Meg me acompanhou até o portão, agradeci novamente pelo dia incrível que tivemos e nos despedimos em seguida,já combinadas de nos encontrar novamente durante a semana.
Entrei no meu quarto, e parei no rumo da janela tentando entender o que tinha acontecido.
Pois a única coisa que sabia era que finalmente me apaixonei por um olhar.
Não me lembrava como era o restante do seu rosto muito bem, pois depois de sentir meu corpo desabando em sensações só queria sair correndo,e me afastar daquele pequeno incêndio que tinha se formado no meu coração,não conseguindo nem ao menos olhar para trás,mas no fundo tudo que queria era ter ficado lá.
Saindo dos meus pensamentos peguei meu celular e vi que já eram sete da noite. Hora do jantar. Desci para o salão principal, encontrando vários hóspedes ocupando as mesas, procurei um lugar e me sentei.
Logo Dona Zizi apareceu me perguntando como foi meu dia, respondi dizendo que foi maravilhoso, ela sorriu como sempre e pediu para que me servisse, desejando um bom apetite,e saiu parando nas mesas de outros hóspedes.
Estava com tanta fome depois desse dia intenso que comi de tudo que estava a disposição para o jantar, todos os pratos estavam uma delícia,tinha um tempero especial,algo que ainda não tinha experimentado,e era muito bom.
Subi para meu quarto após minha refeição e li algumas páginas do meu livro,e mesmo que já tivesse lido várias vezes, sempre me empolgava como se fosse pela primeira vez.Acho que por isso era o meu favorito.
Adormeci, e em algum momento acordei suada. Percebi que estava sonhando com aqueles olhos, encontrando com os meus,mas rapidamente sumiram. Sentei-me na cama por um instante, acho que realmente fiquei impressionada pois não parava de pensar naquele olhar,que se tornou apenas uma lembrança. Instantes depois acabei adormecendo novamente,pois um novo dia logo ia amanhecer.
Nessa primeira semana aproveitei para conhecer outros lugares,principalmente os públicos, onde não precisaria gastar dinheiro,pois ainda precisava economizar. Meg me acompanhou em um desses passeios em sua folga durante a semana,e como imaginava foi muito animado,rimos muito das histórias que contava,tanto sobre ela, quanto de clientes da lanchonete que desabafam suas tristezas comendo um lanche.
Conheci lugares importantes da cidade,acompanhado de uma verdadeira aula de história sobre eles.
Ela realmente conhecia tudo por ali e acho que nem os melhores guias saberiam explicar como ela, e todo seu conhecimento se devia a paixão que ela tem por Riverciry e sempre fazia questão de deixar isso bem claro pra qualquer pessoa. Mas não só me diverti ao contrário,sempre que encontrava uma oportunidade parava em alguns lugares perguntando se havia alguma vaga de trabalho disponível, mas percebi que não ia ser nada fácil, pois não tinha uma formação ou experiência necessária, o que dificultava bastante.
Infelizmente não tive a oportunidade de entrar em uma faculdade, vim de uma família simples meu pai nunca nos deixou faltar nada, porém trabalhava de dia e noite para que isso acontecesse.Já minha mãe não aceitava as condições básicas em que vivíamos por ser mais ambiciosa, falando sempre que merecia ter uma vida melhor e assim que completei doze anos se separou do meu pai,e claro ele não permitiu que me levasse,então ela foi embora em uma noite sem se despedir e desde então não tive mais contato com ela.
Alguns anos depois soubemos que havia se casado novamente com um homem rico, que pode dar a ela tudo o que sempre quis. Meu pai me criou como pode com toda dignidade,foram dias difíceis pois ficava mais sozinha do que em sua companhia e por isso tive que aprender a me virar sozinha,pois não havia mais ninguém com quem contar além do meu pai.
O dia mais triste da minha vida foi o dia que ele partiu.Sofreu um acidente de carro devido a uma forte chuva que pegou a noite pela estrada enquanto voltava do trabalho.Após seu falecimento fiquei sozinha aos vinte anos, sem um trabalho fixo, uma casa própria,ou parentes por perto, pois os que tinha moravam em cidades muito distantes e mal os conhecia pessoalmente na maioria apenas por foto.Meus pais vieram sozinhos para Winterfill após se casarem,na tentativa de construírem uma vida melhor,mas o que infelizmente nunca aconteceu.
E depois de tantos anos de ausência, minha mãe apareceu querendo se aproximar novamente,acho que sentiu remorso quando soube da morte do meu pai.No começo não queria nem conversar com ela, mas estava tão abalada e sozinha que me deixei convencer que poderia esquecer o que tinha feito e aceitei ir embora com ela para sua nova vida. Como não tínhamos muita coisa, foi fácil me desfazer do pouco que tinha.Levei comigo apenas algumas roupas e o dinheiro que consegui da venda dos móveis,já que nossa casa era alugada e não sobrou nada do carro.
A cidade onde vive agora também é maior do que Winterfill, mas nada comparado a este lugar.Como se tudo já não fosse novo, além de uma nova casa,tinha ganhado uma meia irmã: Kelly,uma menina que se achava,apenas por estar seguindo os passos do pai,pois fazia faculdade de administração para trabalhar ao seu lado na empresa da família.
Seu pai era William Logan,um empresário bem sucedido que trabalhava na área do comércio internacional.Não que esse fosse o problema,até me surpreendi ao ver que uma riquinha como ela pretendia trabalhar,mas sim sua arrogância em achar que era superior a mim por isso.
Os poucos meses que passei em sua casa foram os piores da minha vida.Kelly sempre me criticando por qualquer coisa,fazendo questão de lembrar que não tinha a devida educação que deveria, se não bastasse, além de tudo sempre que podia me causava problemas só por diversão.
