Capítulo 2

13 anos depois... Aqui estou eu, mais uma vez de luto, são 13 anos que se passaram desde que minha mãe perdera a vida. Estou usando uma saia que tapa meus joelhos de cor preta e uma camisa branca. Meu coraçãoe está partido e sinto-me sem chão sempre que visito minha mãe... É Horrível... Só espero que tudo mude depois de eu me vingar de todos que acabaram com a vida da minha mãe! Eu prometo mãe, todos vão sofrer! A viagem foi longa e eu acabei ficando exausta... muito exausta! Então, logo que chegamos no apartamento não tive tempo de arrumar as coisas e nem de observar o apartamento, apenas me deitei na cama e apaguei por completo. Quando eu desperto já era de noite, eu estava com muita fome, porém, também estava cansada. Depois de um bom tempo me espreguiçando, calço minhas pantufas e coloco meu roupão de Çetin de cor preta. Chegando na sala me surpreendo ao ver Lucas sentado na mesa de jantar mexendo no computador. Eu nunca digo, mas ele fica muito lindo quando usa seus óculos graduado, dá um ar de CEO. Eu me aproximo dele em passos lentos e abraço-o de costas e logo a seguir sinto seu cheiro que era floral. Sempre digo que a sensação provocada quando inalamos o cheiro de alguém, é causada pela pessoa, e não pelo perfume, ou seja, se não tivemos sentimentos por alguém o perfume não nos trará sensação de conforto e o cheiro não será tão agradável... em suma, não é sobre o perfume e sim sobre quem usa.

- Usou meu sabonete? - pergunto e sento-me na cadeira ao lado. Ele estava muito lindo, porém cansado. Ele sorri pra mim me dando visão de suas covinhas e seus dentes perfeitos

- Você só comprou sabonetes florais, o que eu podia fazer? - ele volta a mexer no computador e dou uma olhada. Ele via umas fotos publicadas no facebook de alguém. Na foto tinha duas jovens bonitas, uma loira e outra morena de cabelos pretos e um jovem de cabelos castanhos. Eles estavam sorrindo na foto e se abraçando num barco e a vista era muito linda, sem falar da água azul e brilhante. A foto e as pessoas transmitiam luxo.

 - Quem são? - pergunto curiosa, provavelmente são meus meios irmãos. - A loira é a Emily, a morena é a sophie. E esse - ele aponta na cara do jovem - É Harry, o filho adotivo da família Horton. - Eles parecem ser muito felizes... Não vejo a hora de acabar com o sorriso de cada um, Lucas. Lucas suspira de cansaço e olha pra mim - esse dia vai chegar boneca, pode crer. - Você não tem fome ou sono? - pergunto preocupada porque ele pode estar lindo, mas está parecendo um fantasma!

- É que você está parecendo uma alma penada! Já se olhou no espelho?!

- Você tem razão, mas antes quero comer e você vai me ajudar a cozinhar. Lucas levanta e me oferece sua mão para me ajudar a levantar. Eu aceito sua ajuda e assim me levanto.

 - Lucas, por favor, eu não vou aguentar cozinhar - faço becinho e Lucas ri da minha cara. - E por quê não? Você já dormiu mesmo e com certeza estás bem melhor que eu! - Isso você tem razão... Mas só vou ajudar porque não aguento mais olhar nessa sua cara pálida!

- Por que é tão cruel comigo? Sabe, isso me magoa e muito. - Lucas faz uma cena fingindo se apunhalar com uma estaca imaginária no coração e eu rio de sua cara.

 - Me poupe dos seus dramas. -vou até a cozinha, abro a geladeira pra ver o que tinha. Parece que Lucas tinha feito compras porque a geleira estava cheia de legumes, frutas, iogurte...

- Parece que alguém fez compras! - Digo gritando pra ele ouvir.

 - Enquanto você roncava eu fazia compras para não morrermos de fome! - fala orgulhoso

- Também não precisa jogar na minha cara o quanto você é responsável! E já que fez compras porquê não se lembrou de comprar sabonete para você? - tiro tomates, pimenta, cebola, alho e salsas para fazer omelete. Pouso todos ingredientes no balcão onde Lucas estava sentado

- Não pense que não vai fazer nada! Comece a cortar os legumes, por favor. - Que mulher mais chata! - Ele resmunga e ignoro-o. Abro o congelador pra ver se temos chouriço, queijo e fiambre... e tem, realmente ele preveniu para não passarmos fome. Toc, Toc, Toc. Ouvimos alguém bater a porta e nos questionamos com o olhar antes de Lucas ir ver quem é. Eu lavo minhas mãos e limpo pra ver quem é... espero que não sejam essas vadias com quem o Lucas se envolve! Isso já aconteceu várias vezes e odio ficar como vela enquanto ouço-os a gemerem. Graças a Deus não era nenhuma vadia, era só uma senhora de cabelos grisalhos...

