constatei que era um lavabo, era tão feio que me encheu de mais tristeza ainda, sai dele e fui até outra porta que havia na sala, tinha um jardim na parte de trás. Depois vi uma porta debaixo da escada e notei que se tratava do compartimento para uma máquina de lavar velha, pensei imediatamente que não tinha nenhuma roupa para lavar ali, quase chorei ao perceber isso.
Apertei os punhos com força, tentando manter meu desespero contido, eu não podia perder a cabeça agora, eu precisava pensar em alguma solução, duvido muito que mamãe me ajude com algo, ela provavelmente só vai chorar e chorar e chorar e me mandar arrumar um trabalho.
Subi a escada velha de madeira e vi acima dois quartos, logo entrei no primeiro e percebi que tinha uma cama de casal, uma escrivaninha, um closet pequeno e um banheiro, me encaminhei até a segunda porta, agradecendo aos céus que havia outro banheiro nele, pelo menos eu não precisaria dividir o mesmo com mamãe.
Dos males o menor, esse quarto era do mesmo tamanho do anterior e continha a mesma mobília, bem, pelo menos não dormiríamos no chão, retornei à sala e vi mamãe acariciando algo em sua mão, fui até ele para ver o que ela tinha conseguido salvar.
— Graças a Deus! — Exclamei quando vi que ela tinha ali uma de suas alianças cravejada com diamantes — Podemos penhorar ela, vai nos ajudar por algum tempo, não temos mais nada de valor, todas as bolsas, roupas, malas e joias se foram, ainda bem que conseguiu salvar algo — Falei me sentindo ligeiramente alivia, até minha respiração ficou mais leve nesse instante.
— Não vamos vendê-lo — Mamãe exclamou fechando as mãos em um gesto para proteger o anel. — É minha joia preferida, já não basta eu ter perdido absolutamente tudo que eu tinha? Não perderei isso também — Terminou me deixando incrédula e boquiaberta com a sua afirmação.
— Mas mamãe! Não sei se olhou ao redor — Disse enquanto andava circulando aquela sala absurdamente minúscula — mas não temos mais nada, a única coisa de valor que temos é esse bendito anel, e caso não o vendamos, não teremos se quer o que comer hoje.
— Você pode arrumar um emprego para nos sustentar — Falou já se levantando e indo em direção a escada — Mas não vou vender o anel — Meus olhos se arregalaram ao ver que ela não moveria uma palha por nós duas.
— Eu posso arrumar um emprego, mamãe, e vou, porém, até lá precisaremos de dinheiro —Tentei argumentar, para pôr algum juízo na cabeça dela.
— Você tem alguns dólares na sua carteira, eles não a levaram, não é? Tenho trezentos dólares no meu sapato, por precaução guardei aqui, dará para as primeiras compras até que você comece a trabalhar, pode usar esse dinheiro, mas não venderei a joia — Disse em seguida se abaixando para pegar o dinheiro escondido em seu sapato e jogando em cima do sofá, antes de dar ordens — Vá ao mercado e compre comida para o mês, quando retornar, nós vamos até alguma loja de pobre comprar algumas mudas de roupas baratas, pelo menos algo que dê para você ir em busca de um trabalho.
Assenti me sentindo derrotada, temos quatrocentos e vinte dólares, eu nem fazia ideia de como aquilo daria para comprar tudo que ela disse para comprar, e eu nem sabia como comprar mantimentos, o que eu precisava comprar? Eu nunca havia feito compras, eu nunca nem havia entrado em um super mercado na vida, como eu faria isso? Não era possível que ela fosse jogar toda a responsabilidade disso sobre as minhas costas, nós duas estávamos no mesmo barco.
Subi as escadas indo em direção ao primeiro quarto, notei que ela não estava lá, então fui em direção ao segundo, mamãe estava sentada na beira da cama, olhando perdida para um ponto qualquer, pensei em questioná-la, mas me senti apiedada dela, ela sempre teve pessoas para fazer tudo por ela, e agora perdeu tudo, não que diferisse comigo, mas eu era mais nova, era mais capaz de entender essa mudança, então ao invés de brigar com ela, perguntei o que eu deveria comprar de mantimentos para a semana.
— Não sei! Nunca fiz compras, as empregadas da mansão a faziam, eu apenas pedia o que queria comer!