Já minha mãe achava que recompensaria o tempo perdido dando presentes caros e uma boa casa,mas não precisava de nada daquilo, precisava apenas de sua atenção e principalmente seu carinho que mesmo assim não conseguiu me dar por agora estar sempre ocupada com a nova Família.
William,que havia ocupado o lugar do meu pai ,era até gente boa me tratava super bem, mas claro que Kelly sempre fazia questão de lembrá-lo quem era sua filha de verdade.
Cansada daquilo tudo e de todos principalmente, resolvi que precisava mudar minha vida.Em uma tarde aproveitei que todos saíram de casa para um evento,peguei somente o necessário e o que era meu de verdade e partir sem me despedir de ninguém,assim como minha mãe um dia fez comigo .E aqui estou eu,tentando provar para mim mesma que sou capaz de viver minha vida sozinha e ser feliz sem precisar deles.
A vida não é fácil de se lidar, encontramos obstáculos o tempo todo, porém meu pai me ensinou a nunca abaixar a cabeça para aqueles que se acham no direito de humilhar os outros por terem mais,e principalmente que sempre devemos buscar nossos sonhos sem se preocupar se vão ser fáceis ou difíceis, era uma das coisas que mais admirava nele. Sua força para buscar o que queria,mesmo que não conseguisse realizá-lo,e foi por esse motivo que mandou escrever a frase que carregava em minha pulseira.
Mas precisava achar algo,pois o que tinha de dinheiro não era muito o que me deixaria sem recursos,tinha o suficiente para pagar pelo quarto por mais um tempo,mas precisava de mais para as outras necessidades.
Lembrar do passado me deixa triste ,mas ao mesmo tempo me mostra que o caminho pelo qual percorremos é cheio de curvas, atalhos e linhas retas, o que vai diferenciá-las é o tempo que levaremos para percorrer qualquer uma delas,e chegar ao destino final.
Algumas semanas depois...
Era sexta e estava quase anoitecendo quando meu celular tocou. Era Meg.
-Meg como vai. - Perguntei ao atendê-la.
-Muito bem e ficará melhor ainda.-Respondeu empolgada.- Te liguei pois queria te levar na sua primeira festa,em uma boate super badalada de Riverciry, hoje! Estou liberada esta noite então vamos aproveitar e nos divertir. -Disse gritando animada do outro lado do telefone.
-Não sei,nunca fui a uma boate antes…nem tenho o que vestir.-Falei desanimada.
-Relaxa, não precisa se preocupar! coloque a roupa melhor que você tiver e dá uma geral, às 8:00 passo ai para te pegar.-Disse já se despedindo.
Nem tive tempo de tentar convencer Meg de não ir, ela desligou o telefone e tive que me conformar. Olhei no relógio já eram 7:10 e teria que me arrumar em tempo recorde.Por sorte já havia tomado banho poucos minutos antes de sua ligação.Fui até o guarda-roupa que havia apenas uma parte ocupada e peguei um vestido, o único que tinha comprado com Meg em um de nossos passeios pela cidade, era curto até um pouco abaixo do joelho, decote discreto e um tom de cor marsala que destacava minha pele clara, coloquei a sandália de salto que Meg insistiu em comprar para mim para usá-la com o vestido.Deixei meus cabelos soltos que no momento estavam na altura das cintura, pois sempre gostei de cabelos grandes, e cuidava deles o melhor que podia.Terminei passando um pouco de maquiagem que tinha,coloquei alguns acessórios quando escutei alguém batendo na porta.
-Lauren sou eu, está pronta? -Perguntou Meg.
- Já vou só um momento.-Respondi.
Dei uma última olhada no espelho e fui em direção à porta abrindo-a e a encontrando.
-Arrasou hein garota! - Disse Meg sorrindo.
-Você também está uma gata! -Brinquei com ela.
Meg vestia um vestido mais ousado, em tons azul claro com escuro, era bem mais curto que o meu de alças e mais decotado mostrando um pouco mais dos seios, os cabelos bem arrumados e uma maquiagem mais forte,bem diferente de como estava acostumada a vê-la.
- Tenho que arrasar hoje pois Tyler vai estar lá e combinamos de nos encontrar.E tive que dizer que você tinha dado a ideia de sairmos juntos ou seria muito direta.-Falou escondendo o rosto.
-Meg! Falei não acreditando.
-Ah! Depois de tudo que fiz por você, bem que me deve uma ajudinha.-Disse sorrindo.
- Tudo bem, se é para bancar o cupido para vocês, aceito sem reclamar.-Respondi a abraçando.
-Valeu, sabia que podia contar com você, amigas são para isso, não é verdade?- Disse toda eufórica.
Descemos e entramos no carro. A cidade a noite é linda cheia de vida, luzes coloridas Outdoor iluminados,carros lotando as ruas,jovens muito bem vestidos andando para todo lado.Era impressionante ver tudo aquilo.O caminho foi tranquilo conversamos sobre a semana alguns assuntos corriqueiros até pararmos em uma boate.Um lugar enorme cheio de gente esperando na fila.Em sua fachada letras enormes bem iluminadas chamando a atenção Music Dance Night .
-Venha, vamos entrar, Meg me puxou pela mão.
- Não temos que esperar na fila.-Perguntei confusa.
-Tem as vantagens de ser filha do dono da melhor lanchonete da cidade sabia. Meu pai é muito amigo do dono e ele sempre me dá pulseirinhas Vips para entrar e ainda ficaremos na melhor área do local, você vai adorar.
Sorri e a acompanhei, mostramos ao segurança nossas pulseiras e entramos sem qualquer pergunta.
A música alta predominava o ambiente,luzes chamavam a atenção de todos os lados,pessoas dançando, algumas acompanhadas outras sozinhas.O bar estava lotado e os garçons, na maioria homens jovens e bonitos bem uniformizados, carregavam bandejas de bebidas pelo local.
