Vivian sorriu, com duas covinhas no rosto.
Eileen foi tomada pela surpresa, pois nunca havia passado pela sua cabeça que Vivian pudesse reconhecer suas capacidades profissionais, a ponto de querer fazer amizade.
No entanto, o motivo por trás da oferta de Vivian a deixou intrigada.
Percebendo a hesitação de Eileen, Vivian perguntou: "Você não quer me adicionar?"
"Ah, claro que não." Eileen, disfarçando sua relutância com um sorriso educado, pegou o celular. "Vou te adicionar agora," disse ela, não vendo nenhum motivo válido para recusar.
Vivian rapidamente abriu o WhatsApp e elas se adicionaram como contatos.
Antes que Vivian pudesse dizer mais alguma coisa, Eileen notou que Bryan já estava mais à frente e a alertou: "Não devemos deixar o senhor Dawson esperando. Vamos logo."
"Tudo bem," concordou Vivian, começando a andar rapidamente.
As ruas estavam quase vazias naquela hora da noite quando eles entraram no Benz preto.
Bryan e Vivian se sentaram no banco de trás, enquanto Eileen foi para o volante.
O olhar dela estava fixo na estrada à frente, embora sua atenção estivesse um pouco dispersa. Os murmúrios baixos de Bryan e Vivian ecoavam em seus ouvidos.
Como se fossem um casal que se adorava com paixão.
Ouvir a conversa deles foi um alívio para Eileen; significava que eles estavam apenas conversando, nada mais.
No entanto, após um breve silêncio, ela não pôde deixar de imaginar se eles poderiam estar se beijando.
Ela olhou pelo retrovisor para dar uma olhada no banco de trás.
Bryan parecia alegre, com um sorriso evidente no rosto e os dedos entrelaçados sobre as pernas cruzadas.
Vivian estava inclinada na direção dele, quase fechando a distância entre eles, como se quisesse estar em seus braços.
Ao que parecia, eles haviam interrompido a conversa, possivelmente perdidos em alguma lembrança do passado que compartilhavam.
Antes que Eileen pudesse pensar mais sobre isso, seu olhar encontrou o de Bryan.
Os olhos dele eram encantadores, e ela rapidamente desviou o olhar.
Pigarreando, Eileen disse: "Estamos chegando à residência da família Warren, senhor Dawson. Prefere que eu entre direto ou pare na entrada?"
Assim que fez essa pergunta apressada, ela se arrependeu.
A casa da família Warren ficava em Vilas Sunrise, e havia uma longa caminhada do portão até a vila mais próxima. Eileen duvidava que Bryan quisesse que Vivian fizesse essa caminhada com sua mala.
"Bryan, por que está me deixando em casa?" De repente, Vivian percebeu que estavam chegando à casa de sua família. Mordendo o lábio, ela expressou sua relutância: "Não quero ir para casa ainda."
"Você não volta há anos. Já está na hora de uma reunião familiar," disse Bryan. Em seguida, ele olhou nos olhos de Eileen e ordenou: "Pare na entrada."
Nesse momento, um silêncio pesado envolveu o carro.
Quando pararam, Eileen saiu rapidamente e abriu a porta de trás.
"Chegamos, senhor Dawson, senhorita Warren," anunciou ela antes de ir pegar a mala de Vivian no porta-malas. Enquanto fazia isso, ela notou uma figura se aproximando.
Usando um conjunto de roupas esportivas, o homem caminhava em direção a eles sob o brilho da lua.
Kian Warren, que era dois anos mais velho que Bryan, gerenciava os assuntos da família Warren e era bem conhecido em Onaland.
Os encontros frequentes entre ele e Bryan faziam com que Eileen o encontrasse com frequência.
Seu jeito gentil e olhar sedutor poderiam facilmente dar a impressão de que ele era um playboy.
No entanto, Eileen estava ciente do perigo que ele representava para aqueles que o contrariavam. Ele estava longe de ser inofensivo.
Vivian, sendo sua querida irmã mais nova, tinha um lugar especial na família Warren.
Eileen o cumprimentou: "Olá, senhor Warren."
Kian cumprimentou Eileen com um aceno de cabeça e abraçou Vivian calorosamente.
