Capítulo 2

Kath

Um ano depois

O cheiro de mofo invadia o meu nariz toda vez que eu entrava pela porta, sabia que aquilo era um veneno para a saúde de mamãe e Maddie, tudo que eu queria era conseguir um emprego que pagasse mais para que pudesse alugar um lugar melhor.

Vendemos tudo que tínhamos e viemos para Nova York, e assim que chegamos, descobrimos que o dinheiro que tínhamos mal dava para pagar três meses do tratamento de Maddie.

Conseguimos alugar um pequeno apartamento no Bronx, o lugar é horrível, mas é o único que conseguimos pagar, estamos a um ano no mesmo lugar, consegui um emprego de garçonete em uma cafeteria do outro lado da cidade e graças as gorjetas e o trabalho como garçonete em eventos nos finais de semana, eu estava conseguindo comprar os remédios de mamãe e de Maddie, ainda conseguia guardar um pouco para continuar o tratamento que tivemos que parar pela falta de dinheiro.

— Kath, mamãe fez bolo de carne — Maddie gritou ao ver que eu havia chegado, ela estava com oito anos e continuava com a aparência de sete, seu corpinho era magro e frágil, e tudo que eu desejava ela era vê-la curada e podendo ter uma vida diferente.

— Oi linda, onde está mamãe?

— Está no banho, ela se queimou de novo — cochichou.

Os sintomas da doença de minha mãe estavam se agravando. Com o dinheiro do trabalho eu conseguia comprar os remédios, porém, sabia que ela precisava de um acompanhamento com especialistas, algo que era fora do nosso orçamento.

Antes da doença ela era uma excelente costureira, trabalhava na única confecção que havia na cidade, ela era a melhor no que fazia, tanto boa que havia começado atender alguns clientes na nossa antiga casa, mas com a doença de Maddie cada vez se agravando, ela não viu outra solução a não ser vender todas as suas máquinas de costura deixando apenas a que herdará de minha avó. Logo após isso, quando a empresa descobriu sobre a sua doença, a demitiram imediatamente.

— Oi querida, que bom que chegou mais cedo — Ela veio pelo corredor secando os cabelos ainda molhados, logo notei a vermelhidão em seu pulso devido a queimadura.

— Mamãe, se queimou de novo?

— Não, claro que não — tenta esconder a mão.

— Nasci ontem, Silvya. Me deixe ver isso — pego a sua mão. Vejo que havia sido um corte superficial e fico aliviada

— Não foi nada mais.

— Você gritou, mamãe — Maddie deu de ombros.

— Quieta, Maddie! — repreendeu a pequena.

— Vou ver se consigo algo na minha folga e vou fazer algumas horas extras, então vamos conseguir ir no médico — acaricio sua mão.

— Filha, peguei alguns uniformes do marido da nossa vizinha Marieta para costurar, vai render algum dinheiro.

— Não quero que se esforce.

— Não é esforço, filha. Meu coração fica em pedaços vendo você ter que trabalhar tanto assim.

— Mamãe, não vou discutir sobre esse assunto. Estou morrendo de fome.

Sempre que terminava o jantar, corria para o banho e me jogava na cama, o cansaço dominava o meu corpo e minha mente. O som do meu celular tocando o despertador era uma tortura, tinha que acordar antes mesmo do sol nascer para conseguir pegar um ônibus e um metrô até o outro lado da cidade.

Durante o percurso, eu ficava olhando aquela cidade que sempre fez parte dos meus maiores sonhos. Na minha mente imatura, morar em Nova Iorque faria com que todos os meus problemas desaparecessem e estava muito enganada, eles aumentaram para minha sorte inexistente.

Não odiava o meu trabalho, o lugar era bacana e eu havia construído uma certa amizade com todos que trabalhavam ali. Mesmo sendo uma desastrada de marca maior, estava conseguindo me manter atenta e tomando o máximo de cuidado para não quebrar nada e ter a surpresa de não receber nada no dia do pagamento.