Subimos uma escada dando acesso a área Vip em um lugar menos lotado, tinha sofás almofadados e algumas mesas altas redondas apenas para apoiar os copos e a música ali era mais baixa, assim como a iluminação mais escura dando mais privacidade aos clientes Vips.
Logo vimos Tyler. Meg no mesmo instante foi ao seu encontro dando um abraço. Peguei em sua mão para cumprimentá-lo seguido por um beijo no rosto.Ele repetiu o gesto e nos acomodamos em volta da mesa observando o lugar.
-O que achou desse lugar, Lauren? -Perguntou Tyler.
- Incrível,nunca tinha entrado em uma boate antes.-Falei admirada,enquanto olhava tudo ao nosso redor.
- O que fazia para se divertir em sua cidade?-Perguntou Meg.
-Para ser sincera eu não tive muito tempo para me divertir.
Eles perceberam meu tom de tristeza e mudaram a conversa.
Ainda não me sentia pronta para contar tudo sobre minha vida, mesmo sabendo que são ótimas pessoas.
- Prepare-se então que conosco vai se divertir.- Disse Meg animada.
- Querem beber algo. - Tyler perguntou.
- Vou de Gin tônica. - Meg respondeu.
-Prefiro batida de morango sem álcool por favor.
- Você não bebe.-Perguntou Tyler surpreso.
-Nada contra quem goste mas evito tomar álcool sempre que tenho escolha.
-Beleza sem problemas.-Disse em seguida saindo para buscar nossas bebidas.
Meg o acompanhou com o olhar,o admirando,então resolvi exercer o papel que ela mesma havia me dado de cupido,dando um leve empurrãozinho.
Tyler voltou alguns minutos depois com nossas bebidas,conversamos sobre várias coisas, como era na faculdade que estudava sobre as pessoas de lá e Meg prestava atenção em tudo que ele dizia, parecia uma aluna prestando atenção na matéria favorita para aprender o máximo que conseguia.Não tinha dúvidas que ela o amava.
Sempre acreditei nessa coisa de que o olhar vale mais do que palavras,pois é através dele que vemos a alma da pessoa,e Tyler podia não perceber mas tinha uma química que com certeza tinha tudo para dar certo.
-A música está bem animada.Acho que deveríamos ir dançar.-Comentei intencionalmente.
- Concordo,afinal viemos aqui para nos divertir - Falou Tyler animado colocando seu copo na mesa.
Repetimos o gesto e descemos ao andar de baixo para a pista de dança. Nunca fui de dançar, principalmente em público no meio de tanta gente como ali, mas queria aproveitar aquele momento, já que era a primeira vez que curtia algo assim e estava sendo muito bom.
Dançamos os três no ritmo das músicas algumas mais rápidas outras mais devagar,apenas seguindo os ritmos e nos divertindo.Como não estava acostumada com saltos resolvi descansar um pouco e aproveitar a oportunidade de deixá-lo sozinhos,pois estavam bem dispostos dançando.
- Vou pegar uma bebida - Falei no ouvido de Meg que devido a música alta, quase não me ouvia.
-Ok vou com você - Ela respondeu.
- Não precisa! Fica com o Tyler, ele está bem animado dançando com você,aproveita. - Dei uma piscadinha para ela.
-Tem certeza, vai ficar bem.-Insistiu.
-Claro,depois espero por vocês lá em cima- Falei em seguida indo ao bar pedir mais uma batida.
Demorou apenas alguns minutos até o garçom me servir novamente enquanto aguardava no balcão.
Peguei meu copo e ia sentido a escada,quando olhei na direção de Meg e Tyler vi que estavam se beijando na pista,sorri pois finalmente tinha acontecido.Mas novamente me distraí com algo e de repente..
""Splash""
-Droga!!.
Acho que já tinha ouvido aquilo antes…
Sei que estava ganhando uma nova chance de encontrá-lo mas sinceramente não queria nem olhá-lo devido às circunstâncias em que isso estava novamente acontecendo.Mas desta vez não tinha como correr , só o que poderia fazer no momento era encará-lo.
Virei meu rosto encontrando com aquele olhar avassalador cor de mel que tinha me abalado assim que os encontrei pela primeira vez.Só que agora pude ver o restante de seu rosto perfeitamente, e apesar das luzes cintilando em meio a escuridão do ambiente,era lindo como imaginava.O cabelo liso levemente despenteado,mostrava estar bem à vontade.E desta vez sem as roupas formais ao contrário, bem descoladas, definindo seu corpo escultural.
Enquanto analisava seu estilo pensava que não deveria ser qualquer pessoa,que provavelmente deveria ter dinheiro pois sua roupa era de altíssima qualidade,e qualquer um olhando para elas saberiam disso.E esse era mais um motivo claro para me afastar.
Ele me olhou por um momento como se estivesse me reconhecendo e disse finalmente.
-Olha só se não é a garota do sorvete,e agora também a garota da batida.- Disse ironicamente.- Se tiver algo contra mim fale agora, pois se continuar derrubando coisas em mim sempre que nos encontrarmos, terei que começar a andar com uma camisa reserva.- Disse sorrindo.
Enquanto decidia o que fazer,analisava seu sorriso,e que sorriso...pensava mas me controlei.
-Me desculpe, não tinha nenhuma intenção de fazer isso, e principalmente de novo. - Falei envergonhada
-Tudo bem,desde que dessa vez não fuja e me ajude a limpar.-Disse tranquilamente.
Depois de ter me pedido para ajudá-lo, acho que a opção de me afastar estava fora de questão.
-Claro,desculpa. É o mínimo que posso fazer.Você sabe onde é o banheiro,não conheço bem aqui. -Disse mais perto devido a música alta.
