Ponto de Vista: Alina Campos
Heitor amassou os papéis do divórcio em seu punho, seus nós dos dedos ficando brancos. Ele não os assinou. Em vez disso, apenas me encarou, seus olhos queimando, antes de rasgar os documentos em pedacinhos e jogá-los aos meus pés.
"Você acha que é assim que termina, Alina? Você acha que pode simplesmente ir embora?"
Sua voz era um rosnado baixo, tingido com uma ameaça que fez minha pele arrepiar.
"Já acabou, Heitor", eu disse, minha voz neutra, desprovida de qualquer emoção. Eu sabia então que exigências simples não funcionariam. Ele entendia apenas uma linguagem: controle. E eu estava prestes a desmantelar o dele.
Naquela noite, comecei minha guerra. Fui para casa, passando pelos pisos de mármore branco perturbadoramente imaculados, os móveis feitos sob medida, a perfeição estéril que ele exigia. Parei na entrada de serviço, deliberadamente sujando seus sagrados pisos brancos com a terra espessa e úmida do jardim. Deixei pegadas de bota enlameadas por todo o caminho até a sala de estar.
Então, com uma garrafa de seu premiado vinho tinto vintage, eu "acidentalmente" derramei uma quantidade generosa sobre o tapete persa de cor creme no centro da sala. Uma mancha carmesim profunda e condenatória contra o branco virginal. Deixei a garrafa sem rolha, de cabeça para baixo, permitindo que o vinho restante se infiltrasse nas fibras.
Eu sorri, uma curva fria e sem humor em meus lábios. Eu esperava que ele entrasse furioso, rugindo, exigindo respostas, exigindo limpeza. Esperei, meu coração um tambor frenético contra minhas costelas, mas ele nunca veio. A casa permaneceu em silêncio, o único som o gotejar lento do vinho no tapete.
Na manhã seguinte, a casa estava quieta e vazia. Heitor não havia retornado. Meu triunfo inicial começou a azedar em uma dor surda de decepção. Minha sabotagem tinha sido em vão?
Meu celular vibrou. Era uma mensagem de um número desconhecido. Meus dedos tremeram enquanto eu a abria. A imagem que carregou enviou uma onda de choque pelo meu corpo, mais fria que qualquer gelo, mais quente que qualquer chama.
Era Brenda. E Heitor.
A foto mostrava Brenda, seus dedos roliços e gordurosos com o que parecia ser frango a passarinho, colocando um pedaço diretamente na boca de Heitor. Seus olhos estavam fechados, um leve sorriso em seus lábios, completamente despreocupado com o óleo que manchava a pele dela, ou com as migalhas que poderiam cair. Em outra, eles estavam rindo, dividindo uma única e pegajosa casquinha de sorvete, suas mãos praticamente entrelaçadas, seus rostos impossivelmente próximos.
Minha respiração falhou. Minha visão turvou. Este era o homem que me fazia tomar dois banhos, esfregar minhas mãos até ficarem em carne viva, vestir roupas recém-higienizadas e ficar a uma distância meticulosa antes que ele sequer considerasse tocar minha mão. O homem que me via como um vetor de doenças, uma fonte de contaminação. Ele me via como suja.
Mas com ela? Ele estava quebrando cada uma de suas regras patológicas. Seu TOC, uma condição que eu passei seis anos da minha vida gerenciando, mitigando, suportando, aparentemente não era uma condição real. Era uma arma. Uma repulsa cuidadosamente curada, projetada especificamente para mim.
Meu estômago se contorceu em um nó violento. Todos aqueles anos. Todas aquelas vezes que me senti como um germe, uma infecção que ele tolerava. Todas as vezes que me convenci de que sua distância não era pessoal, era apenas sua doença. Era tudo uma mentira. Ele não tinha TOC; ele tinha nojo seletivo. E eu era o alvo.
A raiva, pura e não diluída, correu por mim, queimando os últimos vestígios da minha dor. Ele não tinha apenas me traído. Ele tinha me manipulado, por anos, para acreditar que eu era o problema.
Fui para o meu escritório em casa, minhas mãos tremendo enquanto discava para o RH.
"Aqui é a Dra. Campos. Quero que Brenda Matos seja demitida imediatamente."
