Capa do Romance A DOMADORA

A DOMADORA

9.2 / 10.0
Um rapaz do interior, conhecido por seu jeito sedutor e histórico de conquistas, vê sua vida mudar ao se apaixonar perdidamente por uma jovem da cidade que se mudou para o campo. Apesar da forte atração mútua, essa mulher urbana e o caipira convicto enfrentarão grandes dilemas internos. Aceitar a intensidade desse desejo e mergulhar na paixão será um desafio complexo para ambos, que precisam lidar com as diferenças de seus mundos e personalidades.

A DOMADORA Capítulo 1

NARRAÇÃO BETO

Termino de carregar os sacos com a colheita do dia na caminhonete da fazenda.

- Vai levar para a cidade ou eu levo?

Nunes meu braço direito na fazenda pergunta secando o suor de sua testa. Encaro o sol sobre a nossas cabeças e respiro fundo.

- Você leva, pode ser?

Ele sorri e confirma com a cabeça.

- Mas espere o sol acalmar, tá de queimar os miolos e se expor os sacos vai estragar tudo.

- Pode deixar! Vou colocar a caminhonete na parte coberta e assim que o sol diminuir rumo pra venda do Sr. Silva.

- Certo!

Respondo vendo um enorme caminhão passando e entrando na fazenda ao lado.

- Acho que vamos ter vizinhos novos.

Nunes diz sorrindo.

- Só espero não ser aquelas famílias ricas da cidade grande. Detesto essa gente que acha que fazenda é para lazer aos fins de semana.

Ele começa a rir e soca meu braço.

- Você hoje acordou mais cavalo do que nunca.

Pego a mangueira e a ligo, lavando meu rosto.

- Apenas dizendo a verdade. Esse povinho não sabe o trabalho que dá manter uma fazenda e compra uma de lazer.

- Mas são essas pessoas que contratam nossos amigos com dificuldade para cuidar da fazenda e com isso eles possuem emprego.

- É a única vantagem amigo. Ainda sim eles os tratam como coisas sujas. Acredita que um mauricinho esses dias me viu na venda e perguntou de que chiqueiro eu sai!!!!

Ele está gargalhando alto.

- Você foi assim como está agora? Camisa aberta e todo molhado?

Encaro meu peito exposto e minha camisa molhada.

- Estava sujo, mas não molhado.

- Então queria o que?

- Eu podia estar de lama ou até mesmo cheio de merda de cavalo na cara. isso não lhe dava o direito de falar aquilo.

- Eu sei, foi um babaca.

- Sim, foi!

- O que você fez em troca?

Me olha sabendo que fiz alguma coisa.

- Taquei merda do Diabo no carro dele.

- Você tacou a merda do seu cavalo no carro dele?

- Disse para ele que era para saber como era realmente viver em um chiqueiro.

- Você parece um cavalo indomável.

Me aproximo dele rindo.

- É o que as mulheres dizem.

- Viu a Brenda ontem?

Confirmo com um sorriso enorme.

- Vi e fiz muito mais.

- Qualquer dia o pai dela vai te pegar e isso vai dar merda.

Brenda é a filha única do Roger e da Amália Braga. Eles vieram da cidade grande em busca de paz.

Só que paz é a única coisa que não dei a pequena garota desde que chegou.

- Não tenho culpa se a filha dele abre a janela para mim.

Ele ri alto.

- Que mulher dessa pequena cidade não abre a janela para você, garanhão?

- Nenhuma.

- Espero que minha mulher esteja fora dessa.

Encaro ele sério.

- Janice é como uma mãe para mim, sabe disso.

- Sei!

- Vocês me criaram depois que meus pais morreram, nunca pensaria em fazer nada com ela e nunca faria isso com você. São a minha família!

Bagunça meu cabelo, como sempre fazia quando eu era pequeno.

- Tivemos sorte de cuidar de alguém tão incrível assim.

Abro um sorriso e sigo com ele para a casa grande almoçar. Janice sorri assim que entramos. Nunes beija sua cabeça e sorri de volta. É nítido o amor desses dois.

- O cheiro tá bom.

Ela sorri com o meu comentário.

- Vão se lavar que já vou servir.

Após lavarmos as mãos seguimos para a mesa e comemos em silêncio. Voltamos para fora de casa, estou com a cabeça cheia e preciso andar.