-É ali na frente,pode ir na frente,quero ter certeza de que não vai mudar de ideia.-Falou me direcionando,com um leve sorriso no rosto.
Seguimos por um corredor que dava acesso a uma área mais afastada aos banheiros,paramos em uma pia externa,peguei um pouco de papel toalha para tentar minimizar o estrago e comecei a passar por cima de sua camiseta.Quando toquei naquele peitoral quase me desmonto novamente, por dentro meu coração estava a mil por hora, tentava me concentrar na mancha para não transparecer o que estava sentindo mais acho que não funcionou.
-Acho que deveria tirar a camisa se não se importar,facilitaria para você? -Disse,me olhando percebendo meu nervosismo em tocá-lo.
-Tudo bem.-Fiz um gesto consentindo.
Segurou a ponta da camisa e começou a levantá-la sobre a cabeça com cuidado para não se sujar mais.Queria não olhar mas era impossível não admirar aquele corpo bem definido, braços fortes, pele bem cuidada sem falar no perfume que exalava,perdida naquele paraíso ele em seguida me entregou e ao pegá-la comecei a limpar.
-Se quiser posso ajudar.-Disse gentilmente enquanto se aproximava me observando.
-Não precisa, posso cuidar disso.Já que o pior está feito.-Falei tentando disfarçar meu nervosismo por ser observada e estar tão próxima a ele,o que deixava mais difícil ainda por não saber o que estaria pensando.
Algumas garotas passaram por nós e não tinham menor vergonha de olhar para ele sem nenhuma descrição,uma delas olhava diretamente em suas costas e cochichou algo com a amiga que acompanhava. Fiquei curiosa para saber o que teria para comentarem, mas voltei a focar no que estava fazendo terminando de amenizar o estrago em sua camisa. Depois de limpá-la a entreguei a ele em seguida a vestiu novamente.
- Me desculpe novamente .Não sei como isso pode acontecer duas vezes com a mesma pessoa.- Falei ainda envergonhada.
-Não se preocupe, tem coisas que não tem explicação. - Disse sorrindo.
Pensava em como pode uma pessoa passar duas vezes por isso e não ficar bravo ao contrário, tratar com a maior educação e ainda sorrindo.Quem é este homem! pensava.
- Está acompanhada? -Perguntou aguardando minha resposta.
-Sim! Vim com um casal de amigos que estão na pista de dança.
- Parece que você não é daqui.-Perguntou, me analisando.
-Venho do interior de Winterfell, cheguei há algumas semanas na cidade para ser sincera.
-Percebi que era diferente das pessoas daqui. - Disse olhando fixamente em meus olhos.
Disfarcei tentando não mostrar o que acontecia dentro de mim, precisava escapar daquela situação o mais depressa possível ou não sei o que faria.
-Me desculpe, preciso encontrar meus amigos,devem estar me procurando.-Disse já me distanciando um pouco,mas antes que me afastasse mas perguntou.
-Ei,garota do sorvete! Não sei seu nome.-Falou apressado.
Olhei para trás,sorrindo e disse: Lauren. E me afastei rapidamente.
Enquanto passava pelo corredor para voltar ao salão,um cara passou por mim bêbado,puxando meu braço me fazendo parar bruscamente.
-Oi gatinha,tá a fim de um rolê.-Perguntou se aproximando.
Assustada, puxei meu braço,rapidamente e me soltando sai correndo me misturando na multidão.
Em seguida subi as escadas encontrando com Meg e Tyler que estavam me esperando na área Vip sentados num clima meio estranho, mas depois de tudo que aconteceu comigo resolvi perguntar o que tinha acontecido depois,pois no momento eu era a pessoa que precisava de um ar após aquele incêndio interior causado por aquele olhar.
Decidimos ir embora.Meg nos deixou na pousada e foi embora.Me despedi de Tyler e subi para o quarto. Entrando me joguei na cama pensando em como sou tão azarada.Conheço o cara perfeito mas da pior forma possível. Ele deve me achar uma distraída,irresponsável que não olha para onde anda, o que mais poderia acontecer.
Relembrando de toda a cena percebi que havia me esquecido de um grande detalhe, não tinha perguntado o seu nome.
Ainda continuaria sendo dono do Olhar misterioso.
Na manhã seguinte,levantei pensando o que faria em pleno domingo,quando passei minha mão em meu pulso por hábito e não senti minha pulseira.
-Droga,cadê você,por favor esteja aqui.-Procurava desesperadamente pelo quarto.
A procurei por todo lado,mas não a encontrei,sentei no chão chorando,não podia acreditar que tinha a perdido.
Com certeza tinha a perdido na boate,possivelmente quando aquele cara me puxou pelo braço,não devo ter sentido por estar preocupada em fugir.
Se achava que nada mais podia acontecer estava completamente enganada,tinha perdido a coisa mais importante da minha vida,a única lembrança viva do meu pai,o que ao olhar me dava força para enfrentar as dificuldades,e sem ela me sentia como se estivesse sozinha novamente.
Mais uma semana se passou sem nenhuma novidade em relação a conseguir trabalho o que me deixava bem preocupada,por já ter se passado mais de um mês e meu dinheiro já está diminuindo.
Meg estava bem ocupada com seu trabalho na lanchonete pois teve que assumir o lugar do pai em tempo integral pois estava ausente por alguns dias,e por isso acabamos não nos encontrando nesse período.
Em uma manhã,resolvi descer do quarto um pouco para me distrair.Ao chegar perto das escadas vi que Tyler estava na recepção e fui ao seu encontro.
-Oi,tudo bem, não sabia que estaria por aqui.-Falei o cumprimentando,parando em frente ao balcão.
-Pois é! precisava me distrair um pouco, ando meio esquisito ultimamente.-Disse meio confuso.
