Capítulo 2

Capítulo 1 – A CEO e o secretário

Tyler Moore

— Tyler, você está me escutando? — A mulher fala parada em frente a minha mesa com os braços cruzados na altura do peito.

Respiro fundo, largo meu celular e, só então, a encaro.

— O que você quer agora? — Tento questionar com toda calma possível, mas a verdade é que eu desejo virar essa mesa.

São cinco horas da tarde. Já tivemos umas cinco reuniões com parceiros hoje, em todas ela falou sem parar, já me fez levar papéis para a secretária, analisar contratos, e nós mal paramos para almoçar.

Para completar, tem um menino jogado no canto da sala desenhando e cantarolando alguma música infantil insuportável.

— Eu disse que preciso que você leve os contratos que você analisou e eu assinei para o administrativo.

— E porque você não faz isso? — Levanto encarando-a com tédio.

— Porque eu preciso levar meu filho embora e eu te pedi um favor. — Ela fala como se isso não fosse nada demais.

— Você está me confundindo com a sua secretária, Diana. Eu não sou seu secretário, querida. — Toco na ponta do seu nariz. — Eu sou o dono de tudo isso aqui e você deve me ensinar a lidar com tudo isso, não fazer de mim o seu lacaio.

— Em nenhum momento fiz isso. — Afirma séria.

— O dia inteiro você age como se fosse a minha superior.

— Porque eu sou. — Afirma com o maxilar trincado. — Por mais onze meses, até que a diretoria te considere apto para tomar o meu lugar e, só então, eu terei que me sujeitar a você. — Seu olhar é rígido e ela abaixa a mão com a pasta que ela tinha direcionado para mim. — Aliás, não precisa fazer isso mais.

— Você precisa se colocar no seu lugar, Diana... Está se achando demais, não acha?

— O problema está em você, Tyler. A soberba, está em você.

Dito isso, ela vira as costas para mim, vai ao canto da sala, fala alguma coisa com a criança que imediatamente cata as folhas, as canetas, lápis, joga tudo dentro da mochila e sai da sala atrás da mãe.

Diana é a mulher mais irritante que eu já tive a oportunidade de conhecer.

Depois que ela sai da sala, também coloco fim no meu expediente. Ao chegar na calçada da empresa, respiro fundo o ar fresco e suspiro aliviado por mais um dia que não surtei, nem fiz alguma besteira que colocasse meu futuro em risco.

— Cara, eu já estava indo pro bar. — Ethan esbarra no meu ombro e vira para mim surpreso e sorridente.

Bem diferente de mim.

— Você falou com tanta urgência que eu pensei que estava morrendo, Ty! — Ele exclama rindo, enquanto caminhamos pela calçada a caminho do PUB do nosso amigo Jeff.

— E é urgente. — Afirmo. — Eu não vou aguentar onze meses com aquela mulher.

— E o que você quer que eu faça? Está no testamento dos seus pais, gênio! — Ethan afirma.

Ele é um bom amigo, na verdade, o mais centrado que eu tenho. Contudo, às vezes o seu jeito certinho demais me irrita.

— Jeff vai me ajudar nisso mais que você. — Afirmo bufando.

— Cara... você sabe que pedir ajuda pro Jeff nem sempre é bom, né? — Ele me para segurando meu ombro quando chegamos na frente do comércio deles.

Jeff é o mais ‘’doidão’’ dos meus amigos. Ele sempre sabe de tudo, ou conhece alguém que saiba, e é disposto a fazer qualquer coisa, se pagarmos bem.

— Eu não vou fazer o que você está pensando... — Afirmo rindo e o encaro. — Eu só quero uma ajudinha.

Abro a porta do estabelecimento e o adentro, já sentindo o cheiro da cerveja no ar. O pub de Jeff não é um dos mais chiques, mas é um dos mais populares e vive cheio.

Em uma mesa ao canto, quase no fundo do bar, Jeff está sentado nos esperando com bebidas sobre a mesa.

— O bom filho à casa torna. — Se levanta e me cumprimenta com um abraço e batidas nas costas. — Quanto tempo, gente!

— Alguém aqui começou a trabalhar. — Ethan fala para o ruivo depois de cumprimenta-lo com um aperto de mãos.

Eles são amigos, mas divergem em algumas ideias, então isso não os deixa serem tão próximos. Por isso a falta de calor nas palavras. Na verdade, Ethan só está aqui porque eu o chamei.

— Tá complicado pra mim, irmão. — Falo para Jeff.

— Em que posso te ajudar, Ty? É só falar... — Senta e abre uma garrafa de cerveja com a própria mão, levando-a à boca em seguida.

— Eu preciso saber mais sobre uma pessoa. — Dito isso, tiro uma foto de Diana que recortei de uma revista mais cedo e entrego para ele por cima da mesa.

— Eu conheço essa... — Ele fala imediatamente.

— E?

— O que você quer dela? O que ela fez pra você?

