Uma dúzia de homens de ternos pretos invadiu o pronto-socorro.
A equipe de segurança particular de August se movia como uma unidade militar. Eles puxaram violentamente as cortinas de privacidade de todas as janelas de vidro, bloqueando a visão da sala de espera.
Um guarda-costas enorme entrou diretamente no caminho de Elisa. Ele estendeu a mão para arrancar a prancheta de triagem das mãos dela.
Elisa deu um passo rápido para trás.
O guarda-costas franziu a testa e soltou o pesado cassetete de seu cinto. Atrás do balcão, a enfermeira-chefe soltou um guincho e se escondeu.
Elisa não piscou. Ela olhou diretamente nos olhos do guarda-costas.
"Sob as leis HIPAA do estado de Nova York, tocar neste prontuário médico é um crime federal", disse Elisa, com a voz afiada como vidro. "Tente."
As portas da sala de trauma se abriram. August saiu. Ele dispensou o guarda-costas com um gesto e marchou em direção a Elisa. Seus olhos estavam escuros e tempestuosos.
O diretor do hospital veio correndo pelo corredor, suando profusamente em seu terno feito sob medida. Ele inclinou a cabeça para August antes de lançar um olhar frenético para Elisa.
"Me dê o prontuário, Elisa. Agora", ordenou o diretor.
Elisa não resistiu. Ela deixou seus dedos escorregarem da prancheta de plástico. Ela observou o diretor entregá-lo como um cão leal.
August enfiou a mão no paletó. Ele pegou um talão de cheques com capa de couro e uma caneta-tinteiro de ouro. Ele rabiscou um número tão rápido que a caneta arranhou o papel.
Ele bateu o cheque no balcão do posto de enfermagem.
"Cem mil dólares", disse August, sua voz uma ameaça baixa e perigosa. "Mantenha a boca fechada."
O cheque deslizou pela superfície lisa e flutuou até o chão de linóleo. Elisa olhou para o papel. Um sorriso amargo e zombeteiro repuxou o canto de sua boca.
As portas duplas se abriram novamente. Paramédicos trouxeram Allena em uma maca de transporte. Seu rosto estava pálido, mas seus olhos se abriram tremulamente.
O olhar de Allena atravessou a multidão e se fixou perfeitamente em Elisa. Um sorriso fraco e altamente intencional se formou nos lábios de Allena.
A bile subiu pela garganta de Elisa. Ela olhou para Allena da mesma forma que olhava para um saco de lixo hospitalar.
August imediatamente virou as costas para Elisa. Ele se inclinou sobre a maca, sua mão grande segurando gentilmente a bochecha de Allena, bloqueando completamente a visão de Elisa.
Os paramédicos empurraram a maca em direção à saída VIP. August caminhava bem ao lado dela.
Pouco antes de passar pelas portas de saída, August lançou um último olhar de aviso por cima do ombro para Elisa. Então, ele se foi.
O rugido dos motores do helicóptero desapareceu na noite. O pronto-socorro estava sufocantemente silencioso. O diretor enxugou a testa suada e saiu apressado.
Claire, uma jovem enfermeira, apareceu ao lado de Elisa. Seus olhos estavam arregalados de empolgação.
"Meu Deus", sussurrou Claire. "Quem era aquele? Aquela garota deve ser a alma gêmea dele. Eles devem ter se pegado com tanta força para acabar aqui."
Elisa se abaixou. Ela pegou o cheque de cem mil dólares, amassando-o em uma bola apertada em seu punho.
Ela se virou para Claire. Ela baixou a voz, adotando um tom profundamente sério e clínico.
"Eu vi o prontuário dele", mentiu Elisa com naturalidade. "O homem sofre de disfunção erétil orgânica severa."
Claire ofegou, levando as mãos à boca para cobri-la.
"Os ferimentos", continuou Elisa, com o rosto completamente inexpressivo, "foram causados por brinquedos mecânicos ilegais e superdimensionados. Ele não consegue ter um desempenho natural."
Os olhos de Claire quase saltaram de suas órbitas. A ilusão romântica se desfez instantaneamente, substituída por pura repulsa. "Eca. Que nojo."
Elisa deu um tapinha no ombro de Claire. "Sigilo profissional, Claire. Não conte a ninguém."
Ela conhecia Claire. Claire não conseguiria guardar um segredo nem que sua vida dependesse disso. Até a manhã seguinte, o boato da impotência de August Chambers seria o tópico de fofoca mais quente circulando por todas as salas de descanso e postos de enfermagem deste hospital inteiro.
Elisa entrou na sala de descanso. Ela enfiou o cheque amassado na fragmentadora de papel de alta capacidade.