-Se quiser conversar não tenho nada melhor para fazer.-Disse sorrindo.
- Você tem falado com a Meg? -Perguntou colocando a mão na nuca num gesto meio envergonhado.
-Esta semana foi bem puxado para ela por isso não tivemos tempo para conversar.-Respondi explicando a ele.-Mais e você está assim por aquela noite na boate.-Perguntei, observando.
- Então você viu.-Falou envergonhado.;
-Sim, e fiquei muito feliz por vocês.-Falei sorrindo.
-Pra mim ainda está meio confuso. Achei que éramos só amigos mas Meg me pegou desprevenido e agora não sei como agir com ela.
-Poderia dizer a ela como se sente. Sei que conheço vocês a pouco tempo, mas pelo que conheço acho que se dariam muito bem como casal e acho que deveria chamar ela para um encontro, pois apesar de se conhecerem há tanto tempo há sempre coisas novas para se descobrir.-Falei o encorajando.
-Sei que ela é incrível,mas tenho medo de tentar algo e não dar certo, e estragar a amizade que temos.-Falou preocupado.
-Não sei muito sobre relacionamentos mas, o pouco que sei é que o amor vem de onde menos esperamos e se não arriscar nunca saberá se valeu a pena.
Tyler ficou em silêncio por um minuto e depois me agradeceu.
Em seus olhos vi que estava pensando nas possibilidades, acho que agora honrei meu papel de cupido de verdade.
Depois de conversarmos mais um pouco, subi ao meu quarto novamente e tive a sensação de que algo bom aconteceria.
O restante do dia passei como sempre lendo, navegando na internet até que a tarde, Meg me ligou.
-Lauren, você não vai acreditar no que aconteceu! - Falou Meg gritando toda animada do outro lado do telefone.
-O que aconteceu.- Perguntei ansiosa.
-Tyler me chamou para jantar,e combinamos de nos encontrar no fim de semana,não sei como isso aconteceu, mas estou super feliz e ansiosa.
-Fico muito feliz com a notícia, quem sabe finalmente se acertam.-Falei como se não soubesse de nada.
- Tomara! pois desde o beijo que dei nele sei que o amo mais do que nunca.-Disse confessando.
-Que bom, finalmente terão a oportunidade de conversarem com a possibilidade de pularem para um segundo nível além da amizade.
-Muito obrigada por me apoiar e me ajudar com ele.
- Ficarei muito feliz em ser a madrinha de namoro de vocês.-Brinquei com ela.
-Sem dúvidas.Claro se ele primeiro me pedir, mas prefiro estar com os pés no chão, não quero estragar tudo.
- E não vai.Tenho certeza que dará tudo certo .
-Obrigada.Mas não liguei só para te contar sobre isso,também tenho uma novidade para você muito boa.
No momento não imaginava o que poderia ser até que ela finalmente falou.
-Lembra que comentei sobre uma amiga que trabalha na Prayste. Encontrei com ela hoje de manhã no Bob's ,e comentei com ela sobre você e que estava precisando muito de um emprego.E adivinha...Ela disse que abriu uma vaga para trabalhar como atendente no Café da empresa e pediu para você ir amanhã mesmo às 8 horas da manhã para uma entrevista. Você irá falar com o Paul ,o responsável do Café.Ela vai deixar seu nome como referência pra ele e provavelmente você vai sair de lá empregada.
Mal podia acreditar no que Meg me dizia. Perguntei o que deveria usar,apenas disse que deveria ser eu mesma, pois apesar de serem rigorosos dão muito valor a autenticidade dos funcionários. Agradeci várias vezes por me ajudar novamente e nos despedimos.
Assim que desliguei fui imediatamente procurar o que vestir para o outro dia, pegando meu melhor jeans e uma camiseta apropriada para a entrevista.
Coloquei ao lado da cama feliz pela oportunidade e à noite fui dormir ansiosa pelo dia seguinte.
Assim que amanheceu,acordei bem cedo,com o alarme do despertador e me arrumei como de costume, fiz uma leve maquiagem dando uma realçada,em seguida dei uma última olhada no espelho e sai confiante de que tudo daria certo.
Fui a pé mesmo, pois como era perto da pousada não havia necessidade de usar transporte.
O céu estava incrível com poucas nuvens e um ar bem agradável,indicando que o dia seria maravilhoso.
Não demorei muito e logo cheguei na entrada da Prayste.Respirei fundo,e cumprimentei os seguranças que ali estavam.
-Bom dia.Vim falar com o senhor Paul da Cafeteria.
-Só um momento, por favor.-Um deles me disse.
Enquanto aguardava,ele falou ao transmissor exposto em seu uniforme.
- Para o senhor Paul da Cafeteira.
Percebi que havia recebido alguma instrução, pois no momento seguinte me entregaram um cartão escrito: Visitante e depois me deixando entrar. Agradeci,passando o cartão pelo aparelho da porta e entrei.
Não tinha como não reparar na beleza daquele lugar se por fora já era maravilhoso,por dentro parecia outro mundo.Era tudo tão elegante e logo na entrada dava direto acesso em um salão super sofisticado com mobílias finas em tons de vermelho e dourado,algumas mesas de vidro no centro com vasos de flores decorando o local.
Algumas pessoas ocupavam lugares nos sofás com pastas e notebooks no colo.
Nem parecia um prédio comercial olhando por esse ângulo,e sim um salão de hotel cinco estrelas.
Um homem de aparência jovem na casa de uns quarenta anos apareceu ao meu lado me dispersando de meus pensamentos.
-Lauren?-Perguntou vindo ao meu encontro.
-Sim.Respondi,com um discreto sorriso.
