Capítulo 2
Ele não tocou nela, apenas esticou o braço para ela ir na frente. Do lado de fora, a noite estava com um ar fresco. Um carro preto de luxo aguardava na entrada. O motorista abriu a porta ao vê-los.
Maitê hesitou por um segundo antes de entrar.
"Só essa noite", lembrou a si mesma.
Ele entrou logo depois. A cidade passava em luzes borradas pela janela.
- Ainda dá tempo de mudar de ideia - ele disse, sem pressionar.
Ela virou o rosto lentamente para ele. O observou com a pouca luz do interior do veículo.
- Você costuma dar essa opção para todas?
- Não costumo dar opção nenhuma.
Ela sorriu.
- Então talvez eu seja um caso raro.
Os olhos dele percorreram o rosto dela com atenção.
O carro parou diante do motel mais exclusivo da cidade. A fachada era discreta, a entrada reservada, não tinha placas chamativas. Ali, a privacidade era lei.
Ele saiu e estendeu a mão para ela, que aceitou em seguida. O toque foi breve, foi elétrico para ambos.
Dentro da suíte, viu a perfeição do local, iluminação indireta, lençóis impecáveis e um cheiro de perfume caro.
Assim que entraram e fecharam a porta, o silêncio se fez. Agora, só havia eles.
Ele tirou o paletó devagar, mantendo os olhos fixos nela.
- Ainda quer fingir que não sabe o que está fazendo? - perguntou, com a voz mais grave.
Maitê colocou a bolsa sobre a mesa e caminhou até ele com calma.
- Não. - Parou a poucos centímetros. - Mas também não gosto que decidam por mim.
Ela mesma desfez o nó da gravata dele. Com o toque dela, a respiração dele mudou.
Ele ergueu a mão e passou o dedo indicador na bochecha dela. Tocou levemente o queixo e olhando nos olhos dela encostou os lábios nos dela bem no momento que ela abria o terceiro botão da camisa dele.
O beijo dele foi tão bom e intenso que ela suspirou entre os lábios quentes e abriu mais a boca para receber a língua dele. Ele também suspirou excitado e segurou a nuca dela para aprofundar ainda mais o beijo.
A língua dele explorava a dela com urgência, e Maitê sentiu o corpo inteiro responder; o calor que subiu pelo ventre, os mamilos endurecendo contra o tecido do vestido.
Ela terminou de abrir os botões da camisa dele com dedos ligeiramente trêmulos, empurrou o tecido para os lados até expor o peito largo, a pele quente e a linha definida dos músculos másculos.
Ela voltou a beijá-lo e deslizou as palmas abertas pelo tórax dele, sentindo os batimentos acelerados do coração sob a pele. Ele gemeu baixo contra a boca dela quando os polegares dela roçaram os mamilos masculinos de leve. O som fez o ventre dela se contrair.
Ela se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele , verdes, dilatados e famintos. Sem dizer nada, ela desceu devagar, deixando os lábios traçarem um caminho molhado pelo queixo dele, pela linha da mandíbula e pelo pescoço. Ele inclinou a cabeça para trás, oferecendo mais pele, os dedos ainda enfiados nos cabelos dela.
Quando chegou ao peito, ela roçou a língua de leve em um dos mamilos. Ele soltou um suspiro, quase inaudível, e os músculos do abdômen se contraíram sob os dedos dela.
Continuou descendo. Os lábios traçaram a linha central do abdômen, sentindo cada músculo se contrair sob a boca. Quando alcançou o cós da calça, ergueu os olhos para ele. O olhar dele era como fogo e ela estava louca para se queimar nele.
Com movimentos lentos, ela abriu o cinto, o botão e o zíper. O volume dele, evidente sob o tecido da cueca fez o ar ficar preso na garganta dela por um segundo. Ela puxou a calça e a cueca para baixo apenas o suficiente para liberta-lo.
Ele era grosso e quente. Pulsou na mão dela quando o envolveu com cuidado. Passou o polegar suavemente pela cabeça úmida. Ouviu um gemido baixo que escapou dos lábios dele.
Ela se inclinou e beijou de leve a ponta, sentindo o sabor dele invadir sua boca. Ele prendeu a respiração. Então ela abriu os lábios e o tomou devagar, circulando com a língua devagar enquanto a mão trabalhava na base.
- Ahh... - O gemido dele saiu estrangulado.
Com a outra mão, subiu até a coxa dele, apertando os músculos tensos, sentindo-os tremerem. Ele enfiou os dedos mais fundo nos cabelos dela.
Ela aumentou o ritmo dos lábios ao redor dele. De vez em quando, soltava-o por um instante só para passar a língua aberta da base até a ponta, olhando para cima e vendo o maxilar dele travado e os olhos semicerrados pelo prazer intenso.
Ele estava perto, a respiração ficava cada vez mais irregular.
- Se você não parar...
Ela não parou. Ele grunhiu alto dessa vez, os dedos se fechando com mais força nos cabelos dela, e então gozou contra a língua dela. Ela engoliu tudo. Só então, o soltou com cuidado, passando a língua uma última vez na cabeça sensível antes de se afastar.
