Capítulo 2

- Obrigada por me trazer até aqui, Vivian. – Megan deu um grande abraço em sua amiga ainda no carro. Ela estava tão empolgada que estava prestes a explodir de tanta felicidade. Claro, ela sabia que havia uma competição acirrada para esse trabalho e que possivelmente ela ficaria em último lugar na escolha para esse cargo, mas só por participar já era um grande passo.

Megan não era muito confiante, então sempre pensava no pior.

- Amiga, não quero te desanimar – Megan já estava preparada para o que vinha depois dessa frase. – Mas... olha a fila. – A morena, com óculos e franja, virou e olhou para a porta do prédio. Muitas mulheres bonitas, de todos os tipos, aguardavam a entrada. – Sei que é bem... problemático, mas é óbvio que vão escolher uma daquelas supermodelos para ser a assistente de ThomasThompson. E olha, eu não quero dizer que você é feia e tudo mais, mas...

- Relaxa, Vivian, eu sei o que você quer dizer. – Por fora, ela agiu supernormal, contudo, por dentro, esse fato a desanimava. A morena tinha uma autoestima negativa, e competir injustamente com as top models da porta a deixava ainda mais deprimida. Contudo, aquilo era a oportunidade da sua vida. Megan era jovem, inteligente e uma das coisas que ela mais ama na vida é usar calça de moletom no frio, com uma pipoca e Netflix, e seu sonho de ser uma assistente administrativa estava a um passo de se tornar real. Claro que ela conhecia a má fama do seu possível chefe, mas não se importava, pois ela tinha convicção de que com ela, ele não teria problemas. – Não custa tentar.

- Boa sorte. – Vivian não queria deixar a amiga triste, mas se preocupava. Afinal, às vezes, a amiga se lamentava e entrava em um discurso pessoal do quanto ela não era bonita e que nunca conseguiria nada se não fosse, no mínimo, arrumada. O patriarcado era seu verdadeiro inimigo. – Quando terminar, pode me ligar que venho te buscar.

Vivian trabalhava em um fastfood e fazia de tudo pela sua melhor amiga. Megan entendia o seu medo e preocupação, mas jurava que era forte o bastante para aceitar a recusa.

- Não precisa se preocupar. Eu não quero que saia do seu trabalho por minha causa.

- Faria qualquer coisa por você.

- Eu sei.

As duas riram e Megan saiu, respirando fundo e pensando positivo. Ela não pensou no que faria depois do resultado, só no caso de um não.

No caso: ficaria chateada e decepcionada, mas aceitaria. Então, se olharia no espelho e odiaria seu reflexo, pois o mundo era injusto e não lhe dava oportunidade por ela não ser bonita, e que, mesmo com seu currículo e recomendações, se você não tem belas pernas, cintura fina e peitos grandes o suficiente para seduzir seu chefe, não conseguia chegar a lugar nenhum.

- Megan, você é melhor do que isso. Não precisa ficar nervosa. – Falou a si mesma.

Com um sorriso no rosto, ela foi até a fila de mulheres lindas, com cabelos lisos e enormes, vestidas com roupas justas e de salto alto, muito diferente dela, que tinha cabelos ondulados, presos em um rabo de cavalo, uma calça jeans básica, uma blusa branca com um casaco por cima, e uma bota preta de salto médio. Além dos óculos.

As mulheres olharam para a pequena com tanto desdém que algumas riram. Isso quebrou a mínima confiança de Megan, mas ela não baixou a cabeça. Pensou em não se importar com as concorrentes e fazer o seu melhor na entrevista.

O prédio era enorme, uma entrada imponente que a deixava tonta. Provavelmente elas seriam levadas para dentro, para alguma sala onde fariam a entrevista.

Assim que o carro de Caroline parou em sua vaga, todas se animaram. Megan sentiu seu coração na mão. Não tinha como voltar atrás. Por um momento, olhou em volta e quis se enfiar em um buraco. Então, todas assistiram, ansiosas, a mulher descer e se dirigir à entrada.

Com classe e agindo como superior, usando um óculos escuro e sua bolsa branca de grife, ela não quis olhar para nenhuma, mas como estava com os óculos, pôde avaliar, de primeira, recebendo um spoiler de como será seu dia.

Ela já passou por aquilo antes. Um monte de mulheres entregando seu currículo para dormir com seu irmão. Obviamente, se ela escolher uma daquelas, não dará dois dias para que ele a coloque na sua cama.

