"Casamento não é brincadeira. Não posso te deixar fazer isso!", Josie disse encarando sua filha.
Rosina colocou a comida na mesinha de cabeceira antes de dizer: "Mamãe, não é como se eu fosse casar com um completo estranho. Ele é filho de uma velha amiga sua, não é?"
"Minha amiga faleceu há muito tempo, Rosina. Eu nem sequer cheguei a conhecer o filho dela. Mesmo que isso signifique quebrar minha promessa com ela, não posso deixar você levar isso adiante. Quero que você se case com alguém que realmente ame! Não se deve usar o casamento como uma moeda de troca. Se for para ser assim, prefiro ficar nesse país pelo resto da minha vida", Josie disse enquanto segurava a mão de Rosina.
Alguém que ela amasse? Mesmo que Rosina conhecesse o "senhor perfeito" um dia, ela tinha medo de não merecê-lo. Com a cabeça baixa, a garota pensou que não importava com quem ela fosse se casar, o que importava era que ela recuperasse tudo o que uma vez pertenceu a ela e sua mãe.
Após falhar em fazer Rosina mudar de ideia, Josie acabou fazendo as malas e voltou para casa com ela no dia seguinte. Como Perry não queria que elas duas morassem com a sua família, ele pediu que alugassem um apartamento. Rosina não objetou. Afinal, tanto quanto fosse possível, ela queria evitar a nova esposa e a outra filha do seu pai.
Josie, por sua vez, ainda estava preocupada. "Minha filha, mesmo que eu tenha prometido esse casamento à minha velha amiga, Perry jamais sugeriria que você se casasse com um membro da família Walsh se ele achasse que isso era uma coisa boa!"
Sem querer continuar essa discussão, Rosina tentou mudar de assunto. "Você deveria comer alguma coisa, mamãe."
Ao perceber a reação da filha, Josie suspirou pesadamente. Nesse momento, Rosina pegou um pouco de comida e se sentou para comer, mas quando estava prestes a dar uma mordida, ela começou a vomitar de repente.
"Você está se sentindo doente, minha filha? Sua pele está pálida como uma folha de papel", sua mãe disse.
"Estou bem! Acho que só estou cansada da viagem, nada demais. Vou voltar para o meu quarto."
Josie já tinha muita coisa com o que se preocupar, então Rosina inventou uma desculpa superficial para evitar mais preocupações na cabeça dela. Sem dar à sua mãe a chance de dizer nada, ela correu para seu quarto e fechou a porta. Assim que fez isso, a garota começou a vomitar novamente. Fazia pouco mais de um mês desde aquela noite fatídica e, como se não bastasse, sua menstruação estava atrasada há dez dias. Isso só poderia significar uma coisa...
Balançando a cabeça em negação, Rosina não ousou terminar esse pensamento.
No dia seguinte, ela correu para o hospital para fazer um exame de gravidez e a frase que ouviu foi devastadora: "Parabéns, você está grávida de seis semanas!"
Com as palavras do médico martelando usa consciência, a garota saiu do hospital completamente atordoada. Inconscientemente, ela olhou para baixo e levou as mãos à barriga. Embora estivesse perturbada e até um pouco envergonhada, Rosina estava surpreendentemente relutante sobre a possibilidade de abortar o bebê. Talvez fosse apenas o instinto maternal, mas ela chegou a se sentir feliz por estar esperando um filho...
Antes de entrar no apartamento, Rosina se certificou de guardar cuidadosamente o laudo do ultrassom. No entanto, assim que abriu a porta, sua expressão escureceu imediatamente. "O que você está fazendo aqui?", ela perguntou ao homem sentado na sala de estar. "Não é o dia do casamento!"
Perry estava esperando há quase duas horas e já estava impaciente, mas a grosseria de Rosina despertou ainda mais seu temperamento. "Como você se atreve a falar com o seu pai desse jeito? Vista uma roupa decente!", ele berrou.
Rosina franziu o cenho. "Por que eu faria isso?"
"Porque nós vamos conhecer seu noivo", Perry disse enquanto a olhava da cabeça aos pés. "Você quer mesmo que ele te conheça com essas roupas surradas? Você está deliberadamente tentando me envergonhar na frente dos outros?"