Naquela manhã eu havia sido uma das primeiras a chegar. Lissa, uma das garçonetes que era primeira pessoa que conheci quando cheguei na cidade, sempre chegava atrasada para o turno, eu já havia me acostumado a cobri-la, os últimos dias haviam sido péssimos e eu não havia conseguido praticamente nada gorjeta.

Sentia uma pontinha de desespero me tomar, pois o aluguel estava vencido a um mês e já seguia para mais um, precisava quitá-lo antes que o dono do prédio nos despejasse e ainda tinha os remédios de Maddie que estavam no fim.

— E essa bundinha? — ouvi após sentir um tapa, me fazendo pular de susto enquanto subia o zíper do meu uniforme.

— Lissa! — dei um pulo assustada — Você quer me matar de susto?

— Não consegui resistir — piscou.

Lissa era muito divertida, nunca teve um dia que não estivesse com um sorriso no rosto, ela era bissexual e sempre brincava dizendo que se eu quisesse experimentar "algo novo", ela estava à disposição. Mesmo sendo uma ruiva linda, eu não conseguia sentir atração por mulheres e depois do que havia acontecido com Eddie, nem por homens. Uma vez ou outra achava um cara bonito, mas nunca aquela coisa de pernas bambas e calcinhas molhadas.

— Você chegou cedo hoje — falei enquanto prendia o cabelo num rabo de cavalo.

— Não trabalhei ontem à noite. Me empresta um batom? — começou a mexer na sua bolsa enorme — Não sei onde enfiei minha bolsinha de maquiagem.

— Só tenho esse — levantei o batom rosa chiclete que Judith havia me dado quando nos despedimos, ela havia ido para Oxford e eu não sabia se em algum momento voltaria a vê-la pessoalmente, uma vez ou outra falávamos por chamada de vídeo e sempre que me lembrava dela, sentia um aperto no peito de saudade.

— Caramba, é lindo. Devia usá-lo, esse gloss que você usa é sem graça. Pelo menos hoje você fez uma maquiagem elaborada nos olhos, gostei bastante, devia fazer mais vezes — falou me entregando o batom.

Me olhei no espelho e vi que o delineado azul tinha realçado os meus olhos e deixado a minha aparência divertida, pois combinava com a mecha azul que havia pintado na parte de trás do cabelo, mas já estava praticamente saindo.

— Só espero conseguir mais gorjetas hoje. Ontem não consegui praticamente nada — falei fechando o armário e ajeitando o uniforme amarelo e azul que dava para ser visto de longe por causa das cores vivas.

— Ontem também não consegui nada — bufou irritada — Ainda bem que no outro consigo mais, e sinceramente? Estou quase pedindo demissão daqui.

Lissa começou a trabalhar a noite em outro lugar, ela nunca aprofundava sobre o assunto do trabalho, as vezes me perguntava se o que ela estava fazendo era algo ilícito e me preocupava, ainda assim não me metia, mesmo ela sendo a pessoa mais extrovertida que já havia conhecido, era também a mais esquentada e cabeça dura. Se em algum momento ela achar que eu devo saber sobre o que ela está fazendo no seu novo trabalho, ela me dirá.

No final do dia, tudo que eu conseguia sentir era o peso das minhas pernas ao contar minhas gorjetas, percebi que havia conseguido menos que o dia anterior e não pude conter a angústia que surgiu em meu peito.

— Dia ruim, gata? — Lissa surgiu tirando o avental.

— Consegui menos que ontem.

— Fica com isso, você precisa mais que eu — Lissa colocou todo dinheiro que recebeu de gorjeta sobre o balcão.

— Ficou maluca, Lissa? Não posso aceitar! — Não era justo que eu aceitasse o dinheiro que ela conseguiu com seu trabalho.

— Gata, eu consigo cinco vezes mais que isso hoje à noite.