Ele a puxou, os olhos estavam vidrados pelo prazer. A mão dele envolveu o rosto dela, o polegar traçando o lábio inferior inchado.
- Sua vez - murmurou.
Horas depois, deitados entre lençóis desalinhados, ele ficou em silêncio observando o teto. Ela estava virada para o outro lado.
- Não costumo repetir isso - ele disse, quebrando o silêncio.
Silêncio.
- Nem eu - disse após vários segundos.
Ele empurrou a perna dela a deixando exposta e voltaram a transar. Maitê aceitou ser dele novamente. Como negaria? Ele foi o melhor que teve.
Ela acordou antes do amanhecer. Estava completamente dolorida, mas com um sorriso bobo nos lábios que ainda estavam inchados.
Apenas a luz do abajur estava acesa. Ele dormia profundamente, com a expressão relaxada.
Por um segundo, ela quase tocou o rosto bonito dele. Mas achou melhor não. Levantou-se devagar, se vestiu e saiu sem deixar número, nome ou explicações.
Para ela, havia sido apenas uma noite.
Para ele... não sabia.
O sol começava a nascer, quando o motorista viu a mulher que entrou no motel com o patrão sair sozinha segurando os sapatos.
Ela caminhou até a calçada, ergueu a mão e, segundos depois, um táxi encostou. Entrou e foi embora enquanto os primeiros raios solares apareciam.
O motorista ficou olhando o ponto onde o táxi havia desaparecido, ficou pensativo com o cigarro apagado entre os dedos.
"Vai saber que tipo de mulher ela era."
Ele franziu a testa. Pensou no patrão lá dentro. Será que estava bem? Suspirou, jogou o cigarro no chão e andou até a recepção.
- Bom dia. Aqui é o motorista do sr. Rafael. Pode ligar pro quarto dele, por favor? Só pra confirmar que tá tudo certo. - Fez uma pausa. - É só... precaução.
Alguns segundos depois, confirmou que o sr. Rafael atendeu, com a voz rouca de sono. Ele estava bem.
Menos de cinco minutos depois, Rafael saiu, devolveu a chave ao funcionário. O motorista, endireitou o corpo ao vê-lo.
- Bom dia, senhor.
Rafael respondeu com um gesto seco e entrou no banco de trás sem dizer nada. Assim que o carro começou a rodar, Rafael deixou escapar um suspiro longo e nervoso. Encostou a cabeça no encosto e ficou o olhar no teto de couro.
Ele nem sabia o primeiro nome dela. E o pior, não queria que aquilo tivesse acabado assim.
Ela o fez sentir algo que nenhuma outra conseguiu. Nem mesmo a mãe do seu filho, jamais o desarmou dessa forma.
Passou a mão pelo rosto, esfregando os olhos. E o que restava agora?
Nada.
Apenas o cheiro dela impregnado em sua pele, roupas e o gosto dela nos lábios.
Capítulo 3
Os portões automáticos da mansão Valença foram abertos pelo controle do motorista. Rafael saiu do carro sem esperar que o motorista abrisse a porta. O paletó estava no banco ao lado e a gravata na mão.
Assim que entrou no hall, ouviu passos apressados na escada.
- Pai?
Ele ergueu os olhos para o filho, Daniel, que descia ajeitando o relógio no pulso, estava vestido com roupa social.e o jaleco dobrado sobre o braço.
- Justo no sábado? - Rafael perguntou, tirando o relógio e colocando sobre o aparador de mármore.
- Sou médico, pai. Tenho que fazer plantão.
Rafael soltou um suspiro leve, cruzando os braços.
- Quem vai ser o CEO quando eu morrer?
Daniel arqueou uma sobrancelha, descendo os últimos degraus.
- O senhor ainda terá muitos anos. Pode ter mais filhos.
Rafael franziu o cenho para o filho.
- Engraçadinho.
O filho sorriu parando diante do pai e o analisou com atenção.
- De onde veio com a gravata na mão?
Rafael olhou para o tecido amassado entre os dedos como se só agora percebesse que ainda o segurava.
- Reunião que se estendeu.
- Numa sexta à noite? - Daniel inclinou levemente a cabeça.
Silêncio.
Rafael estreitou os olhos.
- Está me vigiando agora?
- Não. - O filho deu de ombros.
Rafael soltou um suspiro irritado.
- Cuide da sua vida.
Daniel observou o pai por alguns segundos. Havia algo diferente nele, parecia irritado e distraído.
- Foi boa pelo menos? - Daniel perguntou com um meio sorriso provocador.
O pai hesitou.
Daniel abriu um sorriso mais largo, pela pausa do pai.
- Então foi.
Rafael passou a mão pelo rosto, impaciente.
- Vá para o seu plantão.
Daniel andou até à porta, mas antes de sair, disse:
- Cuidado, pai. Às vezes uma noite só é suficiente para mudar tudo.
Ele subiu as escadas lentamente. No quarto, tirou a camisa, deixando cair no chão. O cheiro dela ainda estava em seu corpo. Era doce e Viciante.