"Se eu fosse rica, acha que eu estaria vestindo essas roupas? Além disso, se eu fosse rica, acha que meu irmão teria morrido no hospital por lhe ter sido negado atendimento? Como meu pai, você deveria saber muito bem quais são minhas condições financeiras, certo?", Rosina gritou, mal podendo conter sua raiva.
Perry pareceu envergonhado. "Falaremos sobre isso mais tarde. Vamos. A família Walsh chegará em breve! Não podemos deixá-los esperando."
Como última cartada, Josie ficou na frente de Rosina para tentar convencê-la. "Minha filha, eu só quero que você viva uma vida boa. O dinheiro não importa! Pelo menos não deveria importar..."
"Não se preocupe, mamãe. Sei bem o que estou fazendo", a garota respondeu com um olhar tranquilizador.
"Vamos!", Perry disse impaciente. Temendo que Rosina mudasse de ideia, ele decidiu apressá-la.
Antes de seguir para o seu destino, eles pararam numa loja de roupas sofisticadas. Uma vendedora os recebeu na entrada com um sorriso. Perry empurrou Rosina para frente e disse: "Pegue algo que ela possa vestir!"
A moça estudou cuidadosamente a figura de Rosina e depois assentiu com a cabeça. "Por favor, venha comigo, senhorita!"
Rapidamente, a vendedora foi buscar um vestido azul em uma das araras de roupas e o entregou para a garota. "Acho que esse vai ficar ótimo em você! Quer experimentar ele no provador?"
Rosina pegou o vestido e caminhou na direção em que a vendedora estava apontando, mas logo foi interrompida pela voz de uma mulher: "Caldwell, você tem mesmo que se casar com aquela garota da família Bentley?"
Rosina parou de repente e olhou para a sala ao lado. Por uma fresta estreita, ela viu uma mulher com os braços em volta do pescoço de um homem, forçando uma expressão de vítima. "Se você se casar com ela, como eu vou ficar?", ela disse.
Caldwell Walsh não sentiu nada além de pena da mulher na sua frente. "Você sentiu dor naquela noite?", ele perguntou.
Há mais de um mês, Caldwell viajou para um país pobre para investigar um projeto. Foi nessa época que ele foi mordido por uma cobra venenosa, que teve como efeito imediato uma sensação incontrolável de luxúria. Ele sentia que se não descarregasse seus desejos em uma mulher, acabaria morrendo de tesão. Foi Sonya Brewer quem se sacrificou para salvá-lo e, embora tivesse sentido muita dor, ela não se atreveu a dizer nada. A garota apenas suportou tudo com o corpo trêmulo.
Caldwell sabia que Sonya o amava, mas nunca teve intenção de dar uma chance para ela. Primeiro porque ele não a amava de volta. Tinha também o fato de que sua mãe já havia combinado seu noivado há muitos anos. Sonya foi sua secretária durante vários anos e sempre fez um excelente trabalho, mas depois do que aconteceu nessa noite fatídica, Caldwell sentia ser sua responsabilidade se casar com ela.
Apoiada no peito do homem, Sonya baixou os olhos e fez beicinho timidamente. Na época do acidente, ela já não era mais virgem, mas como não podia deixá-lo saber disso, ela recorreu a alguns truques naquela noite.
"Se você ver algo que te agrade, pode comprar!", Caldwell disse carinhosamente.
De repente, uma vendedora trouxe Rosina de volta à realidade: "Esse é um provador VIP, senhorita. Você não pode ir lá! Por favor, vá para o provador à direita."
"Oh, tudo bem!", a garota respondeu antes de desviar o olhar rapidamente e entrar no provador indicado pela vendedora.
Enquanto trocava de roupa, Rosina não conseguiu parar de pensar na conversa entre o homem e a mulher no provador VIP. Eles estavam falando sobre a família Bentley. Será que aquele homem era...?
Depois de se trocar, Rosina saiu do seu provador e olhou na direção do provador VIP, mas a porta estava fechada.
"Ficou muito bem em você!", a vendedora elogiou.
