Capítulo 2

Ponto de Vista: Sofia

"Devem ser os hormônios da gravidez", Selena ronronou, seus olhos descendo para minha barriga com um olhar de puro desprezo. "Ouvi dizer que podem ser terríveis."

"Não se atreva a falar da minha gravidez", sibilei, minha voz tremendo com uma fúria tão profunda que parecia que poderia me partir em duas.

Ela riu, um som leve e aéreo que não alcançou seus olhos frios.

"Por que não? Somos praticamente irmãs nisso. Meu pequeno Dante Júnior já está aqui, sabe? Um herdeiro de verdade, vivo."

"Ele cometeu um erro", eu disse, as palavras soando fracas e ocas até para os meus próprios ouvidos.

"Não foi um erro. Foi uma escolha", ela rebateu, inclinando-se, sua voz um sussurro venenoso. "Ele me escolheu. Ele escolheu nosso filho. Ele me disse que havia... complicações com a sua gravidez. Que você talvez nem conseguisse levar até o fim."

A violação daquilo foi tão absoluta que pareceu um golpe físico. Ele havia discutido os detalhes íntimos e aterrorizantes da minha gravidez de risco com essa mulher.

Naquele momento, uma dor aguda, como um ferro em brasa, atravessou meu baixo-ventre. Eu ofeguei, cambaleando para trás contra a parede enquanto uma onda de tontura me dominava.

A falsa máscara de preocupação de Selena se transformou em um sorriso de escárnio.

"Oh, olhe. O drama começa." Ela ergueu a voz o suficiente para chamar a atenção. "Sofi, por favor. Não faça isso aqui. Vamos ser civilizadas."

Como se fosse um sinal, Dante correu até nós, seu rosto uma nuvem de tempestade. Seus olhos foram direto para Selena, não para mim.

"O que está acontecendo?", ele exigiu, sua voz perigosamente baixa. "Sofi, você está encurralando ela?"

"Ela estava me provocando", gritei, curvando-me enquanto outra cãibra, mais violenta, me rasgava por dentro.

"Acalme-se", Dante ordenou, sua voz soando com autoridade pública. Ele colocou uma mão protetora no braço de Selena, protegendo-a de mim. "Você está fazendo uma cena. Ela está frágil. Acabou de ter um bebê."

Seus homens, incluindo seu braço-direito, Ricardo, se aproximaram, seus rostos uma mistura de pena pela pequena amante corajosa e desaprovação pela esposa grávida e histérica. Eu estava sendo hostilizada por um salão inteiro de capangas.

Através de uma névoa de dor, vi Selena começar a soluçar, lágrimas delicadas e teatrais brotando em seus olhos.

"Eu só quero paz", ela sussurrou. "Pelo meu filho."

Dante a puxou para um abraço completo.

"Apenas vá para casa, Sofi", ele disse por cima do ombro dela, sua voz fria e desdenhosa. "Conversaremos quando você estiver sendo racional."

A humilhação pública foi total. Endireitei-me, a dor física momentaneamente eclipsada por uma clareza fria e dura. A mulher que ele pensava conhecer, aquela que sempre voltava, havia desaparecido.

"Estou indo embora", eu disse, minha voz estranhamente calma. Virei-me e saí, sem olhar para trás enquanto suas últimas palavras arrogantes me seguiam pela porta.

"Ela só está sendo dramática", ele garantiu ao salão. "Ela vai se acalmar. Ela sempre volta."

Capítulo 3

Ponto de Vista: Sofia

A cobertura era um mausoléu do nosso casamento morto. Cada foto, cada obra de arte que escolhemos juntos, parecia uma zombaria. Eu me movia pelos cômodos como um fantasma, um saco de lixo preto na mão, varrendo seus perfumes caros e gravatas de seda para dentro dele com uma fúria desapegada.

Meu celular vibrou. Uma coluna social. A manchete foi um soco no estômago: BEM-VINDO, MORETTI: DANTE MORETTI E A COMPANHEIRA SELENA CAMPOS CELEBRAM O BATIZADO DE SEU FILHO.

As fotos eram uma declaração pública do meu apagamento. Lá estava ele, radiante, com Selena em seu braço. A legenda a chamava de sua "adorável companheira". Como se eu não existisse. Como se a criança crescendo dentro de mim fosse uma invenção da minha imaginação.

Isso não era apenas um caso. Era uma campanha.

A fúria que me preencheu era fria e cortante. Queimou o resto das minhas lágrimas. Ele achava que eu era descartável. Ele estava prestes a descobrir o quão essencial eu tinha sido.

Quando ele chegou em casa tarde da noite, me encontrou de pé ao lado de uma mala pronta.

"Você ainda está remoendo o batizado?", ele perguntou, seu tom tingido de uma calma paternalista.

"Eu não estou chateada, Dante", eu disse, minha voz plana. "Eu terminei."

Ele estendeu a mão para mim, o gesto antigo e familiar que costumava me derreter. Eu me desviei.

"Não seja assim, cara. Foi um mal-entendido."

"Pagar o apartamento dela por oito meses foi um mal-entendido?", rebati. "Eu quero o divórcio."

A incredulidade lutou com a raiva em seus olhos. Ele ainda achava que isso era uma negociação.

A campainha tocou. Um som agudo e intrusivo. Um lampejo de pânico cruzou o rosto de Dante antes de ele abrir.

Lá estava ela. Selena, parada no corredor com suas próprias malas e o bebê em um bebê conforto. Ela passou por ele e entrou na minha casa, nossa casa, como se fosse a dona do lugar.

Dante foi pego, o arquiteto de seu próprio desastre, de pé entre sua esposa e sua amante. Ele fez sua escolha.

Ele se virou para mim, sua voz agora letalmente fria.

"Se você não pode aceitar isso, Sofi", ele disse, gesticulando vagamente entre Selena e eu, "então é você quem deve ir embora."

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