Capítulo 2

Uma semana depois

Depois que foi levada para um luxuoso apartamento em uma cidade distante de onde morava, Jania não acreditava que Riniel tivesse caído em uma emboscada de alguém de fora do bairro Vig, pois ele era muito cauteloso e cuidadoso com quem estavam a sua volta, por isso ela achava mais provável que a pessoa que deu os tiros, tinha que ser alguém próximo dele,  já que ele não deixava nenhum estranho se aproximar dele mesmo e principalmente de sua família.

Jania não parava de pensar que alguém o tinha traído e ela tinha que descobrir quem tinha feito o papel de bom amigo com má intenção.

E como não podia voltar e investigar sozinha, tinha que infiltrar alguém de sua confiança, que já tinha em mente a pessoa certa e que podia confiar, devido ao seu raciocínio deu início ao primeiro passo que era descobrir quem foi o traidor e executor de seu amado Riniel. Assim pensando na pessoa a quem ninguém dava nada, pois era  esquecido por todos, que só estava vivo pela ajuda que seu falecido marido havia lhe dado quando o salvou quando voltava de uma viagem cerca de três anos, colocando-o para viver sobre a proteção sem que ninguém soubesse onde vivia que era nos fundo do açougue, onde Riniel o colocou para vigiar a rua de sua casa, Nil passava o tempo todo no obscuro sem que ninguém além de Riniel e ela saibam de sua existência.

Com um pré pago irrastreável, Jania ligou para o rapaz que mesmo receoso atendeu pois era instruído a atender, pois se Riniel ou sua esposa estivesse precisando de ajuda ele estaria pronto a ajudá-los.

E foi assim que Jania lhe pediu que hackeasse as câmeras de segurança da rua a qual o marido foi executado.

Duas horas depois, Jania recebeu o vídeo que mostrou todo o doloroso momento que trêmula e em prantos assistiu.

E mesmo que tivesse respirado fundo e se preparado para aquilo não tinha como não sofrer, ainda mais quando viu quem disparou todos aqueles tiros. Com a mão cobrindo a boca, Jania não estava acreditando no que estava vendo, como ela já suspeitava a pessoa que fez o que fez, tinha que ser alguém da confiança de seu esposo, pois com a preparação dele, jamais teriam conseguido, nunca que iria pegá-lo de guarda baixa e despreocupado como aquele momento. Com sangue nos olhos ela já havia descoberto uma parte do que queria a outra parte ela teria que esperar até estivesse pronta.

O que esperava ser logo, logo.

Naquela mesma noite, Jania saiu na calada da noite com seus dois filhos, sumindo de vista, até mesmo do amigo advogado que lhe ajudou bastante, pois não podia de jeito nenhum colocar ele e sua família em perigo.

Depois de viajar para fora do Brasil e deixar seus filhos em um lugar a qual Riniel sempre mandou que ela fosse em caso de perigo. Ela viajou para o mesmo lugar onde o marido ficou recluso anos atrás se preparando.

Pois se ela quisesse se vingar teria que fazer o mesmo, só assim poderia voltar e enfrentar os assassinos de seu amado, decidida seguiu para o local pois teria que passar pelo mesmo tratamento.

Na manhã seguinte de ter chegado e se identificado como a viúva de Riniel, Jania, foi instruída em tudo que precisava fazer para ficar forte e iniciar seus treinos o mais rápido possível. E assim ela fez naquele dia todo sem reclamar, pois a sede de vingança era mais dolorosa que as dores que sentia pegando todos aqueles pesos que foi instruída a carregar. 

Enquanto os dias de Jania se resumiam em esforço como corrida de cinco quilômetros todos os dias antes mesmo do amanhecer e depois de um café reforçado, começou a             carregar tronco de árvores pesadas, grandes e pesadas pedras de uma pedreira próxima. Ela recebia todas as noites ante de dormi informações do que estava acontecendo na sua antiga comunidade pelo o rapaz hack que ninguém imagina que ser seu informante já que o rapaz e um tímido adolescente raquítico. que perdeu a mãe cerca de três anos que era sua única família, e por ele quase não sair de seu alojamento nos fundo do açougue onde Riniel mandou que estalasse uma passagem subterrânea caso precisasse de uma rota de fuga, e as pessoas que sabiam daquela passagem já haviam morrido todos, e os demais da comunidade, não sabem da história do mirradinho Nil.  

***

Quinze dias passaram, além de Jania falar com Nil, falava também com seus filhos que achavam que ela estava em viagem de negócios como o pai fazia de vez em quando. Sua filha Dafne, sempre queria saber quando ela voltaria, chorando, Jania só falava que seria em breve. Depois que desligava Jania chorava horrores, pois apesar de está com muita saudade do marido, também sentia por esta longe dos filhos o que somava mais revolta e ódio que com certeza faria seus inimigos pagarem por tudo que estava acontecendo com sua família. Pois de uma coisa ela aprendeu durante todo tempo de casada, se fazem os seus sofrerem receberá o mesmo tratamento em dose maiores com certeza.