Engoli em seco sabendo que de nada mais adiantaria aqueles questionamentos, desci até a sala e me sentei naquele sofá duro e velho, sentindo tanto nojo dele ao pensar em quantas bundas fedidas devem ter se sentado ali, a ânsia veio forte, então decidi ficar em pé, me apoiei no corrimão da escada e comecei a pesquisar no Google listas básicas de compra.
Olhei uma que me pareceu interessante, lista semanal, custo de cento e vinte dólares, tinha uma quantia razoável de alimentos que me deram um norte, depois eu descobriria como prepará-los, mais consciente do que fazer, guardei a lista no celular, olhei no GPS para saber aonde tinha algum mercado próximo, constatei que tinha um há cerca de dois quilômetros da casa que estávamos, era uma caminhada curta, daria para ir andando.
Saí de casa e olhei ao redor, não havia mais pessoas nos vigiando, isso me deixou mais aliviada, segui na direção indicada pelo GPS, mantendo o celular escondido nas calças, não poderia me dar ao luxo de perdê-lo também, continuei andando por cerca de uns vinte e cinco minutos até chegar ao tal mercado que havia visto antes.
Tentei encarar aquilo como uma nova experiência de vida, entrei no mercado e fiquei olhando tantos corredores e prateleiras que haviam ali, avistei um carrinho de compras e peguei um, abri a lista do celular e me guiei ao primeiro corredor.
— Você consegue fazer isso Amber, basta pensar que é como uma loja de roupas, basta escolher, colocar no carrinho e ir até o caixa pagar, é moleza — Sussurrei para mim mesma, euconsigo, eu vou conseguir.
Amber Brown
Havia se passado cerca de quinze dias desde que eu e mamãe nos mudamos para a casa nova no Bronx, eu estava começando bem aos poucos a me sentir familiarizada com a casa, não havia muito o que conhecer por aqui, era uma casa bem pequena, um dia foi mais que suficiente para ver tudo que havia nela, também aproveitei para conhecer parte do bairro.
Conheci a localização dos mercados mais pertos da casa, o parque Crotona Park que era relativamente próximo, não fui muito a frente pois se fosse chegaria ao zoológico, e era um lugar que eu não queria retornar, provavelmente nunca mais na minha vida, mapeei todos os pontos de ônibus e as estações de metrô para quando fosse necessário me locomover gastando pouco eu saber exatamente aonde ir, conheci alguns barzinhos, e outras lojas que haviam por aqui, mesmo que não tivesse desfrutado dos serviços oferecidos por ele em prol da economia forçada.
Tentei uma vaga de emprego em absolutamente todo o comércio existente nas redondezas, já que eu precisava trabalhar, então esperava trabalhar em um local próximo de casa, porém foi uma tarefa impossível, absolutamente ninguém me deu um emprego, nem mesmo aqueles que tinham placas anunciando vagas, e até hoje algumas placas ainda estão expostas lá, fiquei vigiando todos os dias para poder confirmar isso, o que me fez pensar que talvez eu seja o problema, eles não querem dar um emprego para mim.
Eu estava desolada!
A verdade é que morar naquele bairro era um inferno, ninguém ali olhava para mim, todos viravam a cara quando eu passava, sequer me respondiam quando eu ousava tentar me aproximar, os meus amigos, aqueles muitos que eu tinha quando era rica, um a um foi me bloqueando no WhatsApp quando descobriram que eu fiquei pobre, até minha melhor amiga Lyn, ou aquela que eu achava ser a melhor, me respondia mais, ninguém estava disposto a me ajudar, me sentia triste, deprimida, e pobre.
Cada vez mais pobre!
Ouvi batidas na porta da sala, respirei fundo já prevendo o que seria, estava terminando de preparar o meu café para seguir em mais um dia incansável de buscas de um emprego que nunca vinha.
Tentei disfarçar meu desanimo para abrir a porta, e lá estava o que eu poderia dizer agora? Nosso salvador! O homem a quem devemos hoje gratidão por ter um teto sobre a nossa cabeça, sorri para ele e ele entrou já se acomodando na bancada da cozinha onde estavam alguns pães e minha caneca de café, um luxo que eu tinha me dado quando fui ao mercado comprar mantimentos.
— Como está Amber? Se adaptando bem? — Sua voz era neutra, não dava para saber se ele estava realmente preocupado ou se estava satisfeito em me ver naquele lugar inóspito e velho, mas eu tinha a impressão de que ele me lançava um olhar de satisfação, eu só não conseguia entender exatamente a razão para isso.