— Eu prometo que vou te pagar.

— Não precisa... — colocou um chiclete na boca — Pensei em coisa, mas deixa para lá.

— O que é? — pergunto desesperada — Me diz, por favor.

— Não sei, acho que você poderia ganhar uma boa grande trabalhando onde eu trabalho — Me olhou de cima a baixo.

— O que eu teria que fazer? — pergunto desconfiada.

— Então, gatinha, é uma boate. Você só precisa vestir uma roupa sexy e dançar. Os caras vão a loucura e quanto mais loucos eles ficam, mais gorjetas ganhamos — estava perplexa com a informação — Ei, não me olha com essa cara.

— Me desculpe, não estou te julgando, é que eu não conseguiria fazer isso — tento expor meu ponto de vista.

— Você só precisa dançar, vai ficar uma semana treinando antes de começar.

— Se tem uma coisa que não sei fazer é dançar. Você sabe o quanto sou desajeitada e eu nunca conseguiria dançar com pessoas me olhando, ainda mais com uma "roupa sexy" — fiz aspas com os dedos.

— Você que sabe. Mas se mudar de ideia, posso te apresentar ao dono.

Assim que cheguei em casa vi que algo estava errado. Corri em direção ao quarto que dividia com Maddie.

— Filha, tente puxar o ar devagar — Minha mãe dizia para Maddie, que estava pálida e deitada sobre a cama

— Maddie! O que está acontecendo?

— Eu... e...u... não consigo res...pirar.

— Mamãe, por que você não me ligou? Precisamos ir para o hospital

— Ela começou a ter falta de ar faz uns cinco minutos. Pensei que logo passaria.

— Vou chamar um táxi — peguei meu celular na bolsa.

Os momentos que se sucederam foram torturantes, Maddie agonizava e eu não podia fazer nada, sentia meu corpo tremer ao olhar em sua direção, o seu corpo frágil e magro tentava lutar conta aquilo que a sufocava.

Assim que o táxi parou em frente ao Hopital Lenox, peguei Maddie no colo e corri em direção a emergência, após tanto esforço ela desmaiou no caminho.

— Um médico, por favor! — Gritou minha mãe ao perceber que eu não conseguiria pronunciar nenhuma palavra.

Em alguns segundos surgiram algumas enfermeiras empurrando uma maca na qual eu depositei o seu corpinho. Minhas mãos tremiam enquanto eu via Maddie ser medicada, sequer percebia o desespero de minha mãe ao meu lado, tudo que importava era Maddie, eu não podia perder minha irmãzinha. Uma médica surgiu e começou a examiná-la, após alguns segundos os olhinhos da minha pequena se abriram.

— Maddie! — Eu e minha mãe falamos juntas.

— Fiquem calmas, sou a doutora Samantha e essa pequena vai ficar bem — A médica falou com delicadeza enquanto colocava o estetoscópio sobre o pescoço.

— Kath? Mamãe? Onde estou?

— Oi princesa. Você passou mal e te trouxeram para o hospital — respondeu a médica se aproximando da cama

— O que aconteceu com ela? Minha irmã vai ficar bem? — beijei a testinha de Maddie.

— Gostaria de falar com vocês em particular — Meu coração acelerou com as palavras da médica.

— Eu tô com medo — Maddie tentava segurar o choro.

— Não precisa ter medo, filha. Logo iremos para casa — Mamãe tentou tranquilizá-la.

— Isso mesmo, ainda hoje você irá para casa. Vocês podem vir comigo?

— Eu não quero ficar sozinha, mamãe.

— Pode ir, Katherine. Ficarei com Maddie.

Acompanhei a médica, que diferente dos outros que havia encontrado nas nossas idas hospitais públicos, era bem simpática e parecia realmente gostar da sua profissão.

— Sente-se — apontou para a cadeira assim que entramos em seu consultório.