Minha voz era afiada, carregada de uma autoridade que eu não sabia que possuía.
A gerente de RH, uma mulher tímida chamada Brenda, gaguejou: "Dra. Campos, eu... eu não posso. O Sr. Ferraz colocou uma cláusula especial no contrato dela. Ela só pode ser demitida com o consentimento expresso e por escrito dele, e mesmo assim, há um pacote de rescisão de seis dígitos."
Meu maxilar se contraiu. Ele havia planejado isso. Ele a havia protegido. Ele a havia isolado de quaisquer consequências. A audácia, a crueldade calculada, era de tirar o fôlego.
Naquele momento, meu telefone tocou. Era Heitor. Sua voz era fria, acusadora.
"Que porra você está fazendo, Alina? Tentando sabotar minha empresa agora? Você acha que pode simplesmente demitir meus funcionários?"
"Seus funcionários?", zombei, uma risada amarga escapando dos meus lábios. "Ou sua amante, Heitor? Aquela com quem você divide pizza gordurosa, aquela que você deixa sujar seu rosto com frango frito? Aquela por quem você arriscou sua higiene pessoal imaculada?"
A linha ficou em silêncio por um momento. Então, sua voz baixou, tornando-se venenosa.
"Você não tem o direito de me questionar. Você é minha esposa. Seu trabalho é me apoiar, não zombar de tudo que construí. Talvez você devesse se olhar no espelho, Alina. Talvez seus próprios problemas estejam fazendo você atacar."
Meu sangue gelou. Ele estava me manipulando de novo, transformando minha dor em minha culpa. Refletir sobre mim mesma? Meus problemas? Ele era quem me mantinha à distância, quem me via como intrinsecamente impura, enquanto abraçava a sujeira com outra mulher.
"Você quer que eu me olhe no espelho, Heitor?", rosnei no telefone. "Tudo bem. Mas vou garantir que todos os outros olhem no seu também."
Encerrei a chamada. Minhas mãos, ainda tremendo, encontraram os perfis de mídia social de Brenda. Sua imagem cuidadosamente curada de doce inocência. Mas eu era psicóloga. Eu sabia como cavar. Não demorou muito para encontrar as fotos antigas, as festas selvagens, as companhias questionáveis, o oportunismo descarado. Selecionei as mais condenatórias. Então, com um olhar feroz e determinado, conectei-me à rede interna da empresa.
Imprimi cada imagem vil. Centenas delas. Então, dirigi de volta para o Grupo Ferraz. Desta vez, não me preocupei em usar meu cartão de acesso. Marchei direto para o saguão, passando pelos seguranças atônitos, e comecei a colar as fotos por todas as paredes brancas imaculadas. Nas divisórias de vidro, nas portas do elevador, até no mosaico gigante do brasão da família Ferraz.
O saguão, antes digno, explodiu em caos. Sussurros, suspiros, o clique frenético de telefones enquanto os funcionários tiravam fotos. A fachada "inocente" de Brenda se estilhaçou, substituída por imagens dela dançando bêbada em mesas, beijando estranhos, fazendo coisas que fariam até um festeiro experiente corar. A hipocrisia do mundo perfeito de Heitor e da atuação inocente de Brenda foi exposta para todos verem.
Heitor saiu dos elevadores executivos, seu rosto uma máscara de fúria escarlate. Ele viu as fotos, seus olhos se arregalando de horror, depois se estreitando em mim. Ele as arrancou com movimentos frenéticos, quase violentos, sua preciosa limpeza esquecida em sua raiva.
"Você está louca, Alina!", ele rugiu, sua voz ecoando pelo saguão subitamente silencioso. "Você é uma maníaca!"
Brenda, que o havia seguido, se escondeu atrás dele, espiando com olhos grandes e lacrimejantes, fazendo o papel de vítima. Mas suas lágrimas pareciam falsas agora, sua inocência uma fantasia.
Heitor pegou um interfone da recepção.
"Todos de volta ao trabalho!", ele berrou, sua voz amplificada, abalando as próprias fundações do prédio. "Qualquer um pego fofocando, qualquer um pego com essas fotos, será demitido imediatamente! Vocês me ouviram?!"