"Você ficou fora por seis longos anos. Não está feliz por ter voltado?" ele perguntou a Vivian.
Ver seu irmão trouxe alegria a Vivian, mas ela se sentiu incomodada com a decisão inesperada de Bryan de levá-la para casa.
Desta vez, ela havia voltado para se reconciliar com ele. Ela o havia escolhido em detrimento de sua própria família para fazê-lo feliz.
"Fui eu que pedi para Bryan te trazer para casa. Mamãe e papai estão esperando ansiosamente pelo seu retorno," explicou Kian. "Sua jornada com Bryan é longa. Não há necessidade de pressa."
Ao ouvir as palavras de Kian, Vivian se sentiu um pouco aliviada. Com um sorriso, ela olhou para Bryan. "Eu esperava passar um pouco mais de tempo com Bryan, mas agora que estou aqui, ir para casa primeiro parece ser o mais adequado."
A reação de Bryan foi estoica, seu rosto indecifrável. Colocando a mão no bolso casualmente, ele se recostou no carro e deu um simples aceno de cabeça em reconhecimento.
"Acho que já está na hora de eu ir," disse ele.
Ao ouvir isso, Eileen logo foi abrir a porta para ele. Bryan então se virou para entrar no carro. No entanto, quando Eileen estava prestes a fechar a porta atrás dele, Vivian interveio, inclinando-se para trocar mais algumas palavras com Bryan.
"Bryan, pretendo visitar Stella na Mansão Dawson amanhã de manhã," disse ela.
A luz dentro do carro estava fraca, e Eileen mal conseguia distinguir os contornos definidos do perfil dele através da janela.
Bryan abriu ligeiramente os lábios para responder: "Claro."
Satisfeita com a resposta dele, Vivian se afastou para se juntar a Kian, acenando para o carro em despedida.
Após fechar a porta, Eileen se despediu de Kian e Vivian educadamente. "Até mais."
Em seguida, ela deu a volta até o lado do motorista, entrou e partiu com uma naturalidade que contrastava com o peso em seu coração.
O retorno à empresa foi necessário devido à agenda de Bryan, que incluía uma reunião internacional on-line que exigia sua presença. Como sua assistente, as obrigações de Eileen a mantinham presa ao seu lado quase incessantemente.
Consequentemente, às duas da manhã, ela estava esperando o fim da reunião dele.
Ele ligou e disse com uma voz clara e agradável: "Entre."
O comando foi breve. Não houve necessidade de ele confirmar a presença dela. Três anos haviam nutrido um entendimento tácito entre eles, perfeito tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.
Com os papéis do divórcio na mão, Eileen entrou no escritório. Antes que ela pudesse se virar, uma mão forte a puxou para um abraço.
No instante seguinte, Bryan a beijou, e suas mãos se moviam incessantemente pelo corpo dela.
Atordoada por alguns segundos, Eileen se afastou para evitar seus lábios, com a surpresa estampada em seus olhos.
"Qual é o problema?" Bryan perguntou, com a voz rouca pela evidente excitação.
Mordendo o lábio, Eileen entregou a ele o acordo de divórcio. "Senhor Dawson, aqui está seu acordo de divórcio. Precisa revisá-lo?"
Bryan respirou fundo, colocou o acordo sobre a mesa sem olhar para ele e se virou para encará-la.
"Eileen, você não parece você mesma hoje," disse ele.
Eileen não sabia dizer se o comentário dele era porque ela os estava observando no carro ou por causa da situação atual. Com um sorriso tenso, ela tentou mudar de assunto: "Senhor Dawson, está ficando tarde. Quer que eu o leve para casa para descansar? Você tem que estar na Mansão Dawson amanhã de manhã, lembra?"
"Está muito tarde para ir para casa agora. Vamos ficar aqui esta noite," disse Bryan, olhando para o lounge.
Sempre que ele a solicitava, o tempo que Eileen passava no lounge não excedia três horas. Depois que ele satisfazia seus desejos, ela se vestia e ia embora.
A única vez que sua estadia se estendeu além dessa duração foi quando a fraqueza em suas pernas a obrigou a descansar na cama por um tempo.
Essa era a primeira vez que Bryan a convidava para passar a noite.