— Estou bem assim. O que minha irmã tem? — perguntei sem rodeios

— Maddie teve um quadro de crise asmática, provavelmente desenvolvida pelo contato com poeira ou mofo, infelizmente o problema no coração também contribuiu — A palavra mofo fez meu sangue congelar, o nosso apartamento estava repleto dele. Fui tomada por um sentimento de impotência e tive que fazer um grande esforço para não chorar, eu havia chegado a Nova York sonhando com uma vida melhor, mas tudo se tornou um pesadelo.

— Ela poderá ir para casa hoje, vou passar alguns medicamentos e uma bombinha que ela deve carregar sempre e usar ao perceber que uma crise irá se iniciar — Ela fazia anotações enquanto falava — Devido ao histórico médico de Maddie, o cuidado deverá ser dobrado

— Entendo — assenti, pegando o papel.

— Vou liberá-la para que vocês possam ir para casa.

Eu olhava a lista de medicamentos enquanto esperava Maddie ficar pronta para irmos embora. Não conseguiria pagar o aluguel mais uma vez e o desespero tomou conta do meu coração fazendo com que o ar sumisse e minha cabeça ficasse zonza.

— Kath — Maddie caminhou em minha direção me abraçando em seguida.

— Você está bem? Que susto me deu, mocinha — fiz carinho em sua cabeça.

— Vai ficar tudo bem, filha. Vamos para casa — disse mamãe se juntando a nós no abraço.

Não conseguia dormir, velei o sono de Maddie a noite toda enquanto tentava pensar em uma maneira de conseguir algum dinheiro para que pudesse pagar o aluguel. Tudo que eu havia economizado foi para os remédios de Maddie e com isso as palavras de Lissa não saiam da minha mente.

— Talvez não seja tão ruim assim — falei baixinho.

Lissa parecia muito feliz com o novo trabalho e se eu realmente ganhasse o que ela disse que ganhava, poderia pagar o aluguel e todos os remédios, talvez até juntar dinheiro para conseguir continuar o tratamento de Maddie e levar mamãe à um especialista. Mesmo sendo desajeitada e não levando jeito algum para dança, eu iria arriscar, não me faria mal tentar.

Estava ansiosa pela chegada de Lissa, que hoje se atrasou mais que o normal. Eu servia os cafés sem tirar os olhos do relógio, queria que chegasse logo para que pudesse falar com ela.

— Gatinha, bom dia — Lissa passou me dando um beijo na bochecha.

— Lissa! Mais um atraso e vou ter que demiti-la! — David, nosso gerente, gritou sendo ignorado por Lissa.

Fiquei aliviada ao vê-la, não via a hora do nosso intervalo chegar para que pudéssemos conversar.

Logo que David nos liberou para o intervalo, corri na direção de Lissa antes que ela saísse para fumar.

— Lissa... espere — segurei seu ombro.

— Fala, gatinha. Que olheiras são essas? Parece que teve uma noite agitada — pegou um cigarro na bolsa.

— Minha irmãzinha passou mal, passei quase a noite toda no hospital.

— Meu Deus, sinto muito! O que ela tem? Eu posso ajudar?

— Ela teve uma crise de asma causada pelo mofo daquele apartamento — tentei segurar o choro, pensar sobre tudo aquilo não era fácil.

— Eu sinto muito, Kath. De verdade — Me abraçou.

— Tudo bem — Me soltei do abraço secando as lágrimas teimosas que escorriam pelo meu rosto — É sobre o seu trabalho, acho que eu poderia tentar.

— Você tem certeza? — levantou a sobrancelha — Digo, você iria arrasar, ainda mais com esse corpo — assoviou.

— Eu que tentar. Você vai comigo?

— Claro. Você não vai se arrepender — falou me abraçando. Eu estava disposta a qualquer coisa para mudar a vida das pessoas que mais amava no mundo.