— Eu quero destruir ela. — Sorrio farto de todos os trinta dias que já trabalhamos juntos.

— Tyler, você disse que... — Ethan toma a cerveja, mas seu olhar está preocupado sobre mim.

— Você não está aqui como meu advogado. — Digo o encarando. — Está como meu amigo, tá? E Jeff, — Volto meu olhar para o ruivo que ainda analisa a foto de Diana com cautela. — Não é no sentido físico, eu só quero saber algum podre que a suje com a diretoria ou que a tire de todo aquele pedestal.

— Posso ver o que posso fazer pra te ajudar. — Guarda a foto dela no bolso. — Mas, até onde eu sei, essa mulher é perfeita.

— Até você ser obrigado a trabalhar oito horas por dia com ela, como um empregado. — Bebo a cerveja e reviro os olhos, farto de ouvir falarem bem dela.

Parece que ninguém nunca vê defeito nela.

— É verdade então? Que você mudou de vida e agora trabalha direitinho, não curte festas...

— Ele precisa passar a imagem de jovem íntegro, perfeito e super empenhado... — Ethan fala, fazendo Jeff rir.

E sim, até eu rio. Eu nunca fui assim.

— Como a queridinha para quem os meus pais deixaram a empresa. — Dou de ombros com raiva.

— É só por um ano, Tyler. — Ethan consola.

— Cara, você às vezes é muito irritante. — Jeff tira as palavras da minha boca. — Sempre vê tudo pelo lado positivo, nunca erra, nunca quer fazer nada demais. Por favor, deixa ele reclamar em paz!

— É porque ele já estudou com a queridinha, sabe? Na faculdade... — Exponho Ethan. — E, até onde eu sei, ele tem uma queda por ela.

— Uma disciplina apenas e sim, eu gostava dela, mas isso já é passado.

— Ela nem lembrou de você quando te viu. — Zombo de Ethan que faz uma careta para mim e mostra seu dedo do meio com raiva.

— Ela tinha um namoradinho, acho que militar e vivia viajando pra missões. — Explica.

— Está vendo? Tão sinistra que ninguém aguenta por muito tempo e some! — Zombo. — Coitado do filho que tem que suportá-la. Enfim, eu só quero mostrar para todos que a menina perfeita pode não ser tão perfeita assim. — Dou de ombros. — Só tem uma coisa no meu caminho para conseguir herdar tudo dos Moore: Diana Jones... Derrubando-a, fico a um passo de finalmente ter poder sobre tudo.

Eu vou fazer o que for preciso para tirar Diana do lugar que é meu por direito.

Capítulo 3

Capítulo 2 – Surpresa!

Diana Jones

São quase sete da noite quando eu finalmente abro a porta principal do meu apartamento e sou surpreendida por balões e gritos da minha família exibindo a surpresa preparada para mim. Logo após levar minhas mãos ao meu rosto, sem acreditar que eu mesma havia esquecida do meu aniversário, sinto os braços do meu filho enlaçarem minha cintura e, logo depois, mais três pares de braços me envolverem em um abraço coletivo.

— Não desconfiou mesmo de nadinha? É muito fácil te surpreender, Di! — Mamãe diz separando nosso abraço e rindo.

— Eu falei que conseguia guardar segredo, vovó! — Noah declara empolgado.

— E já tínhamos conversado sobre segredos com a mamãe, né rapazinho? — Chamo atenção do menino que sorri sapeca.

Ao meu lado, resta apenas Aaron, com sua farda, que envolve minha cintura com seu braço e volta a beijar o topo da minha cabeça, antes de entregar para mim o buquê que trouxe consigo.

E é aí que tudo ao meu redor perde a graça e apenas ele possui a minha atenção.

— Flores e sua farda não combinam. — Afirmo encarando-o profundamente.

Eu sei muito bem o que isso significa.

— Vamos apenas curtir a noite, hm? — Fala sorrindo de lado, mas seus olhos não possuem o brilho de alegria.

Suas palavras apenas reafirmam o que eu já sei. Engulo a seco e volto-me para o meu apartamento decorado com bolas dos mais diversos tons de azul, minha cor preferida. Na mesa de jantar, há petiscos dos mais variados, tal como um bolo de chocolate que é a minha paixão, compondo minha pequena festa surpresa.

— Vamos comer? Os petiscos estão maravilhosos! — Fala meu pai guiando meu filho para a mesa principal, ao lado de minha mãe.

Sigo atrás deles com Aaron que entrelaçou seus dedos nos meus.

O jeito que nossas mãos se encaixam... se eu pudesse, não as desconectava nunca.

— Como foi o dia no trabalho, querida? Pensei que tiraria o dia de folga, pelo menos no seu aniversário.

— Meu aniversário não é uma data que eu gosto de comemorar desde que Ellie se foi. — Forço um sorriso ao lembrar-me da minha gêmea e do quanto que gostávamos de comemorar juntas. — Enfim, — Respiro fundo e tento ignorar a melancolia presente nas memórias que construímos juntas ao longo de uma vida baseada em cumplicidade. — a empresa precisava de mim, eu tive reuniões e tive também que aguentar o Tyler.