 - Eu vi da janela que recém casados são agora meus vizinhos, então decidi fazer uma torta deliciosa de maçã para dar as boas vindas. - A senhora explicava para Lucas que abriu a porta, a torta cheirava muito bem! Já amo essa senhora.

- Ahn, sim! Recém casados... Claro! - Lucas põe as mãos no bolso para esconder a grande mentira e eu fico nervosa.

 - Por quê a senhora não está usando a aliança? - A velha senhora me pergunta olhando com desdém e desconfiança, Lucas fazia sinal gesticulando sobre o que devo dizer a seguir e eu não entendia nada! Na verdade só me deixava mais confusa! QUE SENHORA MAIS INTROMETIDA!

 - Eu... - começo a pensar - me sinto um pouco incomodada usando todos os dias a aliança e o anel de noivado dona! E estou em casa! Para quê usar? Sem a senhora pedir permissão entra no nosso apartamento e começa a caminhar até a cozinha poisando a torta no balcão.

- Aié? Minha filha também casou e ela gosta de se exibir com o anel, ela não tira nunca! Mesmo dormindo e publica todos os dias uma foto do seu dedo com a pedra gigante que tem na mão. Posso ver o seu anel? - Que senhora mais inconveniente, sério que ela está me comparando com sua filha?

 - Desculpe senhora, mas eu não sou como sua filha e a senhora não pode ver o meu anel porque com certeza não é uma pedra gigante como de sua filha.

- Eu não queria responder isso, mas acabei soltando. A senhora ficou de boquiaberta e Lucas estava se controlando para não rir.

 - Dona Flora Fielding, a minha mulher quis dizer que não pode mostrar porque já estamos de saída e não dá tempo... E minha mulher é tão simples que prefere um anel bem mais barato.

 - Tudo bem - Dona Flora me olha de cima pra baixo e olha feio

- Um dia eu venho com mais calma e aproveito apresentar vocês a minha linda filha. Tchau. Ela sai de cabeça erguida e com uma postura de rainha. Mal ela fecha a porta Lucas solta uma gargalhada de matar e eu o acompanho.

 - Como você foi capaz de dar aquela resposta numa velha coitadinha? - ele pergunta rindo. - Ela me irritou e não estava nos planos isso de sermos noivos! - faço uma careta - não quero ser vista com a mulher do homem mais devasso do condomínio! - Minha linda mulher! Não vai ser difícil se habituar a vida de casados. E vai ser bem melhor assim conquistar a confiança do senhor Horton, pessoas casadas causam uma boa impressão - Lucas se aproxima de mim e meu coração começa a acelerar

 - Que modelo de anel você vai querer? - ele pergunta com a voz rouca e eu me afasto indo para cozinha.

- Não sei! Qualquer, é tudo mesmo mentira - Dou de ombros- Lucas! - Grito e Lucas vem a correr e preocupado - tive uma ideia maravilhosa! Largo tudo que estou fazendo porque tive uma ideia que não vai falhar! Autora : Marilene Mateus

Capítulo 3

"Não existe nada mais poderoso no mundo do que a ideia que chega na hora certa." De Victor Hugo.

Antonela

— Não, não e não! — Pela milésima vez, Lucas negou meu fantástico plano.

— Como não? Lucas! Tu imaginas o maior escândalo que isso vai causar para a grande família Horton!?

Quando decidi vingar a morte da minha mãe, cheguei a conclusão que farei tudo que fôr preciso para acabar com a paz dessa família estúpida e daquele senhor que o sangue dele escorre por minhas veias.

— Mas é de loucos!

— Sim, é! E isso é que torna mais interessante... mais cruel! E olha que isso é o mínimo, pode ser pior!

O meu grande plano é o seguinte. Eu pretendo dar uma grande festa para celebrar o meu noivado falso com Lucas, então, eu vou mandar convites para as famílias mais importantes da cidade, incluindo os Horton e aí bem na festa eu solto a grande bomba! E qual é a bomba? Falar para todos que estiverem lá que eu sou a filha do grande e respeitoso senhor Horton. Parece um plano de loucos e um pouco precipitado,mas claro que esse acontecimento maravilhoso não vai ser hoje e muito menos amanhã. Primeiro precisamos enquadrar-nos na vida de grandes e poderosos ricos. E como? Participando em grandes festas e não será difícil porque a mãe do Lucas, ou melhor, a família do Lucas faz parte duma dessas famílias importantes de Londres, então não será difícil enquadrar-se. Sei muito bem que essa gente odeia escândalos e claro que não é só! Antes de revelar para todos minha paternidade, vou criar meios para destruir a união da família e depois exigir meus direitos como filha legítima!