Assim que viu a garota no belo vestido azul, Perry assentiu com a cabeça e foi pagar a conta. Para sua surpresa, o vestido custou pouco mais de trinta mil dólares, mas como a garota estava prestes a conhecer a família Walsh, ele acabou pagando sem muita resistência. "Vamos!", ele disse.
Com a cabeça baixa, Rosina o seguiu até o carro.
Não muito tempo depois, eles chegaram num bairro de belas vilas. Quando desceu do carro e deu uma boa olhada ao redor, a garota abriu um sorriso sarcástico. Enquanto ela e sua mãe viviam num país estrangeiro devido à condição do seu falecido irmão, seu pai e sua amante viviam cheios de dinheiro.
"Por que você está aí parada?", Perry perguntou impacientemente.
Rosina logo voltou a si e correu para alcançá-lo. Assim que chegaram, um criado se aproximou e os informou que os Walsh ainda não haviam chegado. Então, Perry disse a Rosina que esperasse na sala. Foi então que a garota viu, ao lado da janela francesa, um belo piano de marca alemã. Era um modelo famoso e caríssimo que Josie havia comprado para ela no seu aniversário de cinco anos. Desde que era criança, Rosina adorava tocar piano, mas ela já não tocava mais desde a sua mudança para o estrangeiro.
Embora tivesse lutado contra esse impulso, a garota não resistiu a esticar a mão e apertar uma tecla, fazendo soar uma nota clara e melodiosa. Uma sensação familiar aqueceu ligeiramente o coração de Rosina.
"Quem disse que você pode tocar meu piano?", soou uma voz raivosa.
Quando se virou, Rosina se deparou com uma garota que a encarava com indiferença. A julgar pela boa aparência que claramente havia herdado, só podia ser a sua meia-irmã. Embora tivesse um rosto lindo, a expressão no rosto da garota era de puro desgosto e raiva.
"Seu piano?", Rosina retrucou com desdém.
Aquelas pessoas haviam destruído o casamento da sua mãe e passaram a desfrutar de todas as coisas que pertenciam a ela, mas aquela garota ainda tinha a audácia de dizer que o piano era dela?
"Você... é Rosina?", Tiana Bentley perguntou com os lábios franzidos.
Ela ainda conseguia se lembrar do dia em que Perry mandou Rosina e Josie para o exterior. A cena daquela garotinha, que na época tinha apenas dez anos, ajoelhada e implorando para não ser mandada embora, nunca saiu da sua cabeça.
"Você está feliz que papai te trouxe de volta?", Tiana perguntou com os braços cruzados e uma expressão desdenhosa no rosto. "Se fosse você, eu não criaria muitas esperanças. Papai só te trouxe para que você pudesse ingressar na família Walsh. O homem com quem você vai se casar é..." Nesse momento, Tiana cobriu a boca e deu uma risadinha maldosa.
O casamento, certamente, não era uma coisa trivial. Sua vida não estaria arruinada se ela se casasse com um homem assim, estaria? Pensar nisso deixou Rosina muito distante, mas seu momento de introspecção logo foi rompido...
"Senhor, a família Walsh está aqui", um servo entrou e anunciou de repente.
Perry correu para recebê-los pessoalmente e Rosina se levantou para aguardar que eles entrassem. Em poucos segundos, um homem numa cadeira de rodas foi levado para a grande sala, fazendo com que a garota arregalasse os olhos. Não era esse o homem que estava no provador VIP mais cedo? Ele era o tal senhor Walsh?! Rosina viu com seus próprios olhos que aquele homem podia ficar de pé e até segurar sua acompanhante nos braços sem muita dificuldade. O que diabos estava acontecendo?
"Rosina, venha cá! Me deixe apresentá-la ao senhor Caldwell Walsh."
Com essas palavras, Perry empurrou sua filha até Caldwell e disse com um sorriso lisonjeiro: "Senhor, essa é minha filha, Rosina."
Com as sobrancelhas arqueadas, o homem olhou para a garota dos pés à cabeça. Antes de morrer, sua mãe vivia falando sobre o casamento entre ele e a senhorita Bentley que ele nem sequer conhecia. Como não se atreveria a ir contra a vontade da sua mãe, Caldwell aproveitou o incidente com a cobra para espalhar a notícia da sua impotência, na esperança de que a família Bentley rompesse o noivado.