Capítulo 3

Jeff

Eu não podia acreditar no que os meus olhos estavam vendo. Sentado na minha cadeira na sala da diretoria da Sparting Società di Costruzioni, afrouxei minha gravata na esperança de respirar melhor, a minha mão suada segurava o maldito convite de Bervely Willians e Edgard Smith convidando para o seu jantar de noivado, eu não consegui ler mais uma palavra depois daquilo. Bervely iria se casar com maldito e eu não queria acreditar que os oito anos que vivemos juntos não significou nada para ela.

Tudo que consegui foi amassar aquele maldito papel. Tomado pela fúria que me dominava, peguei um objeto de decoração sobre a mesa e arremessei contra a parede com força, o barulho dos cacos ecoaram por toda sala.

— Esse casamento não vai acontecer. Nunca. Eu não vou permitir! — falei para mim mesmo enquanto tentava me acalmar.

Antes que pudesse raciocinar, peguei o meu celular e disquei o número de Bervely, não iria ficar parado vendo ela ser de outro homem. Ela atendeu ao terceiro toque, ela nunca recusava minhas ligações, assim como eu as dela, sabia que ela ainda me amava, só precisava enxergar isso.

Após o divórcio ainda nos encontrávamos, e na maioria das vezes, os encontros terminavam em meu apartamento ou no dela fazendo amor, até o dia que ela me disse que não podíamos mais nos encontrar porque havia se apaixonado por outro homem.

— Jeff . Que bom que ligou, recebeu meu convite? — parecia empolgada e fechei meu punho tentando conter a raiva que sentia.

— É por isso que liguei. Podemos almoçar?

— Sinto muito, Jeff . Irei almoçar com a mãe de Edgard hoje, temos que resolver alguns detalhes do casamento — respondeu, fazendo meu estômago embrulhar.

— Jantar então?

— Não sei, Jeff .

— Não me diga que Edgard ficará com ciúmes?

— Pode ser o jantar. Te encontro as oito no Le Bernardin.

— Estarei lá. Beijos, querida.

— Até, Jeff .

Desliguei o telefone sentindo certo alívio, eu precisava vê-la, precisava dizer para ela não cometer a loucura de se casar com outro homem ainda me amando, e por mais que ela negasse, eu sabia que ela ainda era louca por mim, assim como era por ela.

Eu esperava ansioso pela chegada de Bervely, ainda não sabia o que dizer a ela, porém, só o fato de saber que ia vê-la já me deixava nervoso. Pedi uma dose de whisky ao garçom para ver se me acalmava. Logo que ele a trouxe, meus olhos foram em direção a entrada do restaurante e lá estava ela, mais linda do que nunca usando um vestido preto colado ao corpo que evidenciava cada curva, podia sentir minhas mãos arderem devido ao tamanho do meu desejo em tocá-la.

— Jeff . Como vai? — Se aproximou, fazendo com que me levantasse e fosse ao seu encontro.

— Uau, você está linda — Não pude me conter em elogiar enquanto puxava a cadeira para que ela se sentasse.

— Não seja exagerado, Jeff — disse e se sentou.

Logo o garçom reSmithou com o cardápio e Bervely pediu uma salada, em todo o tempo que estávamos casados raramente à via comer algo diferente, ela sempre usava a desculpa de que tudo aquilo era para manter a forma, mas eu à achava perfeita de qualquer jeito.

— Você irá ao meu jantar de noivado? Estou contado com a sua presença. — Estava empolgada e fazendo questão de me mostrar o diamante em seu dedo.

— Bervely, você tem certeza disso?

— Por que está me perguntando isso?

— Bervely, nada mudou nesses dois anos, eu ainda te amo, não venha me dizer que não sente mais nada — falei enquanto sentia meu coração acelerar.

— Jeff , você precisa entender que não somos bons juntos.