Depois de chorar por um bom tempo, Jania adormeceu, despertando no dia seguinte com o cantar do galo antes mesmo do seu despertador tocar.

Depois de fazer sua higiene matinal vestiu-se com um conjunto de moletom bem grosso e quentinho e saiu para sua corrida pois naquela mesma manhã enfim iria começar os treinamento das aulas de arte marciais como; karatê, Jiu-jitsu, Kung-fu, Judô, Kickboxing, Boxe, Muay Thai, Capoeira, Aikido, MMA. etc. 

 A cada dia Jania teria três horas de luta pela manhã e duas horas pela tarde, pois precisava pegar pesado já que tinha que se preparar o quanto antes, pois só assim poderia terminar logo o que tinha que fazer para depois se sentir em paz e se juntar aos filhos para seguirem suas vidas e passearem pelo mundo como também prometeu ao seu amado Riniel que iria fazer tudo que ele listou na lista que deixou com o amigo para que lhe entregasse junto ao um vídeo que ela ainda não teve coragem de assistir, ainda não se sentia forte o suficiente para enfrentar a realidade de que ele tinha os deixado para nunca mais voltar.

Jania  sabia que no momento que assistisse aquela filmagem, saberia que o que mais temeu durante todos os onze anos que viveram como marido e mulher iria se real que tinha chegado ao fim, que só iria lhe restar as boas lembranças principalmente sua primeira vez quando se entregou a ele e dois meses depois lhe dizendo que estava grávida. E vendo em seus grandes olhos o quanto ficou feliz com a notícia, mesmo sabendo que era arriscado eles terem um serzinho que iria depender dos dois o todo tempo e para sempre, ela viu o medo em seus olhos em pensar que poderia lhe acontecer algo deixando-os de uma hora para outra como aconteceu. 

Por isso tomava cuidado dobrado, até que a linda Dafne nasceu com os mesmos olhos dele que ao segurá-la pela primeira vez viu as lágrimas em seus olhos. 

Jania mal podia acreditar que aos seus dezessete anos tinha dado a luz a uma menina linda do homem que a cada dia a amava mais que  ele mesmo. 

Sua filha teve tudo que ela não teve, nasceu em berço de ouro como dizem, mesmo que o dinheiro viesse do crime, ela procurava não pensar em tudo que o marido sempre esteve envolvido, pois seu papel era fingir que ele continuava exercendo sua profissão como advogado, afinal ele continuava sendo sócio do escritório de advocacia fora da cidade, onde era conhecido como o senhor Petriz. Riniel nunca  se deixou ser pego e fichado pela polícia, mas também sempre molhava a mão dos peixes grandes para que fingisse que não sabia quem ele era, afinal ele deu jeito no que eles diziam ser a dor de cabeça deles, dando paz aos colarinhos brancos que ficava com uma grande parte dos lucros do crime.

Muitas das mansões de luxos, lanchas caríssimas até ilhas que muitos executivos tinham vinha do dinheiro sujo.

Capítulo 3

Dias passaram, e logo um mês havia passado, Jania já estava mais forte, as dores em seu corpo já não a incomodava tanto como no início, ainda não tinha aprendido a arte de lutar, afinal ficou quinze dias pegando só peço para se fortalecer e quinze dias aprendendo a se defender dos golpes que o mestre lançava em sua direção.

Onde muitos a acertavam-a de cheio, outros o próprio mestre evitava a tempo de não atingi-la.

Um novo mês começou, o mestre Arthur, prometeu que começaria a pegar mais passado e também iria começar os ataques, pois queria ver se ela realmente tinha o dom de aprender a arte marcial como tinha acontecido com Riniel que em pouco tempo passou até a dar aulas para os novatos que chegavam ao templo.

Jania  já não aguentava de saudades de todos, inclusive dos filhos, ainda mais que seu aniversário estava se aproximava e seria o primeiro sem seu Riniel, ele era festivo, adorava fazê-la feliz naquele dia, começava na madrugada quando a acordava percorrendo seu corpo com uma rosa vermelha, sempre começando pelos pés, subindo por suas penas passando por suas coxas parando em suas partes íntimas, onde beijava a rosa mostrando-a o quanto a amava e desejava, voltava com a rosa subindo por seu abdômen parando no umbigo contornando-o com a rosa, e com seu olhar travesso e um belo sorriso que era lindo de se ver, sorria feliz, aquele sorriso que ela adorava elogiar e ele adorava ser elogiado pelos belos dente bem cuidados, não perdia uma consulta ao dentista pois adorava seus dentes sempre brancos e cuidados, assim como os dela e dos filhos a qual ele mesmo os acompanhavam nas consultas tanto do dentista como aos pediatras.

Ao chegar com a rosa na parte dos seus seios, não cansava nunca de dizer como  eram lindos, adorava devorá-lo com beijos ternos, sugando-os com aquela boca quente, fazendo-a sentir-se amada e desejada por ele que apesar de ser quem era, sempre a respeitava e era sempre fiel, pois odiava traição, sempre falava que queria viver um casamento igual o de seus pais, que se amaram até que o falecimento do pai os separaram.

Em meio às lágrimas Jania continuou lembrando do carinho do marido com ela que depois de percorrer todo seu corpo com a rosa a beijava nos lábios com fervor em seguida descia beijando todo seu corpo fazendo-a se arrepiar onde ria com prazer por fazê-la sentir toda aquela sensação, depois fazia amor lentamente, fazendo-a atingir orgasmos prazerosos vários vezes cada vez que se amavam.

Aquelas lembranças fizeram Jania chorar muito sentindo uma imensa tristeza por nunca mais ter aqueles momentos com o único homem  que amou.

Sentindo-se sufocada, saiu para correr, pois só a corrida a acalmava, colocou os fone nos ouvido e saiu floresta adentro mesmo já estando escurecendo aquele últimos dias ela tinha aprendido a arte de sentir as coisas ao seu redor de olhos fechados, então não se importava de correr mesmo que no escuro.

Já tinha percorrido uma boa parte do caminho quando de repente sentiu que estava sendo seguida, parou em um lugar totalmente escuro onde a luz da lua não chegava por causa das grandes árvores se escondeu e ficou observando quem a seguia, até que viu alguém se aproximando, se abaixou atrás de uma grande pedra, e colocou o que aprendeu em plástica, fechou os olhos e quando achou que era o momento, esticou o braço puxando a perna do homem, fazendo-o cair, ela ouviu o grito reconhecendo a voz, e logo abriu os olhos se deparando com um dos alunos que treinava na sala ao lado da sua, aquele homem já fazia parte da equipe do templo a anos, pois até foto dele na parede ela já tinha visto.     

— Por que você está me seguindo? — Perguntou já se colocando em posição de se defender. 

— Calma, eu não vou lhe fazer nenhum mal! Eu só lhe vi saindo e vindo na direção da floresta que a noite é perigosa, ainda mais pra quem não conhece. Você deveria ter mais cuidado, sei que não tem animais ferozes aqui, mas se você sofre algum tipo de acidente quem chamará ajuda, precisa ser prudente, não saia sem avisar a algum pra onde está indo, do jeito que você saiu ninguém iria sentir sua falta até amanhã nas aulas, então me prometa que vai se cuidar, ok, eu gostava muito do Riniel e sei que ele não iria querer que nada acontecesse com você, ainda mais aqui que ele considerava o lugar mais seguro de se estar.

—  O que?! Como assim, você conheceu Riniel? Mas já faz muitos anos que ele esteve aqui.

— Sim, ele se foi assim que achou que estava na hora, mas eu fiquei, nunca quis ir a lugar nenhum, mesmo ele me dizendo que eu já estava pronto, Riniel foi o meu primeiro mentor e instrutor quando cheguei aqui, eu perdi meus pais e minha avó já estava com a idade avançada, então meu tio que também foi treinado aqui, me trouxe, ele conversou muito com Riniel naquela época que o prometeu que me ajudaria no que eu precisasse, e assim ele fez, Riniel só foi embora desse lugar quando viu que eu já estava bom para me defender e viver sozinho já que enquanto eu estava aqui minha avó faleceu e meu tio tinha ido para o exterior por causa do trabalho, então eu acabei ficando sem ninguém, decidi então não ir a lugar nenhum e continuei aqui e assim me tornei instrutor de quem chegava como Riniel fez comigo.  — Entendi, e qual é seu nome?O meu parece que você já sabe né. — Jania perguntou ainda desconfiada do homem parado à sua frente.

— Sim, o seu eu já sei desde o primeiro dia que você chegou aqui, afinal com a sua beleza não se passa despercebida, eu me chamo Ulysses, Ulysses Souza.

— Ok, Ulysses Souza, vamos voltar? Eu já estou mais calma, eu estava me sentindo sufocada, não sei se você sabe o que aconteceu com Riniel, está muito difícil sem tê-lo aqui comigo, então quando estou sentindo-me desesperada como estava, não aguentando mais, sai para fazer algo e me distrair e essa noite a corrida foi a escolhida da vez.

— Certo, e sim eu soube o que aconteceu com Riniel, quando ele estava aqui só falava em voltar e dar um jeito nas coisas que achava errado, nunca soube exatamente do que se tratava, aliás até hoje não sei, mas quando você precisar de alguém para desabafar, pode contar comigo, sei que não sou novinho como seus amigos, mas quero muito que você confie e contar comigo. 

— Ok, obrigado, aliás, quantos anos você tem? Parece ser novo. —  Perguntou Jania olhando de conto de olhos para o homem que caminhava ao seu lado.

— Trinta, fiz dois dias antes de você chegar.

— Ah, então, você não é tão mais velho que eu e os amigos que acha que tenho, porque eu tenho vinte seis até depois de amanhã. — Disse olhando para o lado oposto para Ulysses não ver as lágrimas se formando em seus olhos.

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