Os funcionários se dispersaram, o medo gravado em seus rostos. Heitor se virou para mim, seu peito arfando, seus olhos queimando com um ódio que espelhava o meu.
"Brenda não é mais apenas uma estagiária", ele rosnou, puxando-a para frente. "Ela é minha nova Advogada Sênior, com efeito imediato! E o salário dela acabou de dobrar! Tente demiti-la agora, sua vadia maluca!"
Meu coração afundou, uma pedra pesada caindo em um poço frio e escuro. Eu havia calculado mal. Ele havia aumentado a aposta, me humilhando publicamente enquanto a elevava. Eu havia falhado. De novo.
Brenda me deu um sorriso sacarino e triunfante enquanto Heitor a levava embora, seu braço em volta dela.
"Algumas pessoas simplesmente não sabem quando desistir, não é, Dra. Campos?", ela ronronou, seus olhos brilhando com prazer malicioso.
Virei-me e saí, os sussurros e olhares desviados dos funcionários restantes me seguindo como sombras. Entrei no meu carro, minhas mãos apertadas no volante, meu corpo tremendo incontrolavelmente.
Dirigi até minha clínica, buscando refúgio no único lugar onde sempre me senti segura. Meu santuário. Mas quando destranquei a porta, uma onda de náusea me atingiu. O lugar inteiro estava em ruínas. Móveis virados, arquivos espalhados, meus diplomas arrancados das paredes, cacos de vidro de porta-retratos quebrados espalhados pelo chão. Meus livros de medicina, meticulosamente organizados, estavam rasgados e jogados por toda parte.
Na minha mesa, em meio aos destroços, havia uma única foto nítida. Uma foto de Heitor de anos atrás, magro, assombrado, seus olhos cheios de um terror desesperado. Era uma foto que eu havia tirado durante seus dias mais sombrios, quando seu TOC o havia paralisado, quando ele era um prisioneiro em sua própria casa, incapaz de funcionar. Era uma foto de seu prontuário médico. Meu prontuário médico.
Caí de joelhos, o vidro quebrado estalando sob mim. Lembrei-me de como o encontrei, um recluso, paralisado por seu medo de contaminação. Seus pais ricos, desesperados por uma solução, o trouxeram para mim. Dediquei anos a ele, reconstruindo meticulosamente sua vida, ensinando-lhe mecanismos de enfrentamento, ajudando-o a recuperar uma aparência de normalidade. Eu literalmente o salvei de uma vida confinada ao isolamento estéril. Eu lhe dei as ferramentas para se tornar o CEO poderoso que ele era hoje.
E este era o seu pagamento. Não apenas traição, mas aniquilação total. Ele havia destruído o próprio espaço onde eu curava os outros, o lugar que me definia, o lugar onde eu havia derramado todos os meus esforços para salvá-lo. A ironia era um gosto amargo e metálico na minha boca. Foi tudo em vão? Meu amor, meu cuidado, meu sacrifício, foram apenas a receita de uma médica tola para minha própria ruína?
Senti um frio profundo se instalar em meus ossos, mais frio que qualquer sala de cirurgia estéril. Não foi apenas minha clínica que ele destruiu. Foi minha fé, minha esperança e o último resquício de minha crença nele. A foto, seu rosto quebrado de anos atrás, agora zombava de mim, um lembrete doloroso do monstro que eu havia soltado sobre mim mesma. Minhas mãos alcançaram a moldura quebrada, uma borda afiada cortando meu dedo, mas eu mal senti. Tudo que senti foi o peso esmagador de tudo que eu havia perdido, tudo que eu havia sacrificado por um homem que me via como nada mais do que uma ferramenta conveniente e descartável.
Ponto de Vista: Alina Campos
A ligação da diretora do hospital veio na manhã seguinte. Minha voz estava rouca, minha garganta arranhada de gritos silenciosos.
"Dra. Campos, entendemos que você está passando por um momento difícil", sua voz era seca, profissional, desprovida de calor. "Mas seu comportamento recente tem sido... antiprofissional. Precisamos que você tire uma licença prolongada. Com efeito imediato."
Eu não lutei contra isso. Minha clínica era um deserto, minha reputação em frangalhos. Não havia mais nada pelo que lutar, nada a proteger.