- Vou levar as coisas pro centro, quer alguma coisa?

- Não! Vou aproveitar o tempo bom e andar um pouco com o diabo, ele anda meio arisco.

- Parece o dono.

Reviro os olhos após seu comentário e sigo para a baia dos cavalos. Assim que entro, posso o ouvir bufando.

- Vamos andar seu rabugento.

Começa a trotar desesperado para sair. Coloco a sela nele e prendo firme. Puxo-o para fora e sigo para uma parte aberta. Subo nele que começa a rodar irritado.

- Calma, garoto!

Aliso sua crina e ele vai se acalmando. Quando sinto segurança, sigo com ele em pequenos galopes. Saio da fazenda seguindo para a estrada, sinto-o agitado e então ele dispara.

- Calma, diabo!

Tento acalmá-lo, mas o infeliz acelera ainda mais. Vejo uma caminhonete vindo e ele dispara para a frente do carro.

- NÃO!!!!!!

Grito puxando as rédeas e ele ergue as patas dianteiras. Sinto meu corpo ser lançado para trás e em segundos bato no chão duro, sentindo a dor. Um barulho de freada surge e tudo começa a ficar borrado. Pisco várias vezes para tentar voltar ao normal.

- Você está bem?

Uma voz calma ecoa em meus ouvidos.

- Olha pra mim.

Sinto mãos delicadas em meu rosto. Assim que consigo focar meus olhos, tenho uma bela visão. Uma linda mulher de olhos negros me encara.

- Sim!

Respondo tentando sentar, sentindo dor.

- Eu te ajudo.

Fala me abraçando e posso sentir seu cheiro delicioso. Seus braços rodam em minha cintura e seu toque queima meu corpo. Me puxa do chão e assim que fico de pé, cola o corpo no meu.

- Você ainda está sem forças.

Seu corpo está tão colado ao meu, que posso sentir seus seios e isso me deixa excitado.

- Estou bem!

Digo me afastando antes que ela me sinta duro. Olha em volta e assim que vê meu cavalo, segue até ele de forma calma.

- Não o toque, ele não gosta.

Me ignora e segue o encarando. Apenas ergue a mão e o filho da mãe baixa o focinho se aproximando dela. Não bufa ou bate as patas no chão como costuma fazer.

- Filho da mãe!

Resmungo baixinho. Coça seu focinho e segue para seu pescoço.

- Ele apenas não gosta da sela.

Diz observando as amarras.

- Como sabe?

- Ele não me deixa tocar essa parte.

Segue com a mão para a sela e ele foge.

- Calma, garoto!

Desamarra a sela e quando retira ele bufa feliz.

- Evite selas pesadas, tenta usar aquelas mais macias com manta.

Observo-a toda, sua roupa de garota mimada e seu carro de riquinha já me diz que é da cidade grande.

- Não acho que uma patricinha como você, saiba alguma coisa sobre cavalos.

Não me olha e mantém o foco no meu cavalo.

- Acho que seu dono usa selas apertadas no meio das pernas também.

Sussurra o suficiente para que eu escute e tento evitar um sorriso.

- Apenas conheço gente como você e sei que nada disso faz parte de sua vida.

Se vira e seu olhar é intenso. Anda com calma até onde estou.

- Defina gente como eu.

- Aposto que seu pai é rico e comprou uma fazenda para a família passar os fins de semana, esbanjando dinheiro.

Abre um enorme sorriso.

- Você é o típico cara da roça que acha que uma mulher deve queimar a barriga no fogão e parir 20 filhos homens para você, né?

Seu corpo está novamente colado ao meu.

- Você nem deve saber onde fica um fogão.

- Você deveria saber mais sobre cavalo sendo de uma fazenda. No mínimo saber sobre o seu.

- Riquinha mimada.

- Caipira machista.

- Desaforada.

- Arrogante.

Seu rosto está próximo ao meu e sinto minha respiração falhar. Escuto uma música estranha e ela se afasta de mim. Retira o celular do bolso e observa.

- Adoraria ficar aqui trocando ofensas maravilhosas.

Seu sorriso é ainda mais lindo.

- Mas diferente do que imagina, eu trabalho.

Me deixa sozinho e entra no carro.

- Tchau, caipira!

- Tchau, riquinha!

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