-Sou Paul, irei te entrevistar! Pode me acompanhar por favor? - Falou sorrindo,fazendo um gesto com a mão para segui-lo.- Já conhecia a Prayste? completou.
-Não. É a primeira vez. É muito lindo aqui! -Respondi confessando minha admiração pelo lugar.
-Sim! Além de linda, aqui é uma empresa bem diferente das tradicionais, prezamos o bem estar de todos e em troca só queremos o melhor de cada um.
Fiquei envergonhada por ele ter me visto admirada,mas foi muito gentil.
-Obrigado pela oportunidade.- Falei, o acompanhando.
Seguimos na direção do café que ficava ao lado oposto do salão,era impressionante como tudo ali era bem planejado,tudo era muito bem alinhado,os aparelhos super modernos, lustres proporcionando a iluminação perfeita,os atendentes ali presentes uniformizados e sorridentes,as pessoas que nele estavam provavelmente eram empresários e funcionários da empresa pois a maneira de se vestirem indicavam tal formalidade.
Paul era muito gentil e educado, nos sentamos em uma das mesas,me ofereceu uma xícara de café e aceitei.
Fez várias perguntas, algumas coisas pessoais como o que gostava, de onde vinha, se tinha responsabilidade para aceitar trabalhar ali.
Respondi todas as perguntas com toda a sinceridade e acho que ele gostou de mim pois me deixou bem à vontade.
Passamos algum tempo conversando e num certo momento ele estendeu a mão em minha direção e disse.
-Seja bem-vinda Lauren,Você começa amanhã a partir das 7:40 horas. Abrimos oficialmente às 8:00 da manhã em ponto,mas todos devem estar presente neste horário para se organizarem antes de abrirmos.Amanhã Jessie uma de nossas funcionárias mais antigas,a que serviu nosso café, te mostrará tudo por aqui,dará dicas de como se comportar com os clientes e aprenderá alguns cafés básicos de nosso cardápio.Ela será sua mentora nesses primeiros dias.Mas qualquer dúvida estarei sempre por aqui.-Disse me instruindo.
Peguei sua mão, agradecendo mais uma vez,e ele me acompanhou até a porta.
Segui rumo a saída passando novamente o cartão e ao passar pela porta entreguei-o ao segurança o agradecendo. Mas antes de ir embora parei em frente a entrada da Prayste e a olhei novamente. Ainda não acreditava que aquilo estava acontecendo.Virei-me e olhando sentido a praça onde estava aquela árvore majestosa ali na frente, toda florida
resplandecendo toda sua beleza pensei,talvez este fosse um sinal de que finalmente minha vida estava prestes a mudar.
No dia seguinte cheguei cedo,pois não tinha conseguido dormir direito ansiosa com o primeiro dia.
Assim que cheguei, os mesmos seguranças do dia anterior me entregaram um cartão diferente,agora personalizado com meu nome Lauren Stanford que serviria de controle para a empresa.
Agradeci dando-lhes um sorriso e entrei.
Assim que cheguei ao Café uma moça se apresentou.
-Oi,sou Jessie.
Ela tinha estatura média, cabelos enrolados,pele morena muito bonita e sorridente.
-Oi.Sou a Lauren - Respondi estendendo a mão para cumprimentá-la.
-Seja bem vinda ao Café.- Disse retribuindo com a mão o meu gesto e em seguida continuou - Se for esforçada tenho certeza que ficará muito tempo por aqui,um lugar como este é difícil de encontrar, por isso aproveite a oportunidade e bora começar pois o tempo passa voando e o serviço não espera.
Nós duas sorrimos e eu a acompanhei.
A primeira coisa que Jessie fez,foi me entregar um uniforme do meu tamanho sendo um conjunto de blusa e calça social acompanhados de um sapato super confortável, dizendo que todos deveriam estar sempre apresentáveis para atender bem principalmente pessoas importantes.
Entre uma explicação e outra me falou sobre ela, dizendo ter vinte e oito anos,que era de Riverciry mesmo e ainda morava com os pais ,e no momento estava solteira mas procurando um pretendente.Comentou ainda que conseguiu o emprego por indicação de um amigo conhecido da família que trabalhava na parte de escritório na empresa permanecendo nele até hoje.
Deu-me várias dicas de como me comportar com os empresários,dizendo que devemos sempre tratá-los com educação e um sorriso no rosto. Explicou sobre os horários e os dias de folga.Ensinou como preparar alguns cafés básicos caso precisasse,pois eu ficaria no atendimento das mesas.Tentei fazer tudo com o maior cuidado para não fazer nada errado.
Jessie foi super legal comigo,orientando sempre e corrigindo quando necessário.
Também conheci os outros dois funcionários que além de nós trabalhavam lá: Jenny e Lian, responsáveis por fazerem os cafés e os outros acompanhamentos e eu não imaginava quantas combinações poderiam ser feitas com uma simples bebida tradicional,que era o café, até entrar aqui.
Lian,um rapaz bem atraente,e ao longo do dia,percebi que chamava muito a atenção principalmente das mulheres que passavam por lá arrancando sorrisos e olhares bem maliciosos, mas ainda sim nada que me fizesse olhá-lo de outra maneira a não ser como um colega de trabalho.
Janny,já era mais reservada,casada com filhos,e não gostava muito de ficar conversando,preferia fazer seu trabalho sem interferência,por isso evitávamos de conversar coisas que não fossem realmente necessárias.
Paul, cuidava da parte financeira do Café, ficava mais em uma sala particular ao lado,às vezes vinha ver se precisávamos de algo ou quando era necessário sua presença.
Eu e Jessie éramos responsáveis pelo atendimento.Me dando oportunidade de conhecer pessoas importantes e bem refinadas, às vezes meio arrogantes assim como Meg já tinha comentado o que me fazia lembrar de Kelly,mas a maioria eram bem simpáticas e educadas.