— Você não pode dizer isso. E o que aconteceu a alguns meses? Não me diga que esqueceu — disse irado me referindo a todas as vezes que transamos após o divórcio

— Jeff , aquilo foi apenas sexo, estávamos carentes, é complicado. Eu me apaixonei por Edgard. Me entenda, por favor — Havia pesar em suas palavras.

— É isso que você quer? — questionei, já sabendo a resposta

— Sim, tenho certeza disso. Jeff , você deveria conhecer alguém, seguir sua vida com uma mulher que ame você.

Aquelas palavras eram como lâminas me cortando em pedaços, não poderia desistir dela. Eu a amava. Me amaldiçoava todos os por ter colocado a droga do trabalho em primeiro lugar.

— Preciso ir, Jeff . Obrigado pelo jantar. Por favor, me entenda — disse após olhar para o celular

— Eu entendo, Bervely — menti.

— Espero você no jantar, eu e mamãe ficaremos chateadas se você não for — Se levantou.

— Estarei lá — Sim, estaria com a esperança de que ela me vendo ali, desistiria daquele maldito noivado.

Observei-a caminhar graciosamente até a saída, olhei para o meu relógio, vi que não era nem duas da tarde e tudo que eu precisava naquele momento era um whisky forte na esperança que a bebida amenizasse o vazio que sentia.

Não voltei para empresa, não estava em condições, o que era para ser apenas dose acabou se Smithando uma garrafa inteira, me dei conta do meu estado quando percebi que anoiteceu, não estava sóbrio o suficiente para dirigir, mas aquilo era última coisa que me importava.

Acordei com o barulho estridente da campainha e os gritos de Rick que eram como agulhas enfiando no meu cérebro, tamanha era a dor. Percebi que ainda usava a roupa da noite anterior e me esforcei para lembrar como eu havia chegado em casa. Rick era meu primo e melhor amigo desde que usávamos fraldas, não havia segredos entre nós e ele me conhecia melhor que ninguém.

— Abre a porra da porta, Jeff . Eu sei que está aí!!! — gritou me deixando irritado e fazendo o zumbido na minha cabeça aumentar.

Antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa, Rick entrou como um foguete dentro do meu apartamento e seguiu em direção ao meu quarto voltando de lá com expressão decepcionada.

— Não acredito que passou a noite sozinho — disse se jogando no sofá

— E quem disse que passei? — retruquei.

— Como se eu não te conhecesse... Você está um lixo — torceu o nariz.

— Acho que bebi um pouco demais ontem — falei, já esperando o sermão.

— Você recebeu o convite? — perguntou, ele sabia a resposta — Jeff , Jeff ... — balançou a cabeça em negação.

— Ela vai se casar com aquele imbecil, Rick — senti um nó se formar na minha garganta.

— Porra, você recebe o convite para o noivado da sua ex-namorada e ao invés de transar com uma gostosa para superar, você bebe como se não houvesse amanhã — falou se levantando e me analisando — Vai tomar um banho, cara. Estou sentindo o cheiro de álcool daqui.

— Que horas são? — questionei ao ver que o relógio não estava no meu pulso.

— São quase três da tarde. Mexa esse traseiro e vai tomar banho, tenho que ligar para tia Rose e avisar que você está bem, porque ela quase voltou de Paris antes da hora porque o bonitão aí não atendeu o telefone — pegou o celular para ligar para minha mãe, que com certeza estava preocupada

— Fiquei sem bateria — disse sendo ignorado por Rick enquanto ia em direção ao meu quarto.

Assim que voltei para a sala, Rick estava espalhado no sofá com uma de minhas cervejas na mão.

— Cara sua geladeira está um horror, quem come só legumes? — fez cara de nojo.

— Estou tentando ter uma alimentação mais saudável, Bervely sempre insistiu com isso — argumentei.

— Meu Deus! O jeito que você se tortura é incrível!

— Você devia estar na sua casa com Alice — fui até a cozinha, peguei uma cerveja e encarei a minha geladeira, eu odiava comida vegana, contudo, estava fazendo um esforço na esperança de que quando Bervely caísse na real e voltasse para mim, ela me encontrasse diferente.