— Eu não vou com a cara dele. — Aaron comenta com seu instinto protetor.

Segundo ele, pessoas arrogantes como Tyler são capazes de fazer qualquer coisa por dinheiro. Ele teme minha segurança por isso.

— Não se preocupe, eu sei lidar com ele. — Seguro sua mão por cima da mesa.

O resto da nossa comemoração se resume em conversas de fuzileiros entre meu pai e Aaron, eu, mamãe e Noah brincando de jogar boliche no Xbox do mais novo. Quando dá meia noite, meus pais resolvem ir embora e Aaron leva meu filho adormecido até o quarto.

Eu o espero na minha sala de estar, mas quando ele aparece na porta da área externa da cobertura, sei o que ele quer.

Meu coração dispara e meu estômago revira ao sentir que estamos dando mais um passo para a tão temida — por mim — cerimônia de despedida do namorado. Quando ele trás flores, está trajando a farda e me chama para conversar olhando as estrelas, eu sei que é uma despedida.

Mais uma.

— Eu sabia o que isso significava. — Falo fechando a porta de vidro atrás de mim e alcançando-o no pequeno jardim improvisado perto da piscina.

Aaron senta em uma das poltronas e, com as mãos unidas, suspira olhando para o céu.

— Eu preciso ir. — Ele fala.

— Não precisa, você quer.

— Amor, é o meu trabalho. — Ele vira o rosto para mim e suas mãos alcançam uma lágrima que teima em rolar pela minha face.

— Quando a gente vai viver uma vida normal como uma família? Quando eu vou poder acordar e dormir tranquila sem me preocupar que o amor da minha vida está em uma guerra em algum lugar do mundo e que a qualquer dia, ou melhor, qualquer hora, podem ligar com a notícia que eu tanto temo? — Falo desesperada o encarando, quase me prostrando aos seus pés e implorando para que ele fique.

Mas não adianta, nunca adianta.

— Eu amo o que eu faço. Amo servir o país, ajudar as pessoas, amo...

— Ama tudo isso, menos a mim. — Sorrio incrédula e me levanto, distanciando-me dele.

— Mas é claro que eu te amo! Desde que éramos apenas dois adolescentes. — Ele se levanta e vem até mim.

Uma de suas mãos segura a minha cintura e a outra, o meu rosto, fazendo-me encará-lo.

— Você nunca vai me perdoar por Noah, não é? Foi depois dele que tudo entre nós... — Eu começo a falar e ele nega com a cabeça.

Mas eu sei que é verdade. Ele sempre achará que eu o traí, quando tudo o que eu fiz, foi por foi amor à minha família, pra salvar a vida da minha irmã e da criança que ela carregava.

— Me desculpa. — Murmuro entre lágrimas e ele une nossas testas.

— Eu vou voltar pra casa, vou voltar pra você. — Afirma de olhos fechados.

O problema é que eu sinto dentro de mim que já não aguento mais isso... são anos de despedidas e mais despedidas, de altos e baixos, de inconstâncias. Tudo o que eu queria é que ele ficasse, ficasse por mim, por nós, pelo nosso amor, pelo nosso relacionamento. Mas ele não fica... se não fica, significa que a mágoa dentro de si é maior do que o amor que existe em seu peito, não é?

— Eu não quero mais. — Afirmo.

— Diana, por favor. — Ele abre seus olhos e me encara assustado.

Nunca chegamos a este ponto, então eu o compreendo o susto. Jamais pensei que teria coragem disso, mas... Até quando eu vou ser deixada de lado por ele? Até quando vamos congelar o nosso relacionamento assim? Até quando vamos congelar e retroceder ao invés de avançar? E todos os planos que fazíamos juntos desde os dezesseis anos?

— Ou você fica e a gente prossegue com a nossa vida, juntos. Ou então... — Eu o olho no fundo dos olhos. — você vai e segue a sua vida sem se preocupar em voltar pra mim. — Preciso de muita força para enfim declarar.

— Eu quero voltar pra você.

— E eu quero que você não vá. — Rio sem humor. — Está vendo? Queremos coisas diferentes.

— Eu não consigo ficar, me desculpa. — Ele afirma e solta o meu corpo de vez.

O impacto de suas palavras é tão forte que eu me forço a fechar os olhos e respirar fundo para não desmoronar na frente dele. Eu sabia que isso aconteceria, eu sabia que ele escolheria ir ao invés de ficar, mas eu não pude evitar de criar esperanças de que dessa vez seria diferente.

Ele se vai. Vira as costas para mim e se vai sem dizer um último ‘’eu te amo’’ ou até mesmo que voltará em breve.

Talvez seja porque ele não me ama e porque não voltará em breve. Não para mim, não mais.

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