Foi a primeira vez que ela recusou Bryan. "Senhor Dawson, fazer isso é inapropriado, sem contar que..."
Vivian havia voltado.
Mas, antes que ela pudesse completar sua frase, Bryan interrompeu: "Está recusando meu pedido?"
Eileen franziu a testa. Ela não deveria recusá-lo?
Como esposa dele, ela estava prestes a se divorciar. Como poderia continuar a ficar na condição de amante?
Além disso, se ele queria companhia, por que não pediu para Vivian ficar, principalmente considerando a aparente disposição dela?
No entanto, não cabia a ela fazer essas perguntas. Independentemente de sua confusão interna, ela foi obrigada a reprimi-la.
"Senhor Dawson, tenho compromissos em casa," afirmou ela, com palavras educadas, mas uma recusa clara.
Bryan abaixou a cabeça, a encostando no ombro dela, e sua respiração quente atingiu a clavícula dela, causando uma sensação de arrepio.
"Então me leve para Vilas Oak no seu caminho de volta. Amanhã, traga o acordo de divórcio e me busque para irmos para a Mansão Dawson," murmurou ele, com sua respiração roçando o pescoço dela. Então, ele se endireitou, voltou para sua mesa, pegou seu terno e saiu.
Eileen permaneceu em silêncio enquanto o seguia para fora. Dizer que ela tinha coisas para resolver em casa não era totalmente uma desculpa.
Após deixar Bryan, ela chegou ao seu apartamento em dez minutos.
O apartamento era um duplex. Era modesto em tamanho, mas com dois andares, e valia cerca de dois milhões de dólares devido à sua localização privilegiada.
Bryan o havia dado a ela como presente de aniversário no ano anterior, em uma noite em que eles tiveram intimidade.
Ao chegar, ela colocou sua bolsa e as chaves do carro sobre a mesa, acendeu a luz e subiu para o segundo andar. Lá, ela pegou sua certidão de casamento e os documentos necessários na gaveta da mesa de cabeceira antes de descer para colocá-los em sua bolsa.
Se Stella Dawson, avó de Bryan, concordasse com a reconciliação de Vivian e Bryan no dia seguinte, o próximo passo seria finalizar o divórcio com ele.
Ela sabia que não teria a oportunidade de voltar para pegar os documentos no dia seguinte.
Expor sua identidade como esposa dele invariavelmente acabaria com seu papel de assistente.
Ela ficou pensando em como iria revelar a ele no dia seguinte que era a esposa que ele havia esquecido.
Será que Bryan acreditaria que sua intenção era apenas trabalhar para ele?
Como Bryan não a reconheceu e ela precisava desesperadamente do emprego, Eileen manteve sua identidade em segredo.
Depois, descobrir o desprezo dele pela falsidade complicou ainda mais as coisas.
Ela se viu com muito medo de contar a ele.
Mas agora, não lhe restava outra opção senão esperar que não ficasse em uma situação terrível no dia seguinte.
Perdida em pensamentos, ela acabou adormecendo no sofá. O alarme, programado para as seis da manhã, a acordou.
Olhando para o relógio, ela se apressou em se arrumar, passando maquiagem meticulosamente, embora a maquiagem não conseguisse esconder as olheiras sob seus olhos.
Ela cozinhou dois ovos e esquentou uma garrafa de leite para o café da manhã. Ela terminou de comer antes de partir para Vilas Oak.
Apesar de não estar com apetite, ela se forçou a comer. Sabendo que os papéis do divórcio marcariam o início de sua busca por emprego, ela precisava de energia.
Com uma expressão cansada, Bryan entrou no carro e logo fechou os olhos, o que intensificou o ânimo já sombrio de Eileen.
A Mansão Dawson se estendia por uma extensa encosta, com mais de cinco mil metros quadrados. No seu portão de ferro, Vivian aguardava em seu veículo.
Bryan e Eileen chegaram ao portão. "Pare o carro", ordenou Bryan. Sem hesitar, Eileen manobrou o carro para o acostamento e estacionou.
Bryan então abriu a porta e saiu. Vivian, que estava vibrante como uma jovem, estava no carro à frente deles. Ela também desceu e correu até ele.