Os dias seguintes foram tranquilos,acho que estava me saindo bem pois ainda não tinha derrubado nada em ninguém. Arrepiava só de pensar nessa possibilidade, já que às vezes sou tão distraída,pensando nos últimos acontecimentos.
No período da tarde tínhamos alguns minutos de descanso podendo sair para dar uma volta na praça ou ficar ali mesmo pelo prédio em uma área reservada aos funcionários.Cada um de nós usava da forma que queria.
Conheci também Karen, a secretária do senhor Gregory que me indicou a pedido de Meg,ela é muito educada e gentil,sempre que nos encontrávamos conversávamos de como estava me saindo e se precisava de algo,ficamos bem à vontade uma com a outra.
Uma semana se passou e encontrei Meg no shopping para uma sessão de cinema, ela falou sobre seu jantar com Tyler,me contando que se beijaram novamente e combinaram de se encontrar mais vezes e verem no que vai dar.
Fiquei muito feliz por eles,por finalmente ela ter se aproximado dele como realmente queria.
Em uma tarde no Café apareceu um rapaz bem vestido com roupa social. Sentou-se em uma mesa com algumas pastas nas mãos colocando-as sobre ela.
Fui atendê-lo.
-Boa tarde em que posso ajudar.-Perguntei sorrindo, ficando em sua frente.
Ele levantou a cabeça,que estava abaixada, e me olhou surpreso e pediu.
-Um café expresso com canela e açúcar, por favor.
-Só um minuto - Falei pedindo licença e sai me retirando.
Voltei alguns minutos depois com seu café.Enquanto o colocava na mesa, me perguntou.
-Você é nova aqui ,ainda não te conheço.-Me olhava curioso.
-Sim, comecei semana passada.Ainda estou em experiência.-Falei explicando.
- Seja bem-vinda. Aposto que gostará de trabalhar conosco nesta empresa.Aqui terá oportunidade de conhecer bastante gente influente que são capazes de ajudar a realizar muitos sonhos se você se esforçar.
Disse num tom mais malicioso.
-Aposto que sim - Dei um sorriso por educação e me afastei.
Não gostei da forma como falou era como se quisesse dizer que para me dar bem aqui precisava encontrar alguém para me "ajudar" o que não foi nada agradável de escutar, ou talvez fosse só coisa da minha cabeça mas mesmo assim preferi ficar alerta.
Terminou seu café bem rápido e saiu.Vi quando passou me olhando,mas fingi não vê-lo passar. Após ter ido embora perguntei a Jessie se o conhecia.
-Petrick aquele bonitão, ele é um dos filhos do segundo presidente da empresa.Mas não se engane pelo charme, ele tem fama de mulherengo e pelo que sei não é só fama - Disse me alertando.
Até aquele momento não tinha percebido que não sabia muita coisa sobre a empresa e seus fundadores,comentei com Jessie sobre isso então ela me deu uma ajudinha contando sobre as famílias fundadoras,os Millers e os Hansterfords.
Na verdade a Prayste foi fundada por Gregory Hansterford, sendo ele o dono da maior parte dos lucros,ele é um ótimo negociador não é a toa que construiu este império,sua esposa é a senhora Vera Hansterford ,muito elegante e exigente até mais que o senhor Gregory,sempre quando passa por aqui nos intimida com seus olhares de reprovação a alguma coisa que não a tenha agradado. Ela sabe ser bem intimidadora quando quer.Diferente dos dois filhos Clary e Andrew .Os dois uns amores de pessoa,Clary ainda é uma adolescente de dezesseis anos, que vive no mundo digital e da moda,sempre que aparece por aqui vem ao café bater um papo comigo, ela é muito inteligente e amigável.Já Andrew é um homem de arrancar suspiros com sua beleza,muito educado e gentil,sempre nos trata com respeito e quando desce ao Café faz questão de nos cumprimentar.Logo o conhecerá pois em breve assumirá o lugar do pai na Presidência.Devido a saúde frágil do pai,que há alguns meses atrás teve uma forte infecção pulmonar e ficou muito frágil tendo que diminuir o ritmo da rotina cansativa.Depois tem os Millers, Jordão Miller é o segundo Presidente,ajudou Gregory após alguns anos a expandir a empresa e estão juntos a mais de 35 anos de sociedade.Sua esposa Sara Miller raramente aparece a não ser em eventos importantes ou quando estão todos em alguma reunião importante com algum sócio.Seus filhos são Petrick que já conheceu,é o caçula e o irmão mais velho Rick. Porém ele não gosta muito desse ramo de negócio e viaja o tempo todo pelo mundo gastando o dinheiro do pai. Já Petrick é bem mais ambicioso, fez faculdade de Administração e sempre está presente na empresa esperando uma oportunidade para ocupar o lugar do pai.Todos que trabalham aqui tem o máximo de respeito por eles pois o império que construíram juntos poucos têm e por isso este lugar é o que é.
- Conhece bem sobre eles e tudo aqui -Falei imaginando como sabia tanto.E logo veio a resposta.
-Na comemoração dos 35 anos de sociedade no ano passado fizeram uma entrevista completa sobre eles, publicando na maior revista da cidade suas histórias desde o início até se tornarem empresários bem sucedidos. Foi um sucesso.Toda a cidade os conhece.
Fiquei impressionada com tudo que havia escutado.
Vi que eram pessoas muito importantes neste ramo empresarial se tornando assim a empresa mais famosa e bem sucedida da cidade ganhando o respeito de todos.
Enquanto conversávamos, chegaram alguns clientes e voltamos ao trabalho.
Petrick apareceu novamente durante a semana,sempre tentando puxar conversa comigo enquanto o atendia, pois por coincidência Jessie sempre estava fazendo alguma outra coisa quando ele chegava restando a mim atendê-lo.