— Alice e o bebê estão bem, acabei de falar com ela — respondeu.

— Rick, eu gostaria de ficar sozinho, ainda não digeri tudo que está acontecendo — me sentei no sofá.

— É simples cara, sua ex-namorada chata vai se casar com outro, você precisa superar e seguir em frente, mostrar para ela que você está bem.

— Você sabe que eu ainda a amo — dei um gole na minha cerveja.

— E você acha que correr atrás dela feito um cachorrinho vai resolver? — questionou levantando a sobrancelhas

— Não — concordei.

— Está na hora de você conhecer alguém, nem que seja só para transar.

— Não tenho tempo para isso.

— Mas tem tempo de correr atrás de Bervely. Você é uma piada!

— O que eu faço então? Transo com a primeira que me der mole? Nós não estamos mais na faculdade Rick.

— Sei lá devia sair com alguém para mostrar para ela que você superou — falou e foi até a cozinha — Alguém que não seja chata e não me dê sermão quando eu fizer churrasco — gritou. Ele nunca tinha se dado bem com Bervely, a tolerava para o bem do nosso relacionamento e quando lhe contei que ela havia pedido o divórcio, só faltou ele estourar um champanhe em comemoração.

Rick podia estar certo, ela precisava me ver com outra pessoa para saber como eu me sinto.

— Não estou afim de me envolver com ninguém — falei assim que ele voltou com a sua cerveja.

— Sei lá, contrata uma prostituta ou uma sugar baby gostosa e esfrega naquela cara pálida da Bervely, só cuidado para não fazer que nem o Franklin, que contratou uma sugar baby, se apaixonou e vai se casar com ela — começou a rir.

— Que ideia mais idiota, cara. Nunca faria algo assim — disse incrédulo.

— Contratar uma mulher para esfregar na cara chatonilda ou se apaixonar por uma sugar baby? — perguntou. Deu um tapinha nas minhas costas e uma risada debochada em seguida.

Havia passado um mês desde meu último encontro com Bervely e cada dia eu ficava mais desesperado, no próximo final de semana seria a oficialização do seu noivado com aquele imbecil do Edgard e minhas mãos estavam atadas, não queria agir como um pobre coitado e implorar que ela não se casasse.

Franklin, um dos meus melhores amigos se casaria no dia seguinte e Rick havia inventado uma despedida de solteiro, mesmo com Frank insistindo que não queria nada do tipo.

Rick fez com que eu pegasse um Uber pois na sua cabeça, iria beber demais para voltar para casa dirigindo, porém, a última coisa que precisava era de uma ressaca no dia seguinte. Desci do Uber e dei uma olhada na fachada do lugar com luzes em néon, não pude conter o riso ao imaginar a cara de Frank ao ter visto o lugar que teria sua última noite de solteiro.

Entrei e vi que a iluminação do ambiente não era das melhores, haviam algumas garotas com corpos esculturais e roupas sugestivas dançado no pole dance ao som de uma música que não soube definir, elas estavam rodeadas por vários homens que admiravam o show.

Notei que havia uma garota mais magra que as outras usando um peruca azul que parecia um pouco desconfortável com a proximidade de alguns homens, com toda certeza era a mais jovem que havia ali, por um instante nossos olhares se cruzaram, mas ela desviou rapidamente fazendo um movimento que a deixou de cabeça para baixo. Ela tinha algo diferente, talvez fosse inocente demais para estar em um lugar como aquele exposta como um pedaço de carne.

Balancei a cabeça negativamente, eu não tinha nada a ver com isso, mal consigo colocar a minha vida nos eixos. Procurei por meus amigos e os encontrei rapidamente, pois eram os mais animados do lugar e estavam mais preocupados em encher a cara do que prestar atenção em alguma das mulheres que dançavam.