"Entendido", consegui dizer, a palavra uma folha seca farfalhando ao vento. Eu não sentia nada, apenas uma dor surda onde meu coração costumava estar.
Fui para casa. Nossa casa. A fortaleza estéril de Heitor. O cheiro daquele perfume barato ainda pairava, uma invasão fantasma. Na sala de estar, um elástico de cabelo rosa, barato e chamativo, estava sobre a mesa de centro de mármore branco, um toque de cor audacioso, desafiador contra o cenário imaculado. De Brenda, sem dúvida. Ela estava marcando seu território.
Peguei-o, uma risada amarga escapando dos meus lábios. Passei anos treinando Heitor para ser meticulosamente limpo, para abominar qualquer objeto perdido, qualquer cheiro estranho. E agora, isso. Ele havia quebrado todas as suas próprias regras, não por mim, mas por ela. Pela mulher que deixava seus acessórios baratos espalhados como uma vagabunda qualquer.
Assim que meus dedos se fecharam em torno do elástico, a porta da frente se abriu. Brenda. Ela entrou, um sorriso sacarino no rosto, segurando uma bolsa de grife que eu sabia que Heitor havia comprado para ela. Ela parecia totalmente satisfeita consigo mesma, como um gato que engoliu um canário.
"Ah, Dra. Campos", ela arrulhou, sua voz pingando falsa simpatia. "Ainda aqui? Pensei que já teria feito as malas."
Ela olhou para o elástico rosa na minha mão e seu sorriso se alargou, um brilho predatório.
"Ah, você encontrou minha pequena lembrança. Heitor me comprou. Ele acha que rosa combina comigo."
Meu sangue gelou.
"Saia da minha casa", eu disse, minha voz perigosamente baixa.
Ela apenas riu, um som estridente e desagradável.
"Nossa casa, querida. E tenho uma notícia que pode fazer você reconsiderar sua partida."
Ela fez uma pausa, seus olhos brilhando com triunfo malicioso.
"Estou grávida, Dra. Campos. Do bebê de Heitor."
As palavras me atingiram como um golpe físico, roubando o ar dos meus pulmões. Grávida. Minha mente girou, um carrossel doentio de imagens. Meu próprio filho perdido, o filho que não pude carregar. O vazio, o luto, os gritos silenciosos que assombravam minhas noites.
"O quê?", finalmente consegui dizer, minha voz mal um sussurro, um som quebrado.
O sorriso de Brenda se suavizou, tornando-se manipulador.
"Sim. Um menino, achamos. Heitor está tão animado. Ele quer uma família. E você, bem, você não pôde dar uma a ele, não é?"
Ela deu um passo mais perto, sua voz baixando para um sussurro conspiratório.
"Mas não se preocupe. Podemos resolver isso. Heitor ainda gosta de você, do jeito dele. Você pode ficar, ser a 'tia', ajudar a criar o bebê. Afinal, você é tão boa com saúde mental. E a família de Heitor é muito tradicional. Eles nunca a abandonariam completamente."
Meu corpo inteiro enrijeceu.
"Você quer que eu... o quê? Ajude você a criar o filho que você concebeu com meu marido na minha própria casa, depois que ele destruiu minha vida?"
Minha voz estava tremendo agora, um nervo exposto.
"É uma solução prática", ela deu de ombros, um gesto de falsa inocência. "Não é como se você pudesse ter filhos. Todo mundo sabe disso. Heitor me contou como você ficou chateada depois do seu... pequeno acidente."
O mundo embaçou. Meu "pequeno acidente". Meu aborto espontâneo. Aquele pelo qual Heitor nunca me consolou, alegando que meu luto era "anti-higiênico" e "deprimente". Aquele que ele acabara de discutir casualmente com sua amante. Ele havia divulgado meu trauma mais profundo, meu segredo mais agonizante, para ela.
Minha mão voou para a minha boca, um suspiro desesperado escapando. A memória brilhou, vívida e brutal. O quarto de hospital branco e estéril, a dor agonizante, o vazio em meu útero. As palavras sussurradas do médico, as lágrimas que não pude derramar porque Heitor me disse para "me recompor".