"Bryan, fiquei com receio de entrar sozinha, então te esperei aqui", admitiu Vivian.
Pela primeira vez, Eileen preferiu ficar dentro do carro. Observando pela janela, ela notou que o rosto de Bryan estava de costas para ela, com uma expressão de ternura e indulgência para com Vivian. No entanto, ela sabia que essa gentileza se dissiparia assim que ele fosse confrontado com a verdade.
Nesse momento, o portão de ferro começou a se abrir lentamente e o mordomo, Jarred, apareceu.
"Senhorita Warren, bem-vinda de volta. Já faz um tempo", ele cumprimentou.
Com um sorriso radiante, Vivian respondeu: "Sim, faz muito tempo! Mas... em breve nos veremos com mais frequência!"
Jarred abriu um sorriso cortês antes de desviar sua atenção para Bryan. "Senhor, se tivesse me avisado da sua chegada com antecedência, eu poderia ter me preparado. Sua avó mencionou que queria visitar a igreja e, num impulso repentino, foi para lá ontem à noite. E hoje o senhor aparece."
Ao ouvir as palavras dele, o sorriso de Vivian se desvaneceu.
Em resposta, Bryan franziu a testa.
Enquanto isso, Eileen ainda estava sentada no carro, lutando para conter o riso.
Sua diversão não foi provocada pela demora em revelar sua identidade.
Mas sim pela esquiva deliberada de Stella e sua revelação explícita desse fato, projetada para provocar a frustração deles, que Eileen achou hilariamente irônica.
"Quando Stella voltará?", perguntou Vivian, lutando para esconder sua decepção.
Jarred levou um momento para responder: "Ela não mencionou um horário específico, mas não voltará tão cedo. Ela costuma ficar lá por pelo menos meio mês. Desta vez, ela mencionou que queria aproveitar alguns dias extras de tranquilidade."
Stella decidiu se ausentar naquela manhã porque sabia que Bryan viria para cá com Vivian.
Os pais de Bryan moravam no exterior há mais de dez anos. O trabalho deles os mantinha tão ocupados que só conseguiam voltar para casa uma ou duas vezes por ano.
Stella havia criado Bryan e o valorizava mais do que sua própria vida. Eileen conseguia entender por que Stella guardaria ressentimento de Vivian por causa do que aconteceu seis anos atrás.
No dia anterior, Eileen estava muito preocupada com as consequências da revelação de sua identidade para considerar os sentimentos de Stella.
Como Stella poderia perdoar Vivian tão facilmente?
Eileen saiu do carro e cumprimentou o mordomo: "Bom dia, Jarred."
Quando Jarred a viu, seu sorriso foi mais sincero do que havia sido para Vivian. "Senhorita Curtis, a senhora Dawson falou de você há dois dias. Ela apreciou o quanto a senhorita tem trabalhado para o senhor Dawson e me lembrou de dizer ao senhor Dawson para tratá-la bem."
Nesse momento, Eileen se enrijeceu, pois notou que Bryan e Vivian estavam olhando para ela.
Agora, ficou claro que Stella valorizava mais Eileen, a assistente de Bryan, do que Vivian.
Nesse ponto, Eileen se arrependeu de ter saído do carro.
Ela se virou para Bryan, sem saber o que dizer a seguir.
"Já que a vovó não está aqui, vamos voltar primeiro", sugeriu Bryan.
Ele não responsabilizou Eileen, sabendo que Stella havia feito isso de propósito. Ele abriu a porta do carro de Vivian e disse a ela: "É melhor você voltar."
Vivian caminhou até o Benz preto e entrou, recusando-se a voltar. "Não quero voltar. Quero ir para a empresa com você", disse ela.
Bryan permaneceu em silêncio por um momento antes de se virar, lançar um olhar para Jarred e entrar no Benz preto.
"Se cuide, Jarred. Adeus", Eileen se despediu. Então, ela entrou no carro e partiu.
A chegada de Vivian à empresa gerou discussões.
Todos sabiam do casamento de Bryan, entendendo que era principalmente para agradar sua avó.
Nos seis anos seguintes, sua esposa nunca foi vista por eles, deixando claro que o casamento de Bryan era apenas de fachada.