— E qual é o primeiro passo? — Lucas pergunta rendido.

— Contar para sua família sobre o nosso noivado, mas só depois da entrevista de trabalho na empresa — Depois de amanhã é a minha entrevista de trabalho como oficial assistente do Harry Horton, o filho adotivo do senhor Horton, meu pai.

— Isso não vai resultar. E vamos supor que esse plano resulte, e depois? — Lucas cruza os braços fixando seus olhos no meu.

— Vai resultar porque depois vem a melhor parte que será exigir meus direitos e conquistar a total confiança do senhor Horton.

— Aié? E até onde você quer chegar?

— No topo, sinta-se lisonjeado — eu me aproximo de Lucas em passos curtos — porque bem na sua frente está a futura herdeira de toda fortuna do senhor Horton... na verdade, quero afastar todos daquela empresa e por fim mandar toda família para Rua! — Eu dou uma gargalhada, esse plano fez-me sentir-se bem.

— E você pretende fazer o quê para afastar todos? Matá-los?!

— Não perdes por esperar! Brevemente saberás tudo que tenho em mente...

Lucas dá mais um passo e eu recuo para aumentar a distância e evitar cair em tentação — Tudo bem, e depois?

— E depois eu vou rir deles e ficar muito feliz. — Sorrio de leve e me afasto dele.

— Você é mesmo muito louca, sabia?

— É. Eu sei que sou. — Dou de ombros. — ainda queres comer?

— E se o plano não resultar? Vamos pensar nas possibilidades do senhor Horton não gostar de você, odiar você depois de tudo isso... Como você vai pensar reconquistar a sua confiança?

— Se o plano A não resultar, lembra-se que o alfabeto ainda tem mais 25 letras... — Por fim digo sem exitar.

(...)

Já é dia seguinte e eu pensei, por quê não sair para comprar roupas? Eu acho que minhas roupas não são apropriadas para usar no trabalho. Estou a precisar de roupas mais ousadas e chiques, tipo saias e vestidos justos e preciso de roupas da moda, sim! Tipo cores mais claras, mas sem muito exagero.

Sempre fui o tipo de mulher que preferiu usar roupas pagãs e simples demais. Minha maior atração eram roupas que me deixavam com um aspecto sem graça para não atrair homens com interesse amoroso e amigos.

Levanto-me da cama e vou até o banheiro fazer minha higiene. Enquanto me olhava no espelho eu pensava em como tudo vai mudar de agora em diante... Eu não serei mais uma menina inocente, mas vai valer a pena tudo isso. Ainda me dói pensar no dia em que tudo aconteceu... o dia que eu...

Toc, toc, toc. deve ser Lucas! Será que esse homem não dorme? Meu Deus! São só 7AM. Saio do banheiro com a toalha amarrada ao corpo e abro a porta.

— Meu Deus! Que humor de cão! — Lucas brinca e eu reviro o olho.

— Lucas, o que você quer? — Ignoro seu comentário e tento não perder a paciência.

— É que a nossa querida vizinha está aqui — Ele sorri — E trouxe a filha.

— Manda todas embora ou diga que não estou Lucas! Ah! Era só que me faltava! Com tantos problemas ter que aturar essa senhora. — Eu estava preste a fechar a porta quando Lucas me puxa pelo braço colando nossos corpos. Naquele momento eu só pedi a Deus que não permitisse a queda da toalha.

— Eu descobri que elas são pessoas importantes, a família Fielding é dona de uma das fábrica de perfumes mais famosas de Londres, então seja boa e pega leve.

— Você tem certeza? — falo num tom baixo,quase o tom de um sussurro.

— Sim — ele responde no mesmo tom e eu sorrio antes dele me soltar e eu voltar ao banheiro para me preparar.

Eu escolhi um vestido justo preto ombro a ombro de mangas compridas que valoriza minhas curvas, acompanhei com uma bolsa branca e um salto alto azul escuro e para finalizar passei chapinha no meu cabelo para ficar mais liso e sem esquecer do perfume doce.