Minha visão turvou. Minha mão instintivamente tateou meu bolso, procurando o pequeno frasco de clonazepam que eu carregava, um soldado silencioso contra a ansiedade crescente que eu havia desenvolvido. Eu precisava dele. Agora. Mas meus dedos, tremendo incontrolavelmente, falharam, e o frasco escorregou, espalhando os pequenos comprimidos brancos pelo chão de mármore imaculado.
Os olhos de Brenda se voltaram para os comprimidos, depois de volta para o meu rosto, um sorriso cruel se formando em seus lábios.
"Oh, o que é isso? Dra. Campos tomando seu próprio remédio? Ou é algo mais... potente? Tentando se livrar do seu próprio probleminha, talvez?"
Ela riu, um som doentio.
"Talvez alguns comprimidos abortivos, hmm? Não se preocupe, querida. É tarde demais para mim. Este bebê vai ficar."
O mundo ficou em silêncio. Uma névoa vermelha desceu. Comprimidos abortivos. Ela achava que eu estava tentando abortar meu próprio bebê. A pura ignorância, a crueldade casual, o veneno de suas palavras. Era demais.
Minha mão disparou, agarrando-a pelos cabelos, arrastando-a em direção aos comprimidos espalhados. Ela gritou, lutando, mas eu era mais forte, alimentada por uma raiva primal e ardente. Forcei sua boca a abrir, apertei seu nariz e comecei a enfiar os pequenos comprimidos brancos, um por um, em sua boca.
"Você quer pílulas abortivas?", rosnei, minha voz crua e quebrada. "Aqui! Pegue algumas! Pegue todas! Vamos ver como você gosta!"
Ela engasgou, sufocando, seus olhos arregalados de terror. Ignorei suas lutas, forçando mais comprimidos para dentro. Seu rosto estava ficando roxo, seu corpo se contorcendo.
Assim que suas lutas começaram a diminuir, a porta da frente se abriu novamente. Heitor. Ele ficou congelado na porta, seus olhos arregalados de horror, absorvendo a cena: eu, ajoelhada sobre Brenda, forçando comprimidos em sua garganta, seu rosto convulsionado de terror.
"Heitor!", Brenda gritou, cuspindo os comprimidos, sua voz um suspiro estrangulado. "Ela está tentando me matar! Ela está tentando matar nosso bebê!"
Heitor se moveu como um raio, me afastando de Brenda com um empurrão brutal que me fez cair no mármore. Minha cabeça bateu no chão duro com um baque doentio, estrelas explodindo atrás dos meus olhos.
Ele se ajoelhou ao lado de Brenda, suas mãos imediatamente abrindo a boca dela, inspecionando os comprimidos, seu rosto uma máscara de preocupação.
"O que ela te deu?", ele exigiu, sua voz tremendo de medo. Então seus olhos se arregalaram. "Clonazepam! Alina, o que você fez?!"
Ele nem olhou para mim. Apenas agarrou Brenda, arrastando-a para o banheiro. Ouvi o som de água correndo, depois ela vomitando. Ele a estava fazendo vomitar. Ele a estava limpando. Minha visão clareou lentamente, e eu o vi, de joelhos no chão do banheiro, suas mãos cobertas pelo vômito dela, sem nenhum traço de nojo em seu rosto. Ele estava realmente limpando os fluidos corporais dela, algo que ele nunca, jamais faria por mim. O homem que usava luvas para tocar uma maçaneta estava agora de mãos nuas, limpando o vômito da boca de sua amante grávida.
Ele finalmente se levantou, seus olhos em chamas, fixos em mim, onde eu ainda estava deitada no chão.
"Sua monstra", ele cuspiu, sua voz carregada de puro veneno. "Você não podia ter filhos, então tenta destruir os meus? Você está doente, Alina. Verdadeiramente doente."
Minha respiração falhou. Doente. Sim, eu estava doente. Doente dele, doente de suas mentiras, doente de sua hipocrisia. Mas enquanto eu estava ali, sentindo a dor latejante na minha cabeça, uma clareza arrepiante me invadiu. Isso não era loucura. Isso não era um surto psicótico. Isso era ódio puro e não adulterado. E eu o abracei. Era a única coisa que me mantinha viva.