Ele fechou os olhos por um segundo.
- É só ter outra que essa sensação vai passar.
Ele tirou o cinto diante do espelho quando a porta do quarto foi aberta.
- Rafael? - Valéria interrompeu-se ao observar o tórax do ex-marido.
- Quem deixou você entrar, Valéria?
Ela deu um passo à frente, sem disfarçar o olhar.
- Mesmo depois de tantos anos, seu corpo ainda é lindo. Nós poderíamos...
Ele suspirou, mas antes que ela terminasse a interrompeu:
- Não podemos nada. Diga o que quer e vá embora.
Ela fechou a porta atrás com calma, como se ainda tivesse direito àquele quarto.
- Eu não preciso que ninguém me deixe entrar. Essa casa já foi minha também.
Rafael colocou outra camisa, ignorando o comentário.
- Foi. - A ênfase foi seca. - No verbo passado.
Ela deu alguns passos pelo quarto, os saltos batendo no piso de madeira.
- Engraçado... - murmurou. - Você nunca trazia mulheres para casa quando éramos casados. Sempre tão discreto. Tão correto.
- E continuo sendo.
Valéria cruzou os braços, analisando-o.
- O motorista fala demais - ele disse, irritado.
- Então mande trocar o motorista.
- Mande você, já que ainda acha que manda em algo aqui.
Ela se aproximou mais, parando a poucos centímetros.
- Eu conheço você, Rafael Valença. Quando algo mexe com você, você fica assim... distante. Irritado e pensativo.
Ele terminou de fechar o último botão.
- Não há nada mexendo comigo.
Valéria inclinou a cabeça.
- Tem alguém.
Silêncio.
Ela sorriu, sem humor.
- Quem é?
- Não é da sua conta.
- Foi sério?
Ele respirou fundo, impaciente.
- Não foi nada.
- Então por que você está tentando se convencer disso?
Ele passou a mão pelos cabelos, perdendo por um segundo o controle que sempre manteve impecável.
- Diga o que quer, Valéria.
Ela respirou fundo, deixando a provocação de lado.
- Daniel.
- O que tem ele?
- Ele está se envolvendo demais com o hospital. Está assumindo responsabilidades que não são dele ainda.
- Ele é meu filho. Um dia vai assumir tudo.
- Ele é médico, Rafael. Não você. Não o seu reflexo.
Rafael estreitou os olhos.
- Está dizendo que eu o pressiono?
- Estou dizendo que você transforma tudo em negócio. Inclusive pessoas.
Ele ficou em silêncio.
- Só não destrua seu filho tentando moldá-lo à sua imagem.
Ela caminhou até a porta. Antes de sair, virou-se uma última vez.
- E cuidado com essa mulher... seja lá quem for. Homens como você nunca sabem lidar quando não estão no controle.
Ele caminhou até a janela.
"É só ter outra e essa sensação vai passar."
Ele repetiu mentalmente, como um mantra.
***
Enquanto isso, Daniel chegava ao Hospital Valença. Era recém-formado, um clínico geral, que em poucos meses de profissão já se destacava por seus esforços e não por ser filho do dono.
Passou o crachá no ponto eletrônico e andou pelo corredor principal, organizando mentalmente os atendimentos de plantão.
Ao virar a esquina apressado, esbarrou em alguém. Ele segurou a mulher pela cintura para evitar que ela caísse.
- Sinto muito, Maitê...
Ela ergueu os olhos surpresa e assustada com o impacto.
- Doutor Daniel...
Os dois ficaram imóveis.
Maitê estava com a prancheta contra o peito. O uniforme claro marcava a cintura fina que ele ainda estava segurando. Ele a soltou devagar.
- Desculpa. Eu estava distraído.
- Eu também - ela respondeu, ajeitando a prancheta. - Plantão de sábado costuma ser uma guerra.
Daniel sorriu.
- Ainda dá tempo de fugir.
Ela arqueou uma sobrancelha.
- E deixar o hospital nas suas mãos? Melhor não.
Ele riu baixo. Enquanto ela se afastava pelo corredor, Daniel não conseguia evitar observar.
- Maitê? - ele chamou.
Ela parou e se virou.
- Você está bem?
Ela hesitou por meio segundo.
- Estou. Só não dormi muito.
Ele assentiu e ficou olhando enquanto ela seguia para a ala clínica.
- Ela é linda demais - disse o cardiologista, parando ao lado dele.
Daniel acompanhou o olhar do colega pelo corredor.
- É... e não é fácil.
O médico sorriu.
- Eu já percebi suas investidas, Daniel.
- Nenhuma deu certo até agora.
- Talvez esteja na hora de mudar o foco.
Daniel cruzou os braços e olhou para o médico.
- Ainda não. Não desisto tão fácil.
- Às vezes é perda de tempo. Mas, admiro sua persistência. Bom, vamos trabalhar.
Daniel o seguiu até a sala de cirurgia e no caminho sorriu para si mesmo. Maitê era encantadora e não queria desistir, pois talvez ela não tenha percebido suas intenções.