Quanto mais olhava para Rosina, mais o rosto do homem se tornava sombrio. Pensando que Caldwell estava insatisfeito com a sua filha, Perry aproveitou para dizer: "Ela ainda é jovem! Tem apenas dezoito anos. Tenho certeza que ela se tornará uma beleza quando crescer mais."
Caldwell abriu um sorriso significativo. "Quando fui para o exterior, sofri um acidente. Receio não poder andar, menos ainda satisfazer minha esposa."
"Não me importo", Rosina respondeu sem perder o ritmo.
Como Perry havia prometido que, desde que ela se casasse com alguém da família Walsh, ele devolveria a propriedade da sua mãe, Rosina estava disposta a fazer tudo. Mesmo que eles se divorciassem no dia seguinte, ela faria de tudo para o casamento acontecer.
Não demorou muito até Rosina entender o que se passava na mente de Caldwell. A razão pela qual ele estava em cima de uma cadeira de rodas era simples e objetiva. Ele queria que a família Bentley rompesse com a ideia do noivado para poder casar com a mulher que o acompanhava na loja de roupas. O que Caldwell não esperava era que Perry estivesse mais do que disposto a sacrificar sua própria filha para cumprir a promessa.
Rosina sentiu um calafrio percorrer sua alma enquanto o olhar do homem percorria cada centímetro do seu corpo. Tentando controlar a amargura que lhe acometia, a garota mordeu o lábio inferior e respirou fundo. Afinal, não era como se ela realmente quisesse se casar com Caldwell, mas desistir não era uma opção. Do contrário, como ela poderia recuperar o que pertencia à sua mãe?
Embora um sorriso forçado estampasse o seu rosto, ninguém poderia saber a luta interna que a garota estava travando. "Estamos noivos desde crianças. Não importa que tipo de pessoa você se tornou ou o que te aconteceu, é meu dever se casar com você!"
A expressão de Caldwell se enrijeceu com a eloquência da garota...
Sem perceber absolutamente nada que estava acontecendo além do plano mais óbvio, Perry pigarreou antes de dizer: "Quanto à data do casamento..."
"O casamento vai acontecer", Caldwell disse enquanto encarava Rosina, que logo baixou a cabeça na tentativa de esconder as emoções. Ela não ousou olhar nos olhos do homem, obviamente insatisfeito com o casamento arranjado.
"Se Rosina tiver algum problema no futuro, por favor, dê uma mão a ela", Perry disse com um largo sorriso no rosto.
A felicidade estava transbordando do homem só de pensar que ele estava casando sua filha de aparência simplória com um membro da família Walsh!
Com isso em mente, ele curvou-se levemente e disse num tom estranhamente servil: "Pedi para o cozinheiro preparar um jantar para nós, especialmente pela sua visita! Por favor, jante conosco, senhor Caldwell."
"Não, obrigado. Preciso resolver algumas coisas", ele respondeu sem hesitar.
Foi então que seu assistente, Tyson Wilde, virou sua cadeira de rodas para que eles pudessem sair, mas quando estavam prestes a passar por Rosina, Caldwell levantou a mão, sinalizando que eles deveriam parar.
"Você está livre agora, senhorita?", ele perguntou.
Embora parecesse uma pergunta inofensiva na superfície, Rosina não foi capaz de enfrentar seu tom dominador, então ela apenas assentiu. Parecia que Caldwell queria dizer algo a ela, o que era uma coincidência, já que ela também tinha algo a dizer.
Com um olhar de advertência, Perry alertou: "Se comporte!"
Rosina fingiu não vê-lo e apenas seguiu Tyson para fora.
Quando finalmente ficaram sozinhos, Caldwell virou sua cadeira de rodas e a encarou. "Você quer mesmo se casar com um deficiente? Senhorita Rosina, parece que você não é uma mulher nada exigente! O que você vê em mim? É meu dinheiro? Só pode ser isso! Você quer ter uma vida confortável como um membro da família Walsh, não é?"
O mero olhar do homem era suficiente para deixar Rosina desconsertada. Forçando uma expressão calma, ela retrucou: "E você? Por que está fingindo uma paralisia da cintura para baixo?"