— Até que enfim cara! — Rick deu um tapa forte nas minhas costas.

— JEFF ! — gritou Frank, que estava um pouco alterado e agarrado a uma garrafa de vodca, só consegui pensar no tamanho da sua ressaca na manhã seguinte.

— Louise sabe que você trouxe o Frank para um lugar como esse? — questionei Rick que tentava acender o seu cigarro.

— É claro que não — Mason respondeu e me entrou uma cerveja — Vê se bebe e fica menos chato.

— Concordo com o Mason você está se Smithando um velho ranzinza.

— Assumi o cargo de Frank, alguém precisa controlar vocês — dei um gole na minha cerveja, Frank sempre foi o mais sério do quarteto, nunca foi de se relacionar, era o único solteiro do grupo até conhecer Sarah, que por incrível que parece era uma sugar baby no seu primeiro dia de trabalho, ele ficou apaixonado pela garota e depois de muitos altos e baixos a pediu em casamento, algo que todos nós jurávamos que nunca aconteceria.

— Jeff , você precisa relaxar. A propósito, você é único de nós que pode apreciar o lugar — Mason jogou o braço sobre seu ombro e apontou na direção das garotas que dançavam sensualmente.

— Isso mesmo Jeff , você é o único solteiro do quarteto fantástico — Frank falou caindo na gargalhada e fazendo com me lembrasse do meu martírio.

— Cara, dá uma olhadinha, é uma mais gostosa que a outra. Só uma transa, irmão — Rick insistiu, fazendo que eu olhasse na direção que as garotas dançavam, por algum motivo meus olhos buscaram a garota de peruca azul, mas ela não estava mais no palco.

— Eu não me envolvo com esse tipo de mulher — Me afastei de Rick e me sentei ao lado de Frank, a insistência dele para que me envolvesse com alguém estava insuportável

— Está certo, você prefere ficar correndo atrás da chata da Bervely como um cachorrinho abandonado — Aquelas palavras me atingiram como um soco, fazendo com que eu me levantasse, fosse na direção de Rick e o segurasse pela gola da camisa.

— Repita o que disse, seu imbecil! — falei alterado e senti as mãos de Mason e Frank me segurando.

— Calma, cara. Não quis te ofender, nós somos amigos porra! — pegou a garrafa de vodca que havia sobre a mesa e levou a boca bebendo no gargalo sem cerimônia.

— Jeff , relaxa — Frank me deu um tapinha no ombro.

— Você é como um irmão para mim e me dói ver você correndo atrás daquela mulher, você merece mais — Rick fez uma careta engraçada após depositar a garrafa sobre a mesa

— Eu sei o que mereço — bufei.

— Tudo bem por aqui? — Um cara alto e forte com traços orientais que imaginei ser um dos seguranças do local perguntou ao se aproximar.

— Está tudo bem — Frank e Maddie falaram juntos.

O cara torceu o nariz nos olhando dos pés à cabeça e saiu.

— Jeff , viemos aqui para nos divertir, não vamos estragar a noite — Frank disse com pesar, ele realmente parecia chateado e não era justo que eu estragasse a noite dele.

— É isso aí — Rick gritou e começou uma dança esquisita.

— Eu vou casar amanhã porra! — Frank levantou a garrafa de cerveja para um brinde.

Continue lendo
Apoie o autor e inspire mais histórias incríveis Moboreader
Desbloquear todos
Capítulo
Personalizar
Próximo Capítulo
Minishorts Logo
Leia web novels, ficção online e histórias românticas em alta no MiniShorts. Descubra romances de bilionários, fantasia de lobisomens, drama e novelas de fantasia, além de conteúdos selecionados de dramas curtos inspirados nas tendências de narrativa mais populares.
MiniShorts YouTube
PRODUTOS E SERVIÇOS
Sobre nós
support@minishorts.com
©2026 MiniShorts Todos os direitos reservados. CHASINGTOP HK LIMITED