O retorno de Vivian, marcado por sua presença na empresa, parecia uma forma de reivindicar seu lugar.
As implicações para o futuro eram evidentes.
Enquanto Eileen preparava o café, alguns colegas se aproximaram dela, ansiosos por fofocas. "Eileen, o chefe está prestes a trocar de esposa?"
"Ele nunca teve uma esposa de verdade", respondeu Eileen.
Apesar de estar chateada, Eileen se lembrou de aceitar a realidade.
Tudo o que ela podia fazer era se preparar para a eventual revelação de sua identidade e as consequências que viriam. Ela decidiu não revelar sua identidade por iniciativa própria.
Acreditando que contar a verdade a Bryan não amenizaria sua raiva. Antecipando sua inevitável demissão, ela valorizava cada dia que ainda podia trabalhar lá.
"Você tem razão. Acabei de ver a senhorita Warren. Ela é deslumbrante!"
"De fato. O senhor Dawson claramente não a esqueceu, mesmo depois de seis anos. Ela deve ser encantadora!"
À medida que esse assunto se desenrolava, mais pessoas se juntavam à conversa. Segurando seu café, Eileen tomou um gole em meio à tagarelice.
Após terminar o café, Eileen lavou a xícara e se dirigiu aos seus colegas de trabalho: "Vamos nos concentrar em nossas tarefas. Lembrem-se, o trabalho é primordial."
A identidade da misteriosa esposa de Bryan despertou uma curiosidade generalizada na empresa. Eileen sempre ouvia trechos de suas conversas, e suas especulações sobre a identidade da esposa nunca cessavam.
Havia até boatos sobre um plano para fazer Bryan soltar a língua com álcool em uma confraternização, na esperança de que ele revelasse informações sobre sua esposa.
Eileen queria poder esclarecer a eles que nenhuma quantidade de álcool ajudaria, já que o próprio Bryan não sabia quem era sua esposa.
Quando seus colegas se dispersaram, Eileen previu que eles continuariam a fofocar em algum canto mais tranquilo.
Ao voltar para sua mesa, ela encontrou Vivian ocupando sua cadeira.
"Eileen, você voltou", Vivian a cumprimentou com um sorriso caloroso, parecendo estar de bom humor. Claramente, ela não levou a sério os comentários anteriores do mordomo.
"Senhorita Warren, você não deveria estar com o senhor Dawson no escritório dele?", Eileen se aproximou, com um sorriso cortês.
"Ele está ocupado em uma reunião", respondeu Vivian, apontando para a cadeira ao lado dela.
Essa cadeira geralmente ficava no escritório de Bryan, mas foi transferida por Vivian, indicando sua intenção de ficar ali por um tempo.
"Não precisa de formalidade entre nós. Pode me chamar de Vivian. Afinal, temos quase a mesma idade." Vivian percebeu a hesitação de Eileen e a incentivou gentilmente a se sentar.
Eileen, por outro lado, estava apreensiva, preocupada com o que Vivian poderia fazer.
"Bryan pode ser bastante temperamental. Você provavelmente já foi muito repreendida por ele ao longo dos anos, não é?", disse Vivian, em um tom casual.
"Está tudo bem. Passei a entender as atitudes dele", respondeu Eileen.
"Bryan mencionou que você é a assistente que ele teve por mais tempo, uma prova da sua competência", comentou Vivian. "Já vi muitos assistentes homens, como o assistente do meu irmão, Benjamin. Você parece ser melhor do que a maioria deles."
Eileen ouvia com o olhar baixo. Havia um ar de distanciamento em seus olhos. A simpatia de Vivian a deixou um pouco culpada.
"Bryan está sempre tão atarefado com o trabalho?" Apesar de Eileen não estar respondendo, Vivian continuou a conversa.
"Ele é extremamente ocupado, só terminando o trabalho por volta das dez da noite", respondeu Eileen.
"Poderia me passar a agenda dele?", perguntou Vivian, gesticulando com seu celular. "Você pode me enviar pelo WhatsApp."
Ficou claro para Eileen então que o motivo de Vivian ter se conectado no WhatsApp era apenas para ter acesso à agenda de Bryan.