— Estou bem Bob, me acostumando aos poucos, é bem menor que a mansão, mas estou grata por ter um teto sobre a minha cabeça. — Respondi forçando uma simpatia que eu não tinha, era humilhante depender dele para isso, mas não poderia irritá-lo e fazê-lo perder a sua benevolência para comigo e para minha mãe inerte no quarto acima, então optei pela cordialidade, era um caminho mais seguro.
— Fico feliz! Seu pai me pediu para vir te ver e entregar umas cartas, para vocês duas — Ele parou e olhou ao redor antes de me questionar — Onde está sua mãe? — Franziu a testa tentando inutilmente esconder o interesse na resposta para aquela pergunta.
— Está no quarto, não tem saído muito dele desde que viemos para cá, ela não está sabendo lidar... Lidar com tudo isso... — Parei de falar quando senti que ia começar a chorar, engoli o choro e me contive, ele não precisava ver isso.
— Vocês vão conseguir! Sou amigo de vocês! Estou aqui para ajudá-las Amber, no que for possível, podem contar comigo! — Ele falou e assentiu em concordância quando lhe ofereci café, ele tomou e ficou olhando para a xícara trincada por algum tempo antes de erguer os olhos e me perguntar:
— Já conseguiu um emprego? — E ali estava a pergunta que eu temia, eu sabia que em algum momento ela viria, eu estava procurando trabalho, eu sabia que teria que lhe pagar o aluguel da casa, mas eu ainda tinha alguns meses pela frente diante do prazo que ele nos deu inicialmente.
— Ainda não, mas estou procurando, todos os dias saio em busca de trabalho, já rodei todos os locais do bairro, porém ninguém quis me empregar, hoje irei até o Queens procurar algo por lá, com sorte esse mês ainda eu consigo algo. — Respondi me sentindo pressionada por algo que nem era culpa minha.
— Entendo! Tenho uma proposta para você! — Ele falou misterioso — Minha filha trabalha em uma empresa em Manhattan, ela me informou que seu chefe está contratando, eu posso pedir a ela para falar com ele sobre você, ela é muito bem quista na empresa, tenho certeza que com a indicação dela você será contratada.
Sua proposta me encheu de esperança, Manhattan era um pouco distante para mim, mas a possibilidade de ter um emprego era muito mais tentadora, as pessoas conseguiam trabalhar longe, ir e vir e tudo mais que envolvia essa coisa de pobres, bem, eu também conseguiria, mais esperançosa com as novas possibilidades falei aquilo que claramente ele queria ouvir.
— Eu agradeceria muito a você por isso! — Vi um sorriso se formando em seus lábios, ele parecia feliz, feliz demais, mas tinha algo suspeito ali, algo que eu não fui capaz de entender naquele momento, mas o futuro me faria entender exatamente o significado disso.
Sem muita demora Bob fez uma ligação e falou com sua filha, e em poucos minutos eu tinha uma entrevista agendada para hoje, isso fez nascer em mim uma pontada de esperança para a qual eu não estava preparada, com um emprego as coisas ficariam um pouco melhores, os riscos de estarmos na rua em pouco tempo começava a ser algo distante, e a possibilidade de talvez eu conseguir voltar a estudar, refazer os exames para a faculdade e assim melhorar minhas possibilidades em algum momento começava a se desenhar na minha mente como algo passível de realização.
Puxei o ar com força enquanto ouvia Bob dizer que estaria indo a cidade hoje, e caso eu quisesse ele me daria uma carona até a empresa que sua filha trabalhava, assenti feliz, eu não andava de carro desde que vim para cá, apenas a pé, ou então de ônibus ou metrô. Estava satisfeita em poder andar em um carro novamente, subi até meu quarto para me trocar, uma peça de roupa que eu tinha comprado em um brechó para poder procurar emprego dobrada em cima da escrivania já a postos para ser vestida, a coloquei e desci correndo, me sentindo cada vez mais esperançosa.
Bob foi me explicando no caminho sobre a empresa que sua filha trabalhava, e isso me deixou muito empolgada, era uma empresa de cosméticos muito famosa, a Make-Pró, era uma marca nova, tinha cerca de cinco anos no mercado, mas era altamente promissora, muitas blogueiras falavam sobre ela, e eu tinha a sua coleção inteira de batons em minha frasqueira que foi covardemente roubada assim que chegamos à casa que nos foi cedida por Bob no Bronx.