Procurava sempre manter a melhor postura profissional possível,sempre bem educada respondendo às suas perguntas na maioria pessoais, mas ao mesmo tempo me preocupando em não causar outra impressão que não fosse a de funcionária e patrão pois precisava do emprego e não queria me meter em confusão.
Na semana seguinte, Paul nos convocou para uma reunião de última hora, nos dirigindo a sua sala.
- Pessoal essa semana será bem agitada aqui na Prayste haverá uma convenção com vários acionistas por isso teremos muitos empresários presentes. Serão várias reuniões durante toda a semana o que aumentará mais o movimento no Café. Provavelmente estarão acompanhados, por isso deverão sempre agir com cuidado e educação,qualquer eventual problema me comunique o mais rápido possível,pois estarei mais presente para ajudá-los .
-Adoro quando isso acontece,pois apesar dos dias serem bem puxados confesso que serão os melhores, pois os empresários mais gatos passaram por aqui para tomar um cafezinho especial.-Jessie falou sorrindo, toda empolgada.
Retribui o sorriso,enquanto pensava que seria uma oportunidade de conhecer meus patrões que até o momento não os conhecia pessoalmente,exceto Petrick,pois entravam na empresa por uma outra área privada que dava acesso direto aos andares superiores onde ficavam suas salas, e para ter acesso a eles era necessário um cartão especial que poucos tinham direito,uma questão de segurança para os membros das famílias mais ricas da cidade,dificultando assim nosso contato direto com eles,a não ser quando desciam para tomar café ou alguma outra ocasião necessária.
No dia seguinte acordei bem disposta e animada.Abri a janela do quarto e vi um céu majestoso.
Por algum motivo lembrei-me daqueles olhos, perguntando- me se voltaria a vê -los novamente algum dia.O que trouxe também, a falta da minha pulseira me fazendo pensar se um dia a encontraria novamente.Mas só o tempo poderia me responder.
A manhã no trabalho foi bem tranquila. À tarde um movimento maior começou a acontecer.
Homens e mulheres começaram a andar pelo prédio com pastas em mãos e telefones aos ouvidos,acredito serem os profissionais que aguardávamos. Entre um intervalo e outro passavam no café para apreciar nossas especialidades.
Em um certo momento Paul nos avisou que a reunião havia acabado e por isso deveríamos ficar atentos pois os CEOS viriam com suas famílias para um café da tarde.O que significava que estariam todos presentes,inclusive a senhora Vera.Fiquei super apreensiva pois finalmente a conheceria e tudo que queria era causar uma boa impressão a ela ou do contrário poderia ser prejudicada até dispensada.
Paul pediu para que pegasse algumas xícaras especiais no estoque que seria servido para eles.Obedeci pegando-as e levando-as para a cozinha.Em seguida voltei para atender algumas outras mesas.
Neste intervalo de tempo eles já haviam chegado e Paul os acomodava nas mesas reservadas especialmente para eles.
Enquanto anotava os pedidos de dois clientes,Paul veio em minha direção pedindo para que levasse até a mesa deles o cardápio, pois havia acontecido um imprevisto na cozinha que deveria resolver me deixando responsável pelo atendimento.
Não esperava por isso, sabia que uma hora aconteceria, mas acho que ainda não estava preparada para isso.
Então falei.
-Não acha melhor pedir a Jessie, ela já é mais experiente e se fizer algo errado.-Disse preocupada.
-Lauren, não tenho dúvida de que esteja preparada. Se não estivesse, certamente não estaria aqui agora.- Respondeu sorrindo me encorajando.
-Tudo bem.-Respondi tomando a frente.
- Apenas seja você mesma. Agora deixe eu levar este pedido e vá atendê-los,a Sra. Vera não gosta de ficar esperando.-Disse, afastando-se e seguindo para a cozinha.
Respirei fundo,dei rapidamente uma olhada no uniforme para ver se estava bem apresentável,peguei o cardápio e fui sentido a mesa.
Enquanto seguia já fui os diferenciando pois Jessie já tinha comentado suas características para o caso de esbarrar com algum deles e não reconhecê-los,ela realmente era uma ótima amiga me ajudando nos mínimos detalhes.
A Sra. Vera e a Sra. Sara conversava sorrindo uma ao lado da outra,as duas bem elegantes com roupas e cabelos arrumados à altura de suas posições.Em sua frente o senhor Gregory e Jordão com seus ternos bem alinhados,conversavam mais seriamente,normal de homens empresários mantendo sempre a postura.Ao lado de Vera estava Clary,era muito parecida com mãe,mas como Jessie tinha mencionado usava roupas mais descoladas mas com toda a elegância que era exigida, e na mão claro, o celular, demonstrando nada preocupada em estar ali na presença de todos. Ao lado de Jordão, Petrick ,que conversava com outro rapaz acreditava eu ser Andrew, mas como estava de costas não pude identificá-lo de imediato, posicionei-me em frente à mesa pedindo licença.
-Boa tarde,sou Lauren ficarei responsável em atendê-los.Paul teve que resolver um pequeno imprevisto na cozinha,mas logo estará presente novamente.-Falei explicando enquanto entregava a senhora Vera o cardápio.
-Obrigado Lauren - Respondeu pegando o cardápio delicadamente de minhas mãos mas discretamente me analisando.
Assim que acabei de falar, Andrew virou-se interrompendo sua conversa com Petrick,me encarando surpreso.
Assim que nossos olhos se cruzaram perdi meus sentidos. Era como se o mundo tivesse parado e estivesse só eu e ele naquele momento.
Tudo que conseguia pensar era que agora aquele olhar misterioso tinha um nome, Andrew. E por coincidência ou ironia do destino ele era Meu Chefe.