Antes de sair do quarto olhei-me no espelho e espero não ter exagerado. O plano é fingir estar muito atrasada e sair correndo daí, por isso prefreri escolher uma roupa mais arrumada.

Eu desço as escadas devagarinho e de cabeça erguida mantendo a postura de uma verdadeira dama, mas os saltos faziam aquele barulho irritante e assim roubando a atenção de todos. Quando eu termino de descer as escadas a Sra.Fielding levanta-se esbajando seu sorriso perfeito, seus dentes brancos como neve e sorrio de volta.

— Aqui está ela! A noiva, venha! Eu vou apresentar a minha filha a você.

Porém, sua filha continuava sentada no cadeirão terminando de beber o chá. Mesmo vendo ela de costas notava-se que ela é uma mulher chique.

— Estou tão empolgada — tento fingir estar empolgada. Sinceramente, não sou e nunca fui

— Oi, sou Anna Fielding Cartwright. Sua casa é muito linda e moderna. — Ela me dá dois beijinhos na bochecha.

Ela é realmente uma mulher linda e chique de pernas grossas e cintura fina. Sua postura é chique e de princesa. Seus olhos azuis são chamativos e brilham como o mar.

— Oi Anna, Obrigada. Foi meu esposo quem comprou a casa e decorou — Sento-me com elas no cadeirão.

— Então essa ainda é a vossa casa de solteiro? —Senhora Fielding pergunta. — Porque normalmente as mulheres são quem decoram a casa...

— É que meu esposo já tinha essa casa, então não achei necessário redecorar. — quando termino de falar a senhora Fielding fica de boquiaberta e lança um olhar cúmplice a sua filha.

Lucas estava na cozinha fazendo sei lá o quê, provavelmente está ouvindo nossa conversam e a fugir da conversa!

— Então você vai aceitar viver numa casa de solteiros e pior que — ela baixa o tom de voz — ele trouxe outras mulheres cá.

De repente sua filha engasga-se com o chá. Sem ofensa, mas com a mãe que tem não vou me surpreender se ela desmaiar aqui mesmo de vergonha.

— Desculpe Antonella. — Anna bebe um pouco de água — Minha mãe está dizendo que daqui há mais anos vocês terão filhos e um apartamento não é apropriado para criar filhos.

— Ah sei... Nós não pensamos em ter filhos tão cedo. — Esclareço — somos o típico casal moderno e só estamos afim de curtir.

— Eu também! Mas minha mãe não aceita. — ela sorri e olha para sra.Fielding.

— Precisamos de herdeiros filha! Se você fôr esperta não terá problemas no futuro.

OK, para mim basta!

— Infelizmente eu preciso sair... — me levanto e elas também. Eu acompanho elas até a porta.

— Sexta feira terá um jantar em casa, depois eu mando um convite. — Anna me dá dois beijinhos da bochecha antes de saírem.

Depois de fechar a porta eu suspiro de cansaço, não é fácil suportar a sra.Fielding.

— Muito bem sra.Thompson, gostei de ver. — Lucas sai da cozinha sorrindo.

— Eu estava quase surtando Lucas. — Eu apoio meu corpo na porta e fecho os olhos. Fico pensando que só falta mais um dia e algumas horas para a entrevista de trabalho. Espero que eu convença sr.Harry para depois pôr em prática o plano.

Quando abro os olhos, Lucas estava bem na minha frente com as duas mãos apoiadas na porta. Sinto meu coração a bater num ritmo acelerado e por um instante minha respiração falha.

— Lucas... — sussurro.

— Shhh, apenas sinta o momento Antonella... eu não te vou tocar — ele sussurra no meu ouvido — só se você pedir.

Realmente eu não sabia o que queria, ao contrário do meu corpo, que sabe muito bem o que quer sentir agora.

— É melhor eu... — Sério Antonella? Diga alguma coisa! — eu preciso sair para comprar os meus novos grifes... Você quer ir também?

Eu sei! Sou uma estúpida! Mas o que sinto por Lucas é apenas um grande carinho e não quero estragar nossa amizade! Nunca estive aberta a relacionamentos amorosos, sempre preferi evitar para depois não sofrer como minha mãe sofreu.

— Desculpe, mas eu preciso sair para comprar o anel da minha linda esposa, moça — fala deixando o clima menos pesado e sorrio. Me estico para beijar sua bochecha.

— OK, moço. Sua esposa é muito sortuda...

— É verdade, ela sabe que é — Lucas sorri me dando visão do seu sorriso perfeito e suas covinhas que morro de amores só de ver.

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A Doce Vingança

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