"Sinto muito, senhorita Warren, mas não tenho autorização para compartilhar a agenda do senhor Dawson", disse Eileen, recusando Vivian respeitosamente.
"Nem comigo? Dada nossa conexão, te garanto que não divulgarei a agenda dele para ninguém", disse Vivian.
"Senhorita Warren, por favor, entenda minha posição. Não dificulte as coisas para mim", respondeu Eileen, não querendo parecer que estava obstruindo Vivian de propósito. Seu compromisso com a ética profissional simplesmente não permitiria tal ação.
Divulgar o paradeiro de Bryan de forma descuidada poderia levar a sérias repercussões.
Vivian suspirou em resignação. "Pelo visto, nenhum de vocês é fácil de convencer. No entanto, se eu conseguir fazer Bryan feliz, tenho certeza de que ele resolverá a situação com sua avó."
Eileen, no entanto, silenciosamente considerou o otimismo de Vivian descabido. Se Bryan fosse capaz de lidar com seu relacionamento com Stella, o casamento forçado de seis anos atrás não teria acontecido.
O casamento parecia mais um acordo entre Bryan e Stella.
Bryan nem sequer conseguiria o divórcio sem a aprovação de Stella.
"Acho que ele guarda algum ressentimento pelo que aconteceu há seis anos. Meu retorno é uma tentativa de reparação. Se você não está disposta a divulgar a agenda dele, poderia me ajudar de outra forma?", disse Vivian, olhando para Eileen com olhos esperançosos.
Diante do pedido sincero de Vivian, Eileen se viu incapaz de recusar.
"Se estiver ao meu alcance, eu ajudarei", respondeu Eileen.
A expressão de Vivian se iluminou com a resposta. "Ainda não finalizei meus planos. Entrarei em contato com você pelo WhatsApp quando o fizer!"
Eileen acenou com a cabeça em concordância. Antes que Vivian pudesse dizer algo mais, o som do interfone as interrompeu.
"Me traga uma xícara de café." A voz de Bryan era clara e agradável de se ouvir.
Antes que Eileen pudesse se levantar, Vivian já estava de pé, declarando: "Deixe essas pequenas tarefas comigo de agora em diante. Se concentre nas suas responsabilidades!"
Com isso, ela foi preparar o café e o levou ao escritório de Bryan.
Eileen massageou suas têmporas, se concentrando novamente em suas tarefas. Ela removeu o pen drive de seu computador e foi para a sala de cópias.
Lá, enquanto estava perdida em pensamentos ao lado da impressora, ela inadvertidamente fez dez cópias sem perceber.
Um colega que entrou na sala notou e disse: "Eileen, por que você fez tantas cópias?"
A mente de Eileen estava preocupada com o que poderia estar acontecendo entre Vivian e Bryan no escritório dele. Ela foi trazida de volta à realidade por seu colega.
"Já terminei de usar a impressora. Pode usá-la agora", disse ela.
Ao sair da sala de cópias com os documentos na mão, ela foi rapidamente levada para um canto isolado.
"Eileen, é verdade que o primeiro amor do senhor Dawson voltou?", perguntou Judie Curtis, vestindo um terno e uma maquiagem muito pesada para sua idade, sem esperar por uma resposta. "O que vai acontecer com você? Seus dois anos dormindo com ele foram em vão?"
Talvez por estar tão agitada, sua voz era alta o suficiente para chamar a atenção das pessoas que saíam da sala de cópias.
Franzindo a testa, Eileen respondeu: "Por favor, você não precisa se preocupar comigo. Além disso, esses assuntos não são apropriados para o horário de trabalho."
Judie era a única pessoa que sabia dos assuntos particulares de Eileen com Bryan.
"Como posso não me preocupar? Roderick e eu estamos procurando um lugar no distrito escolar, lembra?", ela disse com urgência.
Eileen encontrou o olhar de Judie, que carregava um toque de interesse próprio.
Roderick era o irmão mais novo de Eileen, e Judie era sua esposa, uma modesta formada na universidade.
Judie havia se beneficiado do apoio de Eileen para conseguir um cargo na empresa.
Agora, as expectativas de Judie haviam escalado para um carro e uma casa, e ela queria que Eileen a ajudasse a conseguir isso.