Eu me sentia cada vez mais animada, era uma grande chance que eu estava recebendo da vida, ainda mais para trabalhar em uma empresa que comercializava simplesmente a coisa que eu mais amo nessa vida, que é maquiagem. Eu não poderia pedir mais, talvez eu pudesse tentar alguma vaga de maquiadora, eu era boa nisso, eu poderia mostrar o que sei fazer, ou então eu poderia trabalhar em alguma loja vendendo as maquiagens, estava me sentindo tão ansiosa com as possibilidades.
Chegamos até o prédio lustroso, era bem no centro de Manhattan, a duas ruas da biblioteca pública de Nova York, ao entrarmos na edificação subimos até o último andar, Bob me dizia que sua filha elogiava muito o chefe, que era o tipo de chefe que gostava de conhecer todos os funcionários pessoalmente antes de contratá-los, e como eu era indicação dela, a vaga já seria minha, logo, eu não precisava passar pelas entrevistas com o recursos humanos, eu só falaria com ele, e provavelmente já começaria a trabalhar no dia seguinte.
Chegamos até uma antessala onde havia uma secretária, logo Bob me apresentou a Clara, sua filha, ela quem tinha sido a responsável por me ajudar a conseguir a vaga, então sorri verdadeiramente simpática para ela, que me retribuiu um pouco seca, mas não me importei, talvez fosse o jeito dela.
Ela logo entrou para anunciar minha chegada ao seu chefe, e logo depois disso Clara retornou informando que ele estava em uma reunião virtual, e que após isso me atenderia, eu assenti e me sentei no confortável sofá, apreciando o toque macio dele, era um sofá luxuoso, do tipo que eu estava acostumada, não aquela porcaria que eu tinha naquele cubículo que eu era obrigada a morar no momento.
Olhei para o relógio na parede e notei que eram dez horas da manhã, eu tinha comigo umas duas barrinhas de cereal, para caso não desse tempo de almoçar, Bob se despediu de mim dando um beijo na testa da filha e em seguida me desejou boa sorte. Eu fiquei ali, aguardando o momento de ser entrevistada, peguei umas revistas que estavam expostas na mesinha de centro e fiquei foleando, vendo as últimas modas, sentindo falta da minha antiga e confortável vida de milionária.
Olhei novamente para o relógio da parede e me assustei ao ver que já eram quatorze horas nesse momento, eu já estava ali há quatro horas e a reunião ainda não havia terminado? Me levantei, esticando o corpo e fui até a mesa de Clara, não queria ser intransigente, a garota tinha me garantido um emprego, porém, eu precisava saber se demoraria mais.
Ela me olhou e me informou que o chefe ainda estava em reunião, que quando ele saísse me chamaria, retornei para o sofá, me sentindo ligeiramente irritada com isso, fiquei atenta agora, vi diversas pessoas chegarem, entrarem e saírem, uma, duas, três, cansei de contar quando chegou a nona pessoa e entrou, sendo que eu já estava ali desde as dez da manhã.
— Sem querer te incomodar, mas será que você poderia olhar novamente se ele ainda está ocupado? Já entraram diversas pessoas que chegaram depois de mim e foram atendidas, eu já estou aqui há cinco horas e nada dele me atender — Torci que ela fosse capaz de entender minha aflição, ela não tinha culpa, mas isso já estava beirando o abuso.
— Vou verificar para você! — Clara me respondeu com má vontade, ignorei aquilo, talvez eu a estivesse atrapalhando, mas para a minha satisfação ela se ergueu da cadeira e entrou na sala do chefe, alguns minutos depois Clara retornou e falou aquilo que fez meu sangue ferver — Ele está em reunião, quando encerrar irá te chamar. — Esse anúncio para mim foi a gota d'agua, eu não era obrigada a aceitar isso, então sorri ironicamente para ela e falei.
— Então diga ao seu chefe que estou indo embora, sinto muito por você ter se dado o trabalho de me indicar, quero que saiba que sou muito grata por sua disposição em me ajudar, mas diga a ele que ele pode contratar outra pessoa! — Me virei para sair, completamente irritada pela falta de respeito comigo, quando ouvi o telefone dela tocar e em seguida a voz dela dizendo aquilo que eu estava a longas cinco horas esperando.
— Ele pediu para a você entrar, a reunião acabou