Então, a surpreendendo, uma entre elas chamou sua atenção. De cabeça baixa, a morena de óculos a olhava com olhos arregalados. Ela arrumou a jaqueta e espremeu a pasta em seus braços. Caroline a olhou dos pés à cabeça. Seu rosto pálido, com uma coloração avermelhada no momento em que ela passou, a fez rir.

Na cabecinha de Megan, era um deboche. Obviamente que ela só entraria, gaguejaria e seria mandada embora, mas já que estava ali, não sairia correndo. Seria muito humilhante. Assumir a derrota.

Já Caroline, estava certa de que, boa ou não, aquela era sua escolhida.

- Você deveria correr, antes que passe mais vergonha. – Uma loira disse, rindo de Megan, a deixando ainda mais tímida. – Não vê que ela não vai escolher uma desajeitada como você?

Megan ficou furiosa. Ela queria dizer muitas coisas à desaforada, como:

- Claro, sua perua, porque uma peituda que se veste como uma prostituta será a escolhida. Acha mesmo que vão escolher você ou outra, que se veste tão vulgar, para estar ao lado de Thomas Thompson? Aposto que não sabe nada dele a não ser que é um pegador. Aposto que ficará menos de uma semana, até ele a levar para cama e você perder o emprego, pois vai criar expectativa de que, daquela vez, ele irá namorar com você.Mas sua timidez a impedia de bater de frente. Porém, quem estava ali? Caroline, e como já tinha decidido não perder seu dia de trabalho entrevistando mulheres vulgares, para no fim ouvir a nerd tímida, ela tomou uma atitude antes de entrar no prédio.

A mulher parou, virou e baixou um pouco o óculos, se aproximando lentamente.

Quando a loira notou isso, se calou, se encolhendo no canto e engolindo a língua.

Caroline, astuta, observou todas. Algumas riam, achando que isso era um pré-requisito, outras estavam nervosas, arrumando o cabelo liso, e depois, para Megan.

Seu rosto era lindo, olhos claros, uma confiança, embora escondida, transmitia uma boa impressão. A menina não sabia se seria mandada embora ali mesmo. Seria muito humilhante.

- Você – Caroline apontou para a baixinha, que ficou gelada. – Venha comigo. As outras, tenham um bom dia. Podem ir embora.

O choque foi coletivo. As mulheres olharam para Megan como se ela fosse um monstro. Pensando que seria morta, ela correu atrás de Caroline, para dentro do prédio.

Seu coração estava na boca. Não entendia se foi um sonho, erro ou alguma outra brincadeira, mas ali, ela não questionaria.

Capítulo 3

Ela parecia um pato assustado e curioso, foi o que Caroline pensou. Megan estava impressionada, ainda sem acreditar. Olhava todos os setores daquele lugar. Haviam muitas pessoas trabalhando. Uma enorme empresa de tecnologia.

Ela mal podia acreditar. Queria dar pulinhos de alegria, mas achava que seria recusada por parecer uma boba.

Merda! O que faço agora? Não cheguei a pensar no sim. Claro que já trabalhei antes, mas nunca nesse cargo. É o meu sonho e posso estragar tudo com a minha timidez. E sou um desastre ambulante. Tropeço, sou tagarela, quando ganho intimidade, e me visto como uma velha de oitenta anos.

Obviamente que Thomas vai rir na minha cara. Vai me olhar como se eu fosse um pato feio na sua frente, tremendo como vara verde.

Será que vou passar a odiar o meu chefe? Deus, que isso não aconteça. Sei que tem uma grande possibilidade de eu me decepcionar. Vou ser a assistente daquele cafajeste bonitão?

Meu Deus, vou surtar. Quem diria?

Claro, eu disse a mim mesma que não ia exagerar. Que iria ser recusada e choraria, enrolada ao meu edredom. Apesar de ter vinte e dois anos, sou humana e idiota, que não tem segurança em si mesma e na aparência.Respire fundo, Megan. Não gagueje. Olha para si, sou uma desajeitada, uso óculos de grau e prefiro roupas largas. Claro que Thomas vai rir quando me ver na sua frente.

Ela até parou de prestar atenção no caminho. Só entrou de uma só vez na sala de Caroline. Depois, Megan parou, esperando ela dizer algo. Ela era do tipo que fazia o que dissessem.

Já a irmã colocou sua bolsa na mesa de vidro, andou pelo escritório, com uma enorme janela de vidro, que deixava a luz de fora entrar, estantes reluzentes e alguns quadros minimalistas, observando a pequena Megan, tímida, que estava impressionada com o lugar.