A máquina zuniu alto, triturando o papel em tiras minúsculas e sem valor.
Ela tirou o pijama cirúrgico, vestiu seu sobretudo bege e empurrou as portas do hospital. O vento congelante de Nova York atingiu seu rosto e, pela primeira vez em sete anos, ela sentiu que podia respirar.
Elisa empurrou as pesadas portas de carvalho da cobertura em Manhattan.
As luzes com sensor de movimento se acenderam, lançando um brilho frio e estéril sobre a vasta extensão de mármore branco. Ela tirou os saltos. Seus pés descalços tocaram o tapete grosso, mas o apartamento parecia um freezer.
Ela passou direto pelo enorme retrato de família pendurado no hall de entrada. August pagara meio milhão de dólares por aquela pintura a óleo. Não passava de uma mentira sobre a tela.
Ela entrou no escritório escuro. Atrás da enorme estante de mogno, ela puxou uma enciclopédia grossa para frente. Um teclado digital oculto se acendeu.
Ela digitou uma sequência complexa de números. A pesada porta de aço do cofre de parede se abriu com um clique.
Elisa ignorou as caixas de veludo com diamantes e esmeraldas. Ela enfiou a mão bem no fundo e puxou um envelope pardo amarelado.
Ela deslizou os documentos para fora. As letras pretas e em negrito no topo diziam: Acordo Pré-nupcial e de Casamento por Prazo Determinado. Duração: Sete Anos.
Ela virou para a última página. Seus dedos traçaram a assinatura bagunçada do falecido Baron Chambers III e, logo abaixo, a caligrafia afiada e agressiva de August.
Elisa foi até a impressora moderna no canto. Ela apertou o botão de copiar. A luz verde varreu de um lado para o outro, iluminando a sala escura.
A máquina cuspiu as páginas quentes. Ela as grampeou e colocou a pilha perfeitamente no centro da enorme mesa de August.
O teclado da porta da frente apitou. Passos pesados e apressados ecoaram pelo piso de mármore.
August entrou na sala de estar, afrouxando a gravata agressivamente. O cheiro enjoativo das velas de luxo da ala VIP do hospital impregnava suas roupas, misturando-se com o cheiro de álcool estéril.
Ele viu a luz saindo do escritório e franziu a testa. Ele entrou marchando.
"Você saiu mais cedo do seu turno," August rosnou, com os olhos cheios de irritação.
Elisa não discutiu. Ela apenas empurrou o contrato grampeado pela madeira lisa da mesa, parando-o bem na ponta dos dedos dele.
August olhou para a página de rosto. Ele revirou os olhos.
"Outra emenda ao fundo fiduciário?" Ele soltou uma risada áspera e zombeteira. Ele apoiou as duas mãos na mesa, inclinando-se para encará-la de cima.
"Sua atuação fria no hospital hoje à noite foi apenas uma tática de negociação, não foi?" ele zombou. "Você quer mais dinheiro."
Elisa olhou para ele. Seus olhos estavam dolorosamente claros.
"Eu quero o divórcio," ela disse com a voz firme. "O contrato expira em três dias."
August congelou por uma fração de segundo. Então, ele jogou a cabeça para trás e riu. Foi um som cruel e desdenhoso.
"Você é patética," ele disse. "Esse seu ato dramático para chamar a atenção está ficando velho, Elisa."
Ele nem sequer abriu o documento. Deu um tapa na pilha de papéis. Eles voaram da mesa, espalhando-se pelo caro tapete persa.
"Não tenho tempo para seus joguinhos desesperados," ele disse, virando-lhe as costas.
Antes que ele pudesse dar dois passos, seu celular vibrou. Um toque personalizado preencheu a sala. Allena.
August atendeu ao telefone, sua voz baixando para um sussurro enjoativamente doce e gentil. "Estou aqui, querida. Está doendo?"
Uma voz frenética e ofegante ecoou fracamente do fone. "August... o médico disse que pode haver uma complicação. Estou com tanto medo. Por favor, volte."
Seu rosto se contraiu em puro pânico. Ele se virou, ignorando completamente os papéis no chão. Ele nem sequer olhou para Elisa.
Ele pegou as chaves do carro na mesa de canto e saiu correndo do apartamento.
A porta da frente bateu com força. O som ecoou violentamente pela cobertura vazia.
Elisa permaneceu perfeitamente imóvel na cadeira de couro. Ela olhou para os papéis espalhados no chão. Seus olhos estavam completamente secos.
Ela se abaixou e pegou a página das assinaturas. Ela encarou a data, e um sorriso lento e gélido se espalhou por seus lábios.