- Nome? – Caroline perguntou, mas demorou um bom tempo para receber a resposta, pois Megan estava distraída.

- Megan Thompson. – Falou rápido, tentando passar uma boa impressão.

- Megan – Repetiu, a olhando dos pés à cabeça. – Megan, de onde é, com o que já trabalhou, é formada, por que veio até aqui?

Eram muitas perguntas ao mesmo tempo. Ela já estava nervosa. Tinha que se concentrar para não errar nada.

- Sou de Los Angeles, meus pais... enfim – Notou que Caroline não estava interessada em sua história de vida. – Trabalho com administração, e estou migrando para esse setor de assistente, e... – A pergunta: por que veio aqui: era bem óbvia. Um trabalho. Era o que aquilo era. A nova oportunidade de Megan mudar de vida. Claro que ela teria que se esforçar muito para mudar alguma coisa em si, contudo, ela esperava que com o tempo e experiência, conseguiria evoluir. – Tenho muito interesse em evoluir e acredito que trabalhar ao lado do Senhor Thompson vai me ajudar a conquistar o meu objetivo. Sendo sincera, eu li muita coisa sobre o senhor Thompson e sei que ele é muito bom no que faz, mas também... Vejo que ele é um homem... complicado e fiquei sabendo que nenhuma assistente dura. Não sei o porquê...

- Não sabe? – A loira riu até riu.

- Certo, eu sei, mas comigo a senhora nem tem que se preocupar.

- Querida, assim que pôs os olhos em você, eu soube que não precisava me preocupar. – Riu.

Certo, mas não precisava ser tão arrogante. Eu sei que não sou atraente.

- Vou uma profissional.

- Sabe, Megan, eu quero alguém que possa cuidar do Thom, quando não estou. – Ela começou afastando a cadeira e se sentando. – Ele é um problema ambulante. Aparece em sites de fofoca, está sofrendo seus erros e isso prejudica não só a sua vida, mas também, a empresa.

- Eu vi. – Penso em voz alta.

- Você, não faz o tipo dele.

- Tenho consciência disso. – Balançou a cabeça.

- Diferente das outras que estavam na porta.

- É, muito diferente.

- Cristian precisa de uma babá responsável, pois eu não tenho tanto tempo.

- Vou fazer esse trabalho muito bem.

- Fico feliz – Cerrou os olhos, projetando seu corpo sobre a mesa. – Regas e afazeres: Você não pode deixa-lo beber demais, nunca o deixe sozinho com uma mulher, não o deixe dirigir se estiver bêbado, não o deixe dar entrevistas se estiver bêbado. Você tem que cozinhar, ele faz uma dieta rigorosa e pró-treino, você vai cozinhar, fazer as bebidas, o acompanhar para todos os lugares, tem o dever de expulsar qualquer vadia que quiser transar com ele, e pelo amor de Deus, mesmo que não seja o tipo dele você é uma mulher, jamais vá para a cama com seu chefe ou vou demitir você no mesmo dia.

Megan engoliu em seco. Seu rosto ficou mais vermelho que um tomate.

- Isso não vai... – Sua voz falou. Pigarrou e continuou. – Não precisa se preocupar com isso, jamais vai acontecer.

- Se eu fosse você, não diria isso. Thomas pode surpreender as pessoas. – Cerrou os olhos.

Tímida, ela ficou nervosa. Seu coração ficou na boca.

- Não, eu sou uma pessoa correta. Além disso, nunca fui para cama com ninguém, não seria o meu chefe que...

Ela percebeu que falou demais.

Caroline achou estranho, mas pensou sobre o que ela disse.

- Você nunca foi para cama com um homem. - Nervosa, Megan coçou a nuca. A resposta, tímida, veio por meio de um aceno de cabeça. O sorriso de Caroline foi de orelha a orelha. – Virgem?

-Por favor, não fale muito alto.

- Querida, isso é uma qualidade. – Levantou da cadeira e foi até ela, observando de perto, as características na morena. – Thomasodeia Virgens. Ele corre delas.

- Há é? – Ficou surpresa.

- O assunto não vem ao caso, mas não se preocupe, vai se dar bem no trabalho. – Megan não estava preparada para um sim. Ela achou que correria para casa. – Você começa amanhã. Vou está a esperando na mansão. Vou explicar como tudo funciona e lhe dar as chaves.

As chaves da casa